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domingo, 30 de janeiro de 2011

Marcos Mairton e "O Tempo" no Cordel de Saia

Marcos Mairton
Quem quiser saber mais sobre Marcos Mairton basta acessar o blog: http://www.mundocordel.blogspot.com/ um blog bem democrático onde o mesmo com sua generosidade abre as portas para todos os seguimentos do cordel.
O TEMPO

Marcos Mairton

O tempo é um bicho teimoso


Que nunca obedece a gente.

Se a gente quer que ele corra,

Ele avança lentamente.

Mas, se quer que ele vá lento,

É ligeiro como o vento

Ou uma estrela cadente.



Bem o sabe aquela jovem

Que espera o namorado,

Olhando para o relógio

Que parece estar parado.

Mas, quando está com o rapaz,

O tempo parece mais

Um cavalo disparado.



No jogo de futebol

É a mesma situação:

Se seu time está vencendo

O tempo é só lentidão.

Mas, se o time está perdendo,

Lá vai o tempo correndo

Sem olhar nossa aflição.



O tempo passa depressa

Pra quem acordou agora,

Quer dormir mais um pouquinho,

Mas do trabalho é a hora.

Passa o tempo devagar

Para quem tem que esperar

Que um chato vá embora.



O homem tenta medir

O tempo que há no mundo,

Em anos, meses e dias

Horas, minutos, segundos.

Mas, também nessa medida

Pelo homem escolhida

O mistério é dos profundos.



Pois, se em mais de mil pedaços

Um dia for dividido,

Um pedaço é um minuto

Desse tempo repartido.

Nessas partes desiguais,

Tem dia curto demais

E minuto que é comprido.



Falo todas essas coisas

Mas eu sei que, na verdade,

O tempo é apenas fruto

Da nossa engenhosidade.

Fomos nós que o criamos

E agora nos sujeitamos

A toda essa má vontade.



Inventamos o relógio

E também o calendário,

Dividimos nossa vida,

De um jeito arbitrário,

E, em frações de existência,

Vivemos sob a regência

Desse ser imaginário.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Cordel de Saia Noticia : DOMÍNIO PÚBLICO


Abraços,
Rosário Pinto
Veja também:
http://rosarioecordel.blogspot.com
http://cantinhodadalinha.blogspot.com
 Foto: Rosário Pinto : acervo da Biblioteca Amadeu Amaral - que possui mais de 8.600 títulos de folhetos de cordel em Base de Dados e, mais de 5 mil digitalizados; e também disponibiliza outros links e sites de poetas e instituições detentoras de acervos de literatura de cordel

www.cnfcp.gov.br

Pegue carona e adquira:
100 Cordéis Históricos Segundo a ABLC
Editora:
Queima-Bucha
Formato: 21 X 28
Páginas: 568
Capa: Papel Triplex 350g 2 cores
Miolo: Papel Off-Set 90g P/B
Preço: R$ 50,00 (caixa com dois volumes)
Para envio por Correios será acrescentado o valor correspondente para cada cidade.
A coleção está à venda pelo e-mail 100cordeis@ablc.com.br.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

ABLC NO JORNAL DIARIO DO NORDESTE

Cariri tem primeira mulher na ABLC




Josenir Lacerda, do Crato, já tomou posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel. É a segunda cearense

Crato. Uma região destaque na produção de cordéis passa a ter, pela primeira vez, uma representante na Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). Josenir Alves de Lacerda, do Crato, é a primeira mulher caririense a fazer parte da entidade, e a segunda cearense. Ela foi empossada na cadeira número 37, no Rio de Janeiro, no último mês de dezembro. A cordelista teve um grande incentivador na sua caminhada: o poeta popular Antônio Gonçalves da Silva, o conhecido Patativa do Assaré, que chegou a fazer rimas de elogios ao trabalho da poeta cratense.

Um momento de emoção, em que o Cariri passa a ter uma representante na ABLC. Para Josenir, que assumiu a cadeira do titular Gonçalo Ferreira da Silva, é uma honra hoje estar nesse lugar. Ela está preparando o cordel, já que essa é uma missão de quem assume um lugar na academia, do seu titular. A presença da mulher e dos cordelistas cearenses na academia têm uma ênfase feminina. Josenir, agora imortal, passou a fazer parte a partir do seu contato com outra cearense, há cerca de 30 anos morando no Rio de Janeiro, Maria de Lourdes Aragão Catunda.

Josenir, nesse momento, prepara dois novos trabalhos para serem lançados por grandes editoras do cordel do Brasil. O primeiro deles, com um tema exclusivo sobre o cangaço, e que traz uma de suas características de trabalho, que é a pesquisa apurada. A "Medicina no Cangaço" será lançado pela editora Luzeiro, de São Paulo. A cordelista está ampliando um cordel que fez anteriormente, já que o cordel, que será lançado pela editora paulista, tem um formato maior e requer pelo menos 100 estrofes. Ela utilizou livros de pesquisadores do cangaço para verificar um tema diferenciado para explorar no cordel.

Outro trabalho virá pela editora Ensinamentos, de Brasília. Uma reedição do cordel, em livretos, escrito em parceria com o cordelista João Nicodemos. O cordel "Segredos da Natureza" fará parte da coleção Cesta Básica da Cultura e do Conhecimento. Mas a também integrante da Academia dos Cordelistas do Crato tem trabalhos na sua carreira de sucesso e com várias edições publicadas.

Um deles é "Linguajar Cearense", na quinta edição. Duas delas pela Tupinambá Editora, Livro Técnico e o primeiro pela Academia de Cordelistas do Crato. Esse trabalho, em particular, fez um giro pela internet, e serviu mais ainda para divulgar esse trabalho de Josenir, também fruto de uma pesquisa de resgate da linguagem coloquial do cearense. Termos, que segundo a cordelista, já não se fala mais. Por isso, a importância desse e a contribuição do cordel para o resgate.

Ainda criançaJosenir iniciou cedo no cordel. A menina tímida que começou a escrever versos de verdade para extravasar a sua timidez aos poucos conquista o seu espaço. De pequena, quando lia os clássicos do cordel para a avó, veio o tempero do imaginário.

A memória passa a ser povoada pelos príncipes e princesas, reis e rainhas, os dragões, os heróis nordestinos, o Pavão Misterioso. Ela vive cercada pela arte. Em casa, tem uma pequena lojinha de artesanato. O local é ponto de encontro de artistas, onde podem ser encontrados vários exemplares de cordéis, inclusive os seus.

São 63 livretos escritos. Desses, 14 parcerias, 16 coletâneas e 33 particulares. A inspiração surge de repente e os versos começam a ser decantados, entrando pelas suas origens. Josenir é funcionária pública aposentada. No trabalho brincava com os seus versos.

Desde que assumiu a Academia de Cordelistas do Crato, a convite do mestre Elói Teles, relembra a importância do folclorista que lutou pela preservação da literatura de cordel, teve uma preocupação em incentivara a participação da mulher.



Elizângela Santos, repórter
MAIS INFORMAÇÕES 
Espaço Cordel e Arte, localizado na Rua José Carvalho, 168, Bairro do Centro, Município do Crato - CE
Telefone: (88) 3512. 0827




FONTE: 
Jornal Diário do Nordeste de 16.01.2011, Caderno Regional
Leia mais em: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=918371

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Sacrifícios de Ivamberto

Ivamberto Albuquerque de Oliveira

Poeta de cordel, natural de Alagoa Grande (PB), nasceu em 25 de maio de 1950, em Zumbi, distrito de Alagoa Grande, (PB). Veio para o Rio de Janeiro em 1969. Atualmente faz o sacrifíco de voltar, periódicamente, à Paraíba para realizar cuidadosas pesquisas da cultura popular brasileira,  junto ao mar, aos amigos e porque não, regar todas essas pesquisas com uma boa "branquinha" ou vários chops. Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, ocupa a cadeira, nº 31, patronímica de Umberto Peregrino.


Sacrifícios de Ivamberto

Amigos internautas
Meu aviso é verdadeiro
De oito há trinta e um
Deste mês de janeiro
Estarei em João Pessoa
Curtindo numa boa
A família e os parceiros

São dias de sacrifícios
Que eu vou ter de enfrentar
Tomar água de coco
E na praia mergulhar
Comer um peixinho assado
Com uma cerveja de lado
E a brisa a refrescar

Este mesmo sacrifício
Eu desejo aos irmãos
E um abraço fraterno
Do fundo do coração
A vida só vale a pena
Se a alma não for pequena
O Pessoa tinha razão

Meu abraço, IVAMBERTO
ivambertoao@yahoo.com.br
Rio,  janeiro de 2011
Foto: Rosário Pinto
Ao lado do Pessoa no restaurante A Brasileira, no bairro do Chiado, em Lisboa (PT)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A INVASÃO NO ALEMÃO

Foto: G1
A INVASÃO NO ALEMÃO

1
Foi notícia nos jornais,
Mostrou a televisão
A desordem na cidade
A tamanha confusão
O ataque de bandidos
E o terror no Alemão.
2
Ó meu São Sebastião,
Mártir Santo Padroeiro,
Proteja a população
Deste Rio de Janeiro
Que sofre com a violência,
Dum grupo de bandoleiro.
3
É polícia pra todo lado
É bandido e caveirão.
Com essa violência toda
Quem sofre é a população
Que fica presa em casa
Com medo da situação.
4
É todo mundo botando
Em suas portas tramelas.
É bala comendo solto,
No asfalto e nas favelas.
Sofre pobre, sofre rico,
Fugindo destas Mazelas.
5
Por falta de segurança.
Escolas foram fechadas.
O terror é bem visível
Nas imagens propagadas.
Com tanta barbaridade,
Só com as forças armadas!
6
Até a igreja da Penha
Recinto de oração
Nesta guerrilha urbana
Foi vítima de invasão
Pelo espaço sagrado
Faltou consideração
7
Ônibus incendiados,
Motos, carros, também.
Com a revolta do povo,
A resposta logo vem.
Autoridades unidas,
Traçam planos que convem
8
Sofreu a Vila Cruzeiro,
E tremeu o Alemão.
Ao ver as autoridades
Tomando a decisão
De invadir a favela...
E houve a invasão!
9
Exército compareceu
Com seu verde esperança.
E mostrando sua força
A todos deu e confiança
Anunciando enfim
Que chegaria a bonança.
10
Bandido foi transferido,
Pra outra jurisdição.
Alguns foram mortos,
Com a polícia em ação.
E outros se entregaram
Indo parar na prisão.
11
O reboliço foi feio,
O bicho de fato pegou.
Teve até mãe de bandido
Que seu filho entregou
Querendo salvar a cria
Que um dia ela gerou.
12
Policiais e políticos,
E toda sociedade,
O povo todo unido,
Teve, sim, autoridade
Para colocar um fim
Na cruel barbaridade.
13
Eu não sei se realmente,
Mudará a situação,
E todo esse processo
Sem a continuação
Não ajudará em nada
O morro do Alemão.
14
Que essa comunidade,
Seja então pacificada.
Que crianças corram livres
Sem temer sua estrada.
E que os trabalhadores
Voltem a sua jornada.
15
Espero que os políticos
Cumpram a obrigação
De dar estudo, trabalho
A carente população,
Das pobres comunidades
Sedentas de solução.
16
Na favela tem bandido,
Isso é uma verdade.
Mas também tem gente boa,
Com sua dignidade.
Que merece nova vida
Com menos dificuldade.
17
Aonde o poder público,
Firme, não se manifesta,
E a tropa do mal chega
Fazendo a sua festa
No comando do lugar
Aparece sempre um testa.
18
Tanto pode ser bandido
Como algum miliciano.
Que lá na comunidade
Acaba então mandando.
E quem mora na favela
Sofre com este comando.
19
Mais uma vez eu convoco
Ao meu Santo padroeiro,
Que proteja a cidade
Que é o Rio de Janeiro.
Ó meu São Sebastião,
Livrai-nos deste salseiro.
20
Neste cordel eu registro.
Um caso que se passou
No fim de dois mil e dez.
E a todos apavorou,
Mas o Rio de Janeiro
Bem alegre ressuscitou.
21
Neste cordel eu registro.
Um caso que se passou
No fim de dois mil e dez.
E a todos apavorou,
Mas o Rio de Janeiro
Bem alegre ressuscitou.

Texto: Dalinha Catunda
Visite: http://www.cantinhodadalinha.blogspot.com/

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

UM MIMO DE CHICO SALLES

Chico Salles é cantor, compositor e músico. Natural de Sousa na Paraiba. Ocupa a cadeira de nº 10, que tem como patrono Catulo da Paixão Cearense.
Para a Josenir e as demais mulheres:
Mulheres do meu Brasil
Agora em novo papel
Escrevendo para o mundo
Lindos textos em cordel
Colorindo nossa praia
No Blog Cordel de Saia
Feito a douçura do mel.
Chico Salles
*
Chico Salles obrigada
Por abrigar-se nas saias,
Dessas Marias poéticas,
Quem jamais fogem das raias.
De poetas menetréis,
Cumprindo os seus papéis
Nestas Saias sem tocaias.
 Rosário
*
A mulher pediu licença,
Entrou na roda e cantou.
Começou a fazer versos
Com seus versos encantou.
Hoje faz roda e ciranda
No cordel de saia manda,
Seu espaço conquistou.
Dalinha
*
Ao poeta Chico Salles
O nosso agradecimento
Semear rimas e versos
Pra nós é contentamento
Mas nosso "Cordel de Saia"
Não é só renda e cambraia
Homem tem acolhimento.
Josenir Lacerda - Crato-Ceará
*
O poeta Chico Salles
que a mulher exaltou
aqui de meus Verde Vales
sua lira me tocou
sou grata, caro poeta
sua setilha é uma seta
que minha alma flechou!
Bastinha - Crato-Ceará

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O Xilogravurista Erivaldo Silva

Erivaldo Silva e Dalinha Catunda
O XILOGRAVURISTA ERIVALDO SILVA

Erivaldo nasceu no Rio de Janeiro, porém tem suas raízes no Nordeste. Filho do poeta popular Expedito F. Silva, cedo criou intimidade com a arte popular vendo seu pai vender cordéis na Feira de São Cristovão e mais tarde vendendo-os também.

Apaixonado por desenhos logo se transformou em artesão confeccionando xilogravuras. Um trabalho interessantíssimo em desenhos, esculpidos em madeira se transformam em matrizes dando origem às xilos que enriquecem as capas dos cordéis.

Em seu aprendizado teve a presença marcante de J. Borges um dos mais conceituados xilogravurista do Brasil.

J. Borges vindo ao Rio de Janeiro, para um evento na Feira de São Cristovão, hospedou-se na casa do pai de Erivaldo. Vendo aquele garoto tão interessado na arte de desenhar e esculpir, deu importantes dicas a Erivaldo, que apesar da pouca idade soube aproveitar bem os ensinamentos do mestre.

Atualmente, Erivaldo pode ser encontrado aos sábados e domingos na feira dos nordestinos ou Feira de São Cristovão como conhecemos, fazendo demonstrações de suas xilos e recebendo encomendas de trabalhos.

Tive o prazer de receber o artesão em minha casa, para uma visita de negócios, fiquei maravilhada com as peças para demonstração. Já conhecia o trabalho de Erivaldo, de quem sou cliente, mas ele se supera a cada novo trabalho.

Pela competência de Erivaldo, pelo seu profissionalismo e por sua simpatia achei por bem fazer uma matéria sobre este artesão que merece ser conhecido por uma quantidade maior de pessoas.

Os contatos para encomendas são:
xiloerivaldo@ig.com.br
Telefones: (21) 2664-7265 e (21) 8199-5016.
Texto e foto de Dalinha Catunda
Visite:
http://www.cantinhodadalinha.blogspot.com/
http://www.rosarioecordel.blogspot.com/