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segunda-feira, 9 de maio de 2022

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA O PRESENTE É SER PRESENTE.


 

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

*

Quem sua mãe esqueceu

Depois de sair de casa

Quem voou, quem criou asa,

Não se achou, mas se perdeu.

A mãe que vida lhe deu,

Hoje está bem diferente,

Perdeu forças, falha a mente,

Mas lutou a vida inteira!

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Mote e glosa de Dalinha Catunda

*

Já não tenho mais a minha

Deus a chamou para o céu

Digna de qualquer troféu

Ser chamada de rainha

Ensinou - me andar na linha

Hoje meu coração sente

Uma saudade frequente

E de forma costumeira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

MOTE : Dalinha Catunda

Glosa: Dulce Esteves

*

Tive duas Mães na vida

Minha mãe e minha avó

Eram quase uma só

No amor e na guarida

Mas Deus fê-las acolhidas

E eu não posso novamente

Abraça-las, levemente

Como fiz a vida inteira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE

MOTE: Dalinha Catunda

Glosa: Giovanni Arruda

*

Devemos ter gratidão

Por tudo que ela faz

Por transmitir tanta paz

Desde a concepção

Lhe tratar com afeição

Nunca ser um filho ausente

Cuidar diuturnamente

A nossa mãe verdadeira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE

MOTE Dalinha Catunda

Glosa Araquem Vasconcelos

*

A minha mãe hoje está

Na lembrança doce e bela

Vejo-a à noite numa estrela

Quando eu olho para lá

No meu coração será

Adorada eternamente

E hoje na vida ausente

É viva de outra maneira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE

Mote- Dalinha Catunda

Glosa - Creusa Meira

*

O mote dá o recado

Para aquele consumista

Esbanja, perde de vista

Esquece o dia sagrado,

Mãe, este ser tão amado,

Com pouco fica contente

Na simples flor ela sente

Perfume da vida inteira:

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

MOTE de Dalinha Catunda

Glosa de Bastinha Job

*

Acho grande hipocrisia

É um filho desumano

Esquecer a mãe um ano

Para lembrá-la um só dia;

Nunca lhe faz companhia,

Não vê, não sabe nem sente,

Que mãe é constantemente

Nossa amiga verdadeira;

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA,

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Mote de Dalinha.

Glosa de Joames.

*

Dia comemorativo

É simplesmente, evento

Cada um tem o momento

A razão e um motivo

Mas você pra ser ativo

Tem que estar constantemente

Com carinho forte e quente

Sendo amor a vida inteira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Rivamoura Teixeira

*

Mamãe mudou para o céu

Ainda não faz um ano

Levá-la daqui foi plano

De Deus que rasgou o véu

Pra entregar a ela o troféu

De quem verdadeiramente

Foi mãe pacientemente

Com coragem e sem canseira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Glosa de Vânia Freitas

Mote de Dalinha Catunda

*

Aos noventa e três de idade

Minha mãezinha partiu

Deus à chamou ela subiu

Indo para a eternidade

Ficou comigo a saudade

Gravada na minha mente

O meu peito ainda sente

Falta da mulher guerreira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Glosa jerismar Batista

Mote: Dalinha Catunda

*

Eu aqui no Sítio Rosto

Na tremenda buraqueira

Vivo na fome trigueira

No comezinho desgosto

Esse prefeito aí posto

Não olha cá para gente

Só faz tudo diferente

Clamo pra doutor Gesteira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE...

José Nilton Figueiredo

*

Hoje o dia nos convida,

(ricos, pobres e plebeus…),

a sermos gratos a Deus,

por tanta paz e guarida,

hoje, decerto, auferida

por quem de fato ama a gente

todo sempre, eternamente,

solidária e verdadeira…

“LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.”

David Ferreira

*

Minha mãe é Esmeralda

Jóia rara e preciosa;

Sua vida é grandiosa,

Em Deus ela se respalda,

Casou de véu e grinalda.

Hoje saudade ela sente

Se o filho estiver ausente;

Gosta da prole em fileira.

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Mote: Dalinha Catunda

Glosa: Chica Emídio-Crato-CE.

Roda de glosas coordenada por Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 4 de abril de 2022

CERTIFICADO DE MULHER CORAGEM


CERTIFICADO DE MULHER CORAGEM

Eu, Dalinha Catunda, Cidadã Barbalhense, benemérita da Sociedade dos Poetas de Barbalha, laços conquistados através da poesia, nessas poucas palavras, quero agradecer o Certificado de “MULHER CORAGEM” com o qual fui agraciada e dizer aqui, da minha felicidade em fazer parte desse grupo de mulheres que têm História para contar.

Meus agradecimentos a todos que participaram do projeto: Café Mulher e Poesia.

Em especial a Lindicássia Nascimento, Gerente de Artesanato e Economia Solidária do Município de Barbalha.

Dalinha Catunda cad.25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

sábado, 2 de abril de 2022

Lucélia Borges: MULHERES XILÓGRAFAS


 

LUCÉLIA BORGES

 Xilogravadora, pesquisadora e contadora de histórias,

Lucélia Borges nasceu em Bom Jesus da Lapa, sertão baiano, e viveu muitos

anos em Serra do Ramalho, região do Médio São Francisco, em companhia da

bisavó Maria Magalhães Borges (1926-2004), uma grande mestra da cultura

popular. Produtora cultural, xilogravadora e contadora de histórias, dedica-se

à pesquisa das manifestações tradicionais do interior baiano, com destaque

para a cavalhada teatral de Serra do Ramalho e de Bom Jesus da Lapa, tema de

sua pesquisa para o mestrado na Universidade de São Paulo-USP. Em 2018, a

convite do Sharjah Institute for Heritage, esteve nos Emirados Árabes

Unidos, ministrando oficinas de xilogravura para crianças. Ilustrou vários

folhetos de cordel e os livros A Jornada Heroica de Maria, de Marco Haurélio

(Melhoramentos) e Ithale: fábulas de Moçambique, de Artinésio Widnesse

(Editora de Cultura), e Moby Dick em cordel, de Stélio Torquato (Nova

Alexandria).

Lucélia Borges

E-mail: luceliapardim@gmail.com

Fone: (11) 98597-4133

Xilo de Lucélia Borges

Pesquisa de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
 

MULHER SABERES E OFÍCIO


 

MULHER SABERES E OFÍCIO

*

A mulher no seu trajeto

Marcou bem sua conduta

Abraçando profissões

Nunca fugiu da labuta

Porém muito consciente

Ela sempre é presente

Na base de cada luta.

*

Onde o progresso era lerdo

Laborava sua mão

Exercendo cada ofício

Usando a intuição

Mesmo sem ter faculdade

Serviu a sociedade

Sendo informal em ação.

*

Todo seu conhecimento

É dote matriarcal

Aprendeu fazer canteiro

Com erva medicinal

E lá nos tempos de então

Servia a população

Com plantas do seu quintal

*

Onde não havia médico

Raizeira sempre tinha

Mostrando conhecimento

E os saberes que detinha

Pra quem não tinha dinheiro

O remédio era caseiro

E não faltava mezinha.

*

Folhas para chás e emplastro

Era comum ter na feira

Como hortelã e mastruz

Arruda, malva e cidreira

Também raízes sortidas

Que eram sempre vendidas

Através da raizeira.

*

Nos lugares mais remotos

Nas mais distantes ribeiras

Pessoas eram curadas

Pelas mãos das benzedeiras

Que faziam a benzedura

Seguindo a velha cultura

Das mulheres curandeiras

*

Na fala da rezadeira

Ramo molhado na mão

As palavras milagrosas

Em formato de oração

Chegavam para curar

Quem viesse procurar

Pro seu mal a solução.

*

Mulheres predestinadas

Recebem a incumbência

A de aparar as crianças

Pra isso tinham ciência

São essas aparadeiras

As importantes parteiras

Mulheres de experiência.

*

Eram mulheres humildes

Morando sempre distante

Por serem solicitadas

A qualquer hora e instante

Sendo de noite ou de dia

A pé ou de montaria

Elas seguiam adiante.

*

O artesanato faz parte

Da ocupação feminina

Tricô, crochê e bordados,

Do filé a renda fina

Do barro a palha e cipó

A mulher trança e dá nó

No decorrer da rotina.

*

A destreza da mulher

No trabalho artesanal

É legado do passado

Vindo do berço ancestral

É motivo de alegria

É sessão de terapia

O bendito o ritual.

*

Esse saber cultural

Tem arte tem tradição

É relíquia que artesã

Concretiza em sua mão

O fruto dessa magia

Traz o pão de cada dia

É base é sustentação.

*

O ofício de fazer renda

É mais que uma ocupação.

No movimento dos bilros

A mágica em cada mão

Vejo a rendeira tecendo

E a trama desenvolvendo

No compasso da emoção.

*

A arte de ser rendeira

Um trabalho secular

Que passa de mãe pra filha

E sempre a salvaguardar

Os fios da tradição

Dessa nobre profissão

Que a mulher soube abraçar.

*

A Lavadeira de roupa

Dos tempos de antigamente

Lavava a roupa no rio

Sem reclamar do batente

Cantava com as amigas

No rito velhas cantigas

Alegrando o ambiente

*

Levava sabão em barra

Para a roupa ensaboar

Aproveitava o sol quente

E botava pra quarar

Na pedra a roupa batia

Muitas vezes repetia

Para depois enxaguar.

*

Na arte de passar roupa

A mulher se destacava

Pois era com ferro a brasa

Que a roupa sempre passava

Engomar terno de linho

Para ficar bem durinho

Só quem muito praticava.

*

Nos mais distantes rincões

A mulher se superava

Com a lata na cabeça

Muita água carregava

Com um menino escanchado

Um outro sendo arrastado

A lata ela equilibrava.

*

Com balaio na cabeça.

De porta em porta ou na feira

É sempre essa a rotina

Da cabocla verdureira.

Que monta barraca e anda

E sua vida comanda

Na labuta costumeira.

*

Tem sempre a mão da mulher

Nos lastros da agricultura

Sobrevive com coragem

Encarando essa cultura

Na pesada profissão

Fazendo calo na mão

Na enxada e se aventura.

*

A mulher que planta e colhe

É raiz é fruto é flor

É semente que se espalha

Segue a lida com amor

Da terra tira o alimento

E faz esse movimento

Com fé em Nosso Senhor.

*

Louvo a mulher cordelista

Que tem seu lugar de fala

Que promove outras mulheres

Com seus versos não se cala

Retira do pensamento

Todo seu conhecimento

E ao mundo inteiro propala.

*

Louvo avó, a mãe e a filha

Louvo o elo de união

Que traz no matriarcado

A força da tradição

Louvo a mulher aguerrida

Que na bandeira da vida

Pôs o mastro em sua mão.

*

Cordel de Dalinha Catunda

Capa de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

*

terça-feira, 29 de março de 2022

“83 anos de Publicações Femininas na Literatura de Cordel”


“83 anos de Publicações Femininas na Literatura de Cordel”

A obra coletiva, “83 anos de Publicações Femininas na Literatura de Cordel” é uma obra organizada por Graciele Castro.

Foi com muito prazer que aceitei o convite para participar desse livro que traz importantes registros sobre a literatura de cordel escrita por mulheres.

 No livro discorro sobre a pioneira nesse tipo de Literatura, Maria Batista das Neves Pimentel.

Junto comigo, vem a excelente cordelista, Bastinha Job, que prefaciou meu cordel, e é a grande referência na literatura de cordel.

O livro é um prato cheio para quem para quem aprecia a literatura de cordel e a inclusão da mulher nesse espaço.

Dalinha Catunda cad 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

domingo, 20 de março de 2022

SÓ NÃO ME LASQUEI TODINHA PORQUE JÁ NASCI LASCADA

 

Poetas e poetisas glosando na rede com Dalinha Catunda.

SÓ NÃO ME LASQUEI TODINHA

PORQUE JÁ NASCI LASCADA

Mote: Dalinha Catunda

*

Uma carreira levei

E foi de vaca parida!

Da malfadada corrida,

Eu nem sei como escapei!

A correr eu me danei,

Numa vereda apertada,

Dali não saí cagada,

Pois merda pronta não tinha:

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Mote e glosa de Dalinha Catunda

*

Na noite de quinta feira

Fui caçar com uns amigos

Não sabia dos perigos

Que rondava na ribeira

Quando descemos a ladeira

Pintou o saci na jogada

Deu tremedeira danada,

Que afrouxou, a porta cozinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Jairo Vasconcelos

*

Já nasci com meu destino

Minha sina Deus me deu

Mas tem tanto fariseu

Tão falso e tão cretino

Sem vergonha e sem tino

Se metendo em minha estrada

Não pode mudar mais nada

Nem feitiço me definha:

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Bastinha Job

*

Com o pau você bateu

O bicho também furou

Ele sabe o que levou

Não sei quantas você deu

Quando o cacete comeu

Não contei cada porrada

Ela me disse cansada

E a voz já bem baixinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

 F. de Assis Sousa

*

A Zefa de gameleira

Contou sua trajetória

Uma intrigante história

Da briga lá na ribeira

Com marica cafezeira

Embaixo de uma latada

Fiquei com a roupa rasgada

Assanhada e sem linha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Araquem Vasconcelos

*

Certa vez fui ver um jogo

Com estádio abarrotado

Torcedor de cada lado

Do Flamengo e Botafogo

Eu cheguei puxando fogo

De bandeira empunhada

Mas errei de arquibancada

Quase que virei farinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Giovanni Arruda

*

Entrei zonza numa igreja

Ébria sem o meu sentido

Disse a um homem de vestido

Garçom traga uma cerveja

Ele disse: Trambei, veja!

Sou o padre descarada

Vá embora…e eu vou nada

Quero outra geladinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Ritinha Oliveira

*

Tem cuidado menina

Por onde você caminha

Não ande por aí sozinha

Para não correr perigo

Tu não quer andar comigo

Veja só o resultado

Quase tomava o bonde errado

Entrando noutro transporte

Quem salvou você tá morte

Foi o corte do Machado

Antonio Honório

*

Minha prima Maricota

Viajou pra São Gonçalo

Lá foi montar num cavalo

Que tem nome de marmota

Cavalo correu pra grota

Com minha prima, montada

A prima ficou melada

Me contou a coitadinha:

- Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Marcos Silva

*

Não me interessa saber

quem um dia te lascou

acho que foi por amor

muito mais que por prazer

agora, vou te dizer

não te acho uma coitada

ao contrário, acunhada

nunca fostes coitadinha

tu não se lascou todinha

porque já nasceu lascada.

Xico Bizerra

*

E foi num vão de Metrô.

Justo às seis da manhã.

Era coisa de Satã,

E a multidão me ferrou

Pois o ar até me faltou.

Minha roupa foi rasgada

Fiquei toda imprensada.

Apelei para a mamãezinha.

Só não me lasquei todinha,

Porque já nasci lascada.

 Rosário Pinto

*

Na infância, uma amiga

Briguenta, muito invejosa

Mandou uma carta raivosa

Causando uma certa intriga

Entrei fundo nessa briga

E ela tinha uma aliada

Preparou-me uma cilada

E eu caí feito a patinha

Pó não me lasquei todinha,

Porque já nasci lascada.

Creusa Meira

*

A muito tempo eu ouvia

A minha vó quem contava

Quase o mundo se acabava

E sem entender eu sorria

Quem comer carne de gia

Vai morrer asfixiada

Correu a minha cunhada

E gritou para vizinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Jerismar Batista

*

Mote de Dalinha Catunda

Xilo de Erivaldo Ferreira

Roda de glosas organizada por Dalinha Catunda.

Obrigada poetas e poetisas que participaram dessa roda glosas que serão divulgadas em outros espaços também.

Dalinha Catunda Cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com