O Blog Cordel de Saia idealizado e criado pela poeta de cordel, Dalinha Catunda, é direcionado à cultura popular, a mulher aparecerá como figura principal. Aqui receberemos democraticamente, homens e mulheres praticantes deste contagiante mundo encantado da Literatura de cordel. O blog tem também como função divulgar eventos relacionados a literatura de cordel além de descobrir e divulgar a mulher cordelista. Contatos: dalinhaac@gmail.com e rosariuspinto@gmail.com
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quinta-feira, 6 de agosto de 2020
CARREIRÃO DE LINDICÁSSIA NASCIMENTO
CARREIRÃO DE MULHER
quarta-feira, 5 de agosto de 2020
DALINHA CATUNDA E VÂNIA FREITAS NA REDE
EU
NASCI...
*
No
mês de outubro eu nascia,
E
foi São Judas Tadeu,
O
Santo que apareceu,
Na
folhinha nesse dia.
Chamaram-me
de Maria,
Puseram
Lourdes também,
- Nomes de santas convém!
Dizia
mamãe querida,
Pra
dar sorte a sua vida,
E
até hoje eu digo amém.
Dalinha
Catunda
Rio
de Janeiro - RJ
Eu
nasci no mês de agosto
As
duas horas da tarde
Sem
fazer nenhum alarde
Com
belo riso no rosto
O
dia cheio de gosto
E
o céu estava azulado
Era
dia do Soldado
A
noite a lua serena
Se
mostrava toda plena
Porque
eu havia chegado.
Vânia
Freitas
Fortaleza,
2/8/3020
*
Postagem de Dalinha Catunda Cad. 25 da ABLC
terça-feira, 4 de agosto de 2020
CORDEL DE SAIA - Cordel de Dalinha Catunda
CORDEL DE SAIA
1
A mulher faz diferença
No cenário do cordel
Conhece bem seu papel
E no palco tem presença
A musa roga licença
Para iniciar seu canto
Sabe escrever com encanto
Enaltecendo a cultura
Ornando a literatura
Em todo e qualquer recanto.
2
Para o seu cordel fazer
A mulher se preparou
Ela se capacitou
Garanto e posso dizer
Fez e faz por merecer
Esse lugar conquistado
Pois já ficou comprovado
Que seu nome é competência
Das regras tomou ciência
Tem currículo aprovado.
3
É cheio de inovação
O Cordel vestindo saia
Lá no alto feito arraia
Faz a sua evolução
Não esquece a tradição
Traz de volta a cantadeira
Dando voz a cirandeira
Com seus trajes coloridos
Os aplausos repetidos
Saúdam essa bandeira.
4
Na peleja virtual
A mulher, bonito faz
Demonstra que é capaz
Destemida e atual
Se um dia foi desigual
O mundo cordeliano
Na saia ela botou pano
Para rodar o babado
Espantar o mau olhado
E seguir sem desengano.
5
Na boca da cordelista
Renasce o cordel cantado
Por muitos apreciado
É imensa a nossa lista
A mulher está na pista
Faz graça na cantoria
Encara bem a porfia
Na hora de pelejar
Canta sem titubear
Agindo traz alegria.
6
É a mulher nordestina
A que canta alegremente
Os versos que tem na mente
Com sorriso de menina
Se junta e não desatina
Para dar o seu recado
Bota o cordel no tablado
Nos cabelos uma flor
Sabe que tem seu valor
E pra ela tem mercado.
7
Nosso cordel feminino
Nosso cordel de mulher
Não é de meia-colher
É arte de quem tem tino
E usa tempero fino
Para os versos temperar
Assim consegue agradar
Quem gosta do que é bom
Por não ter medo do tom
Da fêmea a versejar.
8
Hoje já vejo calcinha
Lado a lado com cueca
Em bancas ou cordelteca
Uma com outra se alinha
Pois antes só homem tinha
Esse lugar ocupando
Mas a coisa foi mudando
Pra nossa felicidade
Chega, enfim, a igualdade
De gênero se irmanando.
9
Ser cantada ou escrachada
Ou ser musa de poeta
Da mulher não era a meta
Eu não estou enganada
Sem se fazer de rogada
Ela então se resolveu
E seu cordel escreveu
Dando fim a tirania
Nasceu cordel de Maria
Cresceu e sobreviveu.
10
Sem drama e sem salseiro
O homem não relutou
A mulher ele aceitou
Acabou sendo parceiro
Age no mesmo terreiro
Mas no fundo a gente sente
Que ainda é diferente
A condição feminina
O homem sempre termina
Com vantagens, claramente.
11
Com decote ou sem decote
A mulher chega e abusa
Enfeita sacola e blusa
Canta dança e dá pinote
Perfuma bem o cangote
Em cada apresentação
Faz a sua saudação
Sempre em alto e bom som
Com a boca de batom
Capricha na louvação.
12
Louva a Matuta fogosa
Que se vestia de chita
Botava laço de fita
Só para ficar mimosa
Louva a cabocla cheirosa
Que vivia no sertão
E dançava São João
Nos bons tempos de fogueira
Toda jeitosa e faceira
E seguindo a tradição.
13
Louva a famosa Maria
Parceira de Lampião
Que gostou do Capitão
E largou sua moradia
Pra viver como queria
Ao lado do cangaceiro
Sua paixão o parceiro
Que cruzou em seu destino
Um romance nordestino
Do casal aventureiro.
14
Louva a mulher aguerrida
Que pelo mundo se embrenha
Que é Maria da Penha
Que não desistiu da vida
E disso ninguém duvida
É verdade absoluta
É comandante da luta
Que favorece a mulher
E pelo o que faz requer
Respeito a sua conduta.
15
Viva a mulher cordelista
Que inovou no cordel
Que faz versos à granel
No assunto é estilista
Sempre tem nova conquista
É artesã da cultura
Agrega a literatura
Poesia e artesanato
Entrelaça em cada ato
Subsídios pra leitura.
16
A fêmea que se escondia
Nome e sobrenome tem
Faz o cordel e faz bem
É membro de academia
No mundo da poesia
Que hoje se descortina
Com a verve feminina
De sortilégio replena
A mulher se mostra plena
Escreve, assume e assina.
*
Xilo de Jefferson Campos
*
Dados da autora
Maria de Lourdes Aragão Catunda, conhecida como Dalinha
Catunda, nasceu
em Ipueiras - Ceará, no dia 28 de outubro de 1952, e reside
no Rio de Janeiro.
Ocupa a cadeira 25 da Academia Brasileira de Literatura de
Cordel - ABLC, que tem
como patrono o poeta e folclorista cearense, Juvenal Galeno.
Membro correspondente
da Academia Ipuense de Letras, Ciência e Artes – AILCA.
Sócia benemérita da
Academia dos Cordelistas do Crato - ACC. É sócia benemérita
da Sociedade dos Poetas de Barbalha. Como colaboradora, tem textos publicados
nos principais jornais cearenses: O Povo e Diário do
Nordeste.
Escreve no Jornal Gazeta de Notícias, da região do Cariri
cearense.
Escreve no JBF – Jornal da Besta Fubana
Dalinha Catunda é declamadora de cordel e, como tal, já
participou da FLIT - Feira
Literária Internacional do Tocantins e da FLIP – Festa
Literária Internacional de Paraty.
Há sete anos promove o ENCONTRO NACIONAL DE POETAS DE CORDEL
EM IPUEIRAS
Criou o blog Cordel de Saia onde agrega as mulheres do
cordel e criou ainda o grupo CIRANDEIRAS DO CORDEL
Realiza um amplo trabalho de divulgação da Literatura de
Cordel, em sites e blogs.
Administra os blogs:
www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com
contato:dalinhaac@gmail.com
Rio de Janeiro, 05 de janeiro de 2020
Xilo de Jefferson Campos
1º DE AGOSTO - DIA DO POETA & POETISA DE CORDEL
Reportando-se ao real
mas curtindo a ficção
sem encontrar um rival
pelas sendas do sertão
cultivando a tradição
das estórias espantosas
das lendas maravilhosas
o cordel é língua viva
que a mão do homem ativa
em busca da perfeição.
(A arte do cordel na poesia popular)
Barbosa Leite ensina em versos a história e a essência dessa arte secular que se atualiza e se expande em temas e autores. O movimento das mulheres no cordel também se espalha por todo o país, trazendo com muita personalidade o olhar e a voz feminina. A seguir, versos de Rosário Pinto:
Cordel é literatura.
Vem de antiga tradição,
Por ele, tenho afeição.
Reflete nossa cultura,
Tem regras, tem estrutura.
Do homem foi sempre reduto,
Seja erudito ou matuto.
Mas finalmente a mulher,
Chegou com sua colher,
E mexeu neste produto.
No link a seguir você pode saber mais, acessando: nossa Cordelteca em Acervos
Digitais; o blog da cordelista Rosário Pinto; a seção Cordel e Repente, no site da exposição do Museu de Folclore, “Os objetos e suas narrativas.”
domingo, 2 de agosto de 2020
E NÃO FALTA FOFOQUEIRA GRUDADA NO CELULAR.
*
E
NÃO FALTA FOFOQUEIRA
GRUDADA
NO CELULAR.
Mote
de Dalinha Catunda
1
DALINHA
CATUNDA
Essa
tal de pandemia
Já
mexeu com todo mundo
O
meu desgosto é profundo
Não
acho minha alegria
Tá
me dando uma agonia
Falto
pouco é endoidar
Resolvi
então criar
Um
grupo de fuxiqueira
E
NÃO FALTA FOFOQUEIRA
GRUDADA
NO CELULAR.
2
ASSIS
MENDES
colega
tu se ferrou,
É
melhor tu desistir,
Pois
se você insistir,
Nesse
grupo que criou,
O
seu sossego acabou,
Porque
se continuar,
Você
vai ter que aguentar,
De
segunda a sexta feira,
NÃO
VAI FALTAR FOFOQUEIRA,
GRUDADA
NO CELULAR,
3
RIVAMOURA
TEIXEIRA
Com
a modernização
A
coisa tá diferente
Meiota
de aguardente
Tem
novo nome então
É
celular meu irmão
E
comece a se ligar
A
turminha vai comprar
É
plimplim na bebedeira
E
NÃO FALTA FOFOQUEIRA
GRUDADA
NO CELULAR.
4
CREUSA
MEIRA
Veja
a minha situação
Falo
com sinceridade
Eu
sinto dificuldade
Nesta
nova ocupação
Passo
o dia no fogão
Tendo
a casa pra limpar
Muita
roupa pra lavar
Escrever
dá uma canseira
E
NÃO FALTA FOFOQUEIRA
GRUDADA
NO CELULAR
*
5
JOAB
NASCIMENTO
Um
grupo de mulherada
Sem
ter nada o que fazer
Pra
seu tempo preencher
Nessa
pandemia danada
Ficam
o tempo na calçada
Com
ouvidos de sonar
Os
olhos que nem radar
Fofocando
a tarde inteira
E
NÃO FALTA FOFOQUEIRA
GRUDADA
NO CELULAR.
6
VÂNIA
FREITAS
Hoje
nesta nova vida
Trancada
dentro de casa
Que
parece cova rasa
Me
sentindo comprimida
Num
beco sem ter saída
Morrendo
de trabalhar
Não
dá nem pra respirar
Com
a dupla de faladeira
E
NÃO FALTA FOFOQUEIRA
GRUDADA
NO CELULAR.
7
NELCIMÁ
MORAIS
Dalinha,
vou lhe avisar
Que
tou é meio abestada
Com
a cabeça lesada
Sem
ter com quem conversar
Muita
coisa a me faltar
Sair,
também abraçar
Com
o desejo de correr
Pra
essa agonia vencer
A
calçada tá uma doideira
E
NÃO FALTA FOFOQUEIRA
GRUDADA
NO CELULAR.
8
FRANCISCA
EMÍDIO - CHICA
Na
área, fico sentada
Igual
a uns meus vizinhos
Que
também moram sozinhos
A
rua toda parada
Eu
aqui, presa, calada
Me
divirto a crochetar
Essa
profissão do lar
Tá
me dando uma doideira
E
NÃO FALTA FOFOQUEIRA
GRUDADA
NO CELULAR
9
LINDICÁSSIA
NASCIMENTO
Mexeu
comigo também
Essa
tal de pandemia
Tirou
a minha alegria
Por
não estar com meu bem
Com
meu pensamento além
É
difícil eu me aquietar
Minha
mão vai calejar
Vivo
fazendo besteira
E
NÃO FALTA FOFOQUEIRA
GRUDADA
NO CELULAR.
10
ANILDA
FIGUEIREDO
Se
eu pudesse, voaria,
Ao
encontro do meu bem,
Sei
que ele também tem
Gosto
pela poesia.
Isso
me acalmaria,
Mas
o verbo crochetar
É
o que vivo a conjugar,
Me
chamam de crocheteira,
E
NAO FALTA FOFOQUEIRA
GRUDADA
NO CELULAR.
11
DÃO
DE JAIME
O
fuxico vai e vem
O
fuxico vem e vai
Alguém
fuxica do pai
Fuxica
da mãe também
O
fuxico faz é bem
Dalinha
pra fuxicar
Tirou
primeiro lugar
E
falo sem brincadeira
E
NÃO FALTA FOFOQUEIRA
GRUDADA
NO CELULAR.
12
DALINHA
CATUNDA
Não
me zango nem um tico
É
certo o que você diz
Muito
fuxico já fiz
E
faz tempo que pratico
Fiz
tapete pra penico
Fiz
colete para usar
Na
mão eu sei costurar
Sou
exímia costureira.
E
NÃO FALTA FOFOQUEIRA.
GRUDADA
NO CELULAR.
*
Roda
de glosas coordenada por Dalinha Catunda
XILO de Erivaldo Ferreira, do meu acervo é capa de cordel
postagem de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC





