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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

ALFORRIADA

Dalinha Catunda

ALFORRIADA
*
O tempo da servidão,
Lá no passado ficou.
Sua carta de alforria
A mulher já conquistou,
Hoje ela quer um parceiro
Não um dono e cativeiro
Este tempo já passou.
*
Quem tem os passos contados,
Quem tem antolhos e peia,
Não vive apenas padece
Invejando a vida alheia.
Para falar a verdade
Desconhece a liberdade
Mas sabe o que é cadeia.
*
Quem fala alto pede grito,
Quem dá coice quer patada,
Assim diz minha cartilha
E por ela sou guiada.
Tenho meu discernimento
Conduzo meu pensamento
Não me vejo aprisionada.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda

                                                                                  

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

MULHERES E VERSOS

Williana Brito
Bastinha Job e Dalinha Catunda
















 Dalinha Catunda
Contemplar a natureza
O azul do céu apreciar,
Numa montanha cismar,
Mirando tanta riqueza
Farto os olhos de beleza
Não fujo a contemplação
Se enleva meu coração
Na hora do sol se pôr
Tudo isso chamo primor
Não vejo outra tradução.
*
Williana Brito
Sentir a brisa altaneira
Fazer dançar toda a mata;
Ver a lua cor de prata,
Ouvir uma cachoeira,
Tomar banho de biqueira
Sentindo os pingos na mão;
Ver chuva no meu sertão
Expurgar tristeza e dor
Tudo isso chamo primor
Não vejo outra tradução.
 *
Dalinha Catunda
O canto da passarada,
Festejando o amanhecer
É coisa que adoro ver
E que me deixa encantada,
Ver a campina orvalhada
E o brilho do sol no chão,
Iluminando o sertão
Nas manhãs do interior,
Tudo isso chamo primor
Não vejo outra tradução.
 *
 Williana Brito
Comer um fruto docinho
Tirado do pé na hora
Poder contemplar a aurora
Ver o mato bem verdinho
Ver mãe ninando o filhinho
Entoando uma canção
Irmão abraçando irmão
Num jardim cheio de flor
Tudo isso chamo primor
Não vejo outra tradução.
*
Bastinha Job
No Cantinho da Dalinha
encontrar Williana
a cordelista bacana,
as duas numa duplinha,
cada décima bem certinha
passou-me tanta emoção
digo com convicção:
Que versos cheios de cor
Tudo isso chamo primor
Não vejo outra tradução.
*
Mote de Dalinha Catunda





segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

DALINHA E POETAS CONVIDADOS

Foto e mote de Dalinha Catunda,
Postagem com poetas convidados
MOTE:
Nunca peguei na rodilha,
Mas tomei água de pote
*
Sou natural do Nordeste,
Nascida no Ceará.
Aprontei muito por lá
Na minha vidinha agreste
Aticei cabra da peste
Pra comigo dançar xote
Dançava, dava pinote,
Sem me assustar com braguilha.
Nunca peguei na rodilha
Mas tomei água de pote.
Dalinha Catunda
*
Guardo vivos na lembrança
Momentos especiais
De folguedos nos quintais
Do meu tempo de criança
Havia também cobrança
Que eu cumpria sem fricote
Enrolava um saiote
Para apoiar a vasilha
Eu já usei a rodilha
E tomei água de pote.

Creusa Meira 
*

Nasci na Vila do Amaro
  terrinha que me cativa
  Recebi de Patativa
  o conselho e o amparo
  o bafejo do seu faro
  inspirou também meu mote
  na décima atei meu bote
  e fiz essa redondilha:
  Nunca peguei na rodilha
  Mas tomei água de pote!
 
Bastinha Job
Eu nasci na capital,
mas a coisa era apertada,
não tinha água encanada,
só um poço no quintal.
Dali bebia animal,
galinha, pato e capote,
gente grande e meninote,
o pai, a mãe e a filha.
Nunca peguei na rodilha,
Mas tomei água de pote.

Marcos Mairton 


Eu nasci em Maceió
Estado das Alagoas
ao qual teço minhas loas
sempre que eu vou por lá
pra tomar banho de mar
eu vou remando meu bote
e me lembrando que um mote
quebrou a minha setilha
nunca peguei na rodilha
mas tomei água de pote

Fred Monteiro 
Que você dava pinote,
Isso eu não creio, não,
Mulher do seu gabarito,
Aguenta qualquer rojão,
Mulher da melhor estirpe,
Das que há no meu sertão.
  Zé da Paraiba
Eu não nasci no nordeste.
Tenho o sangue misturado.
Paraíba, por um lado,
e Minas Gerais, sudeste.
Urbanóide e não agreste,
de bolero a fox-trote
dancei desde meninote
e até mesmo quadrilha.
Nunca peguei na rodilha
Mas tomei água de pote.
Hardy Guedes 

Por visto a minha vidinha
foi mais simplória que a sua:
brinquei de roda na rua, 
de peteca e amarelinha;
- Mas que insolência a minha -
vou modificar seu mote,
preste atenção e anote: 
fui além da sua trilha,
porque peguei na rodilha
e tomei água de pote!
Nezite Alencar
Também nasci no Nordeste
Bem ao sul do Ceará
Ainda vivo por cá
Levo uma vida campestre
Faço rima feito a peste
É só me mandar o mote
Que o verso sai em pacote
Enfeitado com presilha
Nunca peguei na rodilha
Mas tomei água de pote.
 (Anilda figueirêdo)
*
Lembro o banco de aroeira
Lá da casa de vovó
O jirau, o caritó
A antiga cantareira
A jarrona revedeira
Caneco boca em serrote
E pra completar meu mote
Vejo a surrada mantilha
Nunca peguei na rodilha
Mas bebi água de pote.
Josenir Lacerda
Eu também sou do Nordeste
E jamais saí daqui
Escolhi o Cariri
Que me acolhe e me reveste
Luar do sertão celeste
Da fogueira e do pinote
Quixotesco de um xote
Ancorado na forquilha
Nunca peguei na rodilha
Mas bebi água de pote.
Ulisses Germano
Sou caboclo nordestino
Do brejo Paraibano,
Do martelo alagoano,
Violado  com refino,
Exaltando Virgulino
O mensageiro da morte,
Este sertanejo forte,
Tão pouco leu a cartilha.
Nunca peguei na rodilha
Mas tomei água de pote.
Ivamberto Albuquerque