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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

CIRANDEIRAS EM MOVIMENTO


 

CIRANDEIRAS EM MOVIMENTO

*

Nesses meus versos rimados

Quero lhes apresentar

Um grupo de Cordelistas

Que soube se reinventar

Pois mesmo com pandemia

Não perdeu sua alegria

E resolveu cirandar.

*

Mulheres empoderadas

Não perdem sua razão

Aprendem a voejar

Quando lhes roubam o chão

Quem tem asas pra voar

E sempre soube sonhar

Faz remota atuação.

*

Todas elas se arrumaram

Vestiram saias de chita

Umas com flor nos cabelos

Outras com laço de fita

Se animaram pra cantar

Pra dançar e declamar

E ficaram bem na fita.

*

Versos de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Sobre o grupo As Cirandeiras do Cordel do Cariri



 

Sobre o grupo As Cirandeiras do Cordel do Cariri

A Ciranda mais do que uma dança e um canto, é um movimento democrático, que chegou abrindo as portas da inclusão, e foi assim que oportunamente surgiu o grupo: As Cirandeiras do Cordel do Cariri.

Esse grupo idealizado e criado pela cordelista Dalinha Catunda, com a cumplicidade de suas amigas, também cordelistas, tem como propósito maior, valorizar a oralidade, repassar conhecimentos, seguindo nossos ancestrais, que repassavam de geração a geração os seus saberes.

O intuito do grupo além do resgate histórico, e da divulgação da literatura de cordel, é entreter e espalhar alegria. Em todos os lugares pelos quais passamos a nossa roda sempre crescia a empatia com o público era notória.

O grupo crescia, era bem solicitado para apresentações, mas eis que surge a pandemia, detendo nossos passos, calando nossa voz e de certa forma nos tirando o chão.

No primeiro momento foi grande o impacto, perder o chão, o que tínhamos de concreto, só nos restava as lamentações.

Mas quem precisa de chão quando se sabe voar? Quem precisa de concretude se viveu sempre a sonhar? Foi assim que o grupo novamente animou-se e numa conversa virtual decidiu sair daquele marasmo.

Como artesã que somos, pegamos o fio da meada e recomeçamos a tecer novos sonhos. Sonhos remotos, sonhos virtuais... Daí nasceu a ideia das Lives, e cada cirandeira, pegou sua flor, sua saia roda de chita, afinou a sua voz, declamou e cantou seu verso mais bonito e continuou firme na ciranda se reinventando e buscando novas oportunidades.

Texto de Dalinha Catunda

A Ciranda mais do que uma dança e um canto, é um movimento democrático, que chegou abrindo as portas da inclusão, e foi assim que oportunamente surgiu o grupo: As Cirandeiras do Cordel do Cariri.

Esse grupo idealizado e criado pela cordelista Dalinha Catunda, com a cumplicidade de suas amigas, também cordelistas, tem como propósito maior, valorizar a oralidade, repassar conhecimentos, seguindo nossos ancestrais, que repassavam de geração a geração os seus saberes.

O intuito do grupo além do resgate histórico, e da divulgação da literatura de cordel, é entreter e espalhar alegria. Em todos os lugares pelos quais passamos a nossa roda sempre crescia a empatia com o público era notória.

O grupo crescia, era bem solicitado para apresentações, mas eis que surge a pandemia, detendo nossos passos, calando nossa voz e de certa forma nos tirando o chão.

No primeiro momento foi grande o impacto, perder o chão, o que tínhamos de concreto, só nos restava as lamentações.

Mas quem precisa de chão quando se sabe voar? Quem precisa de concretude se viveu sempre a sonhar? Foi assim que o grupo novamente animou-se e numa conversa virtual decidiu sair daquele marasmo.

Como artesã que somos, pegamos o fio da meada e recomeçamos a tecer novos sonhos. Sonhos remotos, sonhos virtuais... Daí nasceu a ideia das Lives, e cada cirandeira, pegou sua flor, sua saia roda de chita, afinou a sua voz, declamou e cantou seu verso mais bonito e continuou firme na ciranda se reinventando e buscando novas oportunidades.

Texto de Dalinha Catunda cad.25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

AS MULHERES DO CORDEL COM: GRACIELE CASTRO



AS MULHERES DO CORDEL COM: GRACIELE CASTRO

A minha ancestralidade

Sempre a me encorajar...

Escrevo, público e vendo

Ninguém irá me parar

Eu sou sertaneja, sim.

Tenho fome de mudar!

*

Eu levanto a minha voz

E me ponho a trabalhar

Meu corpo não é só meu

Ocupo, sim, meu lugar

Graciele Castro, sou,

Livros são o meu pilar!

Graciele Castro

*

Graciele Castro, nasceu 07/04/1993, 28 anos, Poeta Cordelista, Feminista,

Empreendedora, Fundadora e sócia da Cordelaria Castro, natural e residente em Petrolina-PE,

lésbica, casada com a xilógrafa Kelmara Castro, coordena a Casa do Cordel Mulheres

Cordelistas, integrante do movimento nacional em combate ao machismo no cordel, autora

das principais obras: “Velho Chico Meu Poeta”, “Rendeiras do Vale”, “As carrancas do velho

chico”, “Romance de Amanda e Mara”, “A Galinha marketeira” entre outros. Cursa Técnica em

Teatro no PROSUB – Juazeiro-BA.

*

Postagem de Dalinha Catunda cad.25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA...


 

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Conversa de Calçada Virtual VI coordenada por Dalinha Catunda

1

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA...

Lá no meu interior

Era menina feliz

A vida tinha calor

Eu soltava minha voz

Pra cantar: “Ó Linda flor.”

Dalinha Catunda/ Rio de Janeiro – RJ

2

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA...

Bem novinho, ainda moço

A mão na mão da menina

Outra mão lá no pescoço

Mas a brincadeira boa

Era a de cair no poço.

Marcos Silva/São Paulo-capital.

3

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Em noite de lua cheia

Na brincadeira de anel

Ou pisando o pé na areia

Dava a mão pra meninada

Todos gritavam: sereia!

Creusa Meira/ Bahia

4

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA...

No terreiro lá de casa

A lua era testemunha

Da felicidade rasa

No ritmo da ciranda

Cirandando, criava asa.

Chica Pessoa. /Pentecoste-Ceará

5

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

No pátio da minha escola

Toda hora do recreio

Hoje a saudade me assola

Me lembro dela fardada

E um par de brinco de argola

Jairo Vasconcelos

6

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Atirava o pau no gato

Que brincadeira perversa

Falta de mimo de trato

Mas ganhei delicadeza

Quando vim morar no Crato

Bastinha Job/ Crato-CE

7

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Já Doido Pra Namorar

Adorava O Cai No Poço

Para As Meninas Beijar

Moro Em Cruz De São Francisco

Estado Do Ceará.

Alberto Francisco/Cruz de S. Francisco-CE

8

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA,

Com um vestido de bolinha,

Era grande a alegria

No terreiro da cozinha;

Meus irmãos faziam festa,

Mas essa lembrança é minha!

Chica Emídio/Crato-CE.

9

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Pus ponteira no pião

Arremessava bem ancho

Ele rodava no chão

Depois eu curtia a dança

Na palma da minha mão

Rivamoura Teixeira

10

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Nossa noite, era um festeiro

Os vagalumes piscando

Indo em busca do pereiro

Lua e as estrelas se via

Alumiando o terreiro.

Maria Nelcimá Morais-Paraíba

11

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA...

Era uma grande alegria

Cantava a bela cantiga

Saudando a sintonia

E cantando lentamente

De mãos dadas bem contente

Bem feliz, me divertia...

Ivonete Morais/Fortaleza- CE

12

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA...

Me soltava por inteira

Eu não cantava, gritava

Era meio baderneira

Gostava de confusão

Pra ver subir a poeira.

Vânia Freitas/Fortaleza-CE

13

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Na latada do terreiro

Você brincava comigo

Eu já era presepeiro

Tava de má intenção

Você querendo minha mão

Eu querendo seu traseiro

XICO BIZERRA, Crato, Recife

14

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Sempre ao anoitecer

Era muito divertido

Sem ter nada pra fazer

Inocente na maldade

Do que iria acontecer!

Joabnascimento/Camocim-CE

15

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Bila bojo e pega pega

De ciranda cirandinha

De soldado cabra cega

Pra criançada de hoje

Isto tudo é coisa brega

Araquém Vasconcelos/ Alvaçã

Santana do Acaraú CE

16

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Eu puxava a cantoria

Minhas amigas dançando

Reinava muita alegria

No terreiro lá de casa

Em ritmo de melodia.

Dulce Esteves- Recife- PE.

17

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Lá nas bandas do sertão

Com a turma de amigos

Numa noite de São João

Também soltava chuvinha

E os traques de salão.

Rosário Lustosa Juazeiro do Norte/CE

18

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Me enchia de emoção

Pois o meu amor platônico

Ao pegar na minha mão

Eu não sei se eu me elevava

Ou se o céu descia ao chão

Giovanni Arruda/ Fortaleza-CE.

19

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA...

A vida era uma alegria.

E lá no quintal de casa,

Tudo em volta era magia.

Meu pai tocando viola,

Em noites de cantoria.

(Rosário Pinto)

20

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Eu era a estrela-guia

Cantava alegremente

Com perfeita sinfonia

Cirandeira envolvente

Ladeada de harmonia.

Lindicássia Nascimento/Barbalha-CE.

21

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Era um pouquinho arteira

Corria, puxava a roda

Gostava da bagaceira

Só achava divertida

Se a roda fosse ligeira.

Francy Freire/Crato-CE

22

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Segurava na tua mão

Meu coração disparava

Eu tremia de emoção

Hoje já nem reconheço

Minha primeira paixão

Fabiana Gomes Vieira/ Crato/CE

23

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Nos meus tempos de criança

Batava laço de fita

Na ponta de cada trança

Era menina feliz

E repleta de esperança.

Anilda Figueiredo/ Crato-CE

24

QUANDO EU BRINCAVA DE RODA

Só participava se nela

Tivesse também brincando

Minha prima Gabriela

A coisa que mais gostava

Era quando a roda embalava

Eu pegado na mão dela.

Francisco de Assis Sousa/Barbalha - CE.

*

Poetas e poetisas, nossa conversa de calçada rendeu. Gostei muito!

Agradeço muito as participações, tanto dos poetas como dos leitores que gostam deste espaço. Sem vocês não teria graça.

Todos nós, aqui estamos propagando nossa cultura e trazendo as tradições do passado para o presente. Todos estão de parabéns.

Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

 

 

terça-feira, 3 de agosto de 2021

MELHOR IDADE É O CACETE



MELHOR IDADE É O CACETE

1

Seu Rufino adoeceu

Achei por bem visitar

Não era caso de morte

Mas era de preocupar

Seu lamento era constante

Queixava-se a todo instante

Sem parar de resmungar.

2

A sua maior doença

Era seu inconformismo

Foi homem namorador

E agora com reumatismo

Sem poder ir vadiar

Passa o dia a reclamar

Praticando o derrotismo.

3

Eu tentei mudar a prosa

Pra trazer animação

Entretanto seu Rufino

Era só reclamação

Desembestou a falar

Eu tive então que escutar

A sua lamentação.

4

Confesso que tive dó

Estava de fazer pena

Mas com a língua afiada

Repetia a cantilena

E cheio de rabugice

Metia o pau na velhice

Que não chegava serena.

5

Foi o jeito eu me calar

E preparar os ouvidos

Para ouvir o pobre idoso

Com seus ais e seus gemidos

Pois paciência eu tinha

Para ouvir a ladainha

E clamores repetidos.

6

E vocês vão ver agora

O rosário de amargura

Que desfia seu Rufino

Essa pobre criatura

Em cada depoimento

Que lhe sopra o pensamento

Nessa atual conjuntura

 

 

7

A velhice quando chega

Não pede autorização

Massacra o pobre do homem

Maltratando o cidadão

Pra disfarçar a verdade

Chamam de melhor idade

Mas isso é só gozação.

8

Chamar de melhor idade

A chegada da velhice

É querer fazer de besta

Ou usar de gaiatice

Já eu chamo humilhação

Fazer um pobre ancião

Ouvir essa cretinice.  

9
O sujeito inconformado
Quer comer sem ferramenta
Mas só mela a dentadura
Entretanto teima e tenta
Cheira, funga e faz zoada
Depois da quinta brochada
Só sai com cheiro na venta.

10

Quando aparece a desgraça

O velho fica na mão,

Desce pinto, arria o saco

Só sobe mesmo a pressão

E capim novo é besteira

Só dá mesmo é caganeira

Complica a situação.

11

Uma coisa vou dizer

Mesmo sem querer falar

Quando o velho pinto abaixa

Nem vodu pra levantar,

O coitado de tão fraco

Repousa em cima do saco

Só se mexe pra mijar.

12

Meu pai só me apresentava

Cheinho de animação

Este aqui é meu rebento

E afirmava é meu varão

Hoje virei foi piada

A vara que tenho armada

É tão somente um bastão

13

Um dia deste a mulher

Passou pertinho de mim

Vi que o pinto deu sinal

Eu pensei até que enfim

Chamei a mulher pra junto

Ela disse: Esse defunto

Não dá mingau ao Soim.

14

A barriga vai crescendo

A paciência se manda

O passo vai encurtando

Devagar a gente anda

A mulher passa a ter voz

E acaba virando algoz

Pois é ela quem comanda.

15

O cabra quando envelhece

Paga os pecados que tem

Quando peida descuidado

A merda aproveita e vem

Não controla o intestino

E vive esse desatino

Pois da velhice é refém.

16

Quando se sente contente

Na hora que vai sorrir

Vem um peido atrás do outro

Na sequência a escapulir

E pra chatear também

Da garganta logo vem

A vontade de tossir.

17

Quando a dentadura afrouxa

É preciso ter cuidado

O pinto então nem se fala

É bica sem cadeado

Sem carrapeta a torneira

Fica só na pingadeira

E o velho acaba mijado.

18

Meu perfumoso tabaco

Eu não posso mais cheirar

O cheirinho de imburana

Faz o velho espirrar

E nisso o peido enxerido

Chega com seu estampido

Só pro velho envergonhar.

19

Sempre faço um alarido

É quando eu resolvo ler

Os óculos nunca acho

E se você quer saber

Juízo de véi não presta

Quando passo a mão na testa

Vejo o bicho aparecer.

20

A comida Deus me livre

Até parece castigo

Tem quer ser com pouco sal

Sendo carne não mastigo

É leite papa e mingau

Pra variar um curau

Vou acabar num jazigo.

21

Quando vejo uma morena

Passando no requebrado

Eu passo a mão no bigode

Com saudade do passado

E penso: Já fui bom nisso

Mas hoje sou submisso

Pois estou debilitado.

22

Tem dias que amanheço

Que nem o cão me aguenta

Teimando por qualquer coisa

Mas a mulher logo inventa

Um jeito de me acalmar

Já chegou até jogar

Um copo de água benta.

23

O juízo fica pouco

Com toda sinceridade

E o povo besta dizendo

Que isso é melhor idade

Estou sempre resmungando

Pois acho que estão mangando

Da nossa senilidade.

24

Fiquei com dor de cabeça

Com tanta reclamação

Contudo não vou tirar

De Seu Rufino a razão

Mas também posso afirmar

Velho só não vai ficar

Quem antes for pro caixão.

*

Cordel de Dalinha Catunda

Xilo de Maércio Siqueira

 dalinhaac@gmail.com