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terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

É DURO DAR LUZ A CEGO QUE NÃO PRETENDE ENXERGAR


 

É DURO DAR LUZ A CEGO

QUE NÃO PRETENDE ENXERGAR.

Mote de Dalinha Catunda

1

DALINHA CATUNDA

Não sou dona da verdade

O bom senso assim me diz

Na vida sou aprendiz

Mas sempre bate a vontade

De repassar qualidade

A quem deseja ingressar

Com regras no versejar

E o pouco que sei não nego

É DURO DAR LUZ A CEGO

QUE NÃO PRETENDE ENXERGAR.

2

RIVAMOURA TEIXEIRA

Eu já dei até a dica

De como faz o traçado

O x do metrificado

Ele diz _exemplifica

Mas parece q ele fica

Olhando a banda passar

Ou prefere só ficar

Nesse pequenino ego

É DURO DAR LUZ A CEGO

QUE NÃO PRETENDE ENXERGAR.

3

DULCE ESTEVES

Meus parcos conhecimentos

Gosto de compartilhar

Convidei, vamos estudar

Mas, me causou foi tormentos

Esses tristes elementos

Só souberam foi negar

Disse: eu sei metrificar

Esse peso não carrego

É DURO DAR LUZ A CEGO

QUE NÃO PRETENDE ENXERGAR.

4

CREUSA MEIRA

Às vezes a gente fala

Até com certo cuidado

Que o verso tem pé quebrado

Mas a pessoa se cala

Segue o caminho e embala

Mostrando não se importar

Vai querer me martelar

Mas afirmo, não sou prego

É DURO DAR LUZ A CEGO

QUE NÃO PRETENDE ENXERGAR.

5

GIOVANNI ARRUDA

Precisa ter paciência

Pois no começo é assim

Fica pensando no fim

E quebra toda a cadência

Perde do verso a essência

Quem prioriza contar,

Eu aconselho tentar

Mas uma coisa não nego

É DURO DAR LUZ A CEGO

QUE NÃO PRETENDE ENXERGAR

6

BASTINHA JOB

É malhar em ferro frio

pedra que água não fura

clarear a noite escura

secar o leito do rio,

receita sem ter avio,

um ganho sem conquistar,

Poeta sem se inspirar

Tudo isso veto e renego:

É DURO DAR LUZ A CEGO

QUE NÃO PRETENDE ENXERGAR.

*

Roda de glosa coordenada por Dalinha Catunda.

Reparei e gostei: No último verso antes do mote, quase todos os poetas usaram suas rimas sem repetir a rima dos colegas. Na minha avaliação isso enriquece essa ciranda de versos. Obrigada aos participantes.

postagem de Dalinha Catunda cad 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

 


A verdade é que NADA nem NINGUÉM muda, especialmente a classe política. As pedras em baixo de viadutos em São Paulo é a prova CONCRETA da EXCLUSÃO! Políticas de educação, saúde e moradia, NINGUÉM realiza:

                     “(...) Há governantes que olham

Pra saúde do povão

Mas aqui é diferente:

Pois o nosso cidadão

Só é bem visto e lembrado

Quando chega uma eleição.

*

O distante dirigente

Quando chega a eleição

Beija o povo ardentemente

Chega perto da nação

Foge dele quando vem

O final da votação.

*

Pelo que a história nos diz

Pelo tanto que vivemos

Não queremos repetir

Tantos erros que tivemos

Dias de medo e de dor

Vivendo sempre em extremos. (...)

(Trechos extraídos de meu poema, NO PAÍS DO ESCULACHO).

 


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Conversa de Calçada Virtual Nº III


 

CONVERSA DE CALÇADA VIRTUAL Nº III

organizada por Dalinha Catunda.

*

QUADRINHA DA TRADIÇÃO POPULAR

“Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Também passa moreninha

Dos cabelos cacheados.”

1

DALINHA CATUNDA

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Também passa o meu amor

Dele sou enamorada.

*

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Na garupa dum peão

Eu também passei montada.

2

GEVANILDO ALMEIDA

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Junto ao passado da gente

Sorrindo na alvorada.

*

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Passa também as lembranças

Das festas de vaquejada.

3

ARAQUEM VASCONCELOS

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Vaqueiro da minha da terra

Ê louco por vaquejada

 4

ROSÁRIO PINTO

“Lá em cima daquela serra,

Passa boi, passa boiada.

E também passa o meu amor,

Chegando da cavalgada.”

5

Bastinha Job

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

E passa uma nuvem densa

Avisando a invernada

*

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Mas não passa a inspiração

Da trovinha bem rimada

6

RIVAMOURA TEIXEIRA

Em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Também passa a nuvem cheia

Pra trazer a chuvarada

*

Em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Também passa uma lembrança

E uma saudade danada

7

DULCE ESTEVES

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Muitos romeiros rezando

Pedindo por invernada.

*

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Um violeiro tocando

Numa noite enluarada.

8

Joaquim Mendes Joames

Lá em cima daquela serra

Passa boi, passa boiada,

Só passa o que me aterra:

"Uma saudade danada".

9

Creusa Meira

Lá em cima daquela serra

Passa boi, passa boiada

Passa a lembrança que trago

Dentro do peito, guardada

*

Lá em cima daquela serra

Passa boi, passa boiada

Também passa a lua cheia

Com sua luz prateada.

10

VÂNIA FREITAS

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

E o vaqueiro traz no cós

O lenço de sua amada.

*

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Só não passa o beija flor

Misturado a passarada.

11

GERARDO CARVALHO PARDAL

Lá em cima daquela serra,

Passa boi passa boiada;

Cada boi traz, em seu chifre,

Abraços de minha amada!

 *

 Lá em cima daquela serra,

Passa boi, passa boiada;

Cena linda que se encerra

Com bonita passarada!

12

FRANCY FREIRE

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

E o canto do meu amor

Despertando a alvorada.

13

Lindicassia Nascimento

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Passa o vento e vai levando

O frio da madrugada.

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Seguindo o som do berrante

Do vaqueiro camarada.

14

FRANCISCA GONÇALVES-CHICA EMIDIO

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Só não passa meu amor

Cantando uma toada

*

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Deixando uma saudade

Em quem fica apaixonada.

15

FRANCISCO DE ASSIS SOUSA

Lá em cima daquela serra

Passa boi passada

Só não passa a lembrança

Da cabocla desejada.

16

GIOVANNI ARRUDA

Lá em cima daquela serra

Passa boi, passa boiada

Um cabritinho que berra

Por uma teta apojada

*

Lá em cima daquela serra

Passa boi, passa boiada

Mas não passa a dor da fome

Numa casa abandonada

17

JOAB NASCIMENTO

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Só não passa a saudade

Que eu sinto da minha amada.

*

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Também passa minha tristeza

No clarão da madrugada.

18

ANILDA FIGUEIREDO

Lá em cima daquela serra,

passa boi, passa boiada,

parece que o vaqueiro

canta pra mim a toada.

 19

FRANCISCO JAIRO VASCONCELOS

Em cima daquela serra,

Passa boi, passa boiada.

Passam os regatos lentos

Deixando a serra banhada

*

Em cima daquela serra,

Passa boi, passa boiada.

Passam lá sonhos perdidos

Da minha paixão encantada

20

PAULO DE TARSO

Em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Do novilho mais famoso

Vou fazer a churrascada.

 21

LUCIA LUNA

Lá em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

Daqui vejo o panorama

E já fico admirada

22

MANA CARDOSO

Lá em cima daquela serra

Passa boi, passa boiada

Só não passa o vaqueiro

Por quem fui apaixonada.

23

FRANCISCO ALMEIDA

Em cima daquela serra

Passa boi passa boiada

E também touro valente

Defendendo a rebanhada.

 24

DAVID FERREIRA

“Lá em cima daquela serra

passa boi passa boiada”

cá embaixo o gado berra

e a vida assim é lembrada.

*

“Lá em cima daquela serra

passa boi passa boiada”

pende o sol o dia encerra

e se acolhe a passarada.

*

Amigos, tem sido muito prazeroso fazer essa conversa de calçada com todos vocês.

Antigamente isso acontecia ao vivo e a cores nas calçadas e alpendres do sertão. E foi passando de geração a geração essa rica oralidade que hoje, em tempos de recolhimento nos dá condições de nos reunirmos mesmo virtualmente.

Obrigada a todos pelas interações.

Seria apenas uma trova de cada pois ficaria muito longa nossa lista, mas considerei quem fez duas, e quem fez mais eu deixei apenas com duas, pois perde o ritmo da rodada de versos, quando demoramos mais em um poeta. Seria sempre bom alternar uma estrofe de cada.

Meu muito obrigada a todos e meus aplausos também.

Postagem de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Dalinha Catunda e Hélio Crisanto nos oito pés a quadrão


 Dalinha Catunda e Hélio Crisanto

Nos oito pés a quadrão
*
DALINHA CATUNDA
Sei que meu verso lhe enfada
Porque sou desaforada
Azeitona em minha empada
Você não quer botar não
Vai querer fazer bonito
Vai tentar ganhar no grito
Mas meu nariz arrebito
Nos oito pés a quadrão.
*
HÉLIO CRISANTO
Eu não vou fugir da raia
Não levo pisa de saia
Esse versinho “pacaia”
Não tá valendo um tostão
Tenha calma, baixe a crista
Essa tá na minha lista
Que será minha a conquista
Nos oito pés a quadrão
*
DALINHA CATUNDA
E nunca temi cueca
Cabeludo ou careca
Seu verso chamo merreca
Não temo seu esporão
Eu não vou fazer segredo
Você não me mete medo
Eu derrubo seu enredo
Nos oito pés a quadrão.
*
HÉLIO CRISANTO
Quando sou desafiado
Não me sinto encabulado
Fico desplanaviado
Seguro raio e trovão
Já conheço a sua manha
Não mexa na minha sanha
Hoje aqui você apanha
Nos oito pés a quadrão
*
DALINHA CATUNDA
Quando sou desafiada
Eu fico de pá virada
Versejo feito safada
Sem temer opinião
Minha sede é tamanha
Com palavra e artimanha
Vejo que você se assanha
Nos oito pés a quadrão.
*
Postagem de Dalinha Catunda, cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

NO EXERCÍCIO DO CORDEL


 

 

NO EXERCÍCIO DO CORDEL

*

LUIZ ADEMAR MUNIZ

Mesmo com meu verso ralo

Quebrado de baixo à cima

Sem ter métrica nem rima

Para escrever não me abalo

Meu cordel, vou declamá-lo

À toda hora e segundo

No desejo mais profundo

Qu'existe no universo

Eu quero espalhar meu verso

Por toda parte do mundo.

*

DALINHA CATUNDA

Luiz Ademar Muniz

Poeta capacitado

Que foge do pé quebrado

Tua estrofe assim diz

Versejando foi feliz

Fez a metrificação

Caprichou na oração

Não se perdeu ao rimar

Brincando de versejar

Fez versos com precisão.

*

JOÃO RODRIGUES

Para se fazer cordel

Não basta um verso fazer

Nem qualquer coisa escrever

Numa folha de papel

Não basta falar do fel

Que é a terra rachada

Nem falar de enxurrada

De sertão ou de fartura

Pois nossa literatura

Precisa ser respeitada.

*

DALINHA CATUNDA

O cordel é exigente

Pois tem regra na feitura

Não é qualquer criatura

Que leva o cordel à frente

Porém sendo paciente

E tendo dedicação

Usando a inspiração

É possível aprender

Basta somente querer

E prestar muita atenção.

*

CARLOS AIRES

Nosso cordel necessita

De poeta competente,

Que escreva corretamente

Pois a poesia escrita

Ficará bem mais bonita

Quando essa composição

Se encaixa com perfeição

Bem no regime da ética

Com consistência poética

Firmeza na construção.

*

DALINHA CATUNDA

Não quero aqui descartar

Nosso linguajar matuto

Do singelo vate astuto

Que também sabe rimar

Aprendeu metrificar

Através da oralidade

Porque vem da antiguidade

Da boca do menestrel

A história do cordel

Na voz da simplicidade.

*

BASTINHA JOB

Fazer o verso isométrico

Sempre com a mesma medida

Fazer verso heterométrico

No cordel, não tem saída;

A redondilha maior

É a medida melhor

Para o verso popular

Ninguém vai achar defeito

O cordel será perfeito

Gostoso de recitar.

*

DALINHA CATUNDA

O verso de pé quebrado

Desabona a criação

Pois sem metrificação

O verso fica aleijado

No cordel esse cuidado

Jamais poderá faltar

Vamos a regra adotar

Fazer bonito papel

Não se faz um bom cordel

Sem saber metrificar.

*

GEVANILDO ALMEIDA

Vendo essa imagem na tela

Posso ver com perfeição

Sempre Dalinha em ação

Essa Poetisa bela

E valorizando aquela

Nossa cultura adorada

Por autores declamada

Em pontos de festivais

E nas bancas de jornais

Para o povo repassada.

Escreva uma resposta…

*

ROSÁRIO PINTO

Eu não canto em desalinho.

Chegou Ademar com seu estilo.

Cordel não cabe vacilo.

Observo o meu vizinho,

E sempre aprendo um pouquinho.

Faço verso e faço prosa,

Às vezes me chamam Rosa.

Dalinha nos dá lição,

Bastinha segue a oração,

Na peleja calorosa.

*

DALINHA CATUNDA

Chegou primeiro Ademar

Para nossa interação

Cantou bonito o João

Sem esquecer de contar

E para melhor ficar

Carlos Aires com Firmeza

mostrou a sua grandeza

Falando de competência

Pois o cordel tem ciência

Bardo tem que ter destreza.

*

ROSÁRIO PINTO

CORDEL é literatura.

Vem de antiga tradição,

Por ela tenho afeição.

Reflete nossa cultura

Tem regras, tem estrutura.

Do homem já foi reduto

Seja erudito ou matuto.

Mas finalmente a mulher,

Chegou com sua colher,

P’ra mexer neste produto.

*

DALINHA CATUNDA

Quem tem ouvido apurado

Sempre descobre o defeito

Quando o pé não sai perfeito

Logo o erro é notado

Não é bom ser apressado

É melhor ter atenção

Dar sentido a oração

Da rima não descuidar

Pra melhor estruturar

Os versos da criação.

*

GEVANILDO ALMEIDA

A cultura popular

Tem um brilho radiante

De uma estrela brilhante

No infinito a brilhar

O céu a iluminar

A terra com amplidão

Fazendo divulgação

Dessa cultura envolvente

Deixando o povo contente

Por sua repercussão.

*

CREUSA MEIRA

Por mais que eu fique distante

Das estradas do Cordel

Ele chega num tropel

E me envolve nesse instante

Na peleja extasiante

Desses grandes menestréis

Abnegados, fiéis

Que constroem a melodia

Rimando com maestria

Os seus brilhantes Cordéis

*

VÂNIA FREITAS

No cordel se usa a rima

A métrica e a oração

E o verso tem expressão

Se a inspiração vem de cima

É tirar ouro de mina

É espalhar a poesia

É fazer com maestria

O cordel de qualidade

Não importa quantidade

No cordão desta magia.

*

JOSÉ WALTER PIRES PIRES

Vou entrar na brincadeira,

Falando coisa séria:

O cordel não é pilhéria,

Porém arte verdadeira,

Poesia pioneira,

Numa bela trajetória,

Construindo sua história,

Para ficar nos anais,

Sem se arrefecer jamais,

Numa luta meritória!

*

LINDICASSIA NASCIMENTO

Minha escrita vem da alma

Escrevo com emoção

Discorro no coração

Os versos que me acalma

Tiro o chapéu, bato palma

Pra quem bota no papel.

Eu admiro o menestrel

Que compõe sua poesia

Que dela faz cantoria

E transforma em cordel.

*

DAVID FERREIRA

Fazer cordel, com certeza,

pelo menos, para mim,

não é tão simples assim,

pois, além da sutileza,

requer do dote, clareza,

bom humor, hegemonia,

competência e sintonia

e, decerto, um bom assunto,

sem preterir o conjunto:

métrica, rima e melodia.

*

MURILO BARROSO

Cordel é uma delgada corda,

Com as pontas estendidas,

Sendo uma na Europa

E a outra,em nossas vidas;

Pendurando belos versos,

Na verdade réus confessos

Julgados pela barriga.

*

Anilda Figueiredo

Um dia, me perguntaram

Como se faz um cordel,

Eu respondi não precisa

Ser poeta ou menestrel,

Basta escutar com cuidado,

Deus é quem faz o ditado,

E eu ponho no papel!

*

MANA CARDOSO

Pra escrever um bom cordel

É preciso conhecer

Rima, Métrica , Oração

E bom conteúdo ter

É dar conta do recado

Num assunto caprichado

Para quem gosta de ler.

 *

 Roda de versos organizada por Dalinha Catunda.

Foto de Dalinha Catunda

Postagem de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com