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terça-feira, 10 de maio de 2011

Plenária de abril recebeu Amorosa

ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL – ABLC
Amorosa encantou a ABLC
Aragão Vice Gonçalo Pres eSepalo Campelo
A Sessão Plenária da Academia Brasileira de Literatura de Cordel realizada em ABRIL 2011 recebeu a cantora e poeta sergipana Amorosa que, convidada pelo acadêmico Sergival Silva, veio fazer o lançamento de seu livro Mateus em cordel, 2011.
Sergival fez a apresentação de Amorosa com relato de sua carreira de cantora-compositora e agora poeta de cordel. Foi oferecido um coquetel, com produtos da terra.

A tarde foi bastante animada, regada a música e poesia.


Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC
Rua Leopoldo Forés, 37 – Santa Tereza – Rio de Janeiro – RJ
www.ablc.com.br
Fotos : Alberto Brandão



Poema amigo

Poema ao amigo
*
Amigo tenho saudades
Daqueles poucos momentos
Logo que nos conhecemos
Despertou meus sentimentos
Um desejo tão intenso
Que às vezes até penso
Que voltarão num momento
*
Meu amigo, que saudades!
Das tardes de fantasia
Que sei não esqueceremos
Encheram-me de energia
Cavalgada graciosa
De aventura amorosa
Vivendo em sintonia
*
Guardada bem na memória
Aquela louca paixão
Tardes de muito prazer
Mas, sem perder a razão
Naquela lida infinita
Nunca pensar em desdita
Fez vibrar o coração
(Rosário Pinto)
Foto: visita a Pinacoteca de São Paulo
Consulte ainda: 
http://rosarioecordel.blogspot.com
http://cantinhodadalinha.blogspot.com

quarta-feira, 4 de maio de 2011

SÓ SENDO DO CEARÁ!

 Eu e minha folga no alpendre da casa grande, em Ipueiras-Ce, onde passarei o mês de maio.

SÓ SENDO DO CEARÁ!
1
Esta cabecinha chata,
Esta falta de cintura
Ser doidinha por queijo,
Amar uma rapadura,
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
2
Quando chega a noitinha,
Ela acha uma gostosura,
Se balançar numa rede,
Para abanar a quentura
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
3
Adora uma paçoca
Não fica sem a fussura.
Ficar sem baião de dois,
Ela acha uma tortura.
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura!
4
Às vezes é muito braba
Noutras anjo de candura
Quando fica enfezada,
Diz que fica com gastura.
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura!
5
Teve que ganhar o mundo
Nunca viveu de brandura.
Sua vida não foi fácil
Ela mesma assegura.
Só sendo do Ceará
Essa dita Criatura.
6
Já provou como remédio
A bunda de tanajura.
Pra garganta inflamada
Dizem que traz a cura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
7
E quem quer ser só as pregas,
Ela mesma não atura.
Pois acha que gente fresca
Nunca muda de postura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
8
Às vezes se faz de besta
Mas tem a sua cultura.
Se for preciso dá coice
Se precisar tem lisura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
9
Agora diz que cordel,
É sua literatura.
E coloca no papel
Um monte de aventura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
10
Cantada de muriçoca
Seguida de picadura.
Ela fica arretada
E perde a compostura.
Só sendo do Ceará
Essa dita Criatura!
11
E quando está com raiva,
Joga praga, esconjura.
Às vezes cheia de calma
Demonstra sua ternura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
12
O Ceará é seu céu,
É a verdade mais pura.
Ficar distante de lá
Ela acha uma tortura.
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura!
13
Ela pinta seu Ceará,
Desenha, faz escultura.
E coloca na parede
Na mais bonita moldura.
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura.
14
E se nasceu no Ceará,
Lá será sua sepultura.
É assim que ela fala
Na atual conjuntura.
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura.
15
Ficar longe é difícil,
Mas a onda ela segura.
Repleta de bom humor
Não conhece amargura.
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura!
16
Falar mal do Ceará
Perto dela é loucura.
É procurar levar coice,
De quem não tem ferradura
Só sendo do Ceará,
Essa dita criatura!
17
O sol da sua terrinha,
É quente que dá tontura.
A terra é bem distante,
Nunca vi tanta lonjura
Só sendo do Ceará
Essa dita criatura!
18
De andar sempre na linha,
Não teve a desventura.
O seu nome é Dalinha
Não está na escritura.
Só sendo do Ceará
Essa dita Criatura!
19
Nasceu lá em Ipueiras
A referida figura,
O amor por sua terra
Inabalável perdura.
Só sendo do Ceará
Essa dita Criatura.
20
É Ceará e Ipueiras.
É Dalinha e ventura,
Tudo no mesmo balaio,
Fato que se emoldura.
É mesmo do Ceará
Essa dita criatura!

Texto e foto de Dalinha Catunda.
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terça-feira, 3 de maio de 2011

José Soares - patrono ABLC

 José Soares, o poeta repórter
.
Patrono da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, hoje, ocupada pela poeta do Crato, Josenir Lacerda
.
A literatura de cordel, em suas várias vertentes temática aborda os fatos do cotidiano local e do mundo – o que os estudiosos e também os poetas chama de literatura de acontecidos, de época ou jornalística.

O poeta paraibano José Francisco Soares, (1914 – 1981), se especializou no viés jornalístico da literatura de cordel e, podemos afirmar que foi o maior poeta desse gênero no Brasil, daí ter recebido a alcunha de “o poeta repórter”. Suas obras foram centradas na notícia, lia vários jornais diariamente, além de ouvir programas de rádio para manter-se no foco dos principais acontecimentos do município, cidade, estado, país e do mundo. Desde a infância estava mergulhado na literatura de cordel, tinha familiares envolvidos com a composição poética, como seu primo, o violeiro Agostinho Lopes dos Santos e seu tio Inácio da Catingueira, um dos mais célebres cantadores do Nordeste de todos os tempos. Quando criança passou mais tempo nas feiras e mercados, fazendo biscates e ouvindo os cantadores e poetas.

Era perito em identificar notícias que despertavam o interesse de seus leitores e recriá-las na forma poética, produzindo folhetos com uma rapidez nunca vista, para vendê-los enquanto a notícia não caia no esquecimento. Mas José Soares não foi apenas o poeta da notícia. Escreveu folhetos sob a temática do gracejo, histórias de milagres, relatos da vida dos sertanejos e teve uma vasta produção sobre uma de suas grandes paixões – o futebol. Como a maioria dos poetas de sua época, além de escrever participava de todo o processo de produção do folheto: da criação, composição gráfica, impressão, divulgação. Era comum vê-lo à porta de estádios de futebol com o folheto do jogo, que acabara de se realizar com o folheto sobre o assunto já à venda. Sua veia jornalística propiciava-lhe aprontar o folheto com antecedência, deixando apenas o título e o resultado para serem preenchidos.

Publicou seu primeiro folheto aos 14 anos, intitulado Descrição do Brasil por estados. Aos quinze anos fica órfão de pai e mãe e se vê responsável pelos irmãos e todo o sustendo da família. Poeta como Manuel D'Almeida Filho e Manoel Camilo dos Santos foram grandes incentivadores do jovem poeta. Como era difícil viver só de poesia, trabalhou em várias atividades, mas dedicou-se mais à de pedreiro, em Recife, Rio de Janeiro e Niterói, entre outras cidades.
Em 1958, alugou um espaço ao lado do Mercado São José, em Recife, para instalar sua banca de revistas, para a qual deu o nome de Barraca Tricolor, em homenagem ao seu time do coração, o Santa Cruz. Dessa forma pode se abastecer de notícias para a criação de seus versos e venda de folhetos. Em 1969, torna-se editor de folhetos, estabelecendo a Gráfica Tricolor, em Casa Amarela. Constituiu uma ampla rede de distribuidores por todo o nordeste.

Aliás, a distribuição de folhetos por revendedores e cegos cantadores em praças, constituiu uma fonte de economia, mesmo com pequenos ganhos o poeta manteve a si e a outros, como folheteiros, cegos e revendedores em outros municípios e mesmo outros estados. Esta posição nos evidencia o caráter de solidariedade do poeta de cordel.

A rapidez e o sucesso conquistados na confecção dos folhetos despertaram o interesse de políticos, que faziam encomendas nas ocasiões de campanhas eleitorais. José Soares nunca declamava ou cantava, era um tradicional “poeta de bancada”.

Como todo poeta de cordel, nunca teve vida tranquila ou sedentária. Casou-se 3 vezes e teve muitos filhos. Do terceiro casamento foram seis, um dos quais herdou o dom da arte popular-, o xilógrafo e poeta Marcelo Soares, que desde muito pequeno o acompanhava na venda dos cordéis. Veja os versos no folheto José Soares – o poeta repórter do Recife, 1978, de Homero do Rêgo Barros.

“(...)
Marcelo, filho estimado,
Trata-o com todo carinho:
Reveza seu pai na banca
Se ele vai longe ou pertinho.
Bendito seja o ditado
- Filho de gato é gatinho”

Outro folheto de grande receptividade foi o A morte do bispo de Garanhuns, Dom Expedito Lopes, 1980, que vendeu mais de 108 mil exemplares, em que disse:

“ Garanhuns esta de luto:
Numa bisonha manhã
Foi morto dom Expedito,
Um bispo de alma sã,
Pelo revolver dum padre
Partidário de Satã.

Sim, leitores esse padre,
Com seu instinto pagão,
Com três tiros de revolver
Prostrou sem vida no chão
A dom Expedito Lopes,
Príncipe da religião.”

José Soares sabia cativar seus leitores com a qualidade de seus versos, fosse pelas rimas, métricas e orações. Empregava metáforas simples, mas capazes de despertar emoções. Vejam os versos:

“ Dom Expedito gemia
Se contorcendo de dores;
Ele, sendo tão pacato,
Nunca pensou em horrores;
Estava em leito de espinhos
Quem tanto cuidou de flores!”

Nas duas últimas estrofes desse título, José Soares demonstra toda a sua maestria compondo em setilhas, dando mais força à conclusão do folheto.

“(...)
O mundo é um vale de lágrimas,
A morte, temos por certo;
Nossa vida é por enquanto,
Nosso túmulo vivo aberto;
Contente o bispo vivia
Porque ainda não sabia
Que a morte estava tão perto.

Termino caros leitores,
Nada mais tenho a dizer;
O triste acontecimento
Estou disposto a vender;
De um jornal escrevi,
Porque lá não assisti:
Melhor não pude fazer.”

Nos últimos anos de sua vida, tinha a saúde bastante abalada, mas não esmorecia na produção de folhetos, o último título publicado foi O incêndio das barracas de fogos em Garanhuns, concluído duas semanas antes de sua morte. Morreu, em 1981, em Timbaúba, onde vivia nos últimos anos.

Teríamos ainda muito a dizer dessa passagem tão rica que foi a vida e a obra de José Francisco Soares, José Soares ou Zé Soares, mas SEMPRE, o poeta repórter!!!!! 

Maria Rosário Pinto
2010
.
Bibliografia

Soares, José Francisco1914-1981. José Soares. Introdução e seleção Mark Dinneen. São Paulo: Hedra, 2007. 158 p. il. (Biblioteca de cordel).

Soares, José Francisco1914-1981. A morte do bispo de Garanhuns, Dom Expedito Lopes

Soares, José Francisco1914-1981. José Soares – o poeta repórter do Recife, 1978

Veja também:
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Minha homenagem aos sertanejos neste três de maio

Final de tarde no meu sítio em Ipueiras-Ce


GENTE DO MEU SERTÃO
*
Pra quem nasceu no sertão
A coisa mais linda que há
É ver a lua nascendo,
E uma viola a tocar
Saudando o fim do dia
E prestigiando o luar.
*
Eu quero ouvir Chico Chagas
Bento Raimundo também
Numa peleja acirrada,
Cantando como ninguém,
Um insultando o outro
Depois trocando de bem.
*
E gostaria de ouvir,
O Lucas Evangelista,
Cabra que nunca pára
Pois está sempre na pista.
Vende e canta seus folhetos,
Como renomado artista.
*
Dideus Sales é versado
Na arte da difusão
Mostrando nossos valores
Em sua “Gente de Ação”
Sendo ótimo poeta
Canta com gosto o sertão.
*
Poeta de fino trato
O jeito dele é assim,
Elegante com as palavras,
E do começo até o fim!
Competente sertanejo
Chamado Júnior Bonfim.
*
Hoje faço ao sertanejo
Esta minha louvação.
Pois nasci no Ceará
Nas quebradas do sertão.
E tenho por esta terra,
Mais que respeito, paixão.
*
Vou cantando minha terra,
Com esta paixão profunda
Eu sou filha de Ipueiras
Que é uma terra fecunda
Meu nome inda não disse,
Mas é Dalinha Catunda.

*
Texto e foto de Dalinha Catunda
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rosarioecordel.blogspot.com

domingo, 1 de maio de 2011

PARABÉNS ROSÁRIO!!!!!!!

Dalinha e Rosário

Parabéns amiga!
*
Querida amiga Rosário,
Desejo de coração,
Um feliz aniversário,
Uma vida de emoção.
Que siga sempre adiante,
Sempre bem e radiante,
Pois esta é sua missão.
*
 Texto e foto:Dalinha Catunda
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sexta-feira, 29 de abril de 2011

FIO DA NAVALHA

Fio da navalha
1
O fio da navalha é
Muitas vezes perigoso
Manejá-lo é ofício
De barbeiro habilidoso
Na vida se deve sempre
Ser bastante cuidadoso
2
Pois vivemos situações
Que nos deixam à deriva
Sempre buscando equilíbrio
Nos frágeis fios da vida
Num andar desajeitado
Buscando alguma acolhida
3
Há dias que relutamos
A nos levantar da cama
O corpo cansado grita:
-Quero ficar de pijama!
Mas o dever solicita
Não vale psicodrama
4
Saímos para o trabalho
Naquela lida infinita
Conduções sempre lotadas
Todo mundo se agita
E naquele empurra-empurra
Do mundo cosmopolita
5
Chegando ao nosso trabalho,
Há sempre muito a fazer
São milhares de papéis
E tudo pra resolver
São oito horas diárias
Sem poder nos abster
6
Na hora da Ave-Maria
Nosso dia chega ao fim
Com problemas resolvidos,
Saímos pro botequim
E tomar uma cerveja
Requeijão com aipim
7
Andamos na corda bamba
Com a vida por um fio
Todo dia, sempre igual:
Viver sob calafrio,
Dia e noite, noite e dia
A vida é um desafio
(Rosário Pinto)
abril, 2011
*
No seu fio da navalha
No poema o padecer
Entre o ser o verbo ter
Que conjuga o canalha
Pra não ser fogo de palha
E fugir do desvario
Conduzir nosso navio
Neste mar de poesia
Dia e noite, noite e dia
A vida é um desafio
*
E assim desafiar
Obstáculos da vida
Superar penosa lida
E assim ir ao lugar
Onde nós vamos chegar
Pra viver com todo brio
Não ligar para sombrio
Quando ele arrelia
Dia e noite, noite e dia
A vida é um desafio
*
Neste fio caminhamos
Sempre junto muito abismo
Todo caos é como um sismo
No lugar em que estamos
E assim se versejamos
Novo verso assim eu crio
Nosso verso é como um rio
Que escorre com energia
Dia e noite, noite e dia
A vida é um desafio.
(Allan Sales)
Obrigada, Allan Sales, pelo seu carinho,
Beijinho,
Rosário
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