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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Palestra sobre cordel na URCA


Da agenda no Crato:
Registro de minha participação numa palestra junto com a poeta de cordel Josenir Lacerda para uma turma de alunos da URCA. O tema que leva a sigla: AME, no desenrolar significa, Arte, musica e esperança. 
Foi um prazer grande participar junto com Josenir Lacerda e interagir com uma turma tão atenta. 
Nota de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com

terça-feira, 4 de setembro de 2018

TROFÉU CENTENÁRIO 2018


Da agenda no Ceará.
Na noite de, 31/08/2018, entre muitos poetas e convidados, estive, prestigiando, a festa dos agraciados com o troféu Centenário gonzagueano em Fortaleza, apoiando a Lindicassia Nascimento, presidente da Sociedade dos Poetas de Barbalha e recebendo o troféu de Anilda Figueiredo, presidente da ACC e Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da ABLC.
Momento de grande importância para a cultura popular. 

Parabéns a todos os agraciados e ao Pedro Sampaio, por mais uma grande realização, no contexto cultural, propagando nossa cultura.

Dalinha Catunda

AS TRÊS PIXOTAS DE POÁ















AS TRÊS PIXOTAS DE POÁ

*
As três “pixotas” fogosas
Partiram pra capital.
Na casa de margarida
Ficaram com seu aval,
E na hora de dormir
Eu quase morro de rir
Da roupa que era igual.
*
Camisola e Baby doll
Tinham o mesmo padrão
As moranguinhos de ITU
Encheram logo o colchão
Cada qual a mais fofinha
Para não dizer gordinha
Pois pode dar confusão.
*
Quando eu olhei para o trio,
Disse: Só no Ceará!
Todo mundo de vermelho
As três santas de poá
Lindicássia Nascimento
Com seu atrevimento
Foi dizendo: Venham cá!
*
- Nós estamos é tão linda,
Que eu vou já fotografar!
Eu ainda quis correr,
Mas linda com o celular
Fez o que não devia:
A nossa fotografia
Só por isso eu vou postar.
*

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

OFICINA DE CORDEL NA CENA CARIOCA

Curso Versos de Cordel na Cena Carioca
Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro 
O projeto é decorrente do interesse despertado a partir do espetáculo Mulheres no cordel. Chega na esteira do Poesia Encena,  projeto vitorioso, concebido e realizado por Beth Araújo com o apoio da Secretaria Municipal de Educação do Estado do Rio de Janeiro. 
Dinamizador, Apresentação do curso, Dinâmica e Bibliografia.
Maria Rosário Pinto – Licenciatura em Letras PUC/RJ, pesquisadora e documentalista da área de cultura popular, dedicada à literatura de cordel. É poeta de cordel. Trabalhou por 18 anos na Biblioteca Amadeu Amaral/CNFCP/IPHAN. Responsável pela seleção, higienização, catalogação, indexação, guarda e disponibilização deste acervo. Tem alguns artigos e textos publicados em livros, folhetos, catálogos, no site da Fundação Casa de Rui Barbosa, no espaço de biografias de poetas de cordel, também no site IELT - Instituto de Estudos de Literatura e Tradição, em Portugal. Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC, desde 2001. Classifica no Edital Mais Cultura – Prêmio Patativa do Assaré, 2010, com a publicação de 3.000 exemplares pelo Ministério da Cultura.

> o que motivou a proposição deste curso;
> a qualificação e experiência da dinamizadora;
> a dinâmica de apresentar poemas de um saber sedimentado pelas tradições de transmissão entre gerações;
> trabalhar o modo de fazer literário;
> indicação da bibliografia utilizada; e,  
 > experimentação prática de composição.

A evolução da literatura de cordel

A importância dos estudos da literatura de cordel face à necessidade de manter a tradição dos conhecimentos da oralidade. A literatura de cordel é ferramenta fundamental de estímulo a alunos e professores. A produção de folhetos de cordel desafia os tempos modernos mantendo-se viva e atuante.

A função da oralidade como fonte de transmissão, e a riqueza das formas de expressão e do saber e fazer literário. O poeta cordelista é, sobretudo, um atento observador dos processos de atualização da sociedade em sua estrutura social, política e/ou tecnológica.

A oficina sobre Literatura de cordel tem como base a inserção da literatura de cordel como ferramenta fundamental de estímulo a alunos e professores, com o objetivo de estimular a leitura, a reflexão e a transposição do universo literário dos folhetos para o próprio universo. Despertar o gosto pela narrativa e pela estética dos folhetos.

Apresentar os conhecimentos básicos para a composição do folheto de cordel, e despertar o interesse do grupo envolvido. 

O curso toma por base: a história da literatura de cordel, poetas e editores, verso, métrica, rima, oração e a confecção do folheto e de suas capas.


Bolsas poéticas

Fontes de pesquisas: sites e blogs

Biblioteca Amadeu Amaral, do CENTRO NACIONAL DE FOLCLORE E CULTURA POPULAR/CNFCP/Iphan/MinC – www.cnfcp.gov.br

Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC – www.ablc.com.br


Facebook – Rosário Pinto e Cordel de Maria

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Texto: Rosário Pinto

terça-feira, 28 de agosto de 2018

A PRODUÇÃO FEMININA NA LITERATURA DE CORDEL

Mulheres autoras na Cordelteca – Memória da literatura de cordel
Biblioteca Amadeu Amaral/CNFCP/Iphan/Minc

A Biblioteca Amadeu Amaral, do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular disponibiliza em mídia digital, no Portal www.cnfcp.gov.br, seus acervos de recortes de jornais (Hemeroteca), folhetos de cordel (Cordelteca), xilogravuras (Xiloteca), Catálogos da Sala do Artista Popular (SAP) e Revista Brasileira de Folclore. Os projetos têm como objetivo difundir os acervos junto a instituições similares, bem como para pesquisadores nacionais e do exterior e a todos os interessados na área de conhecimento da cultura popular.
 *
A Cordelteca – Memória da literatura de cordel, tem sob sua guarda, mais de 10.432 exemplares, dos quais 7.936  títulos estão digitalizados e disponíveis para leitura on-line, a partir da Base de Dados do Portal do CNFCP - www.cnfcp.gov.br. Temos mais 50 poetisas e 176 títulos. É mote para boas pesquisas.
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Com a listagem abaixo, esperamos contribuir para a divulgação das mulheres poetisas que de "musas", passaram a autoras, editando seus títulos, decidindo suas temáticas, linguagens e suas modalidades. Afinal, elas sempre foram as responsáveis pelas tradições da oralidade, desde a maternidade.
 *
Este levantamento foi realizado no exercício de 2013. Atualmente este número é bem superior.
 *
Não deixe de clicar nos links para fazer a leitura, na íntegra dos folhetos aqui selecionados.
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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

NOTAS PARA O ESTUDO DA LITERATURA DE CORDEL


A CANÇÃO DE ROLAND

 La chanson de Roland é um poema épico composto no século XI em francês antigo, sendo a mais antiga das canções de gesta escrita em uma língua românica.
A primeira época lírica portuguesa é chamada de Trovadorismo e as composições dos trovadores são conhecidas como cantigas. A poesia dos cancioneiros pode dividir-se em lírica e satírica.
As cantigas lírico-amorosas apresentam duas modalidades: as cantigas de amigo, nas quais o poeta põe as palavras na boca de uma mulher, apresentando por isso um eu lírico feminino, e as cantigas de amor, nas quais o poeta fala por si próprio, contendo, por isso, um eu lírico masculino.

Canção de Gesta é um longo poema épico medieval, no geral em versos, que celebrava feitos históricos, heroicos ou ilustres. A mais antiga canção de gesta preservada é A Canção de Rolando, 4002 versos, mas algumas canções podiam chegar a dezenas de milhares de versos. Quase sempre concentrando a ação nos feitos ilustres de Carlos Magno (século VIII).

tanto do ponto de vista dos conteúdos – novelas de cavalaria, grandes batalhas, romances, que aqui foram transportados para as lutas do cangaço, a religiosidade popular, o patriarcalismos das famílias de latifundiários, dificuldades com as grandes secas, enchentes, e as histórias de animais (sempre com um cunho moralizante); como do ponto de vista das formas – obedecem às mesmas dimensões gráficas de tamanho e paginação.

-- os feitos heroicos do cancioneiro medieval:

Freire, João Lopes. A história de Carlos Magno e os doze pares de FrançaRio de Janeiro: [s.n., 19--]. 43 p. 210 estrofes 

A BATALHA de Oliveiros. Editor proprietário: José Bernardo da Silva. Juazeiro do Norte: Tipografia São Francisco, 1957. 32 p

A prisão de Oliveiros. Editor Proprietário: José Bernardo da Silva. Juazeiro do Norte: Tipografia São Francisco, 1958. 48 p. 

Barros, Leandro Gomes de. Roldão no leão de ouroEditor Proprietário: Filhas de José Bernardo da Silva. Juazeiro do Norte: Lira Nordestina, [19--]. 40 p.

Silva, João Melquíades Ferreira da (1869/1933). Roldão no leão de ouroRio de Janeiro, RJ: Academia Brasileira de Literatura de Cordel, 2005. 32 p.


Cantiga de amigo: na lírica medieval galego-portuguesa, cantiga de amigo é composição breve e singela posta na voz de uma mulher apaixonada. Devem o seu nome ao facto de que na maior parte delas aparece a palavra amigo. Sempre com o sentido de pretendente e/ou amante e esposo.

Silva, Manoel Monteiro da (1937). Cantigas de amigocordel em quadras. Campina Grande, PB: Cordelaria Poeta Manoel Monteiro, 2012. 8 p


Cantiga de amor: nas cantigas de amor o homem se refere à sua amada como sendo uma figura idealizada, distante. Nas cantigas de amor o poeta chama sua amada de senhor, pois naquela época, todas as palavras que terminavam com “or”, em galego-português não tinham feminino, portanto ele dizia - “minha senhor!”

­­– Cantiga de escárnio é a sátira indireta, sutil, irônica, sarcástica, evitando-se citar o nome da pessoa-alvo da zombaria.

 Cantiga de maldizer é a sátira direta, desbocada, vulgar, grosseira, chula, por vezes obscena ou pornográfica, chegando a citar o nome da pessoa-alvo da sátira. No exemplo abaixo, o autor faz uma depreciação à imagem de um trovador, considerando-o literariamente fraco.

Dinâmica:

Essa dinâmica vale para o tratamento de todos os tipos de modalidades e temas, seja para os folhetos – de ocasião, biográficos, romances, abeces.

– levantar glossário dos termos que mais chamem a atenção;
– interpretar as ações do texto;
– observar as primeiras estrofes onde o poeta enuncia como contará sua história. Pelo caráter narrativo, a literatura de cordel tem sempre princípio, meio e fim;
­– nestas primeiras estrofes estabelecer o assunto, de que forma vai desenvolvê-lo e;
– nas últimas estrofes prepara o leitor para o desfecho, o grande final, em que agradece a leitura e a compra do folheto;
– observar os apelos feitos em prol da maior inspiração  > o poeta apela às musas, às divindades, etc. 



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Texto:  Maria Rosário Pinto
http://www.cordeldesaia.blogspot.com

terça-feira, 7 de agosto de 2018

MULHERES IGNORADAS NO CORDEL


MULHERES IGNORADAS NO CORDEL
*
A mulher tem comprovado
Sua grande competência.
No cordel, literatura,
Mostra sua sapiência,
Mas continua invisível,
Isso é inadmissível,
Resta-nos resiliência?
*
Obedecendo a preceitos,
Somos muitas escrevendo,
Porém nos grandes eventos
Espaço estão nos devendo.
As nossas fotografias,
Estão em monografias,
Pesquiso e estou sabendo.
*
A mulher que é poetisa,
E se dedica ao cordel,
Embora seja atrevida,
Ainda prova do fel!
Do preconceito real,
Que segue com seu aval,
Numa cegueira cruel.
*
A mulher tem que firmar,
Com mulheres parceria,
E não disputar o pódio,
Sem buscar a harmonia!
Ser da outra adversária,
É coisa desnecessária,
Quebra nossa hegemonia.
*
Em meu conceito nos falta:
Do homem a compreensão,
Da mulher cumplicidade,
Esse é minha opinião.
Pois somos bem preparadas,
Mas somos ignoradas.
Não venham dizer que não.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda.