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domingo, 26 de julho de 2020

COMO APRENDI O ABC


COMO APRENDI O ABC

No tempo em que as escolas
Eram poucas no sertão,
Professora e aprendiz
Educavam a região,
Na base da palmatória,
Eu e minha irmã Gulória
Recebemos educação.

Margarida era o nome
Do diabo da professora,
Falava com arrogância,
Como se fosse doutora,
Com a palmatória na mão,
Quando pedia a lição,
Parecia a diretora.

Pra aprender o ABC
Todo dia eu estudava:
Um B cum A, beabá,
E assim assoletrava,
Mas uma sílaba com C
Que eu tinha que dizer,
Sofria mas não falava.

Já tava com uns quatro dias
Que eu não dava a lição,
Margarida ameaçava
Cinco bolos em cada mão,
De quem nessa sexta-feira
Tivesse com tremedeira
Errando sem precisão.

E a professora dizia
Pra depois eu repetir:
Um C cum A, ceacá,
Um C cum I, ceici,
E um C cum U, diga agora
Depois de muita demora,
Eu começava a pedir:

Professora, num queira não
Porque isso é muito feio,
É um termo indecente,
Mas aí, por esses meio,
Depois de muita agonia,
Até que chegou o dia
Que a minha mãe interveio:

Foi lá dentro bem depressa
E com a ponta afiada
Do canivete de pai,
Acabou com a mancada
Então eu me alegrei
E no outro dia voltei
Para a escola preparada.

Porém dona Margarida
Sentiu falta das letrinhas,
Partiu pra cima de mim
E da minha irmã Glorinha,
Foi tão grande o alarido
Que estrondou nos ouvidos:
Cadê as letras, Chiquinha?

Eu sem poder nem falar,
Fiquei naquele vai-não-vai,
Com a palmatória na mão,
A professora entra e sai,
Gulória diz: professora,
O C cum U mamãe rapou
Com o canivete de pai.

Dito isso a professora
Segurou a minha mão,
Foi dez bolos em cada uma
Cai rolando no chão,
Quando tornei o sentido
Tava com o pé do ouvido
Queimando só cansanção.

Minha irmã é professora,
Num sítio em Caruaru,
Nossa mestra Margarida
Morreu pras bandas do Sul,
E eu faço verso, mas confesso,
Que eu nunca fiz um verso
Terminando em C cum U.

(Anilda Figueirêdo)
Poeta de Cordel presidente da ACC
postagem de Dalinha Catunda

EU NÃO GOSTO DE ATACAR PORÉM SEI ME DEFENDER



EU NÃO GOSTO DE ATACAR
PORÉM SEI ME DEFENDER
*
DALINHA CATUNDA
Nunca pise no meu calo
Que não vou pisar no seu,
Isso é defeito meu,
Para qualquer um eu falo:
Afronto sem intervalo,
Quem fizer por merecer.
Aquele que me ofender,
Vai ter que me aguentar:
EU NÃO GOSTO DE ATACAR
PORÉM SEI ME DEFENDER.
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Não sou de ficar calada
Não aceito desaforo
Não sou de cair no choro
Nem mesmo apaixonada
Sofro sorrindo, por nada
E ninguém vai perceber
Deixo a fúria aparecer
Caso venham me humilhar
EU NÃO GOSTO DE ATACAR
PORÉM SEI ME DEFENDER.
*
BASTINHA JOB
Nunca fui de fazer briga
Fico olhando de soslaio
Não meto a mão no balaio
Evito qualquer intriga
Valente não me fustiga
E se quiser me bater
Aí vou aparecer
E minha força mostrar:
EU NÃO GOSTO DE ATACAR
PORÉM SEI ME DEFENDER!
*
Mote de Dalinha Catunda

sexta-feira, 24 de julho de 2020

EU NÃO GOSTO DE ATACAR...


EU NÃO GOSTO DE ATACAR
PORÉM SEI ME DEFENDER
.
Nunca pise no meu calo
Que não vou pisar no seu,
Isso é defeito meu,
Para qualquer um eu falo:
Afronto sem intervalo,
Quem fizer por merecer.
Aquele que me ofender,
Vai ter que me aguentar:
EU NÃO GOSTO DE ATACAR
PORÉM SEI ME DEFENDER.
.
Mote e glosa de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Da série: NA REDE COM DALINHA X

QUARENTENA NA ROÇA, VIVENDO COMO ÍNDIO

Aqui estou feito índio
Acoitada em uma oca
Só comendo caça e pesca
E entrando na mandioca
No café como beiju
No almoço tem tatu
Já na ceia é tapioca.

Na cidade eu fazia
Musculação e ioga
Aqui vivo a natureza
Despida de lei e toga
O que me dá mais prazer
É rio abaixo descer
Trepada numa piroga.

Quando meu nativo chega
Alisando o jacumã
Fogosa ligeiro abro
Meu sorriso de cunhã
Eu dou para ele comer
Um caldo que sei fazer
Na base de Carimã.

Numa rede de tucum
De noite vou me deitar
E no balanço da rede
Eu vejo Jaci brilhar
E meu amor diz pra mim
Vamos fazer curumim
Antes do mundo acabar?

*
Versos e fotos de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Da série: NA REDE COM DALINHA IX

Da série: NA REDE COM DALINHA IX
UM GRUDE SÓ
*
É o friozinho chegando
Tu agarrado mais eu.
É rede se balançando
No chamego teu e meu
E nesse grude danado
Meu corpo fica suado
Debaixo do corpo teu.
*
Lá na cama de conchinha
Tu és o meu cobertor.
Suspirando em meu cangote
Vai atiçando calor,
E assim viro a madrugada,
Acordo tonta e suada
Nos braços do meu amor.
.
Versos e foto de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Pense, num rojão na viagem a Canindé.


*
QUANDO EU IA ELE VOLTAVA
QUANDO EU VOLTAVA ELE IA
1
Namorei um Zé Mané
Porém não fiquei contente
Pois gostava de aguardente
Nele eu não botava fé
Fui com ele a Canindé
Numa moto romaria
Quando na moto eu subia
Da moto ele escorregava
QUANDO EU IA ELE VOLTAVA
QUANDO EU VOLTAVA ELE IA
2
E naquela confusão
Para escapar do fuxico
Me apeguei com São Francisco
Fiz promessa e oração
Para não cair no chão
Eu gritava e me benzia
Enquanto eu me maldizia
Sua moto ele empinava
QUANDO EU IA ELE VOLTAVA
QUANDO EU VOLTAVA ELE IA
3
Agarrada na cintura
Eu apertava o sujeito
Era sim daquele jeito
Que gostava a criatura
Eu já estava com gastura
E o cabra não reduzia
Minha bolsa escapulia
Nele meu corpo roçava
QUANDO EU IA ELE VOLTAVA
QUANDO EU VOLTAVA ELE IA
4
Um vento forte bateu
Nessa viagem sofrida
Minha saia colorida
Para segurar não deu
Minha bunda apareceu
Enquanto a saia subia
Segurar eu não podia
E o vento não ajudava
QUANDO EU IA ELE VOLTAVA
QUANDO EU VOLTAVA ELE IA
5
E sem nenhum arranhão
Nós chegamos a cidade
Ao parar em Caridade
Me livrei do beberrão
Deixei ele no balcão
E acabei com a agonia
Pois enquanto ele bebia
De fininho eu escapava
QUANDO EU IA ELE VOLTAVA
QUANDO EU VOLTAVA ELE IA
6
Minha promessa paguei
Na matriz de Canindé
Depois daquele banzé
Minha graça eu alcancei
O Bebum eu despachei
Mas pra ter a regalia
Mas de mil Ave Maria
São Francisco me cobrava
QUANDO EU IA ELE VOLTAVA
QUANDO EU VOLTAVA ELE IA.
*
Versos de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com



domingo, 5 de julho de 2020

Da série: NA REDE COM DALINHA VIII

 

SUA REDE NÃO É A MINHA

*

A rede armada no alpendre

Enquanto você navega

Na tal rede virtual

E o real amor renega

Vejo você navegando

Eu adormeço sonhando

Com tudo que você nega.

*

Cada toque do seu dedo

No teclado é um insulto

E cada expressão no rosto

Sugere um enredo oculto

Tento manter a decência

Encho-me de paciência

Concedo-lhe novo Indulto.

*

Enquanto na tela fria

Você aquece a ilusão

Aqui na rede eu fico

Pensando em nosso colchão

Que vive desaquecido

Após ter aparecido

A nova navegação.

*

Você se distrai na rede

Dia e noite é assim

Em outra rede matuto

Sem você perto de mim

Viver assim não aceito

Ou você vai tomar jeito

Ou decreto nosso fim.

*

Dalinda Catunda cad. 25 da ABLC

 dalinhaac@gmail.com