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quinta-feira, 22 de junho de 2017

NEM CANTA NEM LARGA A VIOLA

NEM CANTA NEM LARGA A VIOLA
*
Você diz que canta bem
Tem bico de passarinho
Cala qualquer cantador
Que cruzar o seu caminho
Amigo não leve a mal
Quem canta que nem pardal
Só cisca e caga no ninho.
*
Você só tem é zoada
Não passa dum fanfarrão
Só faz barulho e mais nada
Eu cheguei à conclusão
Não toca bem a viola
Na rima sempre se atola
Erra a metrificação.
*
A sua voz é fanhosa
Pois só sai pelo nariz
O povo não compreende
Aquilo que você diz
Porém só quer ser as pregas
Inda manga dos colegas
Com seu deboche infeliz.
*
Para cantar com você
Mesmo que seja sabido
Quem sabe esquece o que sabe
E logo fica perdido
O pensamento se enrola
Não sai nada da cachola
Só sendo doido varrido.
*
Versos de Dalinha Catunda.

Xilo de Cícero Lourenço.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

CHITÃO DE ZECA FRAUSINO 2017


CHITÃO DE ZECA FRAUSINO 2017
*
Na quadra do Corte Branco
Tem forró e animação
Com Gilson e Edmar
Abraçando a tradição
Que deixou Zeca Frausino
O bom forró nordestino
O seu famoso chitão.
*
Simpatia do Forró
Vem tocar no forrozão
Com o Celsinho Real
Do Forró e animação!
O forró é arretado
Lá ninguém fica parado
Venham pra comprovação.
*
Versos de Dalinha Catunda.


QUE SÃO JOÃO NÓS TEMOS?



QUE SÃO JOÃO NÓS TEMOS?
*
Hoje o nordestino pede
De volta o seu São João
Porém vejo que esqueceu
De cultivar tradição
Em busca de novas trilhas
Trocam as velhas quadrilhas
Por luxo e ostentação.
*
As quadrilhas são temáticas
Perderam a singeleza
Se apresentam com requinte
No cortejo tem princesa
Na verdade já descamba
Para uma escola de samba
Competindo com riqueza.
*
Numa vestimenta cara
O farto brilho conduz.
No cabelo penteado
Custoso adorno reluz.
Aquela festa brejeira
Onde brilhava a fogueira
A só cinza se reduz.
*
Cadê o velho São João
Festejos de antigamente
O casamento matuto
Com jeito de nossa gente
A dança e a simpatia
Que no passado havia
Agora é tão diferente.
*
Não tem mais chapéu de palha
E nem camisa estampada
O homem não usa mais
Sua calça remendada
A canção de Gonzagão
Já não anima o São João
Vejo a coisa bem mudada.
*
Nas quadrilhas não tem mais
Nossa cabocla bonita
Com as pintinhas na cara
Com seu vestido de chita
Com seu cabelo trançado
Na trança de cada lado
O seu lacinho de fita.
*
Quem quer o São João de volta
Exercita a tradição
Preserva sua história
Antes da reclamação
Sua cultura propaga
Da memória não apaga
Costumes e tradição.
*
Versos e fotos de Dalinha Catunda







sexta-feira, 9 de junho de 2017

Heroínas Negras Brasileiras, em 15 cordéis



Compareci representado o CORDEL DE SAIA ao lançamento do livro Heroínas Negras Brasileiras, em 15 cordéis, de Jarid Arraes. O evento foi realizado na Blooks Livraria do Botafogo, no Rio de Janeiro, a partir das 19:30h. São 15 cordéis

O livro, uma edição de 176 páginas, ricamente ilustradas, por Gabriela Pires, traz para a cena as mulheres negras que marcaram a história e a cultura brasileira.  Jarid Arraes chega com o pioneirismo de trazer para a cena da história brasileira quinze mulheres negras que fizeram a diferença num mundo em que o heroísmo sempre foi masculino e branco. A escolha da literatura de cordel para veicular a saga das heroínas negras no Brasil estabelece um elo com as primeiras autoras de literatura de cordel.

A mulher, no início do século XX, quando os folhetos de cordel proliferaram no Nordeste, na ausência de jornais, rádios e televisão, era descrita como: princesa – obediente e calada diante dos valores paternos, da sociedade e da religião; mãe devotada, esposa exemplar - àquela que protege o lar e filhos dos perigos, defensora da moralidade. O contrário disso era descrito como perigos para a manutenção da estrutura familiar. A mulher que se atrevesse a elaborar versos de cordel era vista como em luta contra o diabo, a serpente e, isto como castigo por suas ações. Valia a repetição da quadra popular abaixo:
“Menina que sabe muito
É menina atrapalhada,
Para ser mãe de família,
Saiba pouco, ou saiba nada.”

Uma das primeiras descobertas de mulher autora de cordel foi, em 1938, Altino Alagoano, pseudônimo de Maria das Neves Batista Pimentel, filha do poeta e editor Francisco das Chagas Batista, com o título O viulino do diabo ou o valor da   honestidade. [S.l.]: MEC/Pronascec Rural - SEC/Pb - UFPb - Funnape, 1981.48 p. Maria das Neves Batista Pimentel como a heroína de sua história, também precisou travestir-se de homem para que  seu folheto fosse aceito.


Texto: Rosário Pinto
Foto: Alvinéa Caniço

quinta-feira, 8 de junho de 2017

CORDEL NO IFRJ
Hoje, eu e Rosário pinto, participamos de uma mesa redonda no Instituto Federal do Rio de Janeiro, debatendo sobre o livro Cordelizando a Inclusão. Um livro de literatura de cordel em braile, do qual participei falando sobre homossexualidade e da violência contra a mulher.
Antes, também no IFRJ, ministramos uma oficina sobre literatura de cordel. Aos pouquinhos os espaços vão se abrindo para o cordel na Cidade Maravilhosa.

Dalinha Catunda

segunda-feira, 5 de junho de 2017

SANTO ANTÔNIO OU SÃO GONÇALO?

SANTO ANTÔNIO OU SÃO GONÇALO?
*
Meu querido Santo Antônio,
Não perca oportunidade
De me arranjar um marido.
Estou falando a verdade!
Ou apelo a outro Santo,
Que me faça a caridade.
*
Há tempos que lhe recorro,
Sem ver qualquer resultado.
Pelo jeito o senhor anda
Desatento ou relaxado.
Ou tendo tantos pedidos,
Foi deixando o meu de lado.
*
Acho que o senhor é mesmo,
Um santinho do pau oco.
Eu peço, suplico, imploro
Só ainda não dei soco
Para atender meu pedido
E me tirar do sufoco.
*
Só que agora eu descobri,
Que o senhor tem concorrente.
Um santo casamenteiro,
Que é menos exigente,
Que se chama São Gonçalo,
E é muito eficiente.
*
Diz o povo que ele casa
Mulher de qualquer maneira:
A donzela, a desquitada,
Viúva e até mãe solteira,
As que já passaram da idade,
E quem é  raparigueira.
*
Por isto, meu Santo Antônio,
O senhor preste atenção:
Me arrume um bom casamento,
Ou mudo de devoção.
Vou procurar São Gonçalo
Já cansei de embromação
*
Não há solteira que aguente,
Essa sua lentidão.
São Gonçalo desempenha,
Muito melhor a função,
E por não ser exigente
É veloz na solução.
*
Santo não faz diferença
Na hora do matrimônio.
Me arranjo com São Gonçalo,
Se vacilar Santo Antônio
Se eu ficar no caritó
Faço o maior pandemônio.
*

Versos e foto de Dalinha Catunda

domingo, 4 de junho de 2017

SOCIEDADE DOS POETAS DE BARBALHA ONTEM, HOJE E SEMPRE.

SOCIEDADE DOS POETAS DE BARBALHA
ONTEM, HOJE E SEMPRE.
1
A dona musa agradeço
Por me dar inspiração
Para falar de Barbalha
De poeta e tradição
Para avivar a saudade
Que guarda a Sociedade
De José Sebastião.
2
Nesses meus versos sentidos
Nesse meu cantar saudoso
Vou prestar minha homenagem
Sem fazer verso pomposo
Ao nosso Zé presidente
Sempre muito eficiente
Ser humano prestimoso.
3
A cultura ficou órfã
Deste homem de valor
Um poeta dedicado
Um excelente gestor
E que tinha como meta
Agregar cada poeta
Sem jamais se indispor.
4
Um sorriso de menino
Com seu ar de timidez
Tinha a força dum gigante
Sobrava-lhe sensatez
Para seguir adiante
Como grande comandante
Altivo em tudo que fez.
5
Na saga desse guerreiro
A sua grande batalha
Foi sim, a Sociedade,
Dos Poetas de Barbalha
A ela se dedicou
Com muita garra lutou
Sem ser só fogo de palha.