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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Meu Canto de Apresentação - Dalinha Catunda


CARREIRÃO DE LINDICÁSSIA NASCIMENTO


CARREIRÃO DE LINDICÀSSIA NASCIMENTO
*
Sou mulher, sou nordestina
Sou verso de gemedeira
Sou musa do universo
Sou leveza na ladeira
Não escorrego na rima
Do cordel, sou curandeira.
Eu aprendi com Dalinha
Que é poeta companheira
Ela aprendeu com o vate
Poeta Pedro Bandeira
Ele o príncipe dos poetas
Ela a rainha faceira.
Já eu mulher sertaneja
Com astúcia cangaceira
Desbravo a literatura
Tal qual a mulher rendeira
Eu vivo parindo versos
Sem precisar de parteira.
Sou da arte popular
A ponta da lançadeira
Se eu cair me levanto
Não me sinto prisioneira
Eu não disputo espaços
Porque sei ser verdadeira.
Meu mundo é colorido
Desde casa até a feira
Levo comigo quem quer
Me seguir sem ter zoeira
Ninguém pense que derruba
Meu canto de feiticeira.
Carrilhão sem dobrar rima
Só pra quem é fiandeira
Me garanto nessa roda
Porque eu sou cirandeira
SE TEM CANTO DE SEGUNDA
O MEU CANTO É DE PRIMEIRA.

Glosa: Lindicassia Nascimento
Mote de Dalinha Catunda
postagem de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

CARREIRÃO DE MULHER


CARREIRÃO DE MULHER
*
Sou poeta popular
Nos versos sou estradeira
Quando pego um carreirão
Meu verso não tem barreira
Sempre tive a língua solta
Pois gosto de brincadeira
Quando chego num alpendre
Puxo logo uma cadeira
E desenrolo meu verso
Sem esquentar a moleira
Ninguém derruba meu verso
Com pedra de baladeira.
Quem for fraco de poesia
Pode pegar na carreira
Meu angu aqui é quente
Não se come pela beira
Quando retoco o batom
Mostro meu lado brejeira.
Tem muita gente que aplaude
Meu verso de cantadeira
Porém tem gente que diz
Que apenas falo besteira
Não canto sem minha figa
Não passo sem benzedeira.
Aprendi meu carreirão
Ouvindo Pedro Bandeira
Escrevo meus absurdos
Por causa de Zé Limeira
Eu só não aprendo nada
É quando esbarro em toupeira.
Esse canto encarrilhado
É canto de catingueira
Que não erra na flechada
Porque sabe ser certeira
SE TEM CANTO DE SEGUNDA
O MEU CANTO É DE PRIMEIRA.
*
Versos de Dalinha Catunda cad.25 da ABLC
Arte da ilustração Cayman Moreira
dalinhaac@gmail.com


quarta-feira, 5 de agosto de 2020

DALINHA CATUNDA E VÂNIA FREITAS NA REDE


EU NASCI...

*

No mês de outubro eu nascia,

E foi São Judas Tadeu,

O Santo que apareceu,

Na folhinha nesse dia.

Chamaram-me de Maria,

Puseram Lourdes também,

 - Nomes de santas convém!

Dizia mamãe querida,

Pra dar sorte a sua vida,

E até hoje eu digo amém.

Dalinha Catunda

Rio de Janeiro - RJ

 *

Eu nasci no mês de agosto

As duas horas da tarde

Sem fazer nenhum alarde

Com belo riso no rosto

O dia cheio de gosto

E o céu estava azulado

Era dia do Soldado

A noite a lua serena

Se mostrava toda plena

Porque eu havia chegado.

Vânia Freitas

Fortaleza, 2/8/3020

*

Postagem de Dalinha Catunda Cad. 25 da ABLC

terça-feira, 4 de agosto de 2020

CORDEL DE SAIA - Cordel de Dalinha Catunda


 

 CORDEL DE SAIA

1

A mulher faz diferença

No cenário do cordel

Conhece bem seu papel

E no palco tem presença

A musa roga licença

Para iniciar seu canto

Sabe escrever com encanto

Enaltecendo a cultura

Ornando a literatura

Em todo e qualquer recanto.

2

Para o seu cordel fazer

A mulher se preparou

Ela se capacitou

Garanto e posso dizer

Fez e faz por merecer

Esse lugar conquistado

Pois já ficou comprovado

Que seu nome é competência

Das regras tomou ciência

Tem currículo aprovado.

3

É cheio de inovação

O Cordel vestindo saia

Lá no alto feito arraia

Faz a sua evolução

Não esquece a tradição

Traz de volta a cantadeira

Dando voz a cirandeira

Com seus trajes coloridos

Os aplausos repetidos

Saúdam essa bandeira.

4

Na peleja virtual

A mulher, bonito faz

Demonstra que é capaz

Destemida e atual

Se um dia foi desigual

O mundo cordeliano

Na saia ela botou pano

Para rodar o babado

Espantar o mau olhado

E seguir sem desengano.

5

Na boca da cordelista

Renasce o cordel cantado

Por muitos apreciado

É imensa a nossa lista

A mulher está na pista

Faz graça na cantoria

Encara bem a porfia

Na hora de pelejar

Canta sem titubear

Agindo traz alegria.

6

É a mulher nordestina

A que canta alegremente

Os versos que tem na mente

Com sorriso de menina

Se junta e não desatina

Para dar o seu recado

Bota o cordel no tablado

Nos cabelos uma flor

Sabe que tem seu valor

E pra ela tem mercado.

7

Nosso cordel feminino

Nosso cordel de mulher

Não é de meia-colher

É arte de quem tem tino

E usa tempero fino

Para os versos temperar

Assim consegue agradar

Quem gosta do que é bom

Por não ter medo do tom

Da fêmea a versejar.

8

Hoje já vejo calcinha

Lado a lado com cueca

Em bancas ou cordelteca

Uma com outra se alinha

Pois antes só homem tinha

Esse lugar ocupando

Mas a coisa foi mudando

Pra nossa felicidade

Chega, enfim, a igualdade

De gênero se irmanando.

9

Ser cantada ou escrachada

Ou ser musa de poeta

Da mulher não era a meta

Eu não estou enganada

Sem se fazer de rogada

Ela então se resolveu

E seu cordel escreveu

Dando fim a tirania

Nasceu cordel de Maria

Cresceu e sobreviveu.

10

Sem drama e sem salseiro

O homem não relutou

A mulher ele aceitou

Acabou sendo parceiro

Age no mesmo terreiro

Mas no fundo a gente sente

Que ainda é diferente

A condição feminina

O homem sempre termina

Com vantagens, claramente.

11

Com decote ou sem decote

A mulher chega e abusa

Enfeita sacola e blusa

Canta dança e dá pinote

Perfuma bem o cangote

Em cada apresentação

Faz a sua saudação

Sempre em alto e bom som

Com a boca de batom

Capricha na louvação.

12

Louva a Matuta fogosa

Que se vestia de chita

Botava laço de fita

Só para ficar mimosa

Louva a cabocla cheirosa

Que vivia no sertão

E dançava São João

Nos bons tempos de fogueira

Toda jeitosa e faceira

E seguindo a tradição.

13

Louva a famosa Maria

Parceira de Lampião

Que gostou do Capitão

E largou sua moradia

Pra viver como queria

Ao lado do cangaceiro

Sua paixão o parceiro

Que cruzou em seu destino

Um romance nordestino

Do casal aventureiro.

14

Louva a mulher aguerrida

Que pelo mundo se embrenha

Que é Maria da Penha

Que não desistiu da vida

E disso ninguém duvida

É verdade absoluta

É comandante da luta

Que favorece a mulher

E pelo o que faz requer

Respeito a sua conduta.

15

Viva a mulher cordelista

Que inovou no cordel

Que faz versos à granel

No assunto é estilista

Sempre tem nova conquista

É artesã da cultura

Agrega a literatura

Poesia e artesanato

Entrelaça em cada ato

Subsídios pra leitura.

16

A fêmea que se escondia

Nome e sobrenome tem

Faz o cordel e faz bem

É membro de academia

No mundo da poesia

Que hoje se descortina

Com a verve feminina

De sortilégio replena

A mulher se mostra plena

Escreve, assume e assina.

*

Xilo de Jefferson Campos

*

Dados da autora

Maria de Lourdes Aragão Catunda, conhecida como Dalinha Catunda, nasceu

em Ipueiras - Ceará, no dia 28 de outubro de 1952, e reside no Rio de Janeiro.

Ocupa a cadeira 25 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel - ABLC, que tem

como patrono o poeta e folclorista cearense, Juvenal Galeno. Membro correspondente

da Academia Ipuense de Letras, Ciência e Artes – AILCA. Sócia benemérita da

Academia dos Cordelistas do Crato - ACC. É sócia benemérita da Sociedade dos Poetas de Barbalha. Como colaboradora, tem textos publicados

nos principais jornais cearenses: O Povo e Diário do Nordeste.

Escreve no Jornal Gazeta de Notícias, da região do Cariri cearense.

Escreve no JBF – Jornal da Besta Fubana

Dalinha Catunda é declamadora de cordel e, como tal, já participou da FLIT - Feira

Literária Internacional do Tocantins e da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty.

Há sete anos promove o ENCONTRO NACIONAL DE POETAS DE CORDEL EM IPUEIRAS

Criou o blog Cordel de Saia onde agrega as mulheres do cordel e criou ainda o grupo CIRANDEIRAS DO CORDEL

Realiza um amplo trabalho de divulgação da Literatura de Cordel, em sites e blogs.

Administra os blogs:

www.cantinhodadalinha.blogspot.com

www.cordeldesaia.blogspot.com

contato:dalinhaac@gmail.com

Rio de Janeiro, 05 de janeiro de 2020

Xilo de Jefferson Campos


1º DE AGOSTO - DIA DO POETA & POETISA DE CORDEL


Dia do poeta e da poetisa de cordel. A força, a tradição e a permanência da literatura de cordel por todos os tempos, permanece viva e plena. Agradeço ao Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular e convido à visitação do Museu de Folclore Edison Carneiro. Há um espaço dedicado à literatura de cordel.


Nesse 1º de agosto, Dia do Poeta eda Poeta de Cordel, trazemos a tradição e a atualidade:

Reportando-se ao real
mas curtindo a ficção
sem encontrar um rival
pelas sendas do sertão
cultivando a tradição
das estórias espantosas
das lendas maravilhosas
o cordel é língua viva
que a mão do homem ativa
em busca da perfeição.

(A arte do cordel na poesia popular)

Barbosa Leite ensina em versos a história e a essência dessa arte secular que se atualiza e se expande em temas e autores. O movimento das mulheres no cordel também se espalha por todo o país, trazendo com muita personalidade o olhar e a voz feminina. A seguir, versos de Rosário Pinto:

Cordel é literatura.
Vem de antiga tradição,
Por ele, tenho afeição.
Reflete nossa cultura,
Tem regras, tem estrutura.
Do homem foi sempre reduto,
Seja erudito ou matuto.
Mas finalmente a mulher,
Chegou com sua colher,
E mexeu neste produto.

No link a seguir você pode saber mais, acessando: nossa Cordelteca em Acervos

Digitais; o blog da cordelista Rosário Pinto; a seção Cordel e Repente, no site da exposição do Museu de Folclore, “Os objetos e suas narrativas.”
*     
📷Na foto, instalação que está nessa seção, feita
a partir da capa do folheto de Barbosa Leite.
 Postagem original no Facebook do CNCFC/IPHAN

domingo, 2 de agosto de 2020

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA GRUDADA NO CELULAR.


 

*

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA

GRUDADA NO CELULAR.

Mote de Dalinha Catunda

1

DALINHA CATUNDA

Essa tal de pandemia

Já mexeu com todo mundo

O meu desgosto é profundo

Não acho minha alegria

Tá me dando uma agonia

Falto pouco é endoidar

Resolvi então criar

Um grupo de fuxiqueira

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA

GRUDADA NO CELULAR.

2

ASSIS MENDES

colega tu se ferrou,

É melhor tu desistir,

Pois se você insistir,

Nesse grupo que criou,

O seu sossego acabou,

Porque se continuar,

Você vai ter que aguentar,

De segunda a sexta feira,

NÃO VAI FALTAR FOFOQUEIRA,

GRUDADA NO CELULAR,

3

RIVAMOURA TEIXEIRA

Com a modernização

A coisa tá diferente

Meiota de aguardente

Tem novo nome então

É celular meu irmão

E comece a se ligar

A turminha vai comprar

É plimplim na bebedeira

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA

GRUDADA NO CELULAR.

4

CREUSA MEIRA

Veja a minha situação

Falo com sinceridade

Eu sinto dificuldade

Nesta nova ocupação

Passo o dia no fogão

Tendo a casa pra limpar

Muita roupa pra lavar

Escrever dá uma canseira

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA

GRUDADA NO CELULAR

*

5

JOAB NASCIMENTO

Um grupo de mulherada

Sem ter nada o que fazer

Pra seu tempo preencher

Nessa pandemia danada

Ficam o tempo na calçada

Com ouvidos de sonar

Os olhos que nem radar

Fofocando a tarde inteira

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA

GRUDADA NO CELULAR.

6

VÂNIA FREITAS

Hoje nesta nova vida

Trancada dentro de casa

Que parece cova rasa

Me sentindo comprimida

Num beco sem ter saída

Morrendo de trabalhar

Não dá nem pra respirar

Com a dupla de faladeira

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA

GRUDADA NO CELULAR.

7

NELCIMÁ MORAIS

Dalinha, vou lhe avisar

Que tou é meio abestada

Com a cabeça lesada

Sem ter com quem conversar

Muita coisa a me faltar

Sair, também abraçar

Com o desejo de correr

Pra essa agonia vencer

A calçada tá uma doideira

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA

GRUDADA NO CELULAR.

8

FRANCISCA EMÍDIO - CHICA

Na área, fico sentada

Igual a uns meus vizinhos

Que também moram sozinhos

A rua toda parada

Eu aqui, presa, calada

Me divirto a crochetar

Essa profissão do lar

Tá me dando uma doideira

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA

GRUDADA NO CELULAR

9

LINDICÁSSIA NASCIMENTO

Mexeu comigo também

Essa tal de pandemia

Tirou a minha alegria

Por não estar com meu bem

Com meu pensamento além

É difícil eu me aquietar

Minha mão vai calejar

Vivo fazendo besteira

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA

GRUDADA NO CELULAR.

10

ANILDA FIGUEIREDO

Se eu pudesse, voaria,

Ao encontro do meu bem,

Sei que ele também tem

Gosto pela poesia.

Isso me acalmaria,

Mas o verbo crochetar

É o que vivo a conjugar,

Me chamam de crocheteira,

E NAO FALTA FOFOQUEIRA

GRUDADA NO CELULAR.

11

DÃO DE JAIME

O fuxico vai e vem

O fuxico vem e vai

Alguém fuxica do pai

Fuxica da mãe também

O fuxico faz é bem

Dalinha pra fuxicar

Tirou primeiro lugar

E falo sem brincadeira

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA

GRUDADA NO CELULAR.

12

DALINHA CATUNDA

Não me zango nem um tico

É certo o que você diz

Muito fuxico já fiz

E faz tempo que pratico

Fiz tapete pra penico

Fiz colete para usar

Na mão eu sei costurar

Sou exímia costureira.

E NÃO FALTA FOFOQUEIRA.

GRUDADA NO CELULAR.

*

Roda de glosas coordenada por Dalinha Catunda

XILO de Erivaldo Ferreira, do meu acervo é capa de cordel

postagem de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC