Seguidores

quarta-feira, 22 de maio de 2013



CORDEL DE SAIA é um espaço de gestão entre Dalinha Catunda e Rosário Pinto. Aqui pretendemos publicar as produções de mulheres cordelistas, noticiar eventos e informar as novidades poéticas vindas de todos os poetas em seus estados de origem. Entretanto, hoje sou impelida a publicar um poema de cunho pessoal, feito em 2011, mas que reflete meu momento presente.

Fio da navalha
1
O fio da navalha é
Muitas vezes perigoso
Manejá-lo é ofício
De barbeiro habilidoso
Na vida se deve sempre
Ser bastante cuidadoso
2
Pois vivemos situações
Que nos deixam à deriva
Sempre buscando equilíbrio
Nos frágeis fios da vida
Num andar desajeitado
Buscando alguma acolhida
3
Ficamos de mãos atadas
Buscando forma de escape
Das teias que aparecem
Lutar sem arma ou tacape
Com olhos aparvalhados
Medo que a vida desate
4
A visão da consciência,
Às vezes, fica confusa
Pensamento embaralhado
Pensar é coisa difusa
O raciocínio nos foge
Nossa mente nos acusa
5
Vivemos situações
Que nos deixam à deriva
Sempre buscando equilíbrio
Nos fios de nossa lida
Os da navalha nos cortam
Os frágeis fios da vida
6
Há dias que relutamos
A nos levantar da cama
O corpo cansado grita:
-Quero ficar de pijama!
Mas o dever solicita
Não vale psicodrama
7
Saímos para o trabalho
Naquela lida infinita
Conduções sempre lotadas
Todo mundo se agita
E naquele empurra-empurra
Do mundo cosmopolita
8
Chegando ao nosso trabalho,
Há sempre muito a fazer
São milhares de papéis
E tudo pra resolver
São oito horas diárias
Sem poder nos abster
9
Na hora da Ave-Maria
Nosso dia chega ao fim
Com problemas resolvidos,
Saímos pro botequim
E tomar uma cerveja
Requeijão com aipim
10
Não é sempre que podemos
Falar de alma lavada
As emoções conturbadas
Ficam de forma engessada
E é por isto que vivo
De forma desatinada
11
Andamos na corda bamba
Com a vida por um fio
Todo dia, sempre igual:
Viver sob calafrio,
Dia e noite, noite e dia
A vida é um desafio
(Rosário Pinto)
abril, 2011
Imagem colhida da internet

EU, poema de Florbela Espanca


Caros amigos poetas,
Hoje fujo aos cânones das poetagens de poesia de cordel para deixar aqui um  soneto da bela Florbela Espapa. Vai mais com o meu atual estado d'alma. Espero que possam apreciar. Afinal foi uma das mais batalhadoras pelos direitos da mulher publicar suas poesias, numa época em que a poesia feminina ainda era marginalizada.
Deixo aqui um comentário extraído de estudo crítico de João Régio para a  edição Sonetos, de Florbela Espanca: 
"Fantasia (ou não sei se fantasia) um de seus biógrafos (Carlos Sombrio), que tendo acabado de dar à luz, a mãe de Florbela pergunta:
- menino?
- Não, menina! É uma flor!""
Sim, antes de mais, Florbela nasceu mulher. Também alguma coisa se irá dizendo a tal respeito. Não é impunemente que um ser especial nasce mulher"

EU

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chama triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Se desejar, pode fazer seus comentários.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Cordelistas na homenagem a Augusto dos Anjos

Homenagem a Augusto dos anjos
O pé de tamarindo é um personagem constante dos poemas de Augusto dos anjos. E ainda hoje existe no Engenho do Pau d’Arco (hoje memorial Augusto dos Anjos), onde nasceu o grande poeta. Infelizmente o outro exemplar que o acompanhou junto ao túmulo, em Leopoldina (MG), foi há pouco derrubado.
Para preservar a memória do autor de poemas já clássicos de nossa literatura, como “Eu”, o artista plástico Zé Andrade, ao lado de vários cordelistas, esta promovendo um projeto de estímulo à plantação de tamarindo em espaços públicos, particulares, escolas, universidades e bibliotecas.
Juntemos nossas forças para manter viva a memória de Augusto dos Anjos, que foi também um grande defensor da natureza.
Texto do professor Moacyr Bastos

Poetas Convidados
Gonçalo Ferreira da Silva
Sepalo Campelo
Maria de Lourdes Aragão Catunda (Dalinha Catunda)
Manoel Santamaria
Miguel Bezerra
João Batista Melo
Sá de João Pessoa
José João dos Santos (Mestre Azulão)

Estrofes com as quais eu participei:
AUGUSTA PLANTAÇÃO

Foi do tronco d’um Carvalho,
Que o poeta do “EU” brotou
No Engenho do Pau d’Arco,
A sua vida abrolhou
E o velho tamarindeiro
Esta história registrou.
*
Naquele tamarindeiro,
Estudava sua lição,
Suas tarefas escolares,
Chegando a exaustão,
E ali também chorava
A dor da desilusão.
*
Distante da sua terra
Longe do tamarindeiro,
Foi para outra dimensão
Deixando seu companheiro
Que nem chegou a ouvir
O seu canto derradeiro.
*
No pé de minhas estrofes
Plantei admiração.
“Debaixo do Tamarindo”
Colhi minha produção.
Na voz de cada poeta
Verei multiplicação.
*
Versos de Dalinha Catunda

domingo, 5 de maio de 2013

Comentário Escolhido

O poeta Severino Honorato em Comentário Escolhido
*
Que bela iniciativa
A PUC toma partido
Numa ação conclusiva
Em ato estabelecido
Opção reflexiva
Ao Cordel, novo sentido!

Para completar a trama
Bambas se fazem presentes
Poeta Gonçalo chama
Num improviso somente
Dalinha se apresenta
Ao Zé Maria da gente!

Ressalve-se as proporções
Neste ato de partida
Cada vez mais o Cordel
Tá longe da despedida
São bambas os menestreis
E não há ação combalida!

Severino Honorato - Rio de Janeiro.
Versos de Severino Honorato
Foto do acervo de Dalinha Catunda

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Campanha da PUC - Rio inspirada no cordel

Dalinha Catunda e Gonçalo Ferreira
Tião Simpatia e Dalinha Catuunda

Zé Maria de Fortaleza e Dalinha Catunda
Campanha da PUC-Rio inspirada no cordel

No dia 16 de abril, a DBD – Divisão de Bibliotecas e Documentação da PUC-Rio, iniciou uma campanha de preservação do seu acervo.

A campanha foi inspirada na Literatura de Cordel e foi chamada “Cordel da Preservação nas Bibliotecas da PUC-Rio”.

O Lançamento da campanha contou com a presença do presidente da ABLC, Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva que discorreu sobre a preservação do livro e sobre a história do cordel. Contou também com os cordelistas e repentistas, Zé Maria de Fortaleza e Tião Simpatia que fizeram ótima apresentação fazendo repente sobre o mesmo tema.

A palestra foi rica em informações, saí de lá bem mais informada sobre como manusear corretamente um livro para que este não chegue à degradação.

Texto de Dalinha Catunda fotos de Erinalda Villenave.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

LABUTA INGLÓRIA

Dia 1º de maio - Dia do trabalho - Minha homenagem a dona de casa e dona de muitas jornadas.

LABUTA INGLÓRIA
*
Mal o dia amanhece,
Ela já está de pé
Acorda vai pra cozinha,
Depressa faz o café.
Nunca sem antes rezar,
Alimentando sua fé.
*
Após servir o café,
Pra família reunida,
Filhos vão para escola
Marido segue pra lida,
Ela volta pra cozinha
Já pensando na comida.
*
Faz o café da manhã,
Faz almoço, faz jantar.
Lava louça, varre casa,
Sem pensar em descansar
Pega a roupa pra lavar,
Já pensando em passar.
*
Da dita dona de casa,
É assim o dia-a-dia.
Uma tarefa após outra
Sem aposentadoria.
E sem remuneração,
Só a fé lhe alivia.
*
Hoje, dia do trabalho,
Quero homenagear,
A nobre dona de casa,
Que só vive a labutar,
Sem ter reconhecimento
Sem ser rainha do lar.
*
Foto e texto de Dalinha Catunda

terça-feira, 30 de abril de 2013

MAIO NO MEU SERTÃO

MAIO NO MEU SERTÃO
*
É mais um maio que chega
E eu longe do meu sertão,
Só pensando nas quermesses,
Novenas e procissão,
Das festas em Ipueiras,
Dos parques e brincadeiras,
Das prendas e do leilão.
*
As festas religiosas
Animavam o interior.
Os fiéis acompanhavam
A Virgem Santa no andor.
A banda era tradição,
Animando a multidão
Em seu ato de fervor.
*
Ainda tem a bandinha,
Fazendo a animação.
Ainda escuto os benditos,
Na boca da população.
Fogos faíscam no ar
Ouvindo seu ribombar
Dispara o meu coração.
*
Saudade é feito coceira,
Quando começa a coçar.
Chegando fico inquieta,
E corro pro meu lugar,
Faço as malas vou embora
Festejar Nossa Senhora
Nas quermesses me esbaldar.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda