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sábado, 10 de novembro de 2018

CORDEL NA SALA DE AULA - NOÇÕES BÁSICAS

ESTUDO DAS FORMAS DA LITETATURA DE CORDEL
A estruturação dos versos, estrofes, a métrica e a rima

Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com
Rosário Pinto
O poema NO PASSO DOS VERSOS segue os passos que a literatura de cordel percorreu para finalmente chegar ao século XXI forte e pronta para ingressar em escolas do ensino fundamental e médio como tema de estudo interdisciplinar.
Propõe auxílio no estudo da gramática de forma lúdica e com a cadência que a metrificação e a rima proporcionam. Neste poema vemos um crescente em seu andamento, numa narrativa que parte da QUADRA, passa pela SEXTILHA e SETINHA; alcança o QUADRÃO e chega à DÉCIMA com a leveza que o gênero oferece. São estas as modalidades mais básicas da literatura de cordel.
Verso, pé ou linha;
Estrofe – conjunto de versos que formam uma estrofe
Métrica – o tamanho de cada verso. Contamos as sílabas fonológicas tônicas
Rima – identidade dos sons do vocabulário
Modalidades – as mais trabalhadas

NO PASSO DOS VERSOS
*
Nos meus tempos de criança
Muitas quadrinhas eu lia
Nunca tirei da lembrança
As trovas que eu ouvia.

Quadras – estrofe de quatro versos     de sete sílabas, rimando o com o       (ABCB); ou alternadas (ABAB) podendo ter o sentido complementado em outras quadras
*
O tempo foi se passando
Logo saí da cartilha
Peguei o rumo dos versos
E fui seguindo essa trilha
Em pouco tempo saí
Das trovas para sextilha.

Sextilhas – estrofe de 6 versos, pés ou linhas (sextilhas) e, 7 sílabas métricas rimando o com o e com o – esclarecer para o aluno a diferença entre sílaba gramática e métrica.
*
Fui gostando achando bom
Também fui “pegando pilha”
Acabei até fazendo
Meus versos para quadrilha
Metrificando e rimando
Bons conselhos escutando
Eu alcancei a setilha.

Setilhas – estrofe de 6 versos, pés ou linhas (sextilhas) e, 7 sílabas métricas rimando o com o e  7º, o 5º e o 6º entre si – esclarecer para o aluno a diferença entre sílaba gramática e métrica.
*
As mangas arregacei,
Nas oitavas eu cheguei,
Se no caminho pequei
Não foi falta de oração
Eu posso dizer até
Em meus versos boto fé
Caprichei em cada pé
Eis aqui o meu quadrão.

Quadrão – estrofe de 7 versos (setilhas) e 7 sílabas métricas – rimando o com o e 3º ; 4º com 8º; o com o e
*
A décima tão querida
Foi a última a chegar
Veio para me encantar
Minha estrofe escolhida
Muitas vezes requerida
Na hora da criação
Com mote e inspiração
Sai uma glosa perfeita
Assim fico satisfeita
E termino a preleção.
*
Décimas -- estrofe de 10 versos, pés ou linhas (décima) e, 7 sílabas métricas no sistema de rimas ABBAACCDDC – existem várias modalidades de rimas, esta, entretanto é a mais convencional. Excelente para a iniciação nas décimas.  As décimas são mais utilizadas pelos cantadores repentistas

*
Versos e fotos de Dalinha Catunda
Estruturação Rosário Pinto

terça-feira, 6 de novembro de 2018

CANGACEIROS EM NOVA OLINDA



CANGACEIROS EM NOVA OLINDA

*
E quem pensou que o cangaço
Tinha desaparecido
Viu o terror novamente
Aparecer atrevido
Pras bandas de Nova Olinda
Tem gente com medo ainda
Depois do Acontecido.
*
A tropa de arruaceiro
Não perdeu a ocasião
Fez uma farra danada
Pegou chapéu e gibão
No atelier de Expedito
O Seleiro que virou mito
Nessa sua profissão.
*
Remexeram a loja toda
Chegaram a se engalanar
Aqueles mais enxeridos
Só querendo se mostrar
Arrastaram um sujeito
Que com a faca nos peito
Tremeu pra fotografar.
*
Uma morena arretada
No meio da cabroeira
Que atendia por Linda
Não era de brincadeira
Essa veio de Barbalha
Com punhal e com navalha
Sossegava a tropa inteira.
*
Vi um branquinho tinhoso
Chamado de Trapiá
De olhos avermelhados
Dos confins do Ceará
O bicho era invocado
Nunca vi mais malcriado
Ficou pra lá e pra cá.
*
E lá de Campina Grande
Um cangaceiro careca
Era o Chico de Assis
Que trazia na cueca
Um canivete enfiado
Um facão do outro lado
Ele era o pior da reca.
*
Tinha uma tal de Dalinha
Que jogava capoeira
Atirar era com ela
E plantando bananeira
Cara metido a pimpão
Ela cortava o colhão
Depois lambia a peixeira.
*
Nesse dia Nova Olinda
Viu a figura do cão
No rastro dos cangaceiros
Devotos de Lampião
Quem achar que é mentira
Sua dúvida só tira
Com “Padim Ciço” Romão.
*
Fotos e versos de Dalinha Catunda

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

SABORES DO MEU SERTÃO
1
A musa peço que ative
Meu gosto meu paladar
Dos sabores do sertão
Tenho fome de falar
Sou poeta e cozinheira
Sou nordestina matreira
Meus versos sei temperar.
2
Nossa culinária é rica
E vem trazendo o aval
Do índio que praticava
O alimento natural
Do negro com seu encanto
Cozinhando para o santo
Ao sabor do ritual.
3
Nosso colonizador
De origem portuguesa
Implantou o seu cardápio
Recheado de riqueza
No alimento essa nação
Fez a miscigenação
Que deu certo com certeza.
4
Essa mistura de raça
Deu gosto a nossa comida
Gostosa bem temperada
Bem aceita ao ser servida
É na regionalidade
Que temos variedade
Quem já provou não duvida.
5
Trago na minha memória
O sabor da minha terra
O tempero de mamãe
Que a saudade desenterra
Aguço meu pensamento
Para cantar como alento
Um tema que não emperra.
6
Vou falar das Ipueiras
Vou falar do Ceará
Dos sabores que provei
Quando morava por lá
Das frutas e iguarias
Dos motivos de alegrias
Que o cordel suscitará.
7
Lá tem cabeça de galo
Que de galo nada tem
É um caldo bem gosto
Que sei fazer muito bem
É um desjejum ligeiro
Um caldo que só o cheiro
Faz o freguês ir além.
8
É o tal levanta defunto
O caldo da caridade
Feito na base do ovo
Coentro leva a vontade
Engrossado com farinha
Vai cebola e cebolinha
Revigora de verdade.
9
O cearense da gema
Não fica no ora, pois
Não falta em sua panela
Por nada o baião de dois
Que com queijo é temperado
Seja soltinho ou ligado
Ninguém deixa pra depois.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

No V SEMINÁRIO DO VERSO POPULAR


No V SEMINÁRIO DO VERSO POPULAR
Anilda Figueiredo, presidente da Academia dos Cordelistas do Crato achou por bem, em comum acordo com o colegiado, nesse V SEMINÁRIO DO VERSO POPULAR, empossar figuras de extrema importância para a ACC, como beneméritos. Reconhecendo assim, os serviços prestados a essa agremiação no decorrer de sua história.
Receberam a Comenda:
Lindicássia Nascimento, presidente da Sociedade dos poetas de Barbalha.
Denise Primo, parceira sempre presente.
Beth Costa funcionária do IPHAN de fundamental importância nos projetos da ACC.
Luiz Isael radialista e defensor de nossa cultura.
*
Dalinha Catunda. Cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

terça-feira, 30 de outubro de 2018

MUSICAL NO V SEMINÁRIO DO VERSO POPULAR


A PARTE MUSICAL NO V SEMINÁRIO DO VERSO POPULAR
A parte musical ficou por conta dos cantadores: Zé Fernandes, Agustinho Oliveira,
Marlon Torres e Tião Simpatia.
Entre versos e canções essa turma capacitada do repente fez a animação dos presentes.
Nos entremeios:
Nezite Alencar, lançou o cordel “O Rabicho da Geralda” fruto e suas pesquisas. Um cordel bem interessante que eu recomendo.
Carlos Henrique falou da xilogravura e realmente nos deu uma aula com suas demonstrações.
Luiz Ademar contou sua experiência com os alunos em sala de aula. Muito bem organizada sua apresentação. Tenho certeza que sua atuação nos servirá como exemplo.
Dalinha Catunda - cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

ACC PUBLICA COLEÇÃO TEMÁTICA DA CULTURA POPULAR


A ACADEMIA DOS CORDELISTAS DO CRATO lançou no V SEMINÁRIO DO VERSO POPULAR, dedicado ao CORDEL NA SALA DE AULA, na cidade do Crato, Ce., a coleção O QUE É, com 10 títulos de folhetos de cordel com temas da cultura popular como:  CANGAÇO, CÔCO, CORDEL, FORRÓ, LAPINHA,  MANEIRO PAU, QUADRILHA JUNINA, REISADO, RENOVAÇÃO e REPENTE. A coleção é importante neste momento em que foi efetivado o REGISTRO da literatura de cordel como BEM DE PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO. Os autores são todos membros da ACC.

Se você desejar adquirir, faça CONTATOS   www.acordel.com.br

Rua Rui Barbosa, 284 - Pimenta Crato, CE
CEP 63105-080
+55 88 9907-6966

Texto e foto: Rosário Pinto

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

NO V SEMINÁRIO DO VERSO POPULAR


NO V SEMINÁRIO DO VERSO POPULAR
Após a composição da mesa, a abertura oficial do evento se deu com a palavra da presidente da ACC, Academia dos Cordelistas do Crato, Anilda Figueiredo que em seguida repassou ao presidente da ABLC, Academia Brasileira de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva. Na continuação ouvimos Rosilene Melo, pesquisadora do Iphan, falando sobre a salva guarda do Cordel.

Dalinha Catunda
dalinhaac@gmail.com
Cad. 25 da ABLC