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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

De Airton Soares para Dalinha Catunda

Você, Dalinha, é inconteste
Cordelista de primeira
Escreve que nem uma peste
De pé, deitada... na cadeira
Cantando de leste a oeste
O agreste das Ipueira.

Tem as oiça apurada
Pro elogio e pra mesura
Pra lá de fina, educada,
Mas se precisar você jura
não gostar da “frescura”
da elite empavonada
de cifrão e falsa cultura.

“Escorregou”- tem confronto -
Não escapa nem a poeira
Sempre tem um mote pronto
guardado na algibeira
Pra denunciar sem desconto
Quem faz suas “besteira”.

Num qualquer raiar do dia
Em outro instante qualquer
Continuo essa apologia
a esta grande mulher
que é toda poesia!
Quer as prova, quer?
Pois siga este guia (1)
Veja se o que disse, não é!
*
(1) www.cantinhodadalinha.blogspot.com
Texto e foto de Airton Soares
Agradeço este mimo que recebi de Airton

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Rito de passagem

Ando tão enauseada com o descaso que presenciamos na área da cultura que temo os dias que virão. Pelo andar da carruagem e pelas cuspidas dos dragões do orçamento, ficaremos mesmo, cada dia mais incultos.

Ritos de passagem

Rito de passagem é
Situação bem difícil,
Às vezes, é sacrifício.
A felicidade é
Sentir-se assim, mulher.
Para a mãe, dores do parto,
Com o filho, eu reparto,
Toda a perplexidade,
Depois, a felicidade,
Se ao Rito se ativer.
*
Mas há Ritos dolorosos,
Que só trazem dissabores,
São os manipuladores,
São aqueles acintosos,
De aspectos asquerosos
Por perversos orquestrados,
Em cargos empoleirados,
Tramados, só em surdina,
Que a todos subordina,
Às vezes, são gangrenosos
*
CUSPIR é má educação
É expurgo extraído,
E, quando é expelido,
Vai direto para o chão
E não há qualquer senão.
Sem responsabilidade,
Só reflete a maldade.
Quem o faz é incapaz,
Mas, parece que lhe apraz,
Expurgar sua maldade.
(Rosário Pinto)
Imagem extraída da internet

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

SINGRANDO


SINGRANDO
*
A vida é tão boa
Ouvi de alguém,
Que só me quer bem,
E até me diz loa.
Vou nesta canoa
Com ele embarcar
Viver para amar
Curtir minha vida,
A nau proibida
Tirei do hangar.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

LEILÃO DE TABACO

LEILÃO DE TABACO
*
A menina resolveu
Estrear o seu tabaco,
Mostrou na internet
Que era dona do buraco,
Junto com um cafetão
Botou o bicho em leilão
Entrou pra turma de Baco.
*
Um Japonês estribado,
Nas contas fez um regaço,
Foi indo de lance em lance
Sem ter maior embaraço
E para a satisfação
De quem tem pinto anão
Arrematou o cabaço.
*
A mulher que antes dava,
Agora passou a vender
O pobre está lascado,
Sem dinheiro pra comer,
E agora com a invenção,
De tabaco em leilão
A jumenta vai sofrer.
*
Quem hoje leiloa a frente,
Amanhã leiloa atrás
Quem abre o próprio negócio
Sabe que o lucro apraz
No mundo da putaria
Não falta mercadoria
E a cobiça é voraz.
*
Versos de Dalinha Catunda
Xilogravura de J. Borges

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

ALFORRIADA

Dalinha Catunda

ALFORRIADA
*
O tempo da servidão,
Lá no passado ficou.
Sua carta de alforria
A mulher já conquistou,
Hoje ela quer um parceiro
Não um dono e cativeiro
Este tempo já passou.
*
Quem tem os passos contados,
Quem tem antolhos e peia,
Não vive apenas padece
Invejando a vida alheia.
Para falar a verdade
Desconhece a liberdade
Mas sabe o que é cadeia.
*
Quem fala alto pede grito,
Quem dá coice quer patada,
Assim diz minha cartilha
E por ela sou guiada.
Tenho meu discernimento
Conduzo meu pensamento
Não me vejo aprisionada.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda