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terça-feira, 10 de setembro de 2019

Feliz Aniversário, Lindicássia Nascimento.



PARABÉNS LINDINHA
*
Lindicássia Nascimento,
Saúde e felicidade
Que Deus te proteja sempre
E te dê prosperidade
Que os anjos digam amém
Nessa tua nova idade
Que o sorriso do teu rosto
Nunca perca a validade
Que Jesus Cristo promova
A tua serenidade
São os votos dessa amiga
Cheios de sinceridade.
*
Versos de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

CORDEL NA FEIRA 2019 Lançamento de Dalinha Catunda















 Da agenda cultural no Ceará.
Em 26 de agosto participei de mais um Cordel na Feira, patrocinado pelo SESC do Crato, grande incentivador da literatura de cordel.
Lá estiveram poetas e poetisas da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, da Academia dos Cordelistas do Crato e da Sociedade dos poetas de Barbalha, além de amigos que apreciam a cultura popular.
Nesse dia tivemos dois lançamentos: O cordel de Denise Primo em homenagem a Academia dos Cordelistas do Crato e o cordel de minha autoria falando das antigas e tradicionais festas juninas.
As Cirandeiras do Cordel, quem vem se apresentando em variados eventos e criando um bom movimento de mulheres, fez sua participação nesse evento.
Minha gratidão aos SESC e a todos que lá estiveram prestigiando o evento.
Nota e fotos de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

LAURINDA SANTOS LOBO, a mecenas de Santa Teresa



LAURINDA SANTOS LOBO,
a mecenas de Santa Teresa
Cuiabá/MT, 1878 – RJ de Janeiro/RJ, 1946
                                                      
1
Laurinda, grande mecenas!
Quem é esta brasileira?
Movimentou a cidade
Na colina ou na ribeira.
Ecoou por todo o estado
Fez Sarau movimentado
Tinha postura brejeira.
2
Nasceu lá em Cuiabá
Veio pro Rio de Janeiro,
Acompanhada da mãe.
Tinha espírito altaneiro.
De caráter dominante,
Tudo era interessante,
Tinha o olhar muito certeiro.
3
Tio Joaquim Murtinho
Médico proeminente
Homem de muita influência,
Que a recebeu sorridente.
Apresentou-lhe a cidade
Também à sociedade
Seu prestígio era evidente.
4
Aqui no Rio de Janeiro
Ela ficou conhecida
Como a Diva dos Salões.
Empunhou luta aguerrida,
Pelas causas feministas,
Ao lado das sufragistas,
Nunca se deu por vencida.
5
E lá em Santa Teresa,
Sedimentou moradia,
Em um belo palacete.
Sua casa sempre abria
Ao poeta e ao artista.
Era uma grande ativista.
Lá, tudo se debatia.
6
Protagonizou sua época
Como mulher elegante,
Despertou muito ciúme,
Confundida com bacante.
Organizou muitas festas
Regadas com as serestas
Cada noite deslumbrante.
7
Laurinda abrigou a todos
Fosse nobre ou plebeu
Lá não havia um espaço
Que chamamos gineceu
A mulher tinha vez e voz
Desconhecia o algoz
A igualdade promoveu.
8
Laurinda emprestou seu nome
Para o Centro Cultural
O Laurinda Santos Lobo
Santa Teresa, o local
Um cenário de beleza,
Junto a tanta natureza
Monte Alegre é o ramal.
9
Há quem pergunte e indague:
-- Neste Centro ela viveu?
Não sua morada foi outra
 -- Isto nunca aconteceu.
 Foi no Parque das Ruínas
De instalações genuínas
Onde tudo sucedeu.
10
Ao Maestro Villa-Lobos,
Laurinda patrocinou.
Uma viagem a Paris,
Lá ele se apresentou,
Numa audição de sucesso
Conquistou lá o progresso,
E na Europa ele brilhou.
11
Em conversa com Tarsila,
Olhando um quadro indagou:
 -- Dona Tarsila, me diga:
O que foi que motivou,
Este pauzinho e uma cobra,
Subindo, fazendo dobra,
Será que o ovo, já chocou?
12
E diante da artista,
Com toda desenvoltura,
Àquele nada dizia,
Partiu para outra moldura.
Tarsila muito abismada:
 -- Não significa nada!
É somente uma costura.
13
 -- Costuro minhas ideias
Em tela, tinta e pincel,
Num olhar renovador,
Exercendo o meu papel,
De uma artista visual,
Componho grande vitral
Expondo belo painel.
14
Laurinda apoiou as letras.
Dentre seus frequentadores,
Estava João do Rio
E outros tantos escritores,
Que ali faziam paragem,
Compondo justa engrenagem
Em Saraus acolhedores.
15
Lutou pela afirmação
Da cultural nacional
Congregou todas as artes
De riqueza sem igual
Momentos de efervescência
Salão de grande influência
Na capital federal.
16
O Salão Dona Laurinda,
Foi ponto do MODERNISMO
 Que na década de 20,
Rompendo o academicismo.
Um caldeirão de cultura
Gente de toda estatura
Momento de antagonismo.
17
Foi um grande baluarte
Naquele momento incerto.
O Salão causou escândalos
Na sociedade, e decerto,
Apontado de vulgar
Mas nada pode abalar
O Modernismo desperto.
18
A sociedade passava
Por grande transformação.
Reuniu também políticos,
Na defesa da Nação,
De culturas estrangeiras
E das pautas forasteiras
Nacional era o refrão.
19
E Júlia Lopes de Almeida
Dos Saraus participou
Em noitadas literárias
Sua marca ali deixou.
Foi também uma ativista
Lutando pela conquista
Pelo voto se empenhou!
20
Hoje o belo palacete,
É um Centro Cultural
Recebe todas as artes
De caráter universal.
Preservando a qualidade
Sem qualquer ambiguidade
De cultura transversal.
21
Este Centro Cultural
Concentra suas memórias,
Do bairro Santa Teresa,
Passado de muitas glórias.
Recebe novos artistas,
Mostrando suas conquistas
Palco de muitas vitórias.
22
Recebendo Exposições!
Dança! Teatro! Poesia!
Cultura sempre plural,
Crescendo dia após dia.
Brindando os seus moradores
Festas de muitas cores.
Espalha só alegria.
23
Laurinda marcou seu nome
No cenário carioca
Lutando pelas mulheres
Um movimento provoca
Pelo voto feminino
E com seu instinto felino
Esta temática evoca.
24
Fica aqui este meu registro
De uma história singular
De uma mulher que lutou
Para a cultura brilhar
E lá em Santa Teresa
Deixou sua chama acesa
Marcando ali seu lugar.
Março/2019

domingo, 8 de setembro de 2019

O VOO DA RETIRANTE - Cordel de Dalinha Catunda


O VOO DA RETIRANTE!
1
Eu sou mulher sertaneja!
Feminina e singular
O agreste me batizou
Mas fiz do mundo meu lar
Açoites patriarcais
Não me podaram jamais
Lutei pra me libertar.
2
Nunca fui igual a tantas
Aceitando imposição
Tinha o olhar aguçado
Tinha rumo e direção
 Do meu jeito nordestino
Sem drama sem desatino
Segui cheia de razão.
3
Não fui mulher de ficar
Debruçada na janela
Eu queria muito mais
Vi que a vida dava trela
Na janela não fiquei
A porta eu escancarei
E joguei fora a tramela.
4
Uma estrada desenhei
Do jeitinho que eu queria
Nela pisei com firmeza
Distribuindo alegria
As veredas da tristeza
Enfrentei sem ter moleza
 Recorrendo a rebeldia
5
Receio de ser feliz 
Não provei no meu caminho
Fui ave de ribaçã
Trocando às vezes de ninho
longe do velho rincão
Eu desbravei novo chão 
Sem sumir no torvelinho.
6
As pragas que me jogaram
Voltaram pra quem jogou
Eram tantas profecias
Nenhuma se confirmou
E hoje vou lhes dizer
Não parti pra me perder
Quem me viu depois notou.
7
Nunca fui desatinada
Era desobediente
A cruel hipocrisia
Era discurso presente
Mas fugi dessa verdade
Da podre sociedade
Jamais quis herdar corrente.

8
Eu nunca tive medo
De casar ou não casar
Sempre tive minha luz
Que acendi pra me guiar
Munida de inteligência
Não quis viver de aparência
Tive peito pra encarar.
9
A luxúria dos senhores
Fez filho no cabaré
O santo padre endeusado
Profanou a sua fé
Mas tudo era encoberto
O pecador era o certo
Na vida como ela é.
10
Eu vi a mulher do próximo
Nos braços do seu amante
Vi o próximo noutros braços
Situação semelhante
Mas tudo era abafado
O tal do patriarcado
Tinha o grito retumbante!

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

FLIPA – FEIRA LITERÁRIA DE PARACAMBI, RJ

.

À convite da Professora Ana Paula estive representando o Cordel de Saia na FLIPA – FEIRA LITERÁRIA DE PARACAMBI, RJ, em 23.08.2019. Dalinha Catunda, criadora do Blog, está na XIII BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO, CE., divulgando e firmando a produção feminina na literatura de cordel.

Convidei as professoras Clarice Campos e Rita Alves para a atividade poética. Elas, como a professora Ana Paula empenham-se na difusão da literatura de cordel nas escolas, fato que nos deixa bem felizes, especialmente neste momento em que buscamos caminhos que viabilizem a inserção da literatura de cordel na grade curricular dos alunos.
Fica aqui o agradecimento e a expectativa de voltarmos no próximo ano para Paracamibi, RJ, nesta Feira tão rica e repleta de autores de literatura infanto-juvenil e, onde fomos tão gentilmente acolhidas.



Texto e fotos: Rosário Pinto
para o Blog Cordel de Saia

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

RECEPÇÃO A PESQUISADORA ROSILENE MELO NA ABLC

Recepção ROSILENE MELO no quadro de pesquisadores da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC
Sessão Plenária de 21 de Agosto de 2019


A Academia Brasileira de Literatura de Cordel realizou nesta quarta-feira, dia 21 de agosto de 2019 a Sessão Plenária de posse da Professora ROSILENE MELO no quadro de Pesquisadores da Instituição. É uma cadeira simbólica pelos trabalhos realizados pela professora no âmbito da literatura de cordel.
Na ocasião fiz, com muito o discurso de apresentação, deixando para Rosilene a palavra principal.
Recepcionar a professora-doutora Rosilene Melo na nossa Academia não é tarefa, é honra. Espero fazê-lo com o mesmo olhar afetuoso que ela sempre imprimiu aos seus trabalhos.

Conheci Rosilene Melo no ano de 2003, quando ela foi primeira colocada no Concurso Sílvio Romero de monografias, idealizado com o propósito de estimular a produção científica sobre os temas do folclore e da cultura popular. Instituído em 1959, lançado anualmente o edital que confere ao primeiro e segundo colocados prêmios pagos em dinheiro, prevendo-se, ainda, até três menções honrosas, Prêmios conferidos por Comissão de especialistas indicada pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/Iphan/MinC(¹).


O rumo de sua monografia foi a Tipografia São Francisco, de José Bernardo da Silva, em Juazeiro do Norte, Ce., maior editora de literatura de cordel no país entre as décadas de quarenta e setenta do século XX. O resultado desta pesquisa é a publicação de Arcanos do verso: trajetórias da literatura de cordel, 2010. Nessa pesquisa a professora Rosilene Melo faz uma longa trajetória por outras tipografias do Nordeste.

Rosilene Melo aponta que ainda no século XIX, quando a literatura de cordel dava seus primeiros passos no Brasil já apareceram aqueles que a pesquisadora chama de necrófilos, os apregoadores da morte da literatura de cordel. E, como o passar das décadas e o aparecimento de novos meios de comunicação – jornais, revistas, rádio, televisão e mais recentemente a internet – os apregoadores da morte continuam em seu discurso mórbido. Não alcançam a capacidade que têm poetas/poetisas e repentistas de se apropriar com talento e criatividade de todo e qualquer meio de comunicação fazendo deles seus aliados.


Na ocasião da premiação da professora, em 2003 e, pela intimidade com a literatura de cordel fui indicação para fazer a entrega do Prêmio. Procurei ler a tese que lhe conferiu a premiação. Queria saber quem era a professora que se debruçou sobre o ícone que foi a Tipografia São Francisco, criada pelo meu patrono nesta Academia, José Bernardo da Silva, nascido em Palmeira dos Índios - AL, em 02 de novembro de 1901 e, que chega ao Juazeiro do Norte, em 1926, atraído pela figura de Padre Cícero Romão Batista.

Não quero enumerar todas as titulações de Rosilene Melo, são muitas, quero replicar o que senti quando li seu trabalho: trabalho científico, mas escrito com o coração, na linguagem do amor. É isto que ela nos transmite em sua escrita e suas falas.

A pesquisa do Registro da Literatura de Cordel Como Bem de Patrimônio Cultural Brasileiro, que ela também coordenou foi mais um exercício amoroso. Os recursos recebidos por Emenda Parlamentar não foram suficientes e foi necessário mais espera de mais alguns anos, por mais alguns recursos. Enquanto isto, Rosilene trabalhava com o orçamento do prazer pelo que faz.

Uma mulher que pesquisa/estuda a fala, a escrita e as emoções do povo, só pode ser uma pessoa sábia. E a cada leitura que faço de pesquisas publicadas pela professora Rosilene Melo, aprendo sempre mais.”


Texto e fotos:Maria Rosário Pinto
para o Blog Cordel de Saia

 (¹) sigla do extinto Ministério da Cultura, em 2019.