Seguidores

terça-feira, 7 de agosto de 2018

MULHERES IGNORADAS NO CORDEL


MULHERES IGNORADAS NO CORDEL
*
A mulher tem comprovado
Sua grande competência.
No cordel, literatura,
Mostra sua sapiência,
Mas continua invisível,
Isso é inadmissível,
Resta-nos resiliência?
*
Obedecendo a preceitos,
Somos muitas escrevendo,
Porém nos grandes eventos
Espaço estão nos devendo.
As nossas fotografias,
Estão em monografias,
Pesquiso e estou sabendo.
*
A mulher que é poetisa,
E se dedica ao cordel,
Embora seja atrevida,
Ainda prova do fel!
Do preconceito real,
Que segue com seu aval,
Numa cegueira cruel.
*
A mulher tem que firmar,
Com mulheres parceria,
E não disputar o pódio,
Sem buscar a harmonia!
Ser da outra adversária,
É coisa desnecessária,
Quebra nossa hegemonia.
*
Em meu conceito nos falta:
Do homem a compreensão,
Da mulher cumplicidade,
Esse é minha opinião.
Pois somos bem preparadas,
Mas somos ignoradas.
Não venham dizer que não.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda.

OS ENSINAMENTOS DO POETA JOAMES

OS ENSINAMENTOS DO POETA JOAMES
Por sugestão da amiga poetisa Dalinha Catunda, exemplificaremos a seguir algumas regras de versificação. Não o fazemos por nos julgar sábio nem superior a outrem, mas para facilitar o trabalho daqueles que não tiveram acesso a tais ensinamentos. Postaremos duas estrofes, uma em decassílabos e outra em hendecassílabos, metrificadas e acentuadas de acordo com as regras da versificação. É conveniente salientar aos poetas principiantes, que a contagem das sílabas poéticas difere da contagem das sílabas gramaticais. Em versos, quando uma palavra termina com vogal átona e a palavra seguinte começa com vogal (átona ou tônica), a última sílaba da primeira palavra se une à primeira sílaba da segunda, formando uma única sílaba, lembrando ainda que só se conta até a última sílaba tônica de cada verso. 
Os versos decassílabos podem ser acentuados de várias maneiras, mas as mais praticadas são os acentuados (tônicas) na sexta e décima sílabas chamados “decassílabos heróicos”, muito usados pelos poetas eruditos, e os acentuados (tônicos) na terceira, na sexta e na décima sílabas chamados “decassílabos "martelinos”, esses, praticados pelos repentistas e escritores de cordel. Nos hendecassílabos, as sílabas tônicas são obrigatoriamente a segunda, a quinta, a oitava e a décima primeira. A seguir os exemplos.
Primeiro exemplo: Martelo agalopado.
Jesus Cristo, o profeta verdadeiro,
O Messias que Deus mandou à Terra,
Sua palavra foi sempre contra a guerra,
Homem santo, divino mensageiro;
Muito pobre de bens e de dinheiro,
Muito rico de amor e de perdão,
Para muitos deu a ressurreição
E quem era leproso foi curado;
Só Jesus que viveu sem ter pecado
Tem poder de nos dar a salvação.
Observem que as sílabas terceira, sexta e décimas de todos os versos são tônicas.
Segundo exemplo: Galope à beira-mar.
Meu verso tem brilho de estrela candente,
Perfume de rosa, de lírio e verbena,
Orvalho da noite tranquila e serena,
Murmúrio das águas de mansa corrente;
Tem som de viola gemendo plangente
No peito de um bardo cantando ao luar,
Sussurro da brisa que vem devagar
Trazendo os odores da noite sombria,
Assim fica bela qualquer cantoria
Nos dez de galope da beira do mar.
Vejam que a segunda, quinta, oitava e décima primeira sílabas de todos os versos são tônicas.
Espero haver contribuído para com os poetas iniciantes.
Joaquim Mendes Joames

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

NESTE BRASIL DE MÃE PRETA E...



NESTE BRASIL DE "CABOCO",
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.
*
DALINHA CATUNDA
O que vejo atualmente
Nessa minha terra amada
É que ela foi assaltada
No passado e no presente
Não posso viver contente
Em meio a tanto ladrão
Que saqueando a nação
Deixa todos no sufoco:
“NESTE BRASIL DE "CABOCO",
DE MÃE PRETA E PAI JOÃO.”
*
JOAQUIM MENDES - JOAMES
Se alguém desafiar
Um caboclo nordestino
Vai ser triste seu destino,
No inferno vai morar,
Porque na lei do lugar
A justiça é o facão,
Cemitério é a prisão
E o juiz um cabra louco;
Neste Brasil de "caboco",
De Mãe Preta e Pai João.

*
Xilo de Cícero Lourenço

sábado, 4 de agosto de 2018

Dalinha Catunda X Jerson Brito


















JERSON BRITO.
Desventuras vêm e vão...
Com queixas não se detenha!
O tempo é fogo, glutão;
a vida, parceiro, é lenha.

*
DALINHA CATUNDA
Temor da vida não tenha
Faça da mesma parceira
Com estaca boa venha
Que dou jeito na fogueira.
*

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

NOSSO REI DO BAIÃO


NOSSO REI DO BAIÃO
*
O Gonzaga é diamante
É nosso maior tesouro
É muito mais do que ouro
O nosso astro brilhante
Seu nome segue adiante
E disso ninguém duvida
Seu canto e sanfona em vida
Fez nosso povo vibrar
E o rei caboclo aclamar
Antes e após a partida.
*
Desde os tempos de menina
Eu gostava de escutar
Luiz Gonzaga cantar
A música nordestina
Lembro-me de Carolina,
Na voz do rei do baião,
E do pássaro carão
Que não me sai da memória
O nosso rei fez história
Encantando esta nação.
                                           
*
Foto e versos de Dalinha Catunda

quinta-feira, 26 de julho de 2018

EU NÃO GOSTO DE ATACAR / PORÉM SEI ME DEFENDER!




EU NÃO GOSTO DE ATACAR
PORÉM SEI ME DEFENDER
*
DALINHA CATUNDA
Nunca pise no meu calo
Que não vou pisar no seu,
Isso é defeito meu,
Para qualquer um eu falo:
Afronto sem intervalo,
Quem fizer por merecer.
Aquele que me ofender,
Vai ter que me aguentar:
EU NÃO GOSTO DE ATACAR
PORÉM SEI ME DEFENDER.

LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Não sou de ficar calada
Não aceito desaforo
Não sou de cair no choro
Nem mesmo apaixonada
Sofro sorrindo, por nada
E ninguém vai perceber
Deixo a fúria aparecer
Caso venham me humilhar
EU NÃO GOSTO DE ATACAR
PORÉM SEI ME DEFENDER.
*
BASTINHA JOB
Nunca fui de fazer briga
Fico olhando de soslaio 
Não meto a mão no balaio 
Evito qualquer intriga 
Valente não me fustiga
E se quiser me bater
Aí vou aparecer 
E minha força mostrar:
EU NÃO GOSTO DE ATACAR
PORÉM SEI ME DEFENDER!
*

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Encontro de tradutores e intérpretes de conferências




A convite de Raquel Schaitza e de Richard Laver, e reprentando o CORDEL DE SAIA, Rosário Pinto e Dalinha Catunda, participaram do encerramento do Encontro do HiiT (Higt Intensivy Interpreting Training), promovido pela AIIC (Associação Internacional de Intérpretes de Conferências, sediada em Genebra e realizado na PUC/RJ. Curso intensivo de prática de interpretação simultânea para intérpretes estrangeiros que desejam melhorar o compreensão da língua portuguesa. O curso inclui componentes linguísticos e culturais.
Dessa forma, levamos para a apresentação, breve histórico da literatura de cordel, enfatizando o caráter da oralidade e a transmissão através das gerações, o modo de fazer, os temas mais recorrentes e, principalmente a participação da mulher na história do fazer dessa literatura tão poética e que por muito tempo esteve restrita às composições masculinas.
Apresentamos a participação da mulher em 3 (três) tempos:
1º - o tempo da Oralidade – o repasse das tradições culturais através de advinhas, contos, cantos, cantiga de ninar, de roda, as lendas, os “causos”, as meisinhas; e, as superstições;
2º - o tempo dos grandes romances da literatura de cordel – a mulher como temas dos poetas populares – ora musa, ora deusa, ora bruxa. Nestes tempos, a figura da mulher sempre esteve presente e apresentada sob os rígidos pontos de vista da sociedade patriarcal.
3º - o tempo da mulher atuante, a poeta popular. Ela compõe e publica seus folhetos e tem presença marcante na difusão e nas interfaces da mídia virtual da literatura de cordel.

Texto: Rosário Pinto
Foto: acervo Cordel de Saia