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domingo, 13 de maio de 2012

Não há quem faça por mim, as coisas que mamãe fez


Chegando à Sala de visitas das mães, na casa CORDEL DE SAIA, Dideus Sales e Tião Simpatia, trazem a homenagem às suas mães, de forma simples e com a singeleza dos mestres em reverências à sabedoria das mães. O cotidiano é o grande mote desse poema: “não há que faça por mim, as coisas que mamãe fez.   
Poetas, parabéns pela delicadeza.

Não há quem faça por mim
As coisas que mamãe fez

(Dideus Sales e Tião Simpatia)

O ser mãe é diferente
De todos os outros seres
Dona de múltiplos saberes
Fonte que dá vida a gente
Sente o que ninguém mais sente
Não cultiva insensatez
Ela nunca será “ex”,
Pois seu amor é sem fim.
Não há quem faça por mim,
As coisas que mamãe fez.
*
Minha mãe é igualzinha
A todas as outras mães,
Ama os filhos como os cães
Amam seus donos, sem rinha,
Tem nobreza de rainha
Em tudo tem altivez
Desde a sua gravidez
Até hoje é sempre assim.
Não há quem faça por mim,
As coisas que mamãe fez.
*
Escondeu minha viola
Para papai não quebrar
Quando eu comecei cantar
Lá na nossa fazendola,
Me mandou para escola
Eu já grande, aos dezesseis
Papai não era freguês
De música, cultura, enfim,
Não há quem faça por mim,
As coisas que mamãe fez.
*
E quando papai brigava
Por alguma danação,
Mamãe dava proteção
E em mim ninguém tocava,
Nos braços me aconchegava
Dava um beijo, dois ou três,
E papai por sua vez
Virava um estopim...
Não há quem faça por mim,
As coisas que mamãe fez.
*
Não é que eu goste mais
Da mamãe que do papai,
Por que nada subtrai
Meu amor pelos meus pais,
Mas os dois não são iguais,
Podem ser perante as leis,
De papai ouvi “talvez”,
De Mamãe só ouvi “sim”.
Não há quem faça por mim,
As coisas que mamãe fez.
*
Mamãe, mulher decidida,
Desvelada e coerente,
Defensora intransigente
Da sua prole querida,
Me fez enxergar a vida
Com muito mais nitidez,
Seu carisma e lucidez
Me lapidaram assim.
Não há quem faça por mim,
As coisas que mamãe fez.
*
Toda mãe que ao filho mima
Dá amor e diversão,
Pra que eu fosse a um chitão
Na casa de minha prima
No sítio Várzea de Cima,
Minha mãe com gosto fez
A camisa de xadrez
E a calça curta de brim.
Não há quem faça por mim,
As coisas que mamãe fez.
*
Ela soube me ensinar
Caminhar no rumo certo,
Seu exemplo, um livro aberto
Ricas lições a me dar,
Até para reclamar
Falava com polidez,
Expunha com sensatez
Tudo, tintim por tintim.
Não há quem faça por mim,
As coisas que mamãe fez.
*
Dizia-me com brandura
Quando eu saía do trilho,
Tenha cuidado meu filho,
Não ande em vereda escura,
Mantenha sempre lonjura
De boêmio e de burguês,
Não quero vê-lo freguês
De balcão de botequim.
Não há quem faça por mim,
As coisas que mamãe fez.
*
Minha mãe tinha grandeza
Em não demonstrar ressábios,
Sorvi seus conselhos sábios
Dados com delicadeza,
Parecia uma princesa
No porte, na intrepidez,
Imprimia altivez
Com doçura de alfinim.
Não há quem faça por mim,
As coisas que mamãe fez.

Foto: Rosário Pinto (na imagem Tiago Freitas Pinto, Neide Freitas Pinto e Bruno Freitas Pinto - numa pequena homenagem a essa mãe que muito admiro. 

 Fiquem com a delicadeza destes versos e DEIXE seus comentários ou os envie para
cordeldesaia@gmail.com

sábado, 12 de maio de 2012

HOMENAGEM A TODAS AS MÃES

CORDEL DE SAIA recebe de Rouxinol do Rinaré uma linda homenagem a todas as mães. E como penso que todas mulher é por natureza mãe, me incluo no rol das homenageadas. Obrigada poeta pelos belos versos.

UMA SINGELA HOMENAGEM
A QUEM MAIS AMA NO MUNDO

*
Para falar sobre mãe,
Inspirai-me, ó  Pai Eterno!
Pois em idioma humano,
Do mais antigo ao moderno,
Não há palavra que possa
Descrever o amor materno!
 *
No jardim da existência
Mãe é a mais bela flor.
Anjo da guarda dos filhos,
Presente do Criador.
Mãe nasceu só  para amar,
Então só merece amor.
 *
Igual a ave que cobre
Com as asas seus filhotinhos
A mãe amorosa e terna
Protege, acolhe os filhinhos,
Dispensa-lhe mil cuidados,
Calor materno e carinhos.
 *
A mãe sofre e sente dor
Quando sofre o filho amado.
Amor de mãe é sincero,
Sem reserva e elevado.
Somente ao amor de Deus
Seu amor é comparado.
*
Toda mãe é detentora
De um enorme coração,
Cofre de bons sentimentos
Que supera a ingratidão
Com a mãe Deus exemplifica
E dá sentido ao perdão.
 *
Amor de mãe se compara
À brisa suave e mansa.
É conforto, é refrigério,
Paz, aconchego, esperança...
Uma mãe sofre, envelhece,
Mas de amar nunca cansa!
*
 Mãe verdadeira é  sinônimo
De amor puro e profundo.
O filho que reconhece
Não a esquece um segundo.
Quem tem mãe tem a maior
Riqueza que há  no mundo!
(Rouxinol do Rinaré)

A TODAS VOCÊS, FELIZ DIA DAS MÃES!

Rouxinol, muito obrigada,
Por este lindo poema.
O amor mais verdadeiro,
Tem a mãe como seu tema
Amor incondicional
É parâmetro, sem igual
Do amor, é o maior lema
*
Maria foi a escolhida
Por um anjo, visitada,
Para nos oferecer
Uma alma iluminada.
Cristo, seu filho querido:
Corajoso e atrevido,
De mulher abençoada.
*
Somos muitas as mulheres,
Todas, chamadas Maria
Amando e sendo amadas
Pelos filhos, com alegria
Na alegria ou na tristeza
As Marias, com certeza.
Velam os filhos, noite e dia.
*
Sou uma mãe coruja
Tenho uma linda filha.
Ela é o meu encanto
Por ela, meu olho brilha.
É sempre muito mimosa
Saliente e amorosa
No meu colo, se enrodilha
(Rosário Pinto)

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sexta-feira, 11 de maio de 2012

VI NO JORNAL



Na coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo de quinta-feira dia 10 de maio, li a seguinte nota:
"Cordel do Gonzagão
A Editora Planeta lança este mês o livro infantil "O Rei do Baião-Do Nordeste para o mundo", de Arievaldo Viana, com ilustrações de Jô Oliveira.
Conta a vida de Luiz Gonzaga (1912-1989) em forma de cordel,com aquelas gravuras típicas".
*
Arievaldo Viana é membro da ABLC e tem sido incansável na divulgação do cordel em todo Brasil.
Foto: Arievaldo Viana participando do III seminário do Verso Popular em Crato - Ceará.
Foto do Acervo de Dalinha Catunda


Sala de visitas recebe Antônio Barreto


CORDEL DE SAIA recebe a visita do poeta Antônio Barreto com o lançamento do folheto 100 anos de nascimento do nosso Rei do Baião. Veja a programação abaixo e compareça, se  estiver em sua localidade.
 
Dentro da programação da Celebração das Culturas dos Sertões,  na querida Feira de Santana, no Centro de Cultura Amélio Amorim, nada mais justo do que uma homenagem ao nosso grande bardo da cultura nordestina, o mestre Luiz Gonzaga.
 Apareça para trocar um dedim de prosa, dia 08 de maio às 14 horas, oportunidade em que estarei lançando o folheto de cordel intitulado
“100 anos de nascimento do nosso Rei do Baião”.
 Um fraterno abraço
Antonio Barreto
Tel.: (71) 9196-4588

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cordeldesaia@gmail.com

terça-feira, 8 de maio de 2012

MAIO, MÃE E MARIA - II


MAIO, MÃE E MARIA-II
*
É maio o mês das flores,
E o santo mês de Maria.
O mês de todas as mães,
Que lutam no dia-a-dia
Para proteger seu lar
Chegando a se desdobrar
Pra garantir harmonia.
*
Mãe sinônimo de amor,
E herdeira de Maria.
Vendo o seu filho feliz,
Se abastece de alegria,
Mas vendo o filho sofrer
Sem nada poder fazer,
Sofre da mesma agonia.
*
Foto e texto de Dalinha Catunda
Antônio Dideus Sales que ocupa a cadeira 33 na ABLC e tem como patrono Rodolfo Coelho Cavalcante nos brinda com este importante cordel em homenagem a seu patrono.
*

O MUNDO CORDELIANO
DE RODOLFO COELHO CAVALCANTE
Dideus Sales

O mundo cordeliano
Encontra-se exultante,
Degustando este momento
Glorioso e cintilante,
De entusiasmo e colheita,
Fruto da plantação feita
Por Rodolfo Cavalcante.

Arrojado e desenvolto,
Rodolfo, um alagoano
Da pequena Rio Largo,
Peregrinou qual cigano,
Foi camelô e humorista,
Tornando-se o cordelista
De luz do solo baiano.

Foi em mil e novecentos
E dezenove que veio
Ao mundo para brilhar
E ser da arte um esteio,
Magnífico menestrel
Que deu impulso ao cordel
Além do tempo em seu meio.

Nascera num ambiente
De muita simplicidade,
Seus pais, Arthur e Maria
Passaram necessidade,
Mas não pouparam conselho
Pra que Rodolfo Coelho
Fosse um homem de verdade.

Com treze anos apenas,
Garoto de alma pura,
Jogou-se à mercê da sorte
Em inédita aventura,
Palmilhando o sertão quente
Até achar a nascente
Da sua literatura.

A infância foi insípida,
Precária a adolescência,
Precisando trabalhar,
Pois, lhe faltava assistência...
Assim levou seu fadário,
Garimpando o necessário
À sua sobrevivência.

Da região nordestina
Sob o sol abrasador,
Percorreu os nove estados
O errante trovador,
Bordando sonhos e frases
Até compor seu oásis
Na bonita Salvador.

Pousou em quarenta e cinco
Na capital da Bahia,
Fez encontros de poetas
De folheto e cantoria,
Com seu carisma e fluência
Provocou efervescência
No mundo da poesia.

Com arte e muita elegância
Plasmou o seu universo
Poético sem aos colegas
Tornar-se alheio ou disperso,
Por todos tinha desvelo,
Imprimindo este modelo,
Fez-se um poeta diverso.

Sua verve não brilhou
Apenas no cordelismo,
Muito vivaz e arguto
Mergulhou no jornalismo.
Sempre habilidoso e ético,
Editou “Brasil Poético”,
Jornal do trovadorismo.

Fez “A Voz do Trovador”
Juntando o povo que pensa,
Para dar vez aos poetas,
E à trova dar voz imensa;
Com o jornal consolidado,
Ajuda a fundar no estado,
A Associação de Imprensa.

Seu perfil foi adornado
Desde o albor da infância,
Com os diamantes da ética
E os lírios da elegância,
Ornamentou sua estrada,
Deixando cristalizada
Criação de relevância.

Rodolfo com a escrita,
Costurou eterno enlace,
Tecendo verso e criando
Entidades para classe.
Poeta vário e fecundo
Que construiu o seu mundo
E a cada dia renasce.

Com boniteza poética
Soube imprimir seu matiz
Em estrofes bem traçadas
Que não constam em release,
Mas quem as sabe de cor
Diz que fora o maior
Cordelista do país.

Em sua vastíssima obra
Vemos um matelassê
De tantos títulos e temas
E até indago: por que
Naquele tempo, poeta
Como ele, um esteta,
Fazia tanto ABC?

Foi da sua grande lavra
O principal editor,
Todos seus folhetos têm
De poesia sabor:
“ABC dos namorados”
E outros ABC falados:
Da “macumba” e “do amor”.

Por tudo que produziu,
Pra ele tiro o chapéu;
“O Drama do Comandante”
Merece aplauso e troféu
Junto com “Príncipe Formoso”
Um romance primoroso,
E o bom “Lampião no Céu”.

Em veículos de cultura
Soube fazer a manobra;
A métrica de seus cordéis
Não constitui falta ou sobra.
Imensuráveis capítulos...
Mil e setecentos títulos
Fazem sua bela obra.

Substantiva e robusta,
Sua obra não colide
Com os clássicos, aliás,
É buquê que coincide
Com os que estão nos jarros
De Leandro G de Barros
E João Martins de Athayde.

A ele hoje comparo
Pela consciência clara,
Gonçalo Ferreira Silva,
Um gênio que se declara
Fã do poeta de escol,
O brilhante Rouxinol
E Moreira de Acopiara.

Existem, no mesmo nível
Outros, fazendo justiça,
Cito alguns para ilustrar,
Pois, poesia castiça
Natural e espontânea,
Burilada e instantânea
É no Nordeste que viça.

Cordelista de alto nível,
Aplaudido e renomado,
Tendo em vida muitas glórias,
Deixou-nos grande legado.
Pra que seu nome se zele,
Até pela ABL
Ele foi condecorado.

Eno Theodoro Wanke
E Matine Kunz teceram
A trajetória do bardo
Em obras que escreveram,
Livro muito abalizado
E tese de doutorado
Que até pós- doutores, leram.

Expoente do cordel,
Figura branda e modesta,
Incentivador dos jovens,
Aparador de aresta.
Irradiava alegria,
Declamando poesia
Rodolfo fazia a festa!

Do seu estro luminoso
Brotou extraordinário
Trabalho que ainda é
Atual e necessário,
Soube escrever o real
Como fora magistral
No terreno imaginário.

Um líder incontestável
Competente e carismático,
Escritor muito inventivo
De conhecimento prático
Na seara da poesia
Que se fez com maestria,
Do cordel um catedrático.

Virou artesão de sonhos
Muito cedo a desenhar
A poesia do povo
Cumprindo a sina invulgar
De divulgar a beleza,
Para manter sempre acesa
A cultura popular.

O soteropolitano
Cidadão emudeceu
No dia 7 de outubro,
Quando um veículo o colheu
Com o chofer alcoolizado,
Cruel e despreparado,
Que sequer o socorreu.

Ao hospital Simões Filho,
Depois ao Getúlio Vargas,
Rodolfo fora levado
Com feridas muito largas
Devido à forte pancada,
Naquela noite minguada
Teve as horas mais amargas.

Isso no século XX,
No ano de oitenta e seis,
Perdemos o cordelista
Da mais plena lucidez,
Cobrindo de empecilhos
A trindade órfã de filhos
E Hilda na viuvez.

Sem sequer dizer adeus,
Foi-se o nosso timoneiro,
Lavrador de lindos sonhos,
Da esperança, mensageiro,
Apóstolo da poesia
Que o Brasil reverencia
Por seu espírito altaneiro.
*
Foto e texto de Dideus Sales