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domingo, 16 de agosto de 2020

Glosando na Rede com Dalinha , Mote: - EU VOU REBOLAR NO MATO...

 

Ciranda de glosas, com mote de Dalinha Catunda, inspirado no dialeto cearense.

 .

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EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENCARDIR

1

Nosso amor distiorado

Desmantelou a paixão

Vou enterrar num caixão

Cada presente guardado

E nem venha agoniado

Querendo arrego pedir

As cartas vou destruir

E aquele nosso retrato

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENCARDIR.

Dalinha Catunda – Rio de Janeiro - RJ

2

Botei uma ruma de troço

Por detrás lá do galpão

Pote, pinico, facão

Farinha fina e em caroço

Asa de frango e pescoço

Joguei fora sem pedir

Até vaso de cuspir

Tinha dentro o teu retrato

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENCARDIR.

Gildemar Pontes – Fortaleza-CE

3

Teu retrato desbotou

A roupa toda encardida

Tu já tá desvanicida

Pelo mal q me causou

E agora piorou

Não venha se inxirir

Nem querer se redimir

E aquele branco sapato

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENCARDIR

Rivamoura Teixeira – Cedro

4

Juntei a tua saudade

Com o amor que eu tinha

Amarrei numa trouxinha.

E a tal felicidade

Se transformou em maldade

Agora pode explodir

Que hoje vivo a sorrir

Aquele nosso contrato

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENCARDIR

Francisca Emídio - Chica

Crato - CE.

5

Olha aqui, seu estrupiço

Não venha encher meu saco

Tua cara de macaco

Vou dar nela um sumiço,

Ofereça o teu chouriço

A quem te pode servir,

Me erra, vá se entupir,

Tô cortando o teu barato:

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENCARDIR!

Bastinha Job – Crato – CE

6

Foi no meu aniversário

Que ganhei uma camisa

Você não economiza

A metade do salário

Depois me fez de otário

Isso eu posso garanti

Você fez o mau pra si

Não diga que eu sou chato

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PRA ENCARDIR

Dão Jaime – Barbalha - CE

7

Aquele amor ardente

Transbordava o coração

Era uma grande paixão

Chegou a gerar semente

E agora tristemente

Vejo o sonho ruir

E para não destruir

A cara daquele ingrato

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENCARDIR

Dodora Pereira – Juazeiro – CE.

8

O chamego que eu mantinha

Deu foi rolo de lascar

Eu fui no bicho jogar

A mulher do homem vinha

Com uma faca na bainha

Eu dela tentei fugir

Pra na dela não cair

Dele fiz queijo pra rato

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENCARDIR!

Vânia Freitas -Fortaleza - CE

9

A nada, pois, se compara

o grande amor que vivemos,

razões de sobra nós temos,

pra essa rica seara

que só o amor nos prepara

pra se colher e curtir,

contudo, sem progredir,

o que fizemos, de fato,

“EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENCARDIR.”

David Ferreira – Teresina - Piauí

10

 Aquelas lindas cartinhas

Que você mandou pra mim

Eram guardadas assim

Como belas lembrancinhas

Mas seguindo meu intento

Tive um dia um pensamento

E resolvi destruir

Até mesmo seu retrato

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENCARDIR.

Mana Cardoso – Crato - CE

11

Aquela rede amarela

Enfeitada com rendinha

Armada na camarinha

Que a gente deitava nela

Os dois jogos de panela

Que do Rio tu mandou vir

Também vou fazer sumir

E aquele casal de prato

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENACRDIR.

João Rodrigues – Reriutaba – CE

12

Ganhei de uma velha amiga

Um vestido apertado

O tamanho veio errado

Tento entrar na "priciga"

Mas a banha da barriga

Fica já pra explodir

Vou com ele escapulir

Antes que eu fique sem fato

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PRA ENCARDIR

 Ritinha Oliveira -

13

Num canto lá na dispensa,

eu acho, que atrás da porta,

penduro a lembrança morta

de uma antiga presença;

não morreu só foi suspensa.

veio agora se enxerir

me pedindo pra eu bulir,

espie que destino ingrato,

EU VOU REBOLAR NO MATO

SOMENTE PARA ENCARDIR

 Zé Salvador – Tianguá - CE

*

Foto de ilustração, Tranquilino Ripuxado e Dalinha Catunda
Ciranda de versos organizada por Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

Ciranda de glosas, com mote de Dalinha Catunda, inspirado no dialeto cearense.

 

  

sábado, 15 de agosto de 2020

CIRANDA DE GLOSAS COORDENADA POR DALINHA CATNDA

 

Glosando na rede. Mote de Dalinha Catunda usando o dialeto cearense

*

VOCÊ PODE SE ESPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA

Mote de Dalinha Catunda

1

DALINHA CATUNDA

Hoje não vai ter refregas

Sujeito você me escute!

Estou toda ispilicute,

Só pra escutar meus bregas.

Você só quer ser as pregas,

Mas deixe de ladainha

Hoje quem manda é Dalinha

Nem venha me agoniar:

VOCÊ PODE SE ESPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA

2

CARLOS GILDEMAR PONTES

Vixe que a língua tá solta

Cantando na bregaria

Passa noite e passa dia

E a poeta dando volta

Já recebeu uma escolta

Da fofoqueira, a vizinha

Mesmo que seja Dalinha

Se for presa vai dançar

VOCÊ PODE SE ESPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA.

3

BASTINHA JOB

Não venha me dar cantada

Já conheço o lero-lero,

E de você, nada espero

Sua conversa é fiada;

Você é página virada

Galo de crista molinha

O trem que saiu da linha,

Tô rindo de teu azar:

VOCÊ PODE SE ESPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA!

4

RIVAMOURA TEIXEIRA

Parece que levantei

Sob a escada me pus

Não fiz o sinal da cruz

Nem pai nosso eu rezei

Você zoou me zanguei

Já pensou na picuinha

Pode se assanhar Dalinha.

Sei muito bem me cuidar

VOCÊ PODE SE ESPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA

5

DÃO DE JAIME

Não me venha com lorota

Não gosto de desaforo

Se não eu tiro seu coro

Pra fazer um par de bota

É bom pegar outra rota

Você só tem é murrinha

De tanto comer farinha

Reconheça seu lugar

VOCÊ PODE SE ESPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA.

6

ASSIS MENDES

Não gosto de de desaforo,

Nem aguento pileiria,

Com migo a conversa é séria,

Ou então eu desso o couro,

Você vai caí no choro,

Lá dentro da camarinha,

E aí vai dormir sozinha,

Pra saber me respeitar,

VOCÊ PODE SE ESPRITAR,

NEM ME BATE A PASSARINHA,

7

JOAB NASCIMENTO

Não pense que vai fugir

Hoje eu quero seu chamego

Venha aquecer o seu nego

Vou querer te possuir

Hoje a cama vai rangir

Vai dar nó em sua espinha

Nos conselhos de Dalinha

Ouça o que vou lhe falar

VOCÊ PODE SE ESPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA.

8

VÂNIA FREITAS

 Sou moça muito educada

Eu não sei brigar no verso

O meu mundo no universo

Tem outra face malvada

Se entro com essa tal cambada

Entro e ataco até a vizinha

E ninguém ganha essa rinha

Porque entro para matar

VOCÊ PODE SE ESPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA.

9

ANTÔNIO HONÓRIO

Voce pode até da dançar

A dança do passarinho

Nem venha com seu jeitinho

Me fazendo cafuné

Beliscando no meu pé

Que nem um galo de rinha

Que eu sou uma santinha

Que mãe tinha no altar

VOCÊ PODE ME ESPIRITAR

QUE NEM BATO A PASSARINHA

10

JOÂO RODRIGUES

Não temo sua trovoada

Nem chilique, nem frescura

Comigo a parada é dura

Pode vir fresca ou zangada

Você pra mim não é nada

Tá sempre perdendo a linha

Parece uma cabritinha

Berrando para mamar

VOCÊ PODE SE ESPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA.

11

GEVANILDO ALMEIDA

Comigo você balança

Sem sanfona ou violão

Na mira do meu facão

Eu corto sua esperança

Arrebento a sua lança

Lhe transformo numa zinha

E na água geladinha

Faço você mergulhar

VOCÊPODE SE ESPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA.

12

RITINHA OLIVEIRA

Não fujo de confusão

Tenho fama promissora

Sou a maior predadora

Que existe nesse chão

Já matei até leão

Tirei predador de linha

Sou felina, sou Ritinha

Vou agora te sangrar

VOCÊ PODE SE ESPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA

13

DULCE ESTEVES

Se tu procuras chamego?

Tá com a pessoa errada

Pois na hora da pegada

Eu só quero ver o nego

Com rala bucho e esfrego

Aquecer a bacorinha

Ficar no ponto doidinha..

Falta muito pra chegar

VOCÊ PODE SE ESPRITAR

NÃO ME BATE A PASSARINHA!

14

DAVID FERREIRA

Na minha terra onde moro,

ninguém se atreva me olhar

de cara feia e berrar

achando qu’ ouvindo, choro.

Pelo contrário eu adoro,

pois, sou igual a Dalinha,

não aceito em minha rinha

alguém pintar nem bordar...

“Você pode se espritar,

nem me bate a passarinha.”

15

DALINHA CATUNDA

Meu povo, muito obrigada

Por glosar um mote meu

Muita gente se atreveu

Êta ciranda animada

Vou marcar outra rodada

Estou preparando a rinha

Pois não vou cantar sozinha

Quero mesmo é me esbaldar

VOCÊ PODE SE ISPRITAR

NEM ME BATE A PASSARINHA

*

XILO de Carlos Henrique, já é capa de cordel.

dalinhaac@gmail.com

postagem de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

 


SEM INDAGAÇÕES

 

SEM INDAGAÇÕES...

*

Tento manter meu sorriso

Fazer planos não procuro

Vou adornando o presente

Com versos que emolduro

Sem saber onde chegar

Continuo a caminhar

Enquanto aguardo o futuro.

*

Estrofe de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com


Entrevista de Dalinha Catunda ao Jornal Toda Palavra

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

METI O PÉ NA CARREIRA QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

 

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

Mote de Dalinha Catunda

1

DALINHA CATUNDA

O forró de Zé fervia

Êta forró animado

Mas um sujeito melado

Tentou dançar com Maria

Porém ela não queria

E a confusão começou

O pé de cana puxou

Rapidamente a peixeira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

2

RITINHA OLIVEIRA

O meu bisavô Aquino

Era um homem festeiro

No salão ou no terreiro

Fazer festa era seu tino

Mas um dia um suvino

Sua cota não pagou

Bisa Aquino lhe agarrou

Bateu nele a noite inteira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU

3

BASTINNHA JOB

Aquele bebum safado

Entrou com gosto de gás,

Parecia satanás

Tinha o rabo alevantado,

Cheiro de chifre queimado

Na latada se espalhou

A debanda começou,

Dalinha foi a primeira:

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU!

4

LINDICASSIA NASCIMENTO

Até que tava arretado

O fungado em meu ouvido

Vez por outra um gemido

E o caboclo espritado

O forró tava animado

Mas o encanto acabou

Uma fulana chegou

Não tava pra brincadeira

METI O PÉ NA CARREIRA

 

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

5

VÂNIA FREITAS

A luz negra foi inventada

E invadiu nosso sertão

A nossa mocinha então

Foi pra festa da pesada

De lá foi escorraçada

Quando a cobra lhe picou

Aí a mocinha gritou

E foi a maior zoeira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

6

ARAQUÉM VASCONCELLOS

Um sujeito sarará

Muito brabo e forasteiro

Bem armado no terreiro

E começou um fuá

Com um tal de zé fubá

Que o estranho agarrou

Com um soco derrubou

Ainda deu uma rasteira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU

7

ANTÔNIO HONORIO

Eu também fiz desse jeito

La na casa de severo

Disse perna pra que te quero

E ninguém me acompanhava

Perdi o rumo da casa

Nem sei pra onde ficou

Me sandalia desamarrou

No meio da capoeira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO FURDUNÇO ARROCHOU

8

RIVAMOURA TEIXEIRA

Tava bom o forrozão

Aí chegou zé xereta

E pimenta malagueta

Rebolou lá no salão

Foi tremenda confusão

João Meiota não gostou

Rosinha muito fungou

Deu confusão de primeira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU

9

DÃO DE JAIME

A mulher no forró têm

Que dançar com todo mundo

Cego aleijado e corcundo

Com papudinho também

Pois eu conheço um alguém

Que pra dançar recusou

Foi em casa e voltou

Trazendo uma cartucheira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU

10

FRANCISCA EMÍDIO -CHICA

Chegou um cabra safado

Na bodega de Seu João

Traz cachaça com limão:

Ele pediu abusado

Já tava meio zoado

Uma cadeira quebrou

Nessa hora alguém gritou:

Pega esse cara fuleira!

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

11

MANA CARDOSO

Num samba num casamento

Festa tradicional

Para o povo do local

Um grande acontecimento

Porém num dado momento

Um cabra ruim chegou

E da bainha puxou

Uma lapa de peixeira

Meti o pé na carreira

Quando o furdunço arrochou.

12

CREUSA MEIRA

Era noite de São João

O povo todo na praça

Fogos e muita fumaça

Eu tomando o meu quentão

De repente foi ao chão

Meu copo que se quebrou

Logo alguém escorregou

Eu fiquei toda cabreira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

*

Mote de Dalinha Catunda

Ciranda de glosas coordenada por Dalinha Catunda

Xilo do meu acervo da autoria de Maércio Siqueira

 

 


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

CARREIRÃO DE VÂNIA FREITAS

 Dalinha tu és poesia
Legítima e verdadeira
Vou entrar nessa história
Pois gostei da brincadeira
Vou pegar o carrilhão
E tocar a noite inteira
Pra a rainha do Cordel
Essa rosa da roseira
Que com belo verso exala
A subida da ladeira
Daqui de baixo eu olho
Vejo outra bem ligeira
É Lindicassia a dama
Da bela poesia brejeira
De gaiata me misturo
Com esta gente timoneira
"Devagar se vai ao longe..."
Mesmo sendo derradeira
Remando contra a maré
Embora ainda topeira
Faço da vida uma arte
Da arte minha videira
Donde tiro meu bom vinho
Que inspira minha dodeira
Pra criar novas ideias
E não ser prisioneira
Mas ser livre leve e solta
Pra fazer qualquer besteira
Como estou fazendo agora
Verso sem eira e sem beira
Para ocupar minha mente
E tirar da prateleira
Tudo que está cheio mofo
Também cheio de poeira
O meu canto é de segunda
Porque o seu é de primeira.
Glosa - Vânia Freitas
Mote de Dalinha Catunda só inverti, porque seria um atrevimento da minha parte achar que meu canto seria de primeira.
SE TEM CANTO DE SEGUNDA

O MEU CANTO É DE PRIMEIRA.