O Blog Cordel de Saia idealizado e criado pela poeta de cordel, Dalinha Catunda, é direcionado à cultura popular, a mulher aparecerá como figura principal. Aqui receberemos democraticamente, homens e mulheres praticantes deste contagiante mundo encantado da Literatura de cordel. O blog tem também como função divulgar eventos relacionados a literatura de cordel além de descobrir e divulgar a mulher cordelista. Contatos: dalinhaac@gmail.com e rosariuspinto@gmail.com
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
Gemendo na rede com Dalinha Catunda
terça-feira, 28 de dezembro de 2021
EU MAIS XICO NO FUXICO
EU
MAIS XICO NO FUXICO
1
uma
dúvida é meu tormento
e
findo por não saber
qual
é o maior sofrer
que
machuca o pensamento
qual
o maior sofrimento
que
o caba pode aguentar
quando
aflora o chorar
e
se acaba o sorrir
se
é ficar querendo ir
ou
ir querendo ficar.
XB
2
Amigo
vou lhe dizer
Preste
bastante atenção
Das
dores do coração
Não
cabe se maldizer
Só
tempo pra resolver
Não
vale a pena chorar
Eu
posso até me lascar
Porém
morro sem pedir
PR'ELE
FICAR E NÃO IR
OU
NÃO IR, QUERER FICAR.
DC
3
quem
souber me diga agora
não
me deixe sem resposta
quando
o caba um dia gosta
gosta
tanto que até chora
e
seu amor vai embora
ele
fica a lamentar
sem
saber pra quem rezar
sem
noção a quem pedir
pr'ela
ficar e não ir
ou
não ir, querer ficar
XB
4
Quando
um amor vai embora
Um
outro amor logo vem
Nos
braços de outro alguém
Nosso
instinto colabora
A
vida logo melhora
Paixão
é para passar
Quem
vai, perde seu lugar
Não
adianta insistir:
PR'ELE
FICAR E NÃO IR
OU
NÃO IR, QUERER FICAR
DC
5
O
problema é que ela indo
A
gente fica sozinho
E
sem amor, sem carinho
O
'hômi' termina caindo
Sem
vergonha, vou pedindo
Pra
ela ficar e não ir
E
eu chorando, sem rir
Sei
que vou me lascar
Se
ela não quiser ficar
Nem
adianta outra vir
XB
6
Eu
só quero quem me quer
Disso
sabe quem me atura
Não
é qualquer criatura
Que
conhece meu mister
Sou
parceira sou mulher
Mas
não sou de me iludir
Se
meu parceiro partir
Pranto
não vou derramar
Se
ele não quiser ficar
Vou
achar quem queira vir
DC
7
Pior
é que na minha idade
Quase
tudo anda mole
Quase
nada ainda bole
Uma
infelicidade
Aqui
na minha cidade
Ninguém
comigo quer nada
Sem
mulher ou namorada
Nem
posso me divertir
Se
essa mulher partir
Minha
sorte está lançada.
XB
8
Amigo,
pra pé doente
Um
chinelo velho tem
Quando
a dona idade vem
Tudo
fica diferente
Um
cabra polivalente
Sempre
brilha até o fim
E
dá mingau ao soim
Porque
sabe arquitetar
E
vê a cobra fumar
Enquanto
a sorte diz sim.
DC
9
Quem
me dera acreditar
Em
tudo que você diz
Quisera
ser aprendiz
E
saber arquitetar
Todo
o bem e o mal que há
Nessa
vida não brilhei
E
até atrapalhei
O
brilho que outros tem
E
como ninguém mais vem
Desisti
e me mandei
XB
10
O
bom da vida é viver
A
vida como ela é
Horas
grudados na fé
Já
outras a se entreter
Versos
tentando fazer
Pra
não perder a mania
Pois
nos braços da poesia
É
Sempre tempo de luz
E
a palavra que reluz
Ilumina
nosso dia.
DC
Obrigada
pela troca de versos poeta querido, Xico Bizerra.
Xilo
de Erivaldo Ferreira
dalinhaac@gmail.com
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
AS MULHERES DO CORDEL COM: MADU COSTA
AS MULHERES DO CORDEL COM: MADU COSTA
Versos do poema de cordel: O Menino e as Estrelas:
.
O menino desta história
Eu vou logo lhes
dizer
É menino curioso
Sempre acha o que fazer
Pra matar curiosidade
Veja o seu proceder.
.
De cima daquela árvore
Passa o tempo a olhar
Para cima e para baixo
Algo ele vai achar
Investiga céu e terra
Não se cansa de caçar.
.
De noite foge da cama
Quer ver o escuro céu
Olhar estrela e Marte
Saturno e seu anel
Enrolado na coberta
Vai compondo seu cordel.
.
Essas sextilhas compõem 1 dos poemas da Trilogia: YAN.
LANCADO EM 18/12/2021
.
MADU COSTA
Maria do Carmo Ferreira da Costa/ Madu Costa, nasceu e
vive em Belo Horizonte.
É
pedagoga-UFMG/1995, arte-educadora-PUCMINAS/2000,
É escritora com 11 publicações literatura infantil e 05
publicações literatura de cordel.
É membra do Coletivo Iabás de narração de histórias das
orixás femininas.
Atua em teatros, escolas, empresas, festas particulares e
afins.
Apresentou-se em Angola com o Coletivo Iabás no Segundo
Intercâmbio Brasil x Angola promovido pelo grupo Raizes de São Paulo em 2019;
Apresentou-se no Tiradentes em Cena em novembro de 2020.
Apresentou- se na Flis- Sabará-2020. Apresentou-se no
Museu Gerdau com o monologo: Simpatias de Mãe 2019.
Ministra cursos de Contação de Histórias, atualmente pela
plataforma hotmart.
Cordéis de sua autoria:
1-Zumbi dos
Palmares em Cordel;
2- Dandara Guerreira em Cordel;
3- Luisa Mahim a Guerreira;
4-Aedes Aegypti em Cordel;
5- Cordel da Disciplina;
6- Um Cordel para Olegário Alfredo;
7- Cultura Iorubá em Cordel;
8- O Menino e as Formigas;
9- O Menino e a Aranha;
10- O Menino e as Estrelas.
*
Pesquisa de Dalinha Catunda para: As Mulheres do Cordel, do Blog, Cordel de Saia.
dalinhaac@gmail.com
ERA O DEVER DE PARTIR E A VONTADE DE FICAR.
ERA
O DEVER DE PARTIR
E
A VONTADE DE FICAR.
Mote
de Joaquim Mendes Joames
1
Nas
asas do pensamento
Eu
viajei pelo mundo,
Cheguei
a Pedro Segundo,
Terra
do meu nascimento;
Relembrei
cada momento
Vivido
no meu lugar;
Mas
um dilema sem par
Forçava-me
decidir:
“Era
o dever de partir
E
a vontade de ficar.”
Joaquim
Mendes Joames.
2
Quando
deixei meu rincão,
Minha
querida Ipueiras,
De
lá saí as carreiras!
E
chorei na ocasião…
Sofri
deixando o sertão,
Isso
não posso negar.
Jurei
que iria voltar!
Não
sou mulher de fugir:
“Era
o dever de partir
E
a vontade de ficar.”
Dalinha
Catunda
3
Eu
saí de Fortaleza
Aonde
eu fiz campana
Quando
cheguei em Santana
Minha
terra com certeza
Contemplei
a natureza
No
Rio fui me banhar
Fiquei
de papo pro ar
Até
a hora de ir
“Era
o dever de partir
E
a vontade de ficar”
Araquem
Vasconcelos
4
Sou
um grão de Fortaleza
Fui
pra Belém do Pará
E
voltei pro Ceará
Desfrutar
tanta beleza
Dessa
santa natureza
Eu
vim feliz a cantar
Pois
aqui é o meu lugar
Mas
eu tive que sair
“Era
o dever de partir
E
a vontade de ficar.”
Glosa
de Vânia Freitas
5
Um
dia eu saí de casa
Para
tentar minha sorte
Triste,
deixei o meu Norte
E
para o Sul bati asa
O
coração feito brasa
Deu
vontade de chorar
Mamãe
a me abençoar
Na
hora de eu sair
“Era
o dever de partir
E
a vontade de ficar.”
João
Rodrigues
6
Quando
eu vim do Maranhão
Para
este Rio de Janeiro
Eu
vim pra ganhar dinheiro
Mas
de tanta solidão
Só
pensava no sertão
Com
vontade de voltar
Isso
não devo negar
Mas
nunca pensei em fugir
“Era
o dever de partir
E
a vontade de ficar.”
Cicero
Do Maranhão
7
Quando
deixei minha terra
Senti
uma dor, de fato
Fui
parar num internato
Peguei
a arma pra guerra
Mas
voltei ao pé de serra
Minha
terra, meu lugar
Tive
que a estrada pegar
Para
o destino cumprir
“Era
o dever de partir
E
a vontade de ficar.”
Rivamoura
Teixeira
8
Era
o dever de partir
E
a vontade de ficar
Eu
não tive outra opção
Pra
cuidar da vida minha
Tive
que entrar pra Marinha
Pra
cumprir minha missão
Fez
doer meu coração
Quando
eu tive que deixar
Camocim
o meu lugar
Pra
Força Armada servir
Era
o dever de partir
E
a vontade de ficar
Joabnascimento
9
Quando
saí do sertão
Em
25 de julho
Eu
não tive algum orgulho
Por
deixar meu belo chão
Pra
mamãe dei a bênção
Ela
se pôs a chorar
Eu
comecei a pensar
Vou
porque tenho que ir
ERA
O DEVER DE PARTIR
E
A VONTADE DE FICAR.
Marcos Silva.
10
Eu
nasci em Fortaleza
Mas
a minha profissão
Me
chamava pro sertão.
Certo
dia a natureza
Percebeu
minha incerteza
Resolveu
me alertar:
Eu
mergulhava no mar
E
a onda a me sacudir
"Era
o dever de partir
E
a vontade de ficar.”
Giovanni Arruda
*
Xilo de Carlos Henrique
Roda
de glosa, com mote de Joaquim Mendes Joames, coordenada por Dalinha Catunda
cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com