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terça-feira, 20 de março de 2018


O encontro “Nos passos de Laurinda” promovido pela atriz e diretora teatral Beth Araújo, realizado dia 18 de março de 2018, no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, em comemoração ao 39º aniversário deste Centro contou com o apoio e constante presença de seu diretor Fernando Assumpção e a participação do Grupo Poesia EnCena. Beth Araújo narrou a trajetória de dona Laurinda no bairro de Santa Teresa e na cidade do Rio de Janeiro. As festas e saraus que realizava em seu palacete, hoje Parque das Ruínas, marcaram a primeira metade do século XX. Lila Secron e Isabela Feliciano nos ofereceram música da melhor qualidade em apresentação impecável. Nesta data, lancei o folheto LAURINDA SANTOS LOBO, a mecenas de Santa Teresa.
1
Laurinda, grande mecenas!
Quem é esta brasileira?
Movimentou a cidade
Na colina ou na ribeira.
Ecoou por todo o estado
Fez Sarau movimentado
Na cultura brasileira.
2
Nascida em Cuiabá.
Veio pro Rio de Janeiro,
Acompanhada da mãe.
Tinha espírito altaneiro.
De caráter dominante, 
Tudo era interessante,
Tinha o olhar certeiro.
3
O tio Joaquim Murtinho
Médico proeminente
Homem de muita influência,
Que a recebeu sorridente.
Apresentou-lhe a cidade
E também a sociedade
Seu prestígio era evidente.
4
Aqui no Rio de Janeiro
Ela ficou conhecida
Como a “Diva dos Salões”.
Empunhou luta aguerrida,
Pelas causas feministas,
Lutou com as sufragistas.
Nunca se deu por vencida.
5
E lá em Santa Teresa
Sedimentou moradia
Em um belo palacete
Recebia com alegria
O poeta e o artista.
Era grande ativista
Lá, tudo se debatia.
6
Protagonizou sua época
Como mulher elegante,
Despertou muito ciúme,
Confundida com bacante.
Organizou muitas festas
Regadas com as serestas
Cada noite deslumbrante.
7
Laurinda abrigou a todos
Fossem nobres ou plebeus
Lá não havia um espaço
Que chamamos “gineceu”
A mulher tinha vez e voz
Desconhecia o algoz
A igualdade promoveu.
8
Laurinda empresta seu nome
Para o Centro Cultural,
Laurinda Santos Lobo!
Santa Teresa é o local
Um cenário de beleza,
Em meio à natureza,
Monte Alegre é o ramal.
9
Há quem pergunte e indague:
-- Foi aqui que ela viveu?
Sua morada era outra.
-- Não! Isto nunca aconteceu.
Foi no Parque das Ruínas
De instalações genuínas
Onde tudo aconteceu.
10
Ao Maestro Villa-Lobos,
Laurinda patrocinou.
Uma viagem a Paris,
Onde se apresentou,
Numa audição de sucesso
Conquistou o seu ingresso,
E na Europa brilhou.
11
Em conversa com Tarsila,
Vendo um quadro indagou:
-- Dona Tarsila, me diga:
O que foi que motivou,
Um pauzinho e uma cobra,
Subindo, fazendo dobra,
E este ovo, já chocou?
12
E diante da artista, 
Com toda desenvoltura,
Aquela nada dizia,
Partiu para outra moldura.
Tarsila muito abismada: 
-- Não significa nada!
É somente uma costura.
13
-- Costuro minhas ideias
Em tela, tinta e pincel,
Num olhar renovador,
Exerço o meu papel
De artista visual
Componho grande vitral
Expondo belo painel.
14
Laurinda apoiou as letras.
Dentre seus frequentadores,
Estava Manoel Bandeira
Eram tantos escritores
Que ali faziam paragem
Compondo a engrenagem
Em Saraus acolhedores.
15
Lutou pela afirmação
Da cultura nacional
Congregou todas as artes
De riqueza sem igual
Momentos de efervescência
Salão de grande influência 
Na capital federal.
16
O Salão de dona Laurinda,
Foi ponto do Modernismo
Que na década de 20,
Rompe o academicismo.
Um caldeirão de cultura
Artistas de toda estatura
Momento de antagonismo.
17
Foi um grande baluarte
Naquele momento incerto. 
O Salão causou escândalos
Na sociedade, e decerto,
Apontado de vulgar
Mas nada pode abalar
O Modernismo desperto.
18
A sociedade passava
Por grande transformação.
Reuniu também político,
Defendendo a Nação,
Da cultura estrangeira
E da pauta forasteira,
Nacional era o refrão.
19
Júlia Lopes de Almeida
O salão frequentou
Em notadas literárias
Sua marca ali deixou.
Foi também uma ativista
Lutando pela conquista
Pelo voto se empenhou!
20
Hoje o belo palacete
É um Centro Cultural.
Recebe todas as artes
De caráter universal.
Preservando a qualidade
Sem qualquer ambiguidade
De cultura transversal.
21
Este Centro Cultural
Concentra suas memórias,
Do bairro Santa Teresa,
Passado de muitas glórias.
Recebe novos artistas,
Mostrando suas conquistas
Palco de novas vitórias.
22
Recebe Exposições!
Dança! Teatro! Poesia!
Cultura sempre plural,
Crescendo dia após dia.
Brinda os seus moradores
Com festas de muitas cores.
Espalha só alegria.
FIM
(Rosário Pinto)
Março/2018


MULHERES CORDELISTAS NO MOTE


Trazendo as mulheres guerreiras para o mote de Medeiros Braga,
Vamos glosar, mulheres nordestinas? Eu sei que vocês sabem.
*
DALINHA CATUNDA - Rio de Janeiro - RJ
Berço da mulher rendeira,
E de Maria Bonita.
A Raquel trouxe na escrita
Maria Moura Guerreira,
A força da brasileira,
A que enfrentou cada ardil!
Mostrando bem seu perfil
De forte mulher do agreste:
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL.
*
BASTINHA JOB- Crato- Ce
O Ceará de Alencar
De Peri,de Iracema,
De Ceci prosa em poema
Do verde-azul do mar;
Tem o Ferreira Goulart,
Gonzagão, Gilberto Gil,
Patativa é nota mil
Nossa Arte é inconteste:
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL
*
VÂNIA FREITAS - Fortaleza - Ce
O nordeste brasileiro
Banhado de sol e mar
Tem nas noites de luar
O canto do violeiro
Que embala nosso terreiro
Com seu verso mais sutil
Que encanta com mais de mil
O sul norte leste e oeste
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL.
*
RÓSARIO PINTO – Rio de Janeiro -RJ
A mulher faz seu papel 
Escreve com linhas finas
Histórias de heroínas
Maneja bem o pincel
Em versos de menestrel.
São muitas na poesia,
E na prosa, em demasia,
Nos romances, mais de mil.
Do Norte até o Leste
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL
*
DODORA PEREIRA DA SILVA – Juazeiro- Ce
Mulher guerreira e forte
Enfrenta o sol causticante
Com um sorriso intrigante
E o amor é seu suporte
O poeta é que tem sorte
Essa musa é nota mil
Contrastando o céu de anil
Com esse seu solo agreste
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL
*
LNDICÁSSIA NASCIMENTO – Barbalha-Ce
O Nordeste brasileiro
É de fato um braço forte
Esse país tem é sorte
Por não ser do estrangeiro
Sendo bravo e tão guerreiro
De arte e belezas mil
Nós traçamos o perfil
Do rico cabra da peste
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL.
*
Mote de Medeiros Braga
Postagem de Dalinha Catunda

segunda-feira, 19 de março de 2018

CORDELISTA LINDICÁSSIA NASCIMENTO


Homenagem a presidente da SPB
SOCIEDADE DOS POETAS DE BARBALHA
LINDICÁSSI NASCIMENTO
*
Lindicássia Nascimento
É poeta dedicada
E vive sempre ocupada
Em constante movimento
Mil planos no pensamento
Tem essa mulher sabida
Que no meio é conhecida
Pela sua exposição
Onde Linda põe a mão
Tudo ganha nova vida.
*
Uma décima de Dalinha Catunda. Estrofe de dez versos de sete sílabas.
Cada verso é chamado também de linha e de pé.
As rimas tem a seguinte disposição: ABBAACCDDC
Postagem de Dalinha Catunda

quinta-feira, 15 de março de 2018

A VOZ DE MARIELLE


A VOZ DE MARIELLE
*
Mais uma mulher se foi
Mais uma voz se calou
E no Rio de Janeiro
Grande comoção ficou
Ficou também o legado
Que nunca será apagado
Marielle aqui deixou
*
Hoje é uma voz a menos
Lutando contra injustiça
É uma voz de mulher
Que em nada foi omissa
É voz que ficou no ar
Ninguém poderá calar
Que se faça então justiça!
*
Versos de Dalinha Catunda
 Foto retirada da internet

quarta-feira, 14 de março de 2018

Vânia Freitas e Dalinha Catunda

*
VÃO PELANDO A NATUREZA
CEIFANDO A VIDA DA MATA.
*
DALINHA CATUNDA
O homem em seu desatino
Só danifica o seu chão
Faz queimadas no sertão
Destrói seu próprio destino
Sofre o solo nordestino
Que o ser humano maltrata
Não tem ouro não tem prata
Que nos tire da pobreza
“VÃO PELANDO A NATUREZA
CEIFANDO A VIDA DA MATA."
*
VÂNIA FREITAS
No orvalho da madrugada
A terra acorda com frio
Levanta com calafrio
De tanto ser explorada
Sua riqueza é roubada
Na essência da sua pureza
Acabam com sua beleza
De forma tão insensata
“VÃO PELANDO A NATUREZA
CEIFANDO A VIDA DA MATA."
*
BASTINHA JOB
terra seca que chora
Pouco a pouco se finando
O ser humano acabando
Toda a fauna, toda a flora;
Faz tempo, não é d'agora
O futuro se retrata
A sangria se desata
Num abismo de vileza
"Vão pelando a Natureza
Ceifando a vida da mata"!
*
Mote: Vânia Freitas


terça-feira, 13 de março de 2018

É CANTO DE MULHER


É CANTO DE MULHER
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Nascida neste sopé
Bem no sul do Ceará
Barbalha terra querida
Que enfeita meu cantá
Nasci e cresci aqui
Encanto do Cariri
"Cante lá que eu canto cá"
*
DALINHA CATUNDA
Também sou do Ceará
Porém filha do sertão
Sou filha das Ipueiras
É mimoso o meu rincão
A cidade é bem festeira
Nossa santa padroeira
É a Virgem da Conceição.
*
LINDICÁSSI NASCIMENTO
Sou mulher, sou fortaleza
Sou canto sem timidez
Sou mulher que sobre o canto
Mostra sua sensatez
Sou alma sou poesia
Sou noite vivendo o dia
Vestida de lucidez!
*
DALINHA CATUNDA
Comigo não tem talvez
Bato no peito ao falar
Sou canto desaforado
Sou mulher a versejar
Sou a letra da canção
A transmitir emoção
Quando canto meu lugar.
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Com o sexo masculino
Só brigo se for na cama
Dou-lhe umas chicotadas
Pra acender nossa chama
O cabra tem que ser macho
Se não dele faço um facho
E jogo dentro da lama.
*
DALINHA CATUNDA
Do meu modo nordestino
Cabra fraco eu não aceito
Tem que ter fogo nas ventas
Pra se deitar no meu leito
Cabra que só tem zoada
Eu enfio a bordoada
Pois se for fraco eu rejeito.
*

sábado, 10 de março de 2018

DALINHA CATUNDA X RITINHA OLIVEIRA




DALINHA CATUNDA X RITINHA OLIVEIRA
*
DALINHA CATUNDA
Convidei Dona Ritinha
Pra comigo pelejar
Ela imediatamente
Começou a versejar
Caprichou em cada verso
Pois conhece esse universo
E eu gostei de ser seu par.
*
RITINHA OLIVEIRA
Livrai-me meu Deus amado 
Da amizade enganosa 
Da fofoca e da cobiça 
Da alma tão invejosa 
E da língua que é pior 
Do que cobra venenosa!
*
DALINHA CATUNDA
Livrai-me meu santo pai
Do fuxico e da mentira
De quem mesmo sem ter bala
A língua é arma que atira
Livrai-me de cada cobra
No caminho tem de sobra
Eu tenho horror à traíra.
*
RITINHA OLIVEIRA
Livrai-me daquela flor 
A que afaga com carinho 
Atrai com o seu perfume
Seduzindo com jeitinho 
Logo depois se desveste
Mostrando bem seu espinho!
*
DALINHA CATUNDA
Livrai-me daquela abelha
Que pica e também faz mel
E quando pega o zangão
Sabe como ser cruel
Deus me livre da doçura
De quem vem com picadura
E o que é doce vira fel.
*

Foto do acervo das autoras