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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

ESCOLA JÚLIA LOPES DE ALMEIDA


Rosário Pinto e Dalinha Catunda do CORDEL DE SAIA compareceram neste 11/12/2018 à ESCOLA JÚLIA LOPES DE ALMEIDA em Santa Teresa, RJ para a abertura de Exposição Fotográfica Permanente na Sala de Leitura da escola em homenagem à escritora.
O projeto de iniciativa e curadoria de BETH ARAÚJO, especialista na obra da escritora e de CLAUDIO LOPES DE ALMEIDA, neto e responsável pela memória e guarda dos acervos de Júlia. O projeto teve a acolhida da diretora Professora Rosangela Favorita.  Apoiado pela SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO - 1ª CRE - COORDENADORIA REGIONAL DE EDUCAÇÃO.
Local: Sala de Leitura
Dia: Terça, 11 de dezembro de 2018 – 10h
Endereço:  Rua Almirante Alexandrino,3466 – Santa Teresa - RJ                                                                                                
                                                                             Da direita para a esquerda: Professora Clarice Campos, Claudio Lopes de Almeida, Beth Araújo, Rosário Pinto, Dalinha Catunda, Diretora Rosangela Favorita e Catarina Henriette (MultRio).                                                                 
   Agradecimentos:
Claudio Lopes de Almeida   Neto de Júlia
Beth Araujo   Arte Educadora
Rosangela Favorita  - Diretora
Pollyana Valladares -  Diretora Adjunta
Cristiane de Mello- Coord. Pedagógica.

Fotos: Dalinha Catunda

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Paixão cega e tosse braba/só vem pra lascar o peito


PAIXÃO CEGA E TOSSE BRABA
SÓ VÊM PRA LASCAR O PEITO.
*
Não sou mulher de chorar
Por quem não liga pra mim
Eu mando é comer capim
Jamais vou me acabrunhar
Paixão que vem pra lascar
Não acolho e nem respeito
Despacho logo o sujeito
Pois meu encanto se acaba:
PAIXÃO CEGA E TOSSE BRABA
SÓ VÊM PRA LASCAR O PEITO.
Dalinha Catunda
*
Já vivi esses momentos 
Mas nunca me acostumei 
Já padeci e penei
Por esses maus elementos 
São os piores eventos
Vivi-os, mas não aceito
São rios fora do leito
E disso ninguém se gaba:
"PAIXÃO CEGA E TOSSE BRABA
SÓ VEM PRA LASCAR O PEITO"

Bastinha Job
*
Mote de Heliodoro Morais

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

SUPREMACIA


SUPREMACIA
*
Essa Justiça que é cega
Surda deveria ser,
Pra não ouvir a verdade
Nem ter que se aborrecer.
Se o povo não ficar mudo
O Supremo irá prender.
*
Versos de Dalinha Catunda
Charge: Sponholz

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

NÃO FORA NOSSO NORDESTE / SERIA POBRE O BRASIL.


NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL.
*
DALINHA CATUNDA 
Berço da mulher rendeira,
E de Maria Bonita.
A Raquel trouxe na escrita
Maria Moura Guerreira,
A força da brasileira,
A que enfrentou cada ardil!
Mostrando bem seu perfil
De forte mulher do agreste:
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL.
*
BASTINHA JOB
O Ceará de Alencar
De Peri, de Iracema,
De Ceci prosa em poema
Do verde-azul do mar;
Tem o Ferreira Goulart,
Gonzagão, Gilberto Gil,
Patativa é nota mil
Nossa Arte é inconteste:
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL
*
VÂNIA FREITAS - Fortaleza
O nordeste brasileiro
Banhado de sol e mar
Tem nas noites de luar
O canto do violeiro
Que embala nosso terreiro
Com seu verso mais sutil
Que encanta com mais de mil
O sul norte leste e oeste
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL.
*
RÓSARIO PINTO
A mulher faz seu papel 
Escreve com linhas finas
Histórias de heroínas
Maneja bem o pincel
Em versos de menestrel.
São muitas na poesia,
E na prosa, em demasia,
Nos romances, mais de mil.
Do Norte até o Leste
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL
*
DODORA PEREIRA DA SILVA
Mulher guerreira e forte
Enfrenta o sol causticante
Com um sorriso intrigante
E o amor é seu suporte
O poeta é que tem sorte
Essa musa é nota mil
Contrastando o céu de anil
Com esse seu solo agreste
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL
*
LNDICÁSSIA NASCIMENTO
O Nordeste brasileiro
É de fato um braço forte
Esse país tem é sorte
Por não ser do estrangeiro
Sendo bravo e tão guerreiro
De arte e belezas mil
Nós traçamos o perfil
Do rico cabra da peste
NÃO FORA NOSSO NORDESTE
SERIA POBRE O BRASIL.
*
Mote de Medeiros Braga


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

A COISA TENDE A CRESCER



*
IVALDO BATISTA
Pra resolver um problema
Ela monta seu esquema
No fim dá certo demais
Comigo ela tem cartaz
Por que sabe resolver
Tem a força e o querer
Também determinação.
TUDO QUE ELA BOTA A MÃO
A COISA TENDE A CRESCER.
*
DALINHA CATUNDA
Um cordelista afamado
Um dia brochou de vez
E na sua insensatez
Tentava ficar armado
Mas com o pinto arriado
Só milagre para erguer
E a mulher pôs-se a sofrer
Pondo em prática o refrão:
TUDO QUE ELA BOTA A MÃO
A COISA TENDE A CRESCER.
*
BASTINHA JOB
Quando a mulher faz poesia
O poema se engrandece 
A rima é uma prece
Num tema de harmonia 
Na perfeita sintonia
Sem nada pra decrescer 
Ao contrário, vai erguer 
O que não tinha tesão:
TUDO QUE ELA BOTA A MÃO 
A COISA TENDE A CRESCER.
*
Postagem de Dalinha Catunda 
cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com
Mote de Ivaldo Batista


SERTANEJANDO


SERTANEJANDO
*
Quando escancaro a porteira
Para entrar em meu rincão
A dona felicidade
Faz festa em meu coração
Uma brisa benfazeja
Invade essa sertaneja
Que não esquece o sertão.
*
Cada tarde é deslumbrante
Ver o ocaso acontecer
Por detrás da serra grande
Assisto o sol se esconder
Deixando um resto de luz
Crepúsculo que seduz
No dourado entardecer.
*
Tibungando em minhas águas
Eu vejo o sol desmaiar
Entre um mergulho e outro
Consigo me refrescar
E na boquinha da noite
O Aracati é açoite
Que chega com o luar.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda

terça-feira, 20 de novembro de 2018

NOTÍCIA MULTIRIO CORDEL NA CENA DA REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DA CIDADE DO rIO DE JANEIRO

14 Novembro 2018

Cordel na cena da Rede Municipal
Por Márcia Pimentel
 


O cordel foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro em setembro deste ano, mas antes disso, o gênero literário já estava em alta na Rede Pública de Ensino da cidade do Rio de Janeiro. Desde meados de 2017, um grupo de 10 professoras vem encenando o espetáculo teatral Mulheres no Cordel e cerca de outras 35 têm participado do projeto Versos de Cordel na Cena Carioca, realizado pela Gerência de Leitura e Audiovisual (GLA) da Secretaria Municipal de Educação.
As oficinas do projeto são ministradas pela atriz e arte-educadora Beth Araújo e pela cordelista Rosário Pinto, que ensina a estrutura, a métrica e as rimas do gênero. Escrever uma história de cordel pode ser tarefa fácil para quem, como ela, cresceu ouvindo suas narrativas. Mas para a maioria das professoras participantes, que não foram criadas dentro desta tradição oral, conceber poesias em forma de sextilhas* ou setilhas** (ou ainda outros tipos de estrofes características) é um grande e laborioso aprendizado.
O objetivo do projeto, contudo, não é formar virtuoses nesse gênero de literatura e sim fornecer às professoras ferramentas que estimulem os alunos a conhecer o cordel, valorizando-o como tradição cultural e possível meio de expressão e inspiração. Como se trata de poesia com forte viés oral, Beth Araújo capricha nas oficinas de expressão cênica – da interpretação à confecção dos cenários, figurinos e adereços –, sem esquecer da perspectiva escrita. Além das técnicas de composição literária aprendidas com Rosário Pinto, as participantes colocam a mão na massa para fazer seus folhetos, incluindo capa e gravura características.

Tanto as oficinas Versos de Cordel na Cena Carioca como a peça Mulheres no Cordel são desdobramentos do projeto Poesia Encena, iniciado em 2013, com o objetivo de levar aos professores da Rede uma compreensão mais ampla dos diversos processos poéticos e dar suporte a um outro projeto mais amplo: o Poesia na Escola. Desde então, o empreendimento vem acontecendo todos os anos sob a batuta da atriz e arte-educadora Beth Araújo.
Segundo ela, Poesia Encena trabalha com uma metodologia que inclui três etapas: uma pequena parte teórica acerca do movimento artístico do qual o poema faz parte; uma reflexão de como ele pode ser adaptado para a escola; e, finalmente, uma prática sobre as análises feitas. “Buscamos dar ao professor instrumentos para que ele brinque de poesia com os alunos, usando os elementos do teatro”, explica.

Gerando frutos

Na edição de 2016, o projeto ganhou desdobramento: a criação da Cia. de Teatro Poesia Encena, que produziu seu primeiro espetáculo: Colar de Cora, Colares de Coralina. No ano seguinte, aconteceu a montagem de Mulheres no Cordel, utilizando recursos multimídia e narrando a história de autoras do gênero literário, a começar pela primeira delas: Maria José das Neves Batista Pimentel, que, em 1936, publicou O Violino do Diabo ou o Valor da Honestidade com o pseudônimo Altino Alagoano (seu marido).
“O espetáculo é impactante. Tem projeção de slides, música ao vivo... Muita gente sai sem acreditar que ele tenha sido feito só por professoras”, conta Clarice Campos, professora de Língua Portuguesa e da Sala de Leitura da E.M. Eunice Weaver (7ª CRE). “O processo de criação do espetáculo foi muito interessante. A Rosário Pinto nos ajudou, entrando em contato com um grupo forte de cordelistas do Crato e do Juazeiro do Norte, no Ceará. Eles nos enviaram várias informações fundamentais à criação do texto”, relata Beth Araújo.
Quando a equipe da SME tomou conhecimento da peça e de sua cuidadosa produção, convocou Beth para a realização de oficinas específicas, só do gênero literário, para os professores da Rede. “Isso tudo aconteceu bem antes do cordel ser proclamado patrimônio imaterial brasileiro”, diz ela, feliz pela coincidência.
E assim nasceu o projeto Versos de Cordel na Cena Carioca, cuja culminância acontece neste mês de novembro, no Ciep Tancredo Neves (2ª CRE), no Catete, onde os participantes estão apresentando o resultado de suas criações.
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* Sextilha - É a estrofe mais comum no cordel, formada por seis versos de sete sílabas poéticas, com o segundo, o quarto e o sexto rimados.
** Setilha ou septilha - A estrofe possui sete versos: o segundo, o quarto e o sétimo verso rimam entre si; o quinto e sexto formam uma segunda rima.