SERTÃO, MEU REINO ENCANTADO
1
Sou filha do Ceará
Sou cabocla nordestina
Por força das circunstâncias
Eu me tornei peregrina
Mas trago no matulão
As lembranças do sertão
Que minha alma rumina.
2
Em Ipueiras nasci
Amparada por parteira
Já me botaram quebranto
Curou-me a rezadeira
Figura sempre presente
Nos tempos de antigamente
Não faltava benzedeira.
3
Para mim, digo é sagrado
Seguir essa tradição
Eu tomo minhas mezinhas
Como nos tempos de então
O Chá da malva e cidreira
Inda faço na chaleira
E tomo como infusão.
4
Lembro do meu velho pai
Que chegou pertos dos cem
Vivia tomando chás
Das plantas que o sertão tem
Muito chá pra ele fiz
De casca, folha e raiz,
Jalapa, angico, e torém.
5
Eu acordava com o galo
Cantando ao raiar do dia
O meu café da manhã
Era mamãe quem fazia
Com goma de mandioca
Produzia a tapioca
Nosso pão do dia-a- dia.
6
Oito filhos mamãe tinha,
Enchendo seu casarão
Menino pra todo lado
Não faltava confusão
E na hora do conflito
Papai já metia o grito
E baixava o cinturão.
7
Era tempo de calçadas,
Brincadeiras e quintais
Bons tempos da meninice
Efêmeros, porém reais
Tatuados na memória
Mosaicos da minha história
Que não esqueço Jamais.
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