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quinta-feira, 5 de março de 2020

MULHER DE RAÇA






















MULHER DE RAÇA
*
Neguinha sou para amigas
Minha nega pro amado
Sou morena citadina
Meu cabelo é ondulado
Sou dona das minhas ventas
Sou das mulheres atentas
Tenho nariz empinado.
*
Sou cabocla sertaneja
E trago no matulão
A astúcia da matuta
Que desbravou o sertão
E que não poupou canela
Quando abriu sua cancela
Buscando libertação.
*
Da fralda da Ibiapaba
Sou das alas das guerreiras
Agarrada ao jacumã
Enfrentei as corredeiras
Em cima duma piroga
Sou guerreira que se joga
Nas águas das Ipueiras
*
Sou a mistura das raças
Sou a miscigenação
Sou Catunda, sou do Prado
Tenho sangue de Aragão
Sou cunhã, sou companheira,
Sou concubina parceira
Eu só não sou é padrão.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com


quarta-feira, 4 de março de 2020

A POETISA DO CRATO E O POETA DE ASSARÉ





A POETISA DO CRATO E O POETA DE ASSARÉ
Entre os agraciados com a Comenda Patativa do Assaré 2020, temos a poetisa Josenir Lacerda, que é destaque e referência entre poetas, cordelistas e simpatizantes.
Sempre que penso e falo em Josenir Lacerda, me vem a palavra zelo, pois além de inspirada, josenir Lacerda é cuidadosa e zelosa ao extremo com suas criações. Não foi por acaso que a poetisa recebeu do poeta e instrumentista Wllisses Germano o título de Dama dos versos encantados.
De Josenir, eu ouvia inebriada os relatos de suas conversas com Patativa do Assaré, aquelas conversas  com certeza foram sementinhas que vingaram e hoje a poetisa colhe os bons frutos.
Nesse pequeno relato quero dizer da minha admiração pelo poetisa Josenir Lacerda, do quanto fico feliz com seu sucesso, com esse reconhecimento e como amiga quero reforçar que mesmo distante fico na torcida e aplaudindo de pé suas merecidas conquistas.
As portas sempre se abrirão para quem tem a generosidade de abrir sua porta, acreditar e exercer a partilha.
Josenir Lacerda, você tem, meu carinho, meu respeito e minha gratidão.
Meu abraço,
Dalinha Catunda

ENCRENCA DE MULHER - CORDEL COLETIVO - EDIÇÃO VÂNIA FREITAS.


E POR FALAR EM CORDEL
Eis aqui uma rodada de versos que teve inicio com os versos da Poeta de cordel, Dalinha Catunda e a participação de vários cordelistas de muitos Estados do Brasil.
 Vânia Freitas, que se tornou uma grande parceira, vem juntando essas interações e registrando nossos trabalhos em cordel.
Essas produções editadas por Vânia Freitas, serão postadas no Blog Cordel de Saia, na página do face, Cordel de Maria e compartilhada com os participantes.
Quero agradecer a Vânia essa grande contribuição que é a propagação da Literatura de Cordel, da qual somos detentoras e legitimadas pelo registro do Cordel como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, pelo IPHAN.
Dalinha Catunda

ENCRENCA COM MULHER
*
Bardo que não tem cautela
Tira da boca a tramela
Mas de repente amarela
Na quebrada da rotina
Pois a mulher na porfia
Com astúcia desafia
E o homem nem desconfia
Da esperteza feminina.
DALINHA CATUNDA
*
Cutucar com vara curta
A onça se espanta e surta
A valentia se furta;
O arrogante sequer
Dessa teia não escapa
Perdeu a mina e o mapa
Da Musa levou um tapa
Respeita, macho, a Mulher!
BASTINHA JOB
*
Cabra que arranha viola
Com estrume na cachola
Na merda sempre se atola
Por não saber acatar
O canto de espinho e flor
Que chega trazendo ardor
E não pede, por favor,
Para com macho cantar.
DALINHA CATUNDA
*
Êta, Dalinha, danada
Que jamais perde parada
Ao se mostrar preparada
Pra qualquer situação
Dando nó em pingo d’água
Sabe cantar sem ter mágoa
Nem a tristeza deságua
NOS OITO PÉS DE QUADRÃO.
JOSÉ WALTER
*
Meu amigo sou nojenta
Tenho cabelo na venta
E pouca gente aguenta
Quando entro em ação
Eu canto até ficar rouca
Se o bardo dormir de touca
Morre e não me deixa louca
NOS OITO PÉS DE QUADRÃO.
DALINHA CATUNDA
*
Eita que mulher valente
Quero ver cabra que enfrente
Essa dama do repente
Braba feito uma leoa
De versos fonte infinita
Dalinha tá bem na fita
Porque sempre sua escrita
Como melodia soa.
JERSON BRITO
*
Eu não conheço fadiga,
Não fujo da boa briga,
Não sou mulher com intriga,
Mas não sou de calmaria!
Na hora de pelejar
Gosto do nó apertar
Pra ver verso estrebuchar
Nos braços da poesia.
DALINHA CATUNDA
*
Homem, respeite Dalinha
Tome sua caipirinha
Vá brigar na sua rinha
Onde só tem confusão
Não irrite a minha amiga
Que ela nem gosta de briga
Fuja de qualquer intriga
Nos oito pés de quadrão.
CREUSA MEIRA
*
Porém se quiser chegar
Vá chegando de vagar
Não vai dar pra se espalhar
Na minha jurisdição
Não queira me ver irada
Pois baixo mesmo a porrada
E saio dando risada
Nos oito pés de quadrão.
DALINHA CATUNDA

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

CORDELISTA QUE FAZ - VÂNIA FREITAS


VÂNIA FREITAS, CORDELISTA QUE FAZ

É uma de nossas cordelistas da galeria do Cordel de Saia.

Poeta licenciada em letras, premiada mais de uma vez em concursos literários, cordelista que escreve dentro das regras zelando pela literatura de cordel.
Vânia começou a escrever incentivada pelo marido, mas logo mostrou sua independência e seu talento, ao enveredar por esse caminho.
Hoje Vânia tem um papel importante interagindo com outros poetas e tomando para si, a responsabilidade, de editar cordéis coletivos com os motes sugeridos do face.
Os cordéis editados por Vânia Freitas, tem saído muito bons, papel de qualidade, uma diagramação que não deixa nada a desejar, em relação as edições que se visto.
O mais importante, é que nossos versos que poderiam se perder no espaço e no tempo, são encaixados nas edições de Vânia Freitas, e assim, vamos tendo o registro das rodas de glosas que costumamos participar.
Querida, Vânia, você é: CORDELISTA QUE FAZ! Só tenho a lhe agradecer e parabenizar. Você é muito importante para o nosso movimento do Cordel de Saia, o movimento das Mulheres Cordelistas e Artesãs, enfim, você cabe em qualquer espaço onde a arte e a cultura fincam o pé.
Obrigada pelos cordéis, com registro de nossas interações no face.
Dalinha Catunda Cad. 25 da ABLC
Idealizadora do Cordel de Saia.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

EU SOU - NÓS SOMOS, O canto de Lindicássia e Dalinha

EU SOU, NÓS SOMOS
Dalinha Catunda DC
Lindicassia Nascimento LN

DC
Sou a brisa na palmeira
Sou cheiro de alfazema
Sou a flor da catingueira
Sou espinho de jurema
Sou morena e sou faceira
Sou do cantador parceira
Sou os versos do poema.

LN
Sou canto de seriema
Sou a sequência do rio
Sou cascata em cachoeira
Sou mulher com arte e brio
Sou filha da natureza
Sou reflexo de beleza
Sou a mística do arrepio.

DC
Sou lamparina e pavio
Sou luz na escuridão
Sou vagalume piscando
Sou o luar do sertão
Sou estrela matutina
Sou cabocla nordestina
Sou água de ribeirão.

LN
Sou poesia e canção
Sou uma graça alcançada
Sou fonte de água doce
Sou bando em revoada
Sou bala de parafina
Sou qual ave de rapina
Sou mulher empoderada.

DC
Sou a vela da jangada
Sou a cor verde do mar
Sou o canto da sereia
Sou cruviana a soprar
Sou a renda das rendeiras
Sou filha das Ipueiras
Sou das terras de Alencar.

LN
Sou fibra de caruá
Sou essência do pequi
Sou côco de babaçu
Sou doce de buriti
Sou poeta, sou navalha
Sou rebento da Barbalha
Sou a flor do Cariri.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

AQUI NO RIO DE JANEIRO MORA O CORDEL NORDESTINO.


AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
1
Retiro o velho cordel
Que trouxe no matulão
Onde minha tradição
Trago escrita no papel
Pego e monto um painel
Pra mostrar ao citadino
Meu folheto feminino
No meu linguajar matreiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Dalinha Catunda/Ipueiras-Ce
2
Antes eram folhas soltas
Leandro Gomes as prendeu
Endireitou e vendeu    
Causando reviravoltas
Dominou mas sem escoltas
Pois sempre foi peregrino
Vivendo igual Beduíno;
Agora achou paradeiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Zé salvador/Tianguá-Ce
3
Saindo do meu sertão
Vivi Aventuras mil
Vendo bala de fuzil
Furando meu matulão
Ligeiro que nem um cão
Procurei o meu destino
Depois virei bom menino
Pra dizer pro mundo inteiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
João Batista Melo/Itabaianhinha-Se
4
O cordel sei que é verdade,
Não mora em qualquer lugar
Nem basta alguém procurar
Pra matar a sua saudade.
Se houver dificuldade
Nunca faça desatino
Mude logo seu destino
E procure bem ligeiro.
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Cicero do Maranhão/Caxias-Ma
5
Prazer, eu sou o cordel
Indo além da inspiração
Métrica, rima e oração
Eu sei botar no papel
Vou concorrer ao Nobel!
Seja qual for o destino
Assino embaixo, eu assino
Sou eterno passageiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO
Morais Moreira/Ituaçu-Ba
6
A cultura Iberiana
Chegou com as caravelas
E legou como sequelas
Um escrito bem bacana
E quem tem a mente sana
Conhece um folheto fino
Eu mesmo desde menino
Do cordel sou mensageiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO
Wiliam J G Pinto/Palmeira dos Índios-Al
7
No Rio cosmopolita
Mora da arte a essência
Tem a casa da ciência
Na orla praia bonita
Igreja, centro e mesquita
A moldar o meu destino
Um Cristo humano e divino
Que é mais do que brasileiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO
Gonçalo Ferreira da Silva/Ipu/Ce
8
No Rio pude chegar

Trazendo forte lembrança
Na alma veio a esperança
E a coragem  pra lutar
Procurando melhorar
Nas veredas do destino
Acertar sem tirar fino
Controlando o meu roteiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Ivamberto Albuquerque/Alagoa Grande/Pb
 9
Quando eu vim lá do Nordeste
Encontrei grandes artistas
Poetas e repentistas
Com seu talento inconteste
Estes bons cabras da peste
Com a vida de peregrino
Fizeram aqui seu destino
E hoje eu digo ao mundo inteiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Almir Gusmão/Recife/Pe
10
Saí lá do Maranhão,
No ano sessenta e cinco.
Estudei com muito afinco.
E com amor no coração,
Aprendi muita lição.
Encarei o meu destino.
E sem muito desatino,
Com espírito altaneiro.
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Rosário Pinto/ Bacabal/ Ma
11
O Cordel no grande Rio
Que foi também Guanabara.
Chegou em paus-de-arara,
De caminhão e navio.
Exposto ao sol e ao frio,
Ganhou espaço e destino.
Ao se tornar sudestino,
Traçou seu próprio roteiro.
AQUI NO RIO DE JANEIRO.
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Erinalda Vilanave/ Natal/Rn
12
A  Cultura Brasileira
Está bem enraizada
No Rio encontrou morada
Caminha na dianteira
Sua raiz estrangeira
Diversificou o tino
Vai cumprindo o seu destino
Criando novo roteiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO
Geraldo Aragão/Senhora da Glória/Se

13
Tem a Fonte da Saudade
Portela e Maracanã
O museu do Amanhã
Tem Bangu e Piedade
Do mundo a melhor cidade
O mar sempre cristalino
O velho fica menino
Tem o povo hospitaleiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Chico Salles/ Sousa/PB
14
Em toda esta região
Rica em história e cultura
Encontrou desenvoltura
A cultura da Nação,
Depois veio do Sertão
O folheto genuíno
Ampliando o seu destino
Aos olhos do mundo inteiro,
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Spalo Campelo/Campo Redondo/Rn
15
Fui pesquisar na memória
Encontrei todo sentido
De um mundo construído
No aconchego da glória
Antes de cantar vitória
Bem rápido fiz um hino
Com traço apurado e fino
Confesso que fui ligeiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Severino Honorato/Mulungu/Pb.
16
Se o ritmo do coco é
Alagoano, é também
De Pernambuco e tem
Na Bahia o axé
De todos santos e até
Bate ganzá pro divino,
No calango tira um fino.
E se o calango é mineiro,
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Edmilson Santini/Águas Belas-Pe.
*
O Cordel nordestino no Rio de Janeiro.
O cordel que aportou na Bahia no baú dos colonizadores, no nordeste, encontrou terra fértil para se propagar. Ganhou novas feições e na mala do nordestino migrou para as grandes cidades.
Hoje somos muitos escrevendo Literatura de Cordel pelo Brasil afora.
A internet é um termômetro a nos indicar essa estatística.
Sempre me perguntam pelos nordestinos que escrevem cordel aqui no Rio de Janeiro.
Diante da pergunta reincidente, resolvi criar um mote, que nos remetesse ao tema, e convidar alguns cordelistas nordestinos, que atuam na Cidade Maravilhosa a participarem deste cordel coletivo.
 Aos poetas que atenderam minha solicitação, quero aqui agradecer a todos, em especial ao poeta e escritor, José Walter Pires, que gentilmente fez a apresentação deste cordel, por mim organizado.
Contatos: E-mail: dalinhaac@gmail.com tel: (21) 98225-0145
Dalinha Catunda idealizadora e coordenadora do cordel.
Rio de Janeiro, fevereiro de 2017.

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A ABLC NO VII ENCONTRO NACIONAL DE POETAS E CORDELISTAS.


A ABLC NO VII ENCONTRO NACIONAL DE POETAS E CORDELISTAS.
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A ABLC Esteve no Espaço Cultural SABERES DO SERTÃO EM IPUEIRAS – CE, no Cantinho da Dalinha onde aconteceu o VII ENCONTRO NACIONAL DE POETAS E CORDELISTAS.
O evento se deu em 25 de janeiro, marcando a grande confraternização entre as três agremiações, SPB, ACC, ABLC e poetas independentes.
A Academia Brasileira de Literatura de Cordel, representada, por Anilda Figueiredo, Dalinha Catunda, Dideus Sales, Lindicássia Nascimento e Tião Simpatia, cumpriu a sua missão propagando a literatura de cordel, através de seus poetas, para um número considerável de pessoas, que pelos aplausos recebidos encantaram- se com a literatura de cordel.
Dideus Sales recebeu das mãos do poeta/professor, Luiz Ademar Muniz, da cidade de Trapiá
a comenda ofertada a ABLC, que sempre se faz presente como detentora da Literatura de cordel – Bem registrado em setembro de 2018, no Livro das Formas de Expressão, como Bem de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, com esse registro cresce a responsabilidade do cordelista na divulgação desse nosso bem maior. O CORDEL.
Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC, promotora do Encontro.