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terça-feira, 29 de março de 2022

“83 anos de Publicações Femininas na Literatura de Cordel”


“83 anos de Publicações Femininas na Literatura de Cordel”

A obra coletiva, “83 anos de Publicações Femininas na Literatura de Cordel” é uma obra organizada por Graciele Castro.

Foi com muito prazer que aceitei o convite para participar desse livro que traz importantes registros sobre a literatura de cordel escrita por mulheres.

 No livro discorro sobre a pioneira nesse tipo de Literatura, Maria Batista das Neves Pimentel.

Junto comigo, vem a excelente cordelista, Bastinha Job, que prefaciou meu cordel, e é a grande referência na literatura de cordel.

O livro é um prato cheio para quem para quem aprecia a literatura de cordel e a inclusão da mulher nesse espaço.

Dalinha Catunda cad 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

domingo, 20 de março de 2022

SÓ NÃO ME LASQUEI TODINHA PORQUE JÁ NASCI LASCADA

 

Poetas e poetisas glosando na rede com Dalinha Catunda.

SÓ NÃO ME LASQUEI TODINHA

PORQUE JÁ NASCI LASCADA

Mote: Dalinha Catunda

*

Uma carreira levei

E foi de vaca parida!

Da malfadada corrida,

Eu nem sei como escapei!

A correr eu me danei,

Numa vereda apertada,

Dali não saí cagada,

Pois merda pronta não tinha:

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Mote e glosa de Dalinha Catunda

*

Na noite de quinta feira

Fui caçar com uns amigos

Não sabia dos perigos

Que rondava na ribeira

Quando descemos a ladeira

Pintou o saci na jogada

Deu tremedeira danada,

Que afrouxou, a porta cozinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Jairo Vasconcelos

*

Já nasci com meu destino

Minha sina Deus me deu

Mas tem tanto fariseu

Tão falso e tão cretino

Sem vergonha e sem tino

Se metendo em minha estrada

Não pode mudar mais nada

Nem feitiço me definha:

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Bastinha Job

*

Com o pau você bateu

O bicho também furou

Ele sabe o que levou

Não sei quantas você deu

Quando o cacete comeu

Não contei cada porrada

Ela me disse cansada

E a voz já bem baixinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

 F. de Assis Sousa

*

A Zefa de gameleira

Contou sua trajetória

Uma intrigante história

Da briga lá na ribeira

Com marica cafezeira

Embaixo de uma latada

Fiquei com a roupa rasgada

Assanhada e sem linha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Araquem Vasconcelos

*

Certa vez fui ver um jogo

Com estádio abarrotado

Torcedor de cada lado

Do Flamengo e Botafogo

Eu cheguei puxando fogo

De bandeira empunhada

Mas errei de arquibancada

Quase que virei farinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Giovanni Arruda

*

Entrei zonza numa igreja

Ébria sem o meu sentido

Disse a um homem de vestido

Garçom traga uma cerveja

Ele disse: Trambei, veja!

Sou o padre descarada

Vá embora…e eu vou nada

Quero outra geladinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Ritinha Oliveira

*

Tem cuidado menina

Por onde você caminha

Não ande por aí sozinha

Para não correr perigo

Tu não quer andar comigo

Veja só o resultado

Quase tomava o bonde errado

Entrando noutro transporte

Quem salvou você tá morte

Foi o corte do Machado

Antonio Honório

*

Minha prima Maricota

Viajou pra São Gonçalo

Lá foi montar num cavalo

Que tem nome de marmota

Cavalo correu pra grota

Com minha prima, montada

A prima ficou melada

Me contou a coitadinha:

- Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Marcos Silva

*

Não me interessa saber

quem um dia te lascou

acho que foi por amor

muito mais que por prazer

agora, vou te dizer

não te acho uma coitada

ao contrário, acunhada

nunca fostes coitadinha

tu não se lascou todinha

porque já nasceu lascada.

Xico Bizerra

*

E foi num vão de Metrô.

Justo às seis da manhã.

Era coisa de Satã,

E a multidão me ferrou

Pois o ar até me faltou.

Minha roupa foi rasgada

Fiquei toda imprensada.

Apelei para a mamãezinha.

Só não me lasquei todinha,

Porque já nasci lascada.

 Rosário Pinto

*

Na infância, uma amiga

Briguenta, muito invejosa

Mandou uma carta raivosa

Causando uma certa intriga

Entrei fundo nessa briga

E ela tinha uma aliada

Preparou-me uma cilada

E eu caí feito a patinha

Pó não me lasquei todinha,

Porque já nasci lascada.

Creusa Meira

*

A muito tempo eu ouvia

A minha vó quem contava

Quase o mundo se acabava

E sem entender eu sorria

Quem comer carne de gia

Vai morrer asfixiada

Correu a minha cunhada

E gritou para vizinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Jerismar Batista

*

Mote de Dalinha Catunda

Xilo de Erivaldo Ferreira

Roda de glosas organizada por Dalinha Catunda.

Obrigada poetas e poetisas que participaram dessa roda glosas que serão divulgadas em outros espaços também.

Dalinha Catunda Cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

 

 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Vida na roça - video


 Olá, amigos, hoje achei por bem dividir com vocês um pouco da minha rotina aqui no sítio. Aqui o trabalho é muito, mas só em desfrutar da natureza com seu ar puro e sua beleza infinita, compensa.

Dalinha Catunda

MEU ABRAÇO


 MEU ABRAÇO

Meu abraço é generoso
Tem gosto de liberdade
Vasto de felicidade
Sentimento primoroso
Na troca um gesto gostoso
Tira a roupa da emoção
Deixa nú o coração
Sem nenhuma fantasia
Meu abraço é poesia
Vestido de
gratidão
.
Versos e foto de Lindicássia Nascimento.
postagem de Dalinha Catunda cad.25 da ABLC

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

O AVIÃO QUE FAZIA CHOVER


 

O AVIÃO QUE FAZIA CHOVER

*

Já faz tempo inda recordo

Pois nunca pude esquecer

Dessa história que contavam

Do avião que faz chover

Da notícia eu duvidava

Entretanto me encantava

Ir o bicho conhecer.

*

Eu ficava matutando

Isso é verdade ou não é

Pois nesse tipo de história

Não costumo botar fé

Pra findar minha aflição

Tomei minha decisão

Fiz igual a São Tomé.

*

Amante da natureza

A certeza eu tinha então

Que o bombardeio de nuvens

Era feito por trovão

Isso depois do corisco

Deixa no céu o seu risco

Provocando a explosão.

*

E mesmo pensando assim

Eu naquela ocasião

Na companhia de amigos

Fui visitar o avião

Fiquei muito admirada

De lá saí encantada

Depois da elucidação.

*

Puxando pela memória

Recordo essa novidade

Eu jovem passando férias

Crateús era a cidade

Trago na recordação

A história do avião

Que aconteceu de verdade.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda.

dalinhaac@gmail.com

domingo, 30 de janeiro de 2022

GLOSANDO SOU SALIENTE METO O SARRAFO NO MOTE


 Dalinha e um mói de poetas glosando na rede

GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO NO MOTE
Mote Dalinha Catunda
1
Quando me ponho a glosar
Gloso com inspiração.
Com bom parceiro em ação,
Eu começo a incitar,
E vejo a glosa jorrar,
Com pares no mesmo bote.
Porém, sei dar meu pinote,
De maneira irreverente:
GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO NO MOTE.
Dalinha Catunda
2
Busco o tema lá na lua
Ou colho no meu sertão
Que me dá inspiração
Com verdade nua e crua
Mas se alguém se insinua
Eu já digo que se bote
Vai pular feito caçote
Porque minha glosa é quente
GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO NO MOTE
Rivamoura Teixeira.
3
Gloso com muito querer
Quando o mote me desperta
Parece que a rima flerta
Faz meu ego florescer
A explosão do prazer
Arrepia o meu cangote
Fico feliz, dou pinote
Satisfeita e sorridente:
GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO NO MOTE.
Lindicássia Nascimento
4
Efervescendo as entranhas,
Mexendo minha libido;
Jamais fico desprovido,
Te laço nas minhas manhas;
Pois tu sempre me assanhas,
Com charmes de fazer lote ;
Eu também tenho esse dote ;
Tô me sentindo caliente,
"GLOSANDO SOU SALIENTE ;
METO SARRAFO NO MOTE."
Wellington Santiago .
5
Nosso cordel é de fato
cultura e entretenimento,
pois, junta amor com talento
e tudo - num tempo exato -
vê-se harmonia e recato,
bom humor e raro dote,
d’um jeito qu’o leitor note
seu contexto inteligente…
“GLOSANDO SOU SALIENTE,
METO O SARRAFO NO MOTE.”
David Ferreira
6
Desde pequeno que eu gloso
Minha vida foi glosar
Quando saio a poetar
Eu encaro qualquer troço
Faço a rima que eu posso
Quando me pedem que bote
Me arrepia o cangote
Fico rindo, alegremente
QUANDO GLOSO SOU SALIENTE
METO O PAU EM QUALQUER MOTE
Xico Bizerra
7
Quase não meto mais nada
A não ser, meu pé no verso
Com a Musa eu converso
E sempre bem inspirada
Por Erato iluminada,
Cavalgo em ritmo de trote
Agradeço pelo dote
Que me faz mais sapiente:
GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO NO MOTE.
Bastinha Job
8
Vânia Freitas
A glosa quando ela boa
Com o mote melhor ainda
Eu vejo a coisa mais linda
Na inspiração da pessoa
Eu não sei se gloso atoa
Eu nasci com tanto dote
Eu não sei se sai do pote
O que sai da minha mente
GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO NO MOTE.
Glosa de Vânia Freitas
9
Sou profundo, sou letrado
Quando começo a cantar
Quem quiser me provocar
Vai me deixar afiado,
Imito e já fui imitado
Meus versos sai de magote
Limpo como água de pote
Que mata sede da gente
GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO MOTE.
Jairo Vasconcelos.
10
não Frequentei A Escola
mais Deus Me Deu Este Don
muitos Diz Que Eu Sou Bom
vou Em Cima Dá Bitola
canto Com Minha Viola
já Enfrentei Um Magote
desde O Tempo De Pixote
que Faço Glosa E Repente
GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO NO MOTE
Alberto Francisco
11
Passo o meu tempo na estrada
Buscando a inspiração
Nem sempre a imaginação
Ajuda nessa empreitada
Só me sinto encorajada
Ao encontrar um mascote
Antes que ele me boicote
Eu me jogo em sua frente
GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO NO MOTE.
Creusa Meira.
12
Basta só me provocar
Se chamar eu vou na hora
Até pode ser agora
Minha sede é de glosar
E depois que lhe pegar
Não adianta pinote
Meu verso vira um serrote
Rimo atrás ou na frente
"GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO NO MOTE."
Francisco de Assis Sousa
13
Eu gloso já tá com era
Começo bem devagar
Antes de eu me assanhar
Observo o que me espera
Quando começo de vera
É bote em cima de bote
Ninguém segura meu trote
O meu verso é boca quente
GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO NO MOTE
Giovanni Arruda
14
P’ra glosar chego munida.
Aceito de imediato.
Eu nunca deixo barato.
E no verso sou atrevida,
Procuro a rima devida.
Não quero levar “caixote”,
Mulher! Não aceito chicote.
Agora! Você me aguente!
GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO
Rosário Pinto
15
Meto meu xêro caliente
Na moça do Quincuncá
Isso faço de repente
Quando começo a glosar.
Gloso aqui e gloso lá
Gloso no Sul e no norte
E gloso em cima dum bote
Na foz do rio nascente
GLOSANDO SOU SALIENTE
METO O SARRAFO NO MOTE.
José Nilton de Figueiredo
16
Não sou igual a vocês
Estou começando agora
Demorei quase uma hora
Catando meu português
Se eu tentar outra vez
Erro mais não dou calote
Se Deus me der esse dote
Ficarei muito contente
Glosando sou saliente
Meto o sarrafo no mote.
Jerismar Batista.
Fechando a roda de glosas e agradecendo a cada poeta que passou por aqui e deixou sua interação
*
dalinhaac@gmail.com