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domingo, 26 de julho de 2020

COMO APRENDI O ABC


COMO APRENDI O ABC

No tempo em que as escolas
Eram poucas no sertão,
Professora e aprendiz
Educavam a região,
Na base da palmatória,
Eu e minha irmã Gulória
Recebemos educação.

Margarida era o nome
Do diabo da professora,
Falava com arrogância,
Como se fosse doutora,
Com a palmatória na mão,
Quando pedia a lição,
Parecia a diretora.

Pra aprender o ABC
Todo dia eu estudava:
Um B cum A, beabá,
E assim assoletrava,
Mas uma sílaba com C
Que eu tinha que dizer,
Sofria mas não falava.

Já tava com uns quatro dias
Que eu não dava a lição,
Margarida ameaçava
Cinco bolos em cada mão,
De quem nessa sexta-feira
Tivesse com tremedeira
Errando sem precisão.

E a professora dizia
Pra depois eu repetir:
Um C cum A, ceacá,
Um C cum I, ceici,
E um C cum U, diga agora
Depois de muita demora,
Eu começava a pedir:

Professora, num queira não
Porque isso é muito feio,
É um termo indecente,
Mas aí, por esses meio,
Depois de muita agonia,
Até que chegou o dia
Que a minha mãe interveio:

Foi lá dentro bem depressa
E com a ponta afiada
Do canivete de pai,
Acabou com a mancada
Então eu me alegrei
E no outro dia voltei
Para a escola preparada.

Porém dona Margarida
Sentiu falta das letrinhas,
Partiu pra cima de mim
E da minha irmã Glorinha,
Foi tão grande o alarido
Que estrondou nos ouvidos:
Cadê as letras, Chiquinha?

Eu sem poder nem falar,
Fiquei naquele vai-não-vai,
Com a palmatória na mão,
A professora entra e sai,
Gulória diz: professora,
O C cum U mamãe rapou
Com o canivete de pai.

Dito isso a professora
Segurou a minha mão,
Foi dez bolos em cada uma
Cai rolando no chão,
Quando tornei o sentido
Tava com o pé do ouvido
Queimando só cansanção.

Minha irmã é professora,
Num sítio em Caruaru,
Nossa mestra Margarida
Morreu pras bandas do Sul,
E eu faço verso, mas confesso,
Que eu nunca fiz um verso
Terminando em C cum U.

(Anilda Figueirêdo)
Poeta de Cordel presidente da ACC
postagem de Dalinha Catunda

quarta-feira, 6 de maio de 2020

O Canto da Cordelista Lindicassia Nascimento

MEU DESPERTAR DIÁRIO
*
Geralmente acordo cedo
Antes do romper d'aurora
Logo na primeira hora
Rezo uma prece em segredo
Pra Deus que é meu rochedo
Me entrego em oração
Com profunda inspiração
Peço clareza ao meu guia
Que dê vida a poesia
Nascida em meu coração.
*
E assim fortalecida
Eu me dedico a escrita
Minha arte favorita
Dela fico abastecida
A face mais colorida
Ao rabiscar um poema
Floresce um novo tema
Viajo na minha mente
Meu coração logo sente
O pulsar do meu dilema.
*
Decanto a dor da saudade
Por vezes falo de amor
Lembro a essência da flor
Que me traz felicidade
E escrevo com mais vontade
Despertando erotismo
Delicioso lirismo
Com o êxtase em perigo
Calorosa assim prossigo
Em clima de romantismo
*
Depois eu faço o café
Como já é de costume
Me banho passo perfume
Ergo firme minha fé
Pois pra cedo está de pé
No caos dessa pandemia
Só escrevendo poesia
Dando vida a inspiração
Costurando a oração
Recomeço novo dia.
*
Foto e versos de Lindicássia Nascimento
dalinhaac@gmail.com
Veja também:
https://cantinhodadalinha.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de abril de 2020

MOTES E GLOSAS - Dalinha Catunda




Fechando essa rodada de glosas.
Editando para postagem no face e nos meus blogs.
Obrigada aos poetas e poetisas pela interação.
*
POR VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI SEMPRE AGRADEÇO
Mote de Dalinha Catunda
*
DALINHA CATUNDA
Aqui na minha rotina
Não existe solidão
Faço tudo com paixão
Não lamento a minha sina
Tenho a força nordestina
Sei que viver bem mereço
Já mudei meu endereço
Mas não perdi a magia
POR VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI SEMPRE AGRADEÇO.
*
TERESA MACHADO
No meu lar estou segura
Não existe solidão
De Deus tenho proteção
Não cultivo amargura
A espera não é dura
E se sofrer eu mereço
Em oração esclareço
Com o irmão tenho harmonia
POR VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI, SEMPRE AGRADEÇO.
*
BASTINHA JOB
Há tempos sou terceirona
De idade bem vivida
Já me tiraram a vida
Já morri dessa corona
Nem ligo, eu sou durona
Com vírus nem amoleço
No verso sempre aconteço;
Meu bom humor me vigia:
"PRA VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI SEMPRE AGRADEÇO "!
*
DULCE ESTEVES
Cada hora me renovo
Com fé, com muita esperança
Acredito na bonança
Outro dia é tudo novo
E Cristo me dando aprovo
Foi assim desde o começo
Graças no meu endereço
Transformada em poesia
POR VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI SEMPRE AGRADEÇO.
*
FRANCY FREIRE
Ao deitar minha oração
É de agradecimento
Por viver esse momento
Onde a poluição
Teve grande redução
E com isso eu enriqueço
O ar puro não tem preço
Adoro essa calmaria
POR VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI SEMPRE AGRADEÇO.
*
ROSÁRIO LUSTOSA
Na quarentena atual
Vou usando a sapiência
Sem perder a paciência
Vou seguindo o ritual.
Com amigos virtual,
Que estou desde o começo
De ninguém eu não esqueço
Nesta minha estadia.
POR VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI SEMPRE AGRADEÇO.
*
JOAB NASCIMENTO
De manhã ao acordar
Temos que agradecer
Ao nosso Deus pai por viver
E poder vivenciar
Estar vivo e trabalhar
Nada disso tem seu preço
Pergunto ao pai: Eu mereço?
Esse sol que irradia
POR VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI SEMPRE AGRADEÇO!
*
FRANCE QM
 Quanta alegria em viver
Como é tão lindo acordar
Com vida continuar
Por ela sentir prazer
Cedinho o sol quer saber
Qual a hora que adormeço
E louco por meu endereço
Quente logo assedia
POR VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI, SEMPRE AGRADEÇO.
*
VÂNIA FREITAS
Se levanto vejo o sol
Na cama me sento e rezo
Aquele que adoro e prezo
Me dá a luz do arrebol
E o canto do rouxinol
E tudo isso não tem preço
A Deus tenho tanto apreço
Que a vida é só alegria
POR VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI SEMPRE AGRADEÇO.
*
DAVID FERREIRA
Apesar desses maus dias
vividos por todos nós,
enclausurados, a sós,
a mercê das avarias,
sobrepondo as alegrias,
confesso que não mereço
ressarcir tão alto preço
nem conter tal avaria...
POR VIVER UM NOVO DIA,
A DEUS PAI, SEMPRE AGRADEÇO.
*
DÃO DE JAIME
Obrigada pai do céu
Por mais um dia está vivo
Esse é o principal motivo
Pois a vida é como mel
Deus comigo é tão fiel
Eu nem sei se eu mereço
Cada um tem o seu preço
Isso não é fantasia
POR VIVER UM NOVO DIA,
A DEUS PAI, SEMPRE AGRADEÇO.
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Nesta minha região
Deste solo nordestino
Sigo firme meu destino
Com o poder da oração
Me visto de inspiração
Rezando as contas do terço
Em oração permaneço
Com a alma em harmonia
POR VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI SEMPRE AGRADEÇO.
*
JACINTA
Quando esse vírus chegou
Deixou a gente assustada
Na nação apavorada
Teve quem profetizou
Esse mal! Eu desconheço
Tudo se descontrolou
Por ele não tenho apreço
Só glorifico a Maria!
POR VIVER UM NOVO DIA
A DEUS PAI SEMPRE AGRADEÇO.
*
Amigos optei por colocar uma glosa de cada poeta acho que a alternância assim fica melhor. Obrigada mais uma vez a todos vocês.



segunda-feira, 20 de abril de 2020

Dalinha Catunda Glosando na rede

NO PUNHO DA MINHA REDE
DEIXEI UM NÓ DE LEMBRANÇA.
*
Mote: Marcos Passos
Numa rede eu me deitava
No meu rancho de noitinha
Na certeza que ele vinha
E se vinha chamegava
Bem cheirosa então ficava
Pra viver minha bonança
Sei que o laço da esperança
Alimenta a nossa sede:
"NO PUNHO DA MINHA REDE
DEIXEI UM NÓ DE LEMBRANÇA”
Glosa de Dalinha Catunda
Mote Marcos Passos
*
- Eu cansei de dar um nó
Na rede que eu brincava
Ali mesmo eu me emborcava
Chamando atenção de vó
- Deixa de teu pro có có
Tu despenca nessa dança
Brinca com outra criança
Olha a cara na parede
"NO PUNHO DA MINHA REDE
DEIXEI UM NÓ DE LEMBRANÇA.
Glosa Ésio Rafael
Mote Marcos Passos
*
No alpendre lá de casa
Eu achei o meu brinquedo
Pra ninguém era segredo
Que nela criava asa
Como o tempo não atrasa
Eu deixei de ser criança
Parti para minha andança
Ficando numa parede
"NO PUNHO DA MINHA REDE
DEIXEI UM NÓ DE LEMBRANÇA"
Glosa Nelson Nunes Farias
Mote: Marcos Passos
*
dalinhaac@gmail.com
Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC



sábado, 18 de abril de 2020

GLOSA DE MULHER


O mote de Dalinha Catunda glosado pela poeta de cordel, Lindicássia Nascimento,
Presidente da Sociedade dos poetas de Barbalha. MULHER NO CORDEL!
*
A terra estando molhada
Aos olhos do sertanejo
É fartura com gracejo
De lavoura abençoada
Põe no ombro a enxada
Uma cabaça na mão
Um bornal e um facão
O trovão é o seu guia
BIQUEIRA FAZ MELODIA
QUANDO O PINGO CAI NO CHÃO.
*
Chuva é fertilidade
Fecunda com todo amor
Sobre a terra seu labor
Mistura graça e bondade
Pra nossa felicidade
Nasce do bucho do chão
O alimento que é pão
E o vinho que sacia
BIQUEIRA FAZ MELODIA
QUANDO O PINGO CAI NO CHÃO.
*
Glosas: Lindicassia Nascimento
Mote: Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com

sexta-feira, 17 de abril de 2020

AQUI NO RIO DE JANEIRO MORA O CORDEL NORDESTINO. Mote da Dalinha Catunda, participação de Moraes Moreira.

AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
1
Retiro o velho cordel
Que trouxe no matulão
Onde minha tradição
Trago escrita no papel
Eu pego e monto um painel
Pra mostrar ao citadino
Meu folheto feminino
No meu linguajar matreiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Dalinha Catunda/Ipueiras-Ce
2
Antes eram folhas soltas
Leandro Gomes as prendeu
Endireitou e vendeu
Causando reviravoltas
Dominou mas sem escoltas
Pois sempre foi peregrino
Vivendo igual Beduíno;
Agora achou paradeiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Zé salvador/Tianguá-Ce
3
Saindo do meu sertão
Vivi Aventuras mil
Vendo bala de fuzil
Furando meu matulão
Ligeiro que nem um cão
Procurei o meu destino
Depois virei bom menino
Pra dizer pro mundo inteiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
João Batista Melo/Itabaianhinha-Se
4
O cordel sei que é verdade,
Não mora em qualquer lugar
Nem basta alguém procurar
Pra matar a sua saudade.
Se houver dificuldade
Nunca faça desatino
Mude logo seu destino
E procure bem ligeiro.
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Cicero do Maranhão/Caxias-Ma
5
Prazer, eu sou o cordel
Indo além da inspiração
Métrica, rima e oração
Eu sei botar no papel
Vou concorrer ao Nobel!
Seja qual for o destino
Assino embaixo, eu assino
Sou eterno passageiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO
Moraes Moreira/Ituaçu-Ba
6
A cultura Iberiana
Chegou com as caravelas
E legou como sequelas
Um escrito bem bacana
E quem tem a mente sana
Conhece um folheto fino
Eu mesmo desde menino
Do cordel sou mensageiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO
Wiliam J G Pinto/Palmeira dos Índios-Al
7
No Rio cosmopolita
Mora da arte a essência
Tem a casa da ciência
Na orla praia bonita
Igreja, centro e mesquita
A moldar o meu destino
Um Cristo humano e divino
Que é mais do que brasileiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO
Gonçalo Ferreira da Silva/Ipu/Ce
8
No Rio pude chegar
Trazendo forte lembrança
Na alma veio a esperança
E a coragem pra lutar
Procurando melhorar
Nas veredas do destino
Acertar sem tirar fino
Controlando o meu roteiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Ivamberto Albuquerque/Alagoa Grande/Pb
9
Quando eu vim lá do Nordeste
Encontrei grandes artistas
Poetas e repentistas
Com seu talento inconteste
Estes bons cabras da peste
Com a vida de peregrino
Fizeram aqui seu destino
E hoje eu digo ao mundo inteiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Almir Gusmão/Recife/Pe
10
Saí lá do Maranhão,
No ano sessenta e cinco.
Estudei com muito afinco.
E com amor no coração,
Aprendi muita lição.
Encarei o meu destino.
E sem muito desatino,
Com espírito altaneiro.
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Rosário Pinto/ Bacabal/ Ma
11
O Cordel no grande Rio
Que foi também Guanabara.
Chegou em paus-de-arara,
De caminhão e navio.
Exposto ao sol e ao frio,
Ganhou espaço e destino.
Ao se tornar sudestino,
Traçou seu próprio roteiro.
AQUI NO RIO DE JANEIRO.
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Erinalda Vilanave/ Natal/Rn
12
A Cultura Brasileira
Está bem enraizada
No Rio encontrou morada
Caminha na dianteira
Sua raiz estrangeira
Diversificou o tino
Vai cumprindo o seu destino
Criando novo roteiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO
Geraldo Aragão/Senhora da Glória/Se
13
Tem a Fonte da Saudade
Portela e Maracanã
O museu do Amanhã
Tem Bangu e Piedade
Do mundo a melhor cidade
O mar sempre cristalino
O velho fica menino
Tem o povo hospitaleiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Chico Salles/ Sousa/PB
14
Em toda esta região
Rica em história e cultura
Encontrou desenvoltura
A cultura da Nação,
Depois veio do Sertão
O folheto genuíno
Ampliando o seu destino
Aos olhos do mundo inteiro,
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Spalo Campelo/Campo Redondo/Rn
15
Fui pesquisar na memória
Encontrei todo sentido
De um mundo construído
No aconchego da glória
Antes de cantar vitória
Bem rápido fiz um hino
Com traço apurado e fino
Confesso que fui ligeiro
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Severino Honorato/Mulungu/Pb.
16
Se o ritmo do coco é
Alagoano, é também
De Pernambuco e tem
Na Bahia o axé
De todos santos e até
Bate ganzá pro divino,
No calango tira um fino.
E se o calango é mineiro,
AQUI NO RIO DE JANEIRO
MORA O CORDEL NORDESTINO.
Edmilson Santini/Águas Belas-Pe.
*
O Cordel nordestino no Rio de Janeiro.
O cordel que aportou na Bahia no baú dos colonizadores, no nordeste, encontrou terra fértil para se propagar. Ganhou novas feições e na mala do nordestino migrou para as grandes cidades.
Hoje somos muitos escrevendo Literatura de Cordel pelo Brasil afora.
A internet é um termômetro a nos indicar essa estatística.
Sempre me perguntam pelos nordestinos que escrevem cordel aqui no Rio de Janeiro.
Diante da pergunta reincidente, resolvi criar um mote, que nos remetesse ao tema, e convidar alguns cordelistas nordestinos, que atuam na Cidade Maravilhosa a participarem deste cordel coletivo.
Aos poetas que atenderam minha solicitação, quero aqui agradecer a todos, em especial ao poeta e escritor, José Walter Pires, que gentilmente fez a apresentação deste cordel, por mim organizado.
Contatos: E-mail: dalinhaac@gmail.com tel: (21) 98225-0145
Blog: www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com
Dalinha Catunda idealizadora e coordenadora do cordel.
Rio de Janeiro, fevereiro de 2017.
dalinhaac@gmail.com
.

terça-feira, 14 de abril de 2020

MOTE DA DALINHA CATUNDA GLOSAS DE MORAIS MOREIRA

SE TEM MULHER NO CORDEL
VOCÊ TEM QUE RESPEITAR.
Mote de Dalinha Catunda
Glosas de Morais Moreira

PARA O CORDEL DE SAIA
 *
Vai fundo na caminhada
Que o homem parece raso
Vivendo quase um ocaso
Já se perdendo na estrada,
É hora da mulherada
Tomar o tempo e o lugar
Não adianta chorar
Achar que a vida é cruel,
SE TEM MULHER NO CORDEL
VOCÊ TEM QUE RESPEITAR.
*
No tempo da plenitude
O homem cai no vazio
Fugindo do desafio
Covarde e sem atitude
Coitado ainda se ilude
Não sabe como se dar
O que é que vai lhe restar
Senão tirar o chapéu?
SE TEM MULHER NO CORDEL
VOCÊ TEM QUE RESPEITAR.
*
De uma costela de Adão
Dizem que a mulher foi feita
E sendo assim tão perfeita
Imaginemos então
Se fosse do coração
Que Deus pudesse a criar
O mundo ia proclamar:
Oh criatura do céu!
SE TEM MULHER NO CORDEL
VOCE TEM QUE RESPEITAR.
 *
Naturalmente é sem músculo
No seu jeitinho de moça
Duvida da sua força
O macho já no crepúsculo
Sendo somente um opúsculo
Da obra que vai ficar
O que é que vai lhe sobrar
Senão caminhar ao léu?
SE TEM MULHER NO CORDEL
VOCÊ TEM QUE RESPEITAR
*
Não falto com a verdade
E peço que me acompanhe
Já que a mulher é a mãe
De toda a humanidade
Pra não ficar na saudade
O homem vai conquistar
Ao seu ladinho um lugar
Fazendo bem seu papel,
SE TEM MULHER NO CORDEL
VOCÊ TEM QUE RESPEITAR.
*
Prazer grande ter essa e outras parcerias com Morais Moreira
dalinhaac@gmail.com

sexta-feira, 10 de abril de 2020

CORDEL - VIVA A LEITURA!


VIVA A LEITURA!
Autoras: Dalinha Catunda e
Josenir Lacerda
1.
Vinde musa inspiradora
Pois é chegado o momento
De relatar nesses versos
O que dita o pensamento
E demonstrar gratidão
Lembrando cada lição
Da fonte do ensinamento.
2.
Uma fonte cristalina
Feita de letra e papel
Que tem diversos formatos
Comporta assunto à granel
É suporte no estudo
Pois oferta conteúdo
Quer seja livro ou cordel.
3.
Pois antes das grandes mídias
Entre as quais, televisão
O livro se destacava
Repassando informação
Cada página virada
Era uma história contada
Suprindo a imaginação.
4.
O encanto continua
E não há como negar
Ler um livro na internet
Não é como folhear
Sentir o mesmo na mão
Traz à tona a emoção
No contato singular.
5.
E desde as primeiras letras
O livro é bom timoneiro
Para quem visa crescer
É sinal alvissareiro
Pois ele com sua luz
Para o melhor nos conduz
É trilha, rumo e luzeiro.
6.
Na infância, uma cartilha
Nos ajuda a desbravar
O vasto mundo das letras
Para a mente clarear
E de letrinha em letrinha
Toda criança engatinha
Aprendendo a soletrar.
7.
E assim brota a palavra
Que gera frase e oração
Abre as portas da leitura
E amplia a nossa visão
Quer seja em prosa ou em verso
Clareia o nosso universo
Nos tira da escuridão.
8.
Quem tem um livro na mão
Tem a chave do saber
Cada lição repassada
É um mundo a conhecer
Do doutor ao aprendiz
Quando lê sabe o que diz
E o que se deve fazer.
9.
Nas mãos d'uma professora
O livro serve de guia
Definindo regiões
Se a aula é geografia
Mostrando rios e mares
E os mais diversos lugares
Em lição que contagia.
10.
No momento da pesquisa
O livro vem ajudar
A ele nós recorremos
Para informes encontrar
Seja qual for a temática
De maneira firme e prática
Ele vem assessorar.
11.
Seja na prosa ou no verso
Viajamos na história
Lendo fatos relevantes
Que guardamos na memória
Temas do nosso passado
Que no livro é registrado
Lutas de fracasso e glória.
12.
O livro é bom professor
Pois ensina conjugar
Verbos em todos os tempos
Pra conversa aprimorar
Hoje, passado e futuro
Quem captar com apuro
Aprende a dialogar.
13.
Quem se dedica à leitura
Garante a facilidade
Na hora de escrever
Não sente dificuldade
Quem é assíduo leitor
De ser um bom escritor
Cria a possibilidade.
14.
A leitura rasga o véu
Do olhar retira a venda
Quem tem costume de ler
Abraça encantada lenda
Sendo o livro boa fonte
A leitura vira a ponte
Que um novo mundo desvenda.
15.
E nada como voar
Nessa mágica aventura
Chegar até *Avalon
Sobre as asas da leitura
E com os deuses e fadas
Fazer lúdicas jornadas
Sobrevoando a cultura.

quarta-feira, 4 de março de 2020

A POETISA DO CRATO E O POETA DE ASSARÉ





A POETISA DO CRATO E O POETA DE ASSARÉ
Entre os agraciados com a Comenda Patativa do Assaré 2020, temos a poetisa Josenir Lacerda, que é destaque e referência entre poetas, cordelistas e simpatizantes.
Sempre que penso e falo em Josenir Lacerda, me vem a palavra zelo, pois além de inspirada, josenir Lacerda é cuidadosa e zelosa ao extremo com suas criações. Não foi por acaso que a poetisa recebeu do poeta e instrumentista Wllisses Germano o título de Dama dos versos encantados.
De Josenir, eu ouvia inebriada os relatos de suas conversas com Patativa do Assaré, aquelas conversas  com certeza foram sementinhas que vingaram e hoje a poetisa colhe os bons frutos.
Nesse pequeno relato quero dizer da minha admiração pelo poetisa Josenir Lacerda, do quanto fico feliz com seu sucesso, com esse reconhecimento e como amiga quero reforçar que mesmo distante fico na torcida e aplaudindo de pé suas merecidas conquistas.
As portas sempre se abrirão para quem tem a generosidade de abrir sua porta, acreditar e exercer a partilha.
Josenir Lacerda, você tem, meu carinho, meu respeito e minha gratidão.
Meu abraço,
Dalinha Catunda

ENCRENCA DE MULHER - CORDEL COLETIVO - EDIÇÃO VÂNIA FREITAS.


E POR FALAR EM CORDEL
Eis aqui uma rodada de versos que teve inicio com os versos da Poeta de cordel, Dalinha Catunda e a participação de vários cordelistas de muitos Estados do Brasil.
 Vânia Freitas, que se tornou uma grande parceira, vem juntando essas interações e registrando nossos trabalhos em cordel.
Essas produções editadas por Vânia Freitas, serão postadas no Blog Cordel de Saia, na página do face, Cordel de Maria e compartilhada com os participantes.
Quero agradecer a Vânia essa grande contribuição que é a propagação da Literatura de Cordel, da qual somos detentoras e legitimadas pelo registro do Cordel como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, pelo IPHAN.
Dalinha Catunda

ENCRENCA COM MULHER
*
Bardo que não tem cautela
Tira da boca a tramela
Mas de repente amarela
Na quebrada da rotina
Pois a mulher na porfia
Com astúcia desafia
E o homem nem desconfia
Da esperteza feminina.
DALINHA CATUNDA
*
Cutucar com vara curta
A onça se espanta e surta
A valentia se furta;
O arrogante sequer
Dessa teia não escapa
Perdeu a mina e o mapa
Da Musa levou um tapa
Respeita, macho, a Mulher!
BASTINHA JOB
*
Cabra que arranha viola
Com estrume na cachola
Na merda sempre se atola
Por não saber acatar
O canto de espinho e flor
Que chega trazendo ardor
E não pede, por favor,
Para com macho cantar.
DALINHA CATUNDA
*
Êta, Dalinha, danada
Que jamais perde parada
Ao se mostrar preparada
Pra qualquer situação
Dando nó em pingo d’água
Sabe cantar sem ter mágoa
Nem a tristeza deságua
NOS OITO PÉS DE QUADRÃO.
JOSÉ WALTER
*
Meu amigo sou nojenta
Tenho cabelo na venta
E pouca gente aguenta
Quando entro em ação
Eu canto até ficar rouca
Se o bardo dormir de touca
Morre e não me deixa louca
NOS OITO PÉS DE QUADRÃO.
DALINHA CATUNDA
*
Eita que mulher valente
Quero ver cabra que enfrente
Essa dama do repente
Braba feito uma leoa
De versos fonte infinita
Dalinha tá bem na fita
Porque sempre sua escrita
Como melodia soa.
JERSON BRITO
*
Eu não conheço fadiga,
Não fujo da boa briga,
Não sou mulher com intriga,
Mas não sou de calmaria!
Na hora de pelejar
Gosto do nó apertar
Pra ver verso estrebuchar
Nos braços da poesia.
DALINHA CATUNDA
*
Homem, respeite Dalinha
Tome sua caipirinha
Vá brigar na sua rinha
Onde só tem confusão
Não irrite a minha amiga
Que ela nem gosta de briga
Fuja de qualquer intriga
Nos oito pés de quadrão.
CREUSA MEIRA
*
Porém se quiser chegar
Vá chegando de vagar
Não vai dar pra se espalhar
Na minha jurisdição
Não queira me ver irada
Pois baixo mesmo a porrada
E saio dando risada
Nos oito pés de quadrão.
DALINHA CATUNDA