Seguidores

terça-feira, 1 de março de 2011

SEMANA DA MULHER

Dalinha Catunda - cadeira nº 25 da ABLC - patrono - Juvenal Galeno
MEU JEITO AGRESTE 
.
Não nasci de sete meses,
Não sou mulher assustada.
Nunca fui guia de cego
Mas sou bem desaforada.
O meu nome é Dalinha,
Outro melhor não tinha
Para eu ser retratada.
.
Não sou de dizer amém
Cabeça não sei baixar.
Tenho nariz empinado
Não sou de me rebaixar.
Tenho cabelos na venta
Meu pirão é com pimenta
Que arde de transpirar.
.
Nasci no meu Ceará
O meu chão é Ipueiras.
Adoro o meu Nordeste.
Sou da ala das guerreiras.
Preservo meu ar agreste,
Já peguei cabra da peste,
E nele botei coleiras.
.
Quem quiser me seguir
Que acompanhe meu passo.
Nem devagar nem ligeiro,
Pois tenho o meu compasso.
Aprendi lá no sertão,
A pisar em qualquer chão
Nem fico nem ultrapasso.
.
Sou abelha Dalinha,
Doce e de amargar.
Se hoje oferto mel
Também posso ferroar.
Meu mel e meu ferrão,
Conforme a situação
Sou obrigada a usar.
.
Gosto de ser instintiva
Não queira me adestrar.
Este meu jeito agreste
Trouxe do meu Ceará.
Tenho lá minha doçura
Mas só mostro ternura
Se de fato me encantar.
Dia 08 de março é o dia internacional da mulher durante esta semana estarei postando textos relativos a mulher.

.Foto e texto de Dalinha Catunda
Visite também: www.cantinhodadalinha.blogspot.com
http://rosarioecordel.blogspot.com/ 

http://encontrocompoetas.blogspot.com/
II Encontro de poetas populares e Rodas de Cantoria
17 e 18 de março, no CNFCP – auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro,
das 14:30 às 18:30 h
Entrada franca

domingo, 27 de fevereiro de 2011

II Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria

Academia Brasileira de Literatura de Cordel
ABLC

II Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria

            Contemplado pela Secretaria de Estado de Cultura do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o projeto Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria busca difundir o cordel, levando à reflexão, ao debate, discutindo características, temas e abordagens; resgatando e apresentando ao público algumas de suas obras mais notórias, além de fomentar a produção e a formação de novos leitores e poetas.
Idealização de Fernando Assumpção, benemérito da ABLC, é o 3º edital conquistado junto a Secretaria de Estado e Cultura do Rio de Janeiro. Realização da ABLC, em parceria com o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular -  www.cnfcp.gov.br - este projeto contribui para o debate sobre a literatura de cordel e a cultura popular produzidas no Brasil deste o seu aparecimento, tendo sido estas acompanhadas de perto pela ABLC nos seus 22 anos de existência. Dessa forma, resgata e dissemina a produção intelectual de seus poetas e o seu histórico na literatura nacional. Além disso, mostra a contribuição de autores e estudiosos para a consolidação desse gênero literário.
Serão dois dias de encontros literários, 17 e 18 de março de 2011, com entrada gratuita, no auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro, à rua do Catete, 179. Conduzidos por poetas e cantadores convidados, dentre nomes importantes do universo da literatura de cordel, e que têm atuação constante na ABLC.
Estes encontros organizados no formato de aulas-espetáculo, contarão com a participação especial do poeta Manoel Monteiro, de Campina Grande, PB, o presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva.

PROGRAMAÇÃO

Dia 17 MAR

14:30h – Oficina: O Cordel, suas manhas e mumunhas – com Separo Campelo;

16:00h – Encontro: Literatura de cordel: o tempo é hoje.
Como a literatura de cordel evoluiu e permanece viva com gênero literário e fragmento da cultura popular, transitando entre o simbólico e a resignificação dos códigos.
Com presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva, poeta Manoel            Monteiro e Maria Rosário Pinto.

18:30h – Roda de Cantoria – com Mestre Azulão

Dia 18 MAR

14:30h – Oficina: A literatura de Cordel, evolução e firmamento – com Mestre Campinense

16:00h – Encontro: Literatura de Cordel, Desafio e Pelejas: o cordel na contemporaneidade
Como a Literatura de cordel se apropriou das novas formas de comunicação e fez material para a divulgação de seu conteúdo e instrumento para o processo identitário nacional.

Com Dalinha Catunda, João Batista Mello e Ivamberto Albuquerque

18:30 – Roda de Cantoria com Sergival e Chico Salles

Consulte o blog:

http://encontrocompoetas.blogspot.com/
II Encontro de poetas populares e Rodas de Cantoria
17 e 18 de março, no CNFCP – auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro,
das 14:30 às 18:30  h 
Entrada franca

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ciranda - CORDEL NA INTERNET


Ciranda - CORDEL NA INTERNET


Caros poetas que contribuíram com suas estrofes para a postagem “Cordel na Internet,”
Cordel de Saia retoma as costumeiras Cirandas, aqui organizadas, com o objetivo de agregar poetas cordelistas e firmar o valor da internet como fonte de informação, tema e ferramenta de trabalho de grande parte dos poetas de cordel nos dias atuais.
Parabenizamos a todos pela abordagem desta temática em versos e deixamos aqui os nossos mais sinceros agradecimentos.

Cordialmente,
Dalinha Catunda
Rosário Pinto


*
Filho amado da mente nordestina,
Sempre teve o cordel grande sucesso.
Cavalgando no dorso do progresso,
Mas fiel à escola leandrina
Muitas vezes saiu da oficina,
Em notícia de impacto social.
Foi aí que o cordel se fez jornal,
Na linguagem padrão e não matuta,
Sendo a modernidade absoluta
Pode e deve o cordel ser virtual.
(Gonçalo Ferreira - Ipu/CE)

*
A internet chegou
Como grande aliada
Pro cordel abriu estrada,
E o cordelista gostou
No virtual apostou
E com tecnologia
Espalhou sua poesia
Por este mundo global
Onde o cordel tem aval
Nesta metodologia.
(Dalinha Catunda – Ipueiras/CE)

*
O cordel hoje é manchete.
Está na mídia virtual.
Antes, ele foi oral.
Passou pelo ofsete.
Namora com a internet.
Hoje, com tranquilidade,
Mostra versatilidade,
Dela tira seu proveito,
Tem com ela laço estreito.
Brinca, qual marionete.
(Rosário Pinto – Bacabal/MA)

*
O cordel tem esse jeito
De caminhar sem cair
E também de exibir
Seu talento e respeito
Mostrando com muito jeito
O saber da paciência
Alertando a consciência
Da grandeza cultural
Agora também virtual
Mantém sua coerência.
(Chico Salles – Souza/PB)

*
Pra quem procura por perto
Morada pra poesia,
Pode dizer com alegria
Que encontrou lugar certo:
A net é espaço aberto
Pra o poeta versejar
E em verso desafiar
Os quatro cantos do mundo,
Numa fração de segundo,
Sem sair do seu lugar.
(Nezite Alencar – Crato/CE)

*
O cordel na internet
Ganhou vez, voz e espaço
Internautas num abraço
Fizeram dele, vedete
Nos sites virou manchete
Nos blogs ganhou mais fama
Feliz, não mais se reclama
Nem teme o anonimato
Reconhecido de fato
Toda a rede lhe proclama.
(Josenir Lacerda-Crato/CE)

*
Graças à tecnologia
Tudo tem novo valor
Abra o seu computador
E poste a sua poesia
Aquela... que ninguém lia
E nesse mundo virtual
Com linguagem digital
O mundo vai percorrer
E você vai agradecer
A esse espaço genial.
(Nelcimá de Morais – Santa Luzia/PB)

*
O cordel na internet
É uma necessidade
Pela dificuldade
De expor nosso trabalho
Uma vaca sem chocalho
Ninguém sabe onde está
Precisamos propagar
Costumes e tradição
Deixe o corisco e o trovão
Explodir no meio do mar.
(Ivamberto Albuquerque-Alagoa-Grande/PB)

*
Está na universidade
Aqui e em outras nações,
Falando das tradições
Pra gente de toda idade;
Invadiu sertão, cidade
Cresceu e virou manchete
Qualquer assunto reflete
De forma mais verdadeira
Ultrapassou a fronteira
E brilha na internet  !
(Bastinha Job – Santo Amaro Assaré/CE)

*
Quem pensa que folhetos de papel
E impressão com rasteira qualidade
É a forma, com exclusividade,
De se ver publicado o cordel
Não percebe que o grande carrossel
Deste mundo não para de girar.
O cordel, para se modernizar,
A mudança do mundo ele reflete,
Foi assim que o cordel na internet
Começou, de repente, a se espalhar.
(Marcos Mairton – Fortaleza /CE)

*
Para mim que sou do tempo antigo
INTERNET parece coisa estranha,
Porém, sei com ela o cordel ganha
Asas pra voar e, sem perigo,
Se nas feiras ontem tinha abrigo
Hoje tem por cliente o mundo inteiro,
Professor, estudante, oficineiro
Podem ler o cordel a qualquer hora
Por isso o cordel se faz agora
Acessível a todo brasileiro.
(Manoel Monteiro da Silva – Bezerros/PE)

*
Os versos de artistas tão tradicionais
Aderaldo, Patativa e também Azulão
Botado em livreto, pendurado em cordão
Prática que fez dos cordéis os jornais
Mais lidos nas feiras e também nos quintais
Hoje, esse costume ficou rarefeito
E apesar do verso se manter perfeito
É mais lido na tela de um computador
Na tal da internet veio com clamor
Adeus ao papel! Danou-se! Tá feito
(Ricardo Aragão – Ipu/CE)

*
Com o cordel na internet
Vislumbro a oportunidade
De quem faz e não promete
Viver na modernidade
E com personalidade
Mostrar a nova feição
Sem fugir à tradição
Dessa fonte cultural
Com a forma original
Para a sua criação
(Zé Walter [José Walter Pires] – Brumado/BA)

*
Publicar virtualmente
Um cordel, hoje é possível
A tecnologia é incrível
E está dando patente
A quem antes era ausente
Da cintilância da fama,
A internet é a cama
Pra o poeta deleitar
Conhecer e publicar
Essa arte que o Brasil ama.
(Raul Poeta – Juazeiro do Norte/CE)

*
Com a chegada da Internet
O cordel ganhou mais vida.
Agora não tem saída
Nós vamos pintar o sete
Na TV, rádio, manchete
Em qualquer lugar fecundo
Nosso versejar profundo
Estará mais que presente
Alegrando a toda gente
No Brasil e além mundo.
*

(Antonio Barreto - BA)

*
Gostaria de opinar sobre o tema
A respeito do cordel na Internet
Acho que a cada cordelista compete
Divulgar beira-mar, mourão poema
Afinal, dos versos, todo o sistema
Entendo que o cordel é soberano
Mostremos para o mundo novo plano
Se se afastar muito do passado
Lembremos cada vate renomado
Nos dez pés do martelo alagoano
(Antônio de Araújo Campinense - Campina Grande/PB)

*
O livreto pendurado
Em cordão numa barraca
Já é visão meio fraca
Que faz lembrar o passado.
Hoje muito divulgado
Em diferentes canais,
Nos saraus, em recitais
Recebe aplausos, confete
O cordel na internet
Cresce cada dia mais.
(Creusa Meira – BA)

*
Quando vi em plena feira
um cabra se esgoelando
bonitos versos cantando
fiquei ali de bobeira.
Ele desceu da cadeira
e ficou a me olhar
parecendo advinhar:
"Menino, você promete,
o Cordel na internet
sua vida vai mudar".
(José Alberto CostaMaceió/AL)

*
Com a inclusão digital,
Um novo leque se abriu
E dentro dele surgiu
O poeta virtual.
Acessando esse portal,
O poeta usa um teclado.
Que corrige o verso errado,
Lapida, cola e copia.
Salve a tecnologia
E o Cordel modernizado!
 (Damião Metamorfose)

*
Antes do computador
Tínhamos fragilidades,
Hoje nas comunidades
O cordel tem mais valor.
Cordelista ou cantador
Quando um cordel escrevia,
Era só ele quem lia,
O caderno amofumbava.
Uma parte o mofo dava,
A outra, a traça comia.
(Eduardo Viana)


Ilustração: Xilo de Severino Borges retirada da intenet


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CORDEL EM MOVIMENTO


Poetas, leitores e amantes do cordel,
Recebi do prof. Casemiro Campos este convite e também um reforço do poeta Marcos Mairton, ciente que a divulgação é o que de melhor podemos fazer por um autor, estou repasando a nota recebida.
 Gostaria de acrescentar que Zé Maria de Fortaleza é  membro da ABLC ocupando a cadeira 24 que tem como patrono Francisco Sales Areda.
Cordialmente
Dalinha Catunda

CONVITE

O SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO e a EDITORA IMEPH têm a honra de convidar-lhe para o Projeto Bazar das Letras, a realizar-se nesta quarta-feira - dia 16 de fevereiro de 2011, às 18h, no SESC-Centro - Rua 24 de maio 692 - Centro, oportunidade que teremos o lançamento dos livros:
- A Gramática em Cordel
Autor: Zé Maria de Fortaleza
- A História de Antonio Conselheiro
Autor: Geraldo Amancio.
- Ambos pela Editora IMEPH.
Projeto Bazar das Letras
Dia: 16 de fevereiro de 2011;
Hora: às 18h;
Local: SESC-Centro - Rua 24 de Maio, 692 - Centro.
Carto da sua atenção,
Grato,
Prof. Casemiro Campos.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

CORDEL NA INTERNET

LEMBRETE:
Caros poetas,
Já recebemos um numero considerável de estrofes, referentes à postagem: “Cordel na Internet”
Como pedimos apenas décimas, sem maiores explicações, estamos aceitando outras modalidades como: Martelo, martelo alagoano, e a décima propriamente dita.
Estaremos encerrando o recebimento das contribuições quinta-feira dia 17 de fevereiro.
Os poetas que ainda não contribuíram, por favor, mandem no final da estrofe além do nome a cidade de origem.
Companheiros da ABLC- Academia Brasileira de Literatura de Cordel.
 Estamos preparando uma postagem para publicar no blog Cordel de Saia e no blog da ABLC que terá como título: CORDEL NA INTERNET.
Gostaríamos que cada um da vocês fizessem uma décima falando sobre a importância da internet para o cordel.
Caso se interessem pelo assunto mandem seu versos para:dalinhaac@gmail.com e em cc para rosariuspinto@gmail.com
Assessoria de imprensa da ABLC
Dalinha Catunda
Rosário Pinto

sábado, 5 de fevereiro de 2011

MINHA REVOLTA

Amigos, desfrutem do oportuno texto do acadêmico da ABLC Ivamberto Albuquerque
Minha Revolta
Quando alguém solta um pum
Fecha o nariz balança a mão
Ninguém quer assumir
É igual ao apagão
O governo não tem resposta
Sente-se o cheiro da bosta.
Nos quatro cantos da nação.

Quem manda na energia
É o Edson Lobão
Ele morreu e não sabe
Já perdeu toda noção
Ele é amigo do Sarney
Que explora eu e vocês.
Desde o tempo de Adão.
*
O país tem três poderes
Vem outro na contra-mão
É o poder econômico
Que explora toda nação
Quando o dinheiro fala
A razão logo se cala.
Quem se lasca o cidadão.

Dobrar os seus salários
Não lhes falta competência
O quarto poder massacra
Sem a menor consciência
Ficam mesmo á vontade
As nossas autoridades.
Ainda lhe faz continência.
*
Está elite sem vergonha
Envergonha o país
Abutres exploradores
Que destino infeliz!
Vamos fazer uma teia
Cortar o pulso e a veia
E o mau pela raiz.
Texto: Ivamberto Albuquerque.
 Comentário da Cordelista Rosário Pinto
Amigos, solidarizo-me com o colega Ivamberto na revolta com tantos desmandos. Se já observaram, agora pagamos, em nossas contas de luz, um cota para a aluminação pública... Isto não é pagar imposto em dobro?!? 
O povo passando fome
E com a barriga vazia
Já perdeu as esperanças
E também a fantasia
Pagando pelos enganos
Com erros em demasia

Se você observar
Na sua conta de luz
Vem um adicional
Essa é a nossa cruz
Pagar impostos dobrados
Morrer pregado na cruz

Sem ter a quem reclamar
Paga conta exorbitante
Liga para o ouvidor
Com ouvidos de mercante
Cansado, o povo desiste
Do sonho de reclamante
Comentário do professor Licínio Filho
Estes versos indignados
do cordelista Ivamberto
ecoarão na internet
como um grito de protesto
É hora de dizer basta
aos canalhas do Congresso

Êta corja de larápios
eleitos pela nação
Êta povo atrapalhado
que não vota certo não
Será por falta de escola
que admiramos o ladrão? 


Foto: Dalinha Catunda.
Visite também:
www.continhodadalinha.blogspot.com
www.rosarioecordel.blogspot.com

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A ARTE DE APANHAR

A ARTE DE APANHAR
*

Fui menina levada
Aprontando pelo sertão.
Apanhei de corda e relho,
E bainha de facão.
*
Tomei benção à palmatória,
Não escapei de cipó,
De cinturão com fivela,
Apanhei de fazer dó.
*
Já era eu diplomada,
Na arte de apanhar,
Antes que o pau comesse
Já começava a gritar.
*
Era assim que chamava,
Dos vizinhos a atenção.
E as surras do dia-a-dia
Tinham menor duração.
*
O certo é que eu apanhava,
Dia sim, outro também,
Mas fazia o que queria
Sem me importar com ninguém.
*
E foi debaixo de peia,
Que construí meu caminho,
Não se pode colher rosa,
Sem esbarrar em espinhos

Texto: Dalinha Catunda
Imagem:inblogs.com.br
Visite também: http://www.cantinhodadalinha.blogspot.com/