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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

SABERES DO SERTÃO - CONVERSA DE CALÇADA, VIRTUAL - I


 SABERES DO SERTÃO

CONVERSA DE CALÇADA VIRTUAL - I

Vou lançar aqui uma brincadeira, que vou chamar, “ CONVERSA DE CALÇADA VIRTUAL”.

Nos tempos de antigamente, nas cidades do interior as pessoas sentavam nas calçadas, em finais de tarde, para conversar, contar histórias de trancoso, fazer brincadeiras, adivinhações. Era muito comum a arte de improvisar versos. Peguei essa primeira para sextilha para servir de exemplo. Nesse caso a estrofe sempre começa com : QUER QUE EU FAÇA CONTIGO... e sempre aprontando uma maldade. Vamos nessa, cada um faz uma sextilha nessa roda de versos.

CONVERSA DE CALÇADA, VIRTUAL

QUER QUE EU FAÇA CONTIGO?

 

CONVERSA DE CALÇADA, VIRTUAL

QUER QUE EU FAÇA CONTIGO?

1

SEXTILHA POPULAR

“Quer que eu faça contigo

O que fiz com a mãe do cão

Fiz ela subir a serra

Com alpercata de algodão

A alpercata se quebrou

Ela subiu de pé no chão.”

2

DALINHA CATUNDA

Quer que eu faça contigo

O que fiz com Salomé

Fiz ela andar sete léguas

Pra pagar promessa a pé

Chegou toda estropiada

Na matriz de Canindé.

3

BASTINHA JOB

Quer que eu faça contigo

O que fiz com o Sansão?

Cortei o cabelo dele

Dalila nem fez questão

Mas não fiquei na história

E fama não tive não...

4

MANA CARDOSO

Quer que eu faça contigo

O que fiz com Conceição?

Emborquei o corpo dela

Fiz ela lamber o chão

Depois teve que comer

Uma barra de sabão.

5

VÂNIA FREITAS

Quer que eu faça contigo

O que fiz com Lampião?

Que foi se esconder nas grotas

Para fugir da prisão?

Mas nem por isso escapou,

Caindo na minha mão.

6

NENEM ESTEVAM

Quer que eu faça contigo

O que fiz com Gonzagão

Tocou um grande forró

Pras bandas do maranhão,

A sanfona se rasgou

Findou com o violão!

7

FABIANA GOMES VIEIRA

Quer que eu faça contigo

O que fiz com o ex-marido?

Dei-lhe dois chutes nos ovos

Pra deixar de ser enxerido

Depois ficou reclamando

Que tá goro e dilorido!

8

DULCE ESTEVES

Quer que eu faça contigo?

O que fiz com Raimundo ?

Chamei - o de véio imundo

Da cara de papa - figo

Me mostrou logo seu fundo

E ficou meu inimigo.

9

GIOVANNI ARRUDA

Quer que eu faça contigo

O que fiz com Frei Romão

Eu quebrei o terço dele

E risquei o seu sermão

Chegou a hora da missa

Tava feita a confusão

10

FRANCISCO JAIRO VASCONCELOS

Quer que eu faço contigo

O que fiz com Zé Pelé?

Botei na cama do porco

Ficou com bicho de pé

Ando para sempre torto

Nunca conseguiu mulé.

11

AGLIBERTO BEZERRA

Quer que eu faça contigo

O que fiz com "Zé Socó"?

O peguei pelas "berturas"

Apertei-lhe o gogó

Que até hoje ele reclama

Que na guela tem um nó

13

RITINNHA OLIVEIRA

Quer que eu faça contigo

O que fiz na procissão

Dei uma queda no vigário

E culpei o sacristão

O padre deu-lhe um tabefe

Em seguida a extrema unção

14

ANILDA FIGUEIRO

Quer que eu faça contigo

O que fiz com o metidão?

Começou com atrevimento,

Peguei a mão de pilão,

Acertei bem no lugar

Da chave de precisão!

15

ZÉ SALVADOR

Quer que eu faça contigo

O que fiz com o Chicó

Quando começou mentir

Lhe dei pisa de cipó

Depois não satisfeito

Lhe dei pimenta em pó.

16

GEVANILDO ALMEIDA

Quer que eu faça contigo

O que fiz com um pastor?

Fiz rezar trinta pai nosso

Dá graça ao padre e louvor

Fiz escrever um texto bíblico

E me assinar como autor.

17

FRANCISCA EMIDIO

Quer que eu faça contigo

O que fiz com Zé Mané

Dei um chute no traseiro

Que ele foi de cangapé

Saiu catando cavaco

Se estrepou e deu no pé!

18

LINDICASSIA NASCIMENTO

Quer que eu faça contigo

Como eu fiz com Marilu?

Dei-lhe um soco na venta

Que doeu no mucumbu,

De tão feia ela ficou

Parecendo cururu.

19

MANO MELO

Quer que eu faça contigo

O que fiz com a Dalinha

Num forró de Ipueira,

Pra banda dos Catunda.

A saia ficou inteira,

Mas caiu o cu da bunda.

20

LUCIA AGRA

Quer que eu faça contigo

O que fiz com Zé Lelé,

Ele diz: sou seu amigo,

Mas na verdade não é,

Então joguei na cara dele

A nota falsa que'le é.

21

ROSARIO PINTO

Quer que eu faça contigo

O que fiz com Zé Mané?

Dei-lhe um copo de cachaça

E um pacote de rapé!

Pois tanto bebeu e cheirou,

Se estalou no arastapé!

22

OLEGARIO ALFREDO

Quer que eu faça contigo

O que eu fiz com o valentão

Dei-lhe um rabo-de-arraia

E um martelo de escorão

Não tardou um minutinho

Valentão caiu no chão.

23

RIVAMOURA TEIXEIRA

Quer que eu faça contigo

O q fizeram com Gusmão

Levaram pro matagal

Amarraram num mourão

Ainda deram uma surrinha

Com urtiga e cansanção

24

GIOVANNI ARRUDA

Quer que eu faça contigo

O que eu fiz com o Ipu

Tapei a bica com pedra

Botei cera de uruçu

No cabelo de Iracema

Joguei pó de urucu

25
FRANCISCO DE ASSIS SOUSA
Quer que eu faça contigo
Como fiz com Vicente "Finim"
Joguei lhe uma Maldição
E ele ficou assim:
Correu sete freguesias
Pulando feito um "saguim".

26

 PAULO GONDIM

Quer que eu faça contigo

O que fiz com quem me zomba

Que escorregue na lama

Se arrebente, quebre a tromba

Engorde e aumente o bucho

Vá explodir como bomba

27

DIDEUS SALES

Quer que eu faça contigo

Como fiz com Baltazar,

Obriguei-o a beber

Dez cervejas, sem parar,

Sem poder dar um arroto

E sem ter direito a mijar.

28

DALINHA CATUNDA

Quer que eu faça contigo

O que fiz com nascimento

Fiz ele pular a cerca

Escanchado num jumento

Quase que ele quebra os ovos

Naquele dado momento.

*

Ciranda de versos coordenada por Dalinha Catunda.

Xilo de Mercio Siqueira

dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Ponto de vista



PONTO DE VISTA
*
DALINHA CATUNDA
Quando um casal se decide
Escolhendo o casamento
Precisa tentar cumprir
O que jurou no momento
Mas jurar amor eterno
Para viver no inferno
Isso não tem cabimento.
*
DAVID FERREIRA
De fato, grande Dalinha,
você tem toda razão!...
Não se pode alimentar
essa vil situação...
A mulher a vida inteira,
como nossa companheira,
merece toda atenção.
*
DALINHA CATUNDA
Todo começo são flores
Isso todo mundo sabe
Mas depois vem a rotina
E administrar nos cabe
Fortalecendo os laços
Evitando os embaraços
Antes que o amor acabe
*
DAVID FERREIRA
A minha eu trato com jeito,
como meu melhor condão...
Já não sei viver sem ela,
sem ela não vivo não...
E por amor e cautela,
prefiro deixar com ela,
a chave do coração...
*
DALINHA CATUNDA
O meu eu posso dizer
Que eu trato muito bem
Já ele por sua vez
Igual me trata também
Não tenho papel passado
Porém o tempo contado
Não é qualquer um que tem.
*
DAVID FERREIRA
Mas não se deve alvejar,
como certa, a condição
de que "quem faz leva o troco",
como a melhor opção,
pois quem faz e quem revida,
acabam tendo da vida,
igualmente, a punição...
*
DALINHA CATUNDA
“É dando que se recebe”
Isso sempre ouvi dizer.
“Só se colhe o que se planta”
Estou feia de saber
Eu fico de camarote
O castigo vem a trote
Pra quem faz por merecer.
*
Postagem de Dalinha Catunda
cad.25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

sábado, 24 de outubro de 2020

Doutora inté outro dia.


 ´Pegando um vento no alpendre e parodiando Zé Praxedes.

DALINHA DE IPUEIRAS E ZÉ DE BRUMADO


 DALINHA DE IPUEIRAS E ZÉ DE BRUMADO

*
Quem confunde “Padim Ciço”
Com embusteiro e pastor
Não sabe o que é um santo
Nem de longe viu no andor
Com certeza é de Brumado
E deve estar calejado
De tanto bater tambor.
.
JOSÉ WALTER
Longe de mim, faz favor
Falar mal do famoso Padim Ciço
Não desafio a quem faz
Reza braba ou um feitiço
Não meto a mão em cumbuca
Quanto mais o cão cutuca
Fujo sempre de um enguiço
.
DALINHA CATUNDA
Meu verso não desperdiço
Quando entro em questão
Eu nunca fiz reza braba
Feitiço, não faço não
Mas quem come acarajé
E segura um afoxé
Não foge da tradição
.
JOSÉ WALTER
Tambor não é vocação
Por que não sou macumbeiro
Não mexo com pai de Santo
Nunca frequentei terreiro
Corro as léguas de um Pastor
Por ser um enganador,
Mentiroso e trapaceiro.
.
DALINHA CATUNDA
Já me disse um fuxiqueiro
Que você roda a baiana
Que bebe e fuma cachimbo
E recebe uma cigana
Mas também grita aleluia
Pra ter dinheiro na cuia
Pois também gosta de grana.
.
JOSÉ WALTER
Pra você deixar de drama
Deixo o dito, por não dito
Deixo quieto o padim Ciço
E em Pastor não acredito
Sendo falso mensageiro
Pois só prega por dinheiro
Ganhando o povo no grito.
.
DALINHA CATUNDA
Sendo assim, não fique aflito
Nem perca a estribeiras
Não saí fora da linha
Só fiz umas brincadeiras
Respeito o Zé de Brumado
Não fique acabrunhado
Com Dalinha de Ipueiras.
.
JOSSÉ WALTER
Nós não fazemos besteiras
Em uma troca de versos
Só mostramos qualidade
Com os temais mais diversos
Agradáveis de se ler
Como sabemos fazer
E de prazeres imersos.
.
DALINHA CATUNDA
Mergulho nesse universo
Peco e não peço perdão
Sou profana sou sagrada
Sou beata em procissão
Do meu “Padim” sou romeira
Mas também sou forrozeira
Nas latadas do sertão.
*
JOSÉ WALTER
Sei, Dalinha, que você,
Gozou bem a mocidade
Não se prendeu a tabus
Vivendo sempre à vontade
Mas sem jamais ser mundana
Como sagrada ou profana
Sempre agiu com liberdade.
*
DALINHA CATUNDA
Amigo isso é verdade
Confesso não vou negar
Eu era feito uma pipa
No céu azul a voar
Ser pássaro de gaiola
Não entrava na cachola
E jamais irá entrar.
*
MEDEIROS BRAGA
Ainda bem que os dois
Não perderam as estribeiras,
Nem Zé Walter de Brumado
Nem Dalinha de Ipueiras,
E ao final, feito mel,
Fizeram um belo cordel
Pra ser vendido nas feiras.
*
Dalinha Catunda e José Walter
Membros da ABLC
dalinhaac@gmail.com

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

VIDA E MORTE



 






VIDA E MORTE
*
LUIZ FERREIRA - LIMINHA
Essa aqui é a morada
De todos os ancestrais
Branco, preto, pobre ou rico
São do portão para trás
Poderoso e prepotente
Passou do portão pra frente,
Daqui não volta jamais...
*
DALINHA CATUNDA
*
Amigo, eu sei que um dia
Eu também vou virar pó
Porém me prendi a vida
Dei laçada e apertei nó
Não quero virar presunto
E a cidade do pé junto
Quando eu for eu não vou só.
*
LUIZ FERREIRA - LIMINHA
Minha Cara Poetisa
Eu também tô nesse pleito
Sei que vai chegar a hora
Vou partir com dor no peito
Duelarei com a morte
Somado a um pouco de sorte
Só vou se não tiver jeito...
*
DALINHA CATUNDA
Pra não ir antes da hora
Eu luto com carabina
Faço trato com a morte
Para mudar minha sina
E se nada adiantar
Pra tentar aqui ficar
Ofereço até propina.
*
Postagem de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

sábado, 17 de outubro de 2020

EXALTANDO A NATUREZA



EXALTANDO A NATUREZA

*

Eis-me aqui neste recanto

E sem arrependimento

Dos pássaros ouço o canto

Bendigo cada momento

A brisa traz acalanto

Viajo no pensamento.

*

Desfruto dessa bonança

No verde desse lugar

No peito cresce a esperança

Assim me ponho a sonhar

Nos passos da nova dança

Danço sem me alvoroçar.

*

Contemplando a natureza

Obra de Nosso Senhor

Onde a lua é realeza

Onde o sol tem esplendor

Celebro toda beleza

Nesses meus versos de amor.

*

Versos e fotos Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com






sexta-feira, 9 de outubro de 2020

UM CARREIRÃO DE NOTÍCIAS



 








UM CARREIRÃO DE NOTÍCIAS

*

Amigos, estou na roça

Nem sei quando vou voltar

Estou desde fevereiro

E terminei por ficar

Essa vidinha no campo

É coisa pra me agradar.

Porém quando a chuva chega

Com vento forte a soprar

Eu fico sem internet

Aqui tudo sai do ar

Por isso minhas postagens

Eu fico sem comentar.

Fora isso eu acho bom

E estou a me renovar

Eu faço queijo de coalho

E de Minas por gostar

E faço doce de leite

Pra gente aqui merendar.

O feijão verde e maxixe,

Já tá dando pra apanhar,

Tem quiabo e beringela,

Jerimum pra variar,

E tudo isso me agrada,

Pois gosto de cozinhar.

Tem um alpendre com redes

Quando quero descansar

Quando me bate a preguiça

Logo corro pra deitar

É de lá que vejo a lua

Com seu brilho a despontar.

A passarada faz festa

E passa o dia a cantar

Tem pitanga, tem groselha

Pra passarinho bicar

As mangueiras carregadas

Estão começando a dar.

Por aqui eu vou ficando

Porém volto a relatar

As novidades da roça

Desse meu mais novo lar

Um abraço para todos

Aqui eu quero deixar.

*

Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

Cachoeiras de Macacu, 9/10/ 2020