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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

SÃO JOÃO NA ROÇA - CORDEL DE DALINHA CATUNDA


SÃO JOÃO NA ROÇA
1
Hoje acordei com saudades
Das festas do meu sertão
De matuta me trajava
E cheia de animação
Com meu vestido de chita
Chapéu e laço de fita
Feliz dançava o São João.
2
Enxerida e dançadeira
Nunca me faltava par
Pra dançar numa quadrilha
Nas festas do meu lugar
Tudo hoje é diferente
Até o São João da gente
Acharam por bem mudar.
3
No São João de Antigamente
Tudo era especial
O noivo e a noiva vinham
No lombo dum animal
Ou então numa carroça
Assim era lá na roça
No São João tradicional!
4
No casamento matuto
Era um Deus nos acuda
Noivo querendo fugir
Da noiva já barriguda
De espingarda na mão
Fazia o pai confusão
E ao juiz pedia ajuda.
5
O vigário embriagado
Cambaleava no altar
O pai que não sossegava
Gritava vou já matar
Ou casa ou eu não dou trégua
Nesse filho d’uma égua
Eu atiro é sem mirar.
6
O delegado chegava
E acabava a confusão
O noivo então se casava
Pra não mofar na prisão
Com barulho de foguete
Principiava o banquete
Assim era a tradição.
7
Quem comandava a quadrilha
Lá no meu interior
Era só gente da gente
E eu dava o maior valor
No momento de ensaiar
Do nosso bom linguajar
Valia-se o gritador.
8
Foi a caminho da roça
Transbordando de alegria
Que passei com meu amor
Num túnel de fantasia
Mas na primeira manobra
Quando eu ouvi, Olha a cobra!
Eu gritei: Ave Maria!
9
Olha a cobra, olha a chuva
Tudo era encenação
A cobra não assustava
Chuva não caía não
No giro que a roda dava
Eu fui dama coroada
Em cada apresentação.
10
No cumprimento das damas
Rapaz tirava o chapéu
A dama se derretia
Sentindo-se lá no céu
Quando a dança terminava
A folia começava
Era grande o escarcéu.
11
A mulherada corria
Para fazer simpatia
Um corre-corre danado
Para ver se descobria
Com quem ia se casar
Tentava enxergar o par
Na água duma bacia.
12
Já outros passavam fogo
Naquele dado momento
Era em nome dos três santos
Que faziam juramento
Você vai ser meu compadre
E você minha comadre
Era assim, eu não invento.
13
E nesse costume antigo
Arrumava-se afilhado
Era assim que sucedia
Depois do fogo passado
Quem jurava na fogueira
Levava pra vida inteira
O que fora confirmado.
14
Eu jamais vou esquecer
Do São João no Ceará
O bolo feito de milho
Um pote com aluá
Pamonha também canjica
Aqui a lembrança fica
Remetendo-me pra lá.
15
Nos braseiros das fogueiras
Se agitava a meninada
Se danando a assar milho
E a fazer batata assada
A fogueira faiscava
Milho cozido cheirava
Era uma festa animada.
16
As musicas que se ouvia
No bom São João Nordestino
Era só Luiz Gonzaga
Com seu canto genuíno
Repleno de animação
Incendiava o sertão
Sem cometer desatino.
17
Era uma festa bonita
Que tinha sua candura
Feita com nossos costumes
Com base em nossa cultura
Tudo agora está mudado
Até o sapato é dourado
Viramos caricatura.
18
Tanto luxo, tanto brilho,
Largaram chita e chitão
Não tem mais nada de roça
Pois é só ostentação
Parece a festa da uva
Até princesa com luva
Vejo na apresentação.
19
Parece escola de samba
Na hora de desfilar
E tem comissão de frente
Antes do grupo dançar
É um tal de se exibir
Dançam para competir
E não para festejar.
20
Até a música usada
Não é como antigamente
Falta sanfona e zabumba
E um triângulo estridente
Falta um forró animado
Com cara de nossa gente.
21
Cadê o chapéu de palha
E o bigode desenhado
A camisa de xadrez
Ou de tecido estampado
Cadê o nosso matuto
Que dançava absoluto
No sertão o seu reinado.
22
Cadê a moça bonita
Que guardo em minha lembrança
Com pintas pretas na face
De cada lado uma trança
Cadê a festa junina
Tão nossa tão nordestina
Dos bons tempos de bonança.
23
Eu ainda quero ouvir
Na voz de um cantador
O que eu ouvi num São João
Numa noite de esplendor
A mais linda melodia
Onde Gonzagão dizia:
Olha pro céu meu amor...
24
Não vamos interromper
Os passos de nossa história
Devemos vivenciar
Não só guardar na memória
Defender e resguardar
Sem deixar de praticar
Feitos dessa trajetória.
Fim
Cordel de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com


terça-feira, 10 de setembro de 2019

Daudeth Bandeira e Dalinha Catunda


DAUDETH BANDEIRA E DALINHA CATUNDA
.
DAUDETH BANDEIRA
Eu não conheço Dalinha
Mas desejo conhecê-la
Todo poeta precisa
Conhecer uma estrela
Não pra ser o dono dela
Mas para aplaudi-la e vê-la.
.
DALINHA CATUNDA
Eu já conheço Daudeth
E muito, de ouvir falar,
Fama de cada Bandeira
Faz o mastro tremular
Seu clã é constelação
Constantemente a brilhar.
.
DAUDETH BANDEIRA
Dalinha pega mais fogo
Do que capim no verão,
É do tipo das caboclas
Que pingam brasa no chão,
São responsabilizadas
Por quase todas queimadas
Que existem no sertão.
.
DALINHA CATUNDA
Sou fogueira de paixão
Lambendo o chão da campina
Incendiando o agreste
Tal ventania ladina
Apesar de ser matreira
Não sou de queimar Bandeira
Meu fogo não desatina.
.
postagem de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

Dalinha Catunda no roteiro cultural no Cariri


Da agenda cultural no Ceará.
No dia 16 de agosto estive no Instituto Cultural do Cariri, em Crato, participando do lançamento do livro do escritor Geraldo Ananias Pinheiro. Marcas na Alma.
La estive na companhia de Josenir Lacerda, Miguel Teles, Francisca Emídio e Fátima Correia.

Nota de Dalinha Catunda cad.25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

Feliz Aniversário, Lindicássia Nascimento.



PARABÉNS LINDINHA
*
Lindicássia Nascimento,
Saúde e felicidade
Que Deus te proteja sempre
E te dê prosperidade
Que os anjos digam amém
Nessa tua nova idade
Que o sorriso do teu rosto
Nunca perca a validade
Que Jesus Cristo promova
A tua serenidade
São os votos dessa amiga
Cheios de sinceridade.
*
Versos de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

CORDEL NA FEIRA 2019 Lançamento de Dalinha Catunda















 Da agenda cultural no Ceará.
Em 26 de agosto participei de mais um Cordel na Feira, patrocinado pelo SESC do Crato, grande incentivador da literatura de cordel.
Lá estiveram poetas e poetisas da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, da Academia dos Cordelistas do Crato e da Sociedade dos poetas de Barbalha, além de amigos que apreciam a cultura popular.
Nesse dia tivemos dois lançamentos: O cordel de Denise Primo em homenagem a Academia dos Cordelistas do Crato e o cordel de minha autoria falando das antigas e tradicionais festas juninas.
As Cirandeiras do Cordel, quem vem se apresentando em variados eventos e criando um bom movimento de mulheres, fez sua participação nesse evento.
Minha gratidão aos SESC e a todos que lá estiveram prestigiando o evento.
Nota e fotos de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

LAURINDA SANTOS LOBO, a mecenas de Santa Teresa



LAURINDA SANTOS LOBO,
a mecenas de Santa Teresa
Cuiabá/MT, 1878 – RJ de Janeiro/RJ, 1946
                                                      
1
Laurinda, grande mecenas!
Quem é esta brasileira?
Movimentou a cidade
Na colina ou na ribeira.
Ecoou por todo o estado
Fez Sarau movimentado
Tinha postura brejeira.
2
Nasceu lá em Cuiabá
Veio pro Rio de Janeiro,
Acompanhada da mãe.
Tinha espírito altaneiro.
De caráter dominante,
Tudo era interessante,
Tinha o olhar muito certeiro.
3
Tio Joaquim Murtinho
Médico proeminente
Homem de muita influência,
Que a recebeu sorridente.
Apresentou-lhe a cidade
Também à sociedade
Seu prestígio era evidente.
4
Aqui no Rio de Janeiro
Ela ficou conhecida
Como a Diva dos Salões.
Empunhou luta aguerrida,
Pelas causas feministas,
Ao lado das sufragistas,
Nunca se deu por vencida.
5
E lá em Santa Teresa,
Sedimentou moradia,
Em um belo palacete.
Sua casa sempre abria
Ao poeta e ao artista.
Era uma grande ativista.
Lá, tudo se debatia.
6
Protagonizou sua época
Como mulher elegante,
Despertou muito ciúme,
Confundida com bacante.
Organizou muitas festas
Regadas com as serestas
Cada noite deslumbrante.
7
Laurinda abrigou a todos
Fosse nobre ou plebeu
Lá não havia um espaço
Que chamamos gineceu
A mulher tinha vez e voz
Desconhecia o algoz
A igualdade promoveu.
8
Laurinda emprestou seu nome
Para o Centro Cultural
O Laurinda Santos Lobo
Santa Teresa, o local
Um cenário de beleza,
Junto a tanta natureza
Monte Alegre é o ramal.
9
Há quem pergunte e indague:
-- Neste Centro ela viveu?
Não sua morada foi outra
 -- Isto nunca aconteceu.
 Foi no Parque das Ruínas
De instalações genuínas
Onde tudo sucedeu.
10
Ao Maestro Villa-Lobos,
Laurinda patrocinou.
Uma viagem a Paris,
Lá ele se apresentou,
Numa audição de sucesso
Conquistou lá o progresso,
E na Europa ele brilhou.
11
Em conversa com Tarsila,
Olhando um quadro indagou:
 -- Dona Tarsila, me diga:
O que foi que motivou,
Este pauzinho e uma cobra,
Subindo, fazendo dobra,
Será que o ovo, já chocou?
12
E diante da artista,
Com toda desenvoltura,
Àquele nada dizia,
Partiu para outra moldura.
Tarsila muito abismada:
 -- Não significa nada!
É somente uma costura.
13
 -- Costuro minhas ideias
Em tela, tinta e pincel,
Num olhar renovador,
Exercendo o meu papel,
De uma artista visual,
Componho grande vitral
Expondo belo painel.
14
Laurinda apoiou as letras.
Dentre seus frequentadores,
Estava João do Rio
E outros tantos escritores,
Que ali faziam paragem,
Compondo justa engrenagem
Em Saraus acolhedores.
15
Lutou pela afirmação
Da cultural nacional
Congregou todas as artes
De riqueza sem igual
Momentos de efervescência
Salão de grande influência
Na capital federal.
16
O Salão Dona Laurinda,
Foi ponto do MODERNISMO
 Que na década de 20,
Rompendo o academicismo.
Um caldeirão de cultura
Gente de toda estatura
Momento de antagonismo.
17
Foi um grande baluarte
Naquele momento incerto.
O Salão causou escândalos
Na sociedade, e decerto,
Apontado de vulgar
Mas nada pode abalar
O Modernismo desperto.
18
A sociedade passava
Por grande transformação.
Reuniu também políticos,
Na defesa da Nação,
De culturas estrangeiras
E das pautas forasteiras
Nacional era o refrão.
19
E Júlia Lopes de Almeida
Dos Saraus participou
Em noitadas literárias
Sua marca ali deixou.
Foi também uma ativista
Lutando pela conquista
Pelo voto se empenhou!
20
Hoje o belo palacete,
É um Centro Cultural
Recebe todas as artes
De caráter universal.
Preservando a qualidade
Sem qualquer ambiguidade
De cultura transversal.
21
Este Centro Cultural
Concentra suas memórias,
Do bairro Santa Teresa,
Passado de muitas glórias.
Recebe novos artistas,
Mostrando suas conquistas
Palco de muitas vitórias.
22
Recebendo Exposições!
Dança! Teatro! Poesia!
Cultura sempre plural,
Crescendo dia após dia.
Brindando os seus moradores
Festas de muitas cores.
Espalha só alegria.
23
Laurinda marcou seu nome
No cenário carioca
Lutando pelas mulheres
Um movimento provoca
Pelo voto feminino
E com seu instinto felino
Esta temática evoca.
24
Fica aqui este meu registro
De uma história singular
De uma mulher que lutou
Para a cultura brilhar
E lá em Santa Teresa
Deixou sua chama acesa
Marcando ali seu lugar.
Março/2019