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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

AS MULHERES DO CORDEL COM: HÉLVIA CALLOU


AS MULHERES DO CORDEL COM HÉLVIA CALLOU
*
Eu tinha apenas dez anos
E tudo dia eu saia 
Sorrindo na estrada ia
Junto com primos e manos
No sertão pernambucano
Para escola estudar
E para poder chegar
Lá na fazenda Gigante
Percorria num instante
Três quilômetros a caminhar.

*
Andava a pé nas divisas
Pulando cerca e cancela
As vezes ia a Capela
Rezar terço, assistir missa
Não se tinha nem preguiça
De segunda a sexta feira
E tome sol e poeira
Na hora do sofrimento
Eu só queria um jumento
Pra aliviar a canceira.

*
Helvia Callou poetisa, cordelista e professara. Pernambucana de Serrita. Radicada em Campina Grande -PB desde 1979. Teve o cordel como sua cartilha do Abc. Apesar de ser amante do sertão, traz na sua obra de cordel uma forte crítica política social.

Postagem e pesquisa de Dalinha Catunda.

O NATAL QUE ME ATRAIA HOJE ME ROUBA O PRESENTE

O NATAL QUE ME ATRAÍA
HOJE ME ROUBA O PRESENTE.
*
DALINHA CATUNDA
Da minha terra distante
Relembro os velhos natais
Vivido com os meus pais
Antes de ser retirante,
Mas deste tempo em diante
Tudo ficou diferente
Distante de minha gente
A vida ficou mais fria
O NATAL QUE ME ATRAÍA
HOJE ME ROUBA O PRESENTE.
*
BASTINHA JOB
Ouvimos: Feliz Natal,

Toda hora, a todo instante
Nosso próximo, mais distante,
Parece paradoxal
Virou consórcio afinal
E isso é indecente;
Nosso Deus está ausente
Mais ainda no seu Dia:
O NATAL QUE ME ATRAÍA
HOJE ME ROUBA O PRESENTE!

*
VÂNIA FREITAS
A pureza do natal

Ficou na sombra do tempo
Hoje é meu passatempo
Quando saio da real
Era tudo natural
De uma beleza fulgente
Sinto saudade somente
Da leveza e da magia
O NATAL QUE ME ATRAIA
HOJE ME ROUBA O PRESENTE.

*
DAVI FERREIRA

É normal que tudo mude, 
(todo tempo foi assim...)
e o Natal hoje, pra mim,
já não tem a amplitude 
qu'eu vivi na juventude... 
Era um NATAL diferente, 
d'um Deus menino indulgente 
que a boa nova trazia...
"O NATAL que me atraía 
hoje me rouba o presente."
*

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

AS MULHERES DO CORDEL COM: JANETE LAINHA

AS MULHERES DO CORDEL COM: JANETE LAINHA
*
Da vida de nossa Ilhéus
Eu só posso falar bem
Pois foi onde me criei
Minha família também
Passando nesta ponte
No vai e volta vira e vem
*
Com o Cordel e a cultura
Eu duplico esta fonte
É tamanha indecência
A existência deste afronte
Ver toda a nossa paciência
Ser torrada nesta ponte
*
Hoje a população cresceu
Vivemos outra realidade
O controle do trafego
Só nos traz dificuldade
A segurança da população
Virou uma banalidade.
*
Janete Lainha Coelho é baiana de Ilhéus, Cordelista, Artista, Psicopedagoga, Atriz, Empresária, Diretora e Produtora. Nasceu em 23 de Abril de 1960. Escreve desde os Sete anos de idade incentivada pela sua mãe.
Entre os MESTRES E MESTRAS das Culturas Populares, tem mais de 400 títulos de Literatura de Cordel publicados que encantam pela sua poética, cujos textos literários têm ênfase na tradição das culturas populares baianas e define a construção da identidade Feminina nos Cordéis- Sul-baianos versando sobre várias histórias sobre uma ótica universal. TRAQUINAGEM DE CRIANÇA é sua obra literária infantil ilustrada.

Pesquisa e postagem de Dalinha Catunda 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Cordelizando a inclusão

CORDEL DE SAIA e ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL CONVIDAM
para o lançamento do livro Cordelizando a Inclusão, literatura de cordel em braile, que será realizando no dia 21 de dezembro de 2016, na Sessão Plenária da ABLC à rua Teixeira de Freitas, nº 5,3º andar, pontualmente às 16:00h

Autores:
Maria Rosário Pinto, Dalinha Catunda, Gonçalo Ferreira da Silva

Organizadores:
Rosangela Silva (IFRJ);Vanderson Pereira (IFRJ) e Waldmir Araujo Neto (UFRJ)

A publicação é fruto de projeto realizado pelo Instituto Federal de Ciência e Tecnologia/IFRJ, Instituto Benjamin Constant e Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ; e, cada autor contribuiu com dois títulos voltados para a inclusão de alunos com necessidades especiais e que desejam conhecer a literatura de cordel. 
Acreditamos que a publicação será de interesse para professores e alunos da rede pública e privada de ensino.
Contamos com a presença de poetas, professores e dos amigos.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O BRASIL ESTÁ LASCADO COM TANTA CORRUPÇÃO.

DALINHA CATUNDA
O Brasil perdeu o rumo
Virou antro de bandido
O povo está perdido
E é quem mais leva fumo
Professo nesse resumo
Da justiça a inversão
Pra se defender ladrão
Processa-se magistrado
O BRASIL ESTÁ LASCADO
COM TANTA CORRUPÇÃO.
*
MANDACARU VERDE
O Brasil esta perdido
Roubar já virou cultura
Quebrou toda estrutura
O sistema esta falido
O nosso povo sofrido
Pagando caro inflação
Ladrão acusa o ladrão
Quase todos são culpado
O BRASIL ESTÁ LASCADO
COM TANTA CORRUPÇÃO.
*
Mote de Mandacaru Verde
O BRASIL ESTA LASCADO

COM TANTA CORRUPÇÃO.
Xilo de Carlos Henrique

O VOO SEM VOLTA DA CHAPECOENSE

O VOO SEM VOLTA DA CHAPECOENSE
 *
O Brasil acordou triste
É bem grande a comoção
O sonho chegou ao fim
Decolou mas foi ao chão
A Chapecoense amada
Terminou sua jornada
Num desastre de avião.
*
Lamenta o Brasil inteiro
Chora Santa Catarina
Chapecó chora seus entes
Como o fado determina
Que Deus pai possa ajudar
E consiga confortar
Quem vive esta triste sina.
*
Versos de Dalinha Catunda

Ilustração: DUQUE – O TEMPO (MG

domingo, 27 de novembro de 2016

AS MULHERES DO CORDEL: Mariane Bígio

*
Eu adoro o São João
Uma festa tão bonita
Bandeirinhas e balão
Moça com laço de fita
Chapéu de Palha, rapaz
Tudo isso e muito mais
Que você nem acredita!
 *
Mas o que eu mais gosto mesmo
É a danada da comida!
É cada coisa gostosa
Como eu nunca vi na vida!
Um cheiro bom na cozinha
Sempre peço uma provinha
Pois sou muito atrevida!
*
Mariane Bígio | Formada em Comunicação Social, com habilitação em Rádio e TV na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. Locutora, repórter, produtora, montadora e diretora, poeta e declamadora no grupo Vozes Femininas. Membro da UNICORDEL (União dos Cordelistas de Pernambuco). Em 2009, dirigiu e montou o videopoema experimental Corpo Urb que trata sobre os conflitos interiores de uma mulher angustiada frente a sua “urbe” caotizada.

Pesquisa e postagem de Dalinha Catunda