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quinta-feira, 19 de abril de 2012

QUEDA DE CACHOEIRA



 
          
Cachoeira que jorrava
No coração do Brasil…
Não é mais o que era antes
Borbotando encantos mil!
Agora é um mar de lama,
Que em cascata se derrama.
No político covil.
Dalinha Catunda
*
De lama não sei se é
Mas com certeza ela fede
Cada um que se escafede
deixa um cheiro de maré
começando esse banzé
da famosa CPI
quero ver o ti-ti-ti
em Brasília esquentando
ratazanas escapando
só vão pegar lambari
Fred Manteiro
*
Versos de Dalinha Catunda e Fred Monteiro
Charge de Chico 
Publicado originalmente no JBF
http://www.luizberto.com/ 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

VERSOS E TELA

VERSOS E TELA
*
Despida também descalça
Caminhei pelo sertão.

Chegando a sentir de perto

O calor do meu torrão,

Que me esquentava a moleira

Porém prossegui arteira

Pois sou barro deste chão.
*
Diante dum céu azul
Bordado de Nuvens brancas,

Entre casas eu passava

Vendo janelas sem trancas

Minha sombra me seguia,

A cada passo eu crescia

Com minhas passadas francas.
*
Mas tudo foi só um sonho,
Vivido numa aquarela,

Onde aflora o surreal

Numa Pintura tão bela.

E nesse meu versejar,

Eu quero cumprimentar,

Demócrito e sua tela.
*
Versos de Dalinha Catunda
Tela do pintor  Demócrito Borges

terça-feira, 17 de abril de 2012

FORTALEZA, DIDEUS E DALINHA


Nesta minha ida ao Ceará tive contato com alguns poetas e um deles, foi Dideus Sales, nosso companheiro de ABLC, que foi encontra-se comigo no aeroporto Pinto Martins.
Das mãos de Dideus recebi um excelente cd com belos versos de sua autoria, magnificamente musicados. O cd tem como título: “Dideus Sales entre amigos, poemas e canções.”
Dele também recebi a segunda edição do Livro: “Nos Cafundós do Sertão” onde sua veia poética aflora como o rebrotar da caatinga que tanto encanta a quem sabe de sertão.
Eu quero agradecer o carinho de Dideus que também publicou matérias e fotos referentes à ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel, e particularmente agradeço a publicação de nossos versos em parceria, em sua revista Gente de Ação.
Contatos com o autor:
www.gentedeacao.com.br
Texto: Dalinha Catunda

Cordel de Saia DIVULGA Peleja de Chapeuzinho Vermelho com o Lobo Mau

Dia 17 de abril lançamento, na BIENAL BRASIL DO LIVRO, na Esplanada dos Ministérios, em Brasilia, fazendo o lançamento dos livros A peleja de Chapeuzinho Vermelho com o Lobo Mau e O Coelho e o Jabuti, publicados pela EDITORA GLOBO. Ambos os livros vêm tendo boa aceitação em diversas escolas de todo o país como paradidáticos. Vale a pena acompanhar esta maratona de lançamentos. 
Acompanhe todas as discussões em:
*
Fique por AQUI! Sempre temos novidades.
Se desejar, envie comentários para
cordeldesaia@gmail.com

domingo, 15 de abril de 2012

O GALO DA DALINHA - PELEJA COLETIVA


Amigos,
Estou chegando do Ceará, dei uma rápida passada em Crato, para assinalar mais um ponto, neste tão desejado intercâmbio entre cordelistas da ACC – Academia dos Cordelistas do Crato e ABLC - Academia Brasileira de Literatura de Cordel.
Com apresentação de Luciano Carneiro, xilo de Maércio Lopes e ação conjunta de Josenir Lacerda, Anilda Figueiredo e eu, Dalinha Catunda, editamos uma peleja coletiva concretizando assim, esta interação entre as duas Academias.
Quero agradecer a todos que pegaram carona nesta minha viagem.


Da esquerda para direita:Teresa, o casal Miguel Josenir e Dalinha Catunda, na casa ecológica de nossa amiga Fanca
  
APRESENTAÇÃO
*
 Este trabalho foi feito
Com sutileza e magia
A inclusão graciosa
Da brincadeira sadia
Cumprimos todas as metas
Deus só permite aos poetas
Brincar com a poesia.
*
Parabenizo a Dalinha
Pela iniciativa
E a todos que fizeram
Parte desta comitiva
Com o astral lá em cima
Brincamos com métrica e rima
Ficou bela a narrativa.
Luciano Carneiro
     (Da Academia dos Cordelistas do Crato)
*
O GALO DE DALINHA
1
Lá em casa tinha um galo
Que era a figura do cão
Por ser um galo tarado
Não faltava animação
Bagunçou o galinheiro
Provocou grande salseiro
Fez a maior confusão
Dalinha Catunda.
2
Eu me criei no sertão
Vendo mãe deitar galinha
Galo subir no poleiro
Todo dia à tardezinha
Vi muito macho danado
Mas não vi galo tarado
Como o galo de Dalinha
(Aldemá de Morais)
3
Aldemá este meu galo
É galo de estimação
Foi presente do meu pai,
Que arrematou num leilão
Mas já fez tanta marmota,
Deixou galinha cambota
Não dispensou nem capão.
(Dalinha Catunda)
4
No terreiro de vovó
Lembro era só o que tinha
Pedrês, suru, indiano
Pato peru e galinha
Até frango delicado
Só não vi galo tarado
Feito o galo de Dalinha
(Josenir Lacerda)
5
Josenir se esse meu galo
Visse toda esta fartura
Sua querida vovó
Certamente ia a loucura
Pois meu galo esfomeado
Para não deixar de lado
Papou até saracura.
(Dalinha Catunda)
6
Sou da família dos Pinto
Onde reina só pintinha,
Não tem galo sem vergonha
Correndo atrás de galinha
Nem arruaçando os Pinto
Nesta peleja não minto
Como o galo da Dalinha
(Rosário Pinto)
7
Meu galo você não come,
E nem dele faz pirão.
Seu pinto pode socar
Ou levar pro maranhão.
Mas deixe suas pintinhas
E se puder as galinhas
Para meu galo pimpão.
Dalinha Catunda
8
Em minha casa apareceu
Um galo muito catito
Minha galinha comeu
E papou meu periquito
E ele falou: Bastinha
Sou o galo de Dalinha
como tudo cru ou frito!
Bastinha Job
9
Ô Bastinha, este meu galo
Só tendo pauta com cão,
Papar o seu periquito!
Que desconsideração,
Mas eu soube que a galinha
Se rebolava todinha
Querendo repetição.
Dalinha Catunda
10
Eu tinha uma pinta sura
que mandava no terreiro
a bicha tinha esporão
que assustava o galinheiro
deu tanta surra em galinha
que o galo de Dalinha
baixou a crista ligeiro.
 Anilda Figueiredo
11
Meu galo baixou a crista,
Quando viu o esporão,
Só porque a sura de Anilda
Deve ter até culhão!
E tirou o seu da reta
E dando uma de atleta,
Correu mais do que ladrão.
Dalinha Catunda
12
Galo que é galo não voa
Pra não perder a festinha
Papando lá no terreiro
Galinha e franga novinha
O dono da casa aposta
Não há galinha composta
Vendo o galo de Dalinha.
Gildemar Ponte.
13
Gildemar este meu galo,
É cheio de presepada,
Pegou a galinha pedrês
Debaixo de uma latada
E uma galinha amarela
Teve que ir pra panela,
Pois ficou escambichada
Dalinha Catunda
14
De grão em grão o meu galo
Visita cada poleiro
Come quieto de mansinho
É um Dom Juan fuleiro
Feito o galo de Dalinha
Ele sempre perde a linha
Quando o assunto é galinheiro
(Ulisses Germano)
15
Este teu galo quietinho
Este teu Dom Juan fuleiro
Que anda comendo calado
O que vê no galinheiro
Digo sem medo de errar
Tu mandaste encomendar
No triângulo mineiro.
(Dalinha Catunda)
16
Eu tinha um frango bonito
Foi presente da vizinha,
Competia com o galo
namorando a Pintadinha,
mas meu frango arrupiado
nunca foi assim tarado
como o galo da Dalinha.
 (Nezite Alencar)
17
No terreiro do meu galo
Não tinha competição
O bicho nunca cansava
E nem perdia o tesão
Confesso que vi, Nezite,
Ele cheio de apetite
Traçando um belo pavão.
(Dalinha Catunda)
18
A minha vó tinha um galo
pior que galo guerrinha;
traçava perua e pata,
capota e até rolinha,
nada pôde lhe parar
só não conseguiu traçar
foi o galo da Dalinha.
(Raul Poeta)
19
Este teu galo Raul,
Que gosta d’uma rolinha
Me deixou preocupada.
Acho que ele é mariquinha
Lamento ser tão cruel,
Mas ele queima o anel
E não encara uma rinha.
Dalinha Catunda
20
Ouvi dizer duma franga
 Pedrês, toda arrumadinha,
 Que não quer se transformar
 Jamais em uma galinha
 Com ela só vai casando.
 Diz que tá quase noivando
 Com o galo de Dalinha.
( Williana Brito Matos)
21
Esta franguinha romântica,
Que vive em vão a sonhar
Vai ficar no caritó
E nunca vai se casar
Pois meu galo é vacinado
Não casa nem amarrado
Eu posso lhe assegurar
(Dalinha Catunda)
22
Também vou contar um "causo"
lá dos fundos da cozinha
de um galo do meu terreiro
com ciúme da galinha
tarado e muito valente
que corria atrás da gente
parecendo o de Dalinha
(Rosário Lustosa)
23
Querida amiga Rosário
Este galo ciumento
Pra você deve ter sido
Causa de grande tormento
Com o meu galo tarado
Eu já tenho é rebolado
Para ter discernimento.
Dalinha Catunda
24
Este galo de Dalinha
Come tudo que tem pena
Pato, capote, galinha
E periquita pequena
É um grande “pegador”
Come até espanador
Se entrar no seu esquema
João Nicodemos
25
Este galo aprontou tanto
Aprontou mesmo de fato
Aprendeu até nadar
Só para papar um pato
Andou afogando o ganso
Ao peru não deu descanso
Mas o meu galo não mato.
Dalinha Catunda
26
A Dalinha tem um galo
Ele é fogoso e matreiro
Fica sempre na espreita
Bem de baixo do poleiro
É, as galinhas descendo
E o bicho lhe vencendo
Na vara do marmeleiro.
(Ivamberto Albuquerque)
27
Ivamberto este meu galo,
Desce a ripa nas galinhas.
Tanto pega as bem cevadas
Como pega as bem magrinhas
Gosta de vadiação
Jamais perde seu tesão
E dispensa as camisinhas.
(Dalinha Catunda)
28
Amigos esse meu galo
Sempre bem fora da linha
Juntou todos meus amigos
E todos na mesma rinha
Achei que a briga foi boa
Cada um com sua loa,
Para o galo da Dalinha.
Dalinha Catunda

domingo, 8 de abril de 2012

A GALINHA DE MUNDICO


A GALINHA DE MUNDICO
+
A galinha de Mundico,
Penosa de estimação
Bateu asas foi embora
Deixando o mesmo na mão,
Mas voltou arrependida
Porém não teve guarida
Nem do Mundico perdão.
+
- Desde nova lhe conheço,
Era franga em meu terreiro.
Vivia trepando em pau
Pois gostava d’um poleiro.
Galos entravam na rinha
Pra disputar a franguinha,
Querendo ser o primeiro.
+
- Já virou galinha velha
Do sobrecu arreado
De tanto galo que andou
No seu costeiro montado
Agora me pede arrego
Dizendo que quer sossego
Depois de ter aprontado.
+
- Muito tempo já passou
Mas me lembro muito bem.
Você deixou o meu milho
Foi ciscar noutro xerém.
Pra sua canja digo não,
E nem quero o seu pirão
Pois bem sei não me convém.
+
Falou assim o Mundico,
E coberto de razão,
Ignorando a galinha,
Que magoou seu coração.
Hoje tem uma perua
E sai com ela na rua
Cheio de satisfação.
+
Texto e foto de Dalinha Catunda

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Os grandes romances estão de volta

A IMPORTÂNCIA DOS GRANDES ROMANCES NA LITERATURA DE CORDEL
Os grandes romances poéticos seguem padrões similares aos romances em prosa, acompanhe alguns aspectos, como: critérios rigorosos de forma, conteúdo e apresentação.
Forma:
  • estabelecer nas primeiras estrofes, sempre em sextilhas, como sempre nos alertou Rodolfo Coelho Cacalcante, e tantos outros poetas, o enunciado do tema que vão narrar;
  • o apelo ao sucesso da narrativa que vai iniciar(às entidades clássicas, como deuses da mitologia, musas, santos, etc.;
  • explicitar o caminho de suas narrativas;
  • manter a expectativa do “grande final” – se vitoriosos ou trágicos;
  • chamar a atenção do leitor para o processo narrativo (modalidade poética; metrificação; e formatação física): sextilhas, 7 sílabas, 32 páginas, tamanho 12 x 15cm; e,
  • cuidar bem da elaboração da capa; da seleção do título (o mais sugestivo que a imaginação do poeta lhe permitir), também são atributo essenciais ao sucesso do romance.
Performance
  • o narrador-poeta é peça fundamental para obter a atenção do ouvinte-leitor – sua entonação, suas pausas propícias, estabelecem um clima de tensão, mantendo o ouvinte-leitor atento e curioso para o desfecho da narrativa. Os primeiros romances poéticos vindos de tradições orais, e como tal, eram cantados e/ou declamados em praças, feiras e festas públicas.
  • Venda: a conquista da venda, à época das grandes produções tipográficas, diferente dos romances em prosa, dependia da performance do cantador e/ou declamador, que de feira em feira, de praça em praça, cantava chamado a freguesia. O desembaraço, a perspicácia e astúcia, eram fatores determinantes para garantir a boa vendagem. Convém lembar que a figura do cantador de romance, nos tempos atuais foi suprida pela venda nas redes sociais.
Os romances são norteados por ingredientes comuns, tanto em prosa, quanto em versos, os grandes temas:
Temas
  • o amor, encantamento,  aventura, e bravura, são os mais recorrentes e continuam a chamar a tenção do leitor, mesmo no dias atuais;
  • a figura da mulher é presença marcante em todos os romances e, vale a pena acompanhar sua tragetória.
Nos primeiros grandes romances a figura da mulher sempre esteve presente e apresentada sob vários pontos de vista:
  • a esposa-mãe, zelosa de seu marido e casamento e da guarda e educação dos filhos, esta foi a principal característica atribuída à mulher naqueles tempos, nos romances medievais, lá na Europa;
  • a mulher sob a ótica do divino: a virtude das santas, e das musas, a filha obediente e casta, acima qualquer suspeita de conduta (a pura e casta), a quem dirigem seus apelos pela capacidade de inspiração poética:
Manoel Camilo dos Santos, um de nossos grandes romancista inicia o ramance com todos os apelos comuns aos grandes romancistas. Veja em A rainha da floresta e a fera humana, (1958), todos estes ingredientes, fundamentais. Veja abaixo:
Eu combinei com Apolo
Com Minerva e com Diana
Para escrever essa história
Que até o título é bacana
A rainha da floresta
Inclusive a fera humana.”
Segue deixando claros os papéis da mulher (esposa / filha / meretriz). Chama a atenção para as consequencias do rompimentos dos valores estabelecidos, seja por vontade própria seja por infortúdio (assalto, roubo ou outra agressão qualquer).
(...)
A donzela que não desse
valor a honestidade
estragasse o seu papel
de pudor e castidade
tinha que ser castigada
com grande severidade

E quando uma dessa estava
esperando a descansar
asso, qie focava boa
o rei mandava botar
o seu filhinho nas matas
p’ra qualquer fera devorar.

Dizia o rei: - eu não quero
geração de meretriz
sabemos que a má árvore
só dar o fruto infeliz
e o filho de bom casal
deixa a nação feliz.”
Neste romance Manoel Camilo dos Santos reune todos os ingredientes para o desenrolar de uma boa história. O meio social em que se desenvolve, a época, o local, personagens e antagonistas. Sem esquecer que e meio a tudo o poeta nos traz elementos do mágico, do maravilho, os seres da floresta, que interagem com os personagem e dão forma a obra. Leia cuidadosamente, e estou certa de que vai mergulhar num mundo de muitas fantasias.
Santos, Manoel Camilo dos. A rainha da floresta. Editor Proprietário : Manoel Camilo dos Santos. Campina Grande: A Estrella da Poesia, 1958. 32 p.




http://www.docvirt.no-ip.com/asp/folclore.asp?bib=cordel&pasta=C0805
Hoje, felizmente alguns poetas estão retomando a publicação de romances, que com o avanço tecnológico e a rapidez das informações acabaram ficando meio "mornos", nestes tempos.Temos lido folhetos de São Paulo e do Nordeste, como 
A mulher entrou na cena produtiva da literatura de cordel não como musa, fonte de inspiração, mas como criadora. E o melhor de isto isto é que a prudução feminina abre novas formas de abordar e divulgar as temas da vida social, dos costumes, e, principalmente: um novo olhar.
Você poeta inserido neste contexto
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