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quarta-feira, 13 de junho de 2012

PEDIDO A SANTO ANTÔNIO


 PEDIDO A SANTO ANTÔNIO
*
Santo Antônio é o primeiro
Celebrado no sertão
Entre os santos festejados
Na ordem da tradição
E são Pedro encerra a festa
Quem anima é São João.
*
Como Santo casamenteiro
Santo Antônio é conhecido.
É muito solicitado
Por quem procura marido,
Se você está sozinha
Deixe aqui o seu pedido.
*
Texto: Dalinha Catunda
Xilo de J. Miguel

terça-feira, 12 de junho de 2012

Ao final do dia dos namorados...


E... de repente, o amor

O amor quando acontece,
Às vezes inesperado.
Tem horas que até parece,
Um encontro já marcado.

Um encontro já marcado
O amor é intempestivo
Sentimento inesperado
Ele é imperativo

Ele é imperativo,
Nos domina por completo.
Deixando todos cativos
Desse doce predileto.

Desse doce predileto
Guardamos o seu sabor
Com o coração repleto
De paixão e de amor

(Rosário Pinto)
Texto e foto: Rosário Pinto

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cordeldesaia@gmail.com

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Mulheres de atitude!

Reunião de membros do colegiado da ABLC
(Dalinha, Rosário, Sepalo, Pres. Gonçalo e Fernando)


"Esboce seu namorado"

Mais uma poesia contemporânea de Dalinha Catunda. A mulher que mais do que esposa, é a namorada de seu companheiro.  Essa contemporaneidade liberta e aconchega – a mulher (esposa, mãe, companheira, amante e, sobretudo namorada – aquela que vive o sempre partilhar... A essa mulher, não cabe mais o papel da omissão e da espera das decisões de seu marido\homem. É ele quem a requisita para o seu ombro, num sempre caminhar juntos. O amor e a amizade só se completam com as ações de comum acordo. Observe os versos:
“(...)
Seja de cama e de mesa
Demonstre sua destreza
Que terá bom resultado.”

Como foi comentado no texto sobre a produção feminina na literatura de cordel, aqui vemos o uso dos substantivos, verbos e adjetivos tão próprios do linguajar feminino.
A mulher moderna não tem sequer tempo para reclamações: o mundo lá fora a espera... e, tem pressa de sua participação.
“(...)
Tem mulher que só reclama
Mas não faz a sua parte
A vida a dois eu garanto,
Só flui levada com arte.
...”
O homem moderno não deseja sua mulher, amiga, companheira à espera de soluções, espera dela a partilha – nas idéias, trabalhos e decisões.  E é esta mensagem que as poetizas estão levando para seus leitores.

Texto: Rosário Pinto
Foto: Luzia Mercedes Gomes

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ESBOCE SEU NAMORADO


ESBOCE SEU NAMORADO
*
Se você tem seu marido
Faça dele um namorado
Não permita que a rotina
Torne o laço fracassado
Seja de cama e de mesa
Demonstre sua destreza
Que terá bom resultado.
*
Brigar por pequenas coisas,
Só faz de você rabugenta.
Mulher cheirando a gordura
Homem nenhum aguenta.
Se arrume fique cheirosa
Ele vai notar a rosa
Que pra ele se apresenta.
*
Tem mulher que só reclama
Mas não faz a sua parte.
A vida a dois eu garanto,
Só flui levada com arte.
Eu não tenho pretensão
De disseminar sermão
Isto foi só um aparte.
*
Texto de Dalinha Catunda
Xilo de J. Borges - Moça roubada

domingo, 10 de junho de 2012

CHICO SALLES EM SÃO PAULO

Da esquerda para direita: Moreira de Acopiara E Chico Salles

Prezados amigos, apenas relembrando,  
No próximo dia 17 estarei, juntamente com o Grupo Chabocão, me apresentando aí em São Paulo no TRAÇO DE UNIÃO em Pinheiros, uma importante e tradicional casa e reduto do samba, que fará neste dia uma grande Festa Junina para os seus habituais clientes
ARRAIÁ DO CHICO SALLES
A Partir das 13:00H
Rua Cláudio Soares, 73 - Pinheiros  São Paulo, 05422-030
(0xx)11 3031-8065
Para maiores informações e reservas: WWW.tracodeuniao.com.br
Festa com comidas e bebidas típicas e música brasileiríssima de Jackson e Gonzaga misturadas com Dorival Caymmi e Adoniram Barbosa executadas pelo Grupo Chabocão – sanfona, zabumba, cavaco, pandeiro, sete cordas e triângulo.
Obrigado,
Chico Salles.
Foto de Dalinha Catunda

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Cordel no Embalo das Redes

CORDEL NO EMBALO DAS REDES
1
Meu cordelzinho matuto
Das feiras do meu sertão
Hoje reina absoluto
Tem farta divulgação
Com seu jeitão enxerido
Agora todo exibido
Brilha na televisão.
2
Aparece ledo e belo,
Nos mais diversos canais.
Sem deixar de ser singelo
Vai estampando jornais
Com sua xilogravura
Mostrando sua cultura,
Que nunca será demais.
3
Um programa especial
No “Globo Rural” ganhou.
E no “Salto Pro Futuro”,
O seu valor realçou.
Lá no “History Channel”,
Os detalhes do cordel
Vi que história revelou.
4
Hoje é tema de novela,
Este cordel encantado,
De rainhas e princesas,
E do cangaço falado.
Tem no reino da poesia
Um passado de magia
Que revejo resgatado.
5
Como eu fico orgulhosa
Em ver o meu matutinho,
Sendo bem reconhecido
Mesmo fora do seu ninho.
Está fazendo bonito,
No cordel eu acredito
Pois é ele meu caminho.
6
Escutei cordel em feiras
E rodas de cantoria.
Em encontros com poeta
Onde reinava alegria.
Agora mais abrangente
Continua ele imponente
Disseminando magia.
7
A internet chegando,
Vestiu asas no cordel, 
Que voou pra todo canto,
Como um alado corcel,
Com toda desenvoltura,
Aproveitou a abertura
Para firmar seu papel.
8
Um dia virou folheto
O que era apenas oral.
Chegou à televisão,
Também revista e jornal.
Hoje na internet brilha
Vai seguindo a nova trilha
Neste mundo virtual.
9
Na internet hoje impera,
A real democracia,
Lemos o contemporâneo,
E o antigo se aprecia
Com a multiplicidade
O cordel vira verdade
Que na rede contagia.
10
O cordel de trajes simples
Ou bem vestido a rigor
Sempre será respeitado
Sempre terá seu valor
Pois trazendo erudição,
Ou apenas inspiração
Traz na rima seu calor.
11
O cordel de trajes simples
Residiu no interior.
Nas emissoras de rádio
Na boca do locutor.
No sorriso e na alegria
Nas noites de cantoria
E na voz do cantador
12
Cordel vestido à rigor
Seu espaço conquistou
Usando terno e gravata
Na escola ele entrou
Traz no seu falar polido
Um linguajar tão sabido
Que o professor adotou
13
Este cordel que desponta,
E chegou para ficar.
Inserido nas escolas
E ajudando a ensinar
Traz na bagagem magia
É o novo que contagia,
Ajudando a educar.
14
Quais as faces do cordel?
Quem poderá me dizer?
Não diga que é só matuto
Pois nisso eu não posso crer!
Não diga que é erudito
Pois também não acredito.
Mas tudo poderá ser.
15
O Cordel é um alento
Para o forte Nordestino.
Cultivador de saudade
Um eterno peregrino.
Que leva no coração
As histórias do sertão,
A saga do seu destino.
16
É a gritante saudade
Da farinha no surrão.
A saudade da paçoca
Bem pisada no pilão
Da pamonha, da canjica
Do amor a terra que fica,
Grudado no coração.
17
É a cantilena brejeira
De quem viveu no sertão.
Tudo que passou um dia
Vivendo no seu torrão
Morando na capital
O cordel vira jornal,
A fonte de informação.
18
O cordel é identidade
Do homem do interior
Que veio para cidade
Estudou pra ser doutor
Mas apesar de formado
Recorda bem o passado
E as raízes dá valor.
19
Preso com os pregadores
Pendurado em cordão.
Avistava-se o cordel
Lá nas feiras do sertão.
Agora bem editado,
E ricamente ilustrado
Não falta divulgação.
21
Se o cordel tem oração,
Tem reza tem ladainha.
Tem a saga de um povo
Que incansável caminha
Registrando sua história
Para guardar na memória
O que oralmente retinha.
22
Vi a internet chegar
Para o cordel socorrer
E zombar de quem dizia
Que o cordel ia morrer.
Acompanhando o progresso
Um cordel sem retrocesso
Hoje só faz é crescer.
23
O cordel incorporou
A mulher nessa cultura
Agora ela pinta e borda
Entende a literatura
Sabe como interagir
Ver o leitor aplaudir
Sabe manter a postura.
24
Eu sou Dalinha Catunda,
Também me assino Aragão.
Sou amante da poesia
Que germinou no sertão
Em Ipueiras nascida
Ao cordel eu dou guarida
Pois ele é minha paixão.
*
Cordel de Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com