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segunda-feira, 24 de julho de 2017

CIÚME DEMASIADO DESMANTELA UM CASAMENTO


CIÚME DEMASIADO
DESMANTELA UM CASAMENTO.

Mote: Dalinha Catunda
*

DALINHA CATUNDA
Até tempera o amor
O ciúme sendo pouco,
Mas vira coisa de louco
Quando traz angustia e dor.
Transforma-se em temor,
Acarreta sofrimento,
A vida vira um tormento
Quando é exagerado:
CIÚME DEMASIADO
DESMANTELA UM CASAMENTO.
*

GREGÓRIO FILOMENO
Pode ser um desmantelo
 O ciúme, quando fútil
Mas pode ser muito útil,
O ciúme por desvelo
Acompanhado de zelo
É um belo sentimento
 Do contrário, é sofrimento
 E até um grande pecado
CIÚME DEMASIADO
 DESMANTELA UM CASAMENTO.
*
JOANA RODRIGUES
 O amor serve de desculpa,
Pro ciúme ser reinante,
Entre o casal de amante.
Cada um serve de refém
Dessa coisa do desdém.
Se valem de um sentimento,
Que nada traz de acrescento.
Essa invenção do diabo,
CIÚME DEMASIADO
DESMANTELA UM CASAMENTO.
*

CREUSA MEIRA
A pessoa insegura
Enciumada, pessimista
Tem conduta derrotista
A cultivar amargura
Troca a leveza e doçura
Por muito aborrecimento
Faz da vida um sofrimento
Sufocando o ser amado
CIÚME DEMASIADO
DESMANTELA UM CASAMENTO.

*
BASTINHA JOB
Seca demais é deserto
Chuva muita, inundação
E peca por omissão
Quem se julga muito certo;
Não queira ficar por perto
Marcando cada momento
Quem tem esse tratamento
É casal desajustado:
CIÚME DEMASIADO
DESMANTELA O CASAMENTO!
*
CARLOS GILDEMAR PONTES
Casamento hoje em dia
É arriscado dar certo
Se a outra estiver por perto
Do outro, o medo alivia
Mas vira uma putaria
Um cabaré de jumento
Aí só se ouve lamento
De besta enciumado
Ciúme demasiado
Desmantela um casamento.
*
RAINILTO VIANA BARROS
Eu sempre achei normal
Um casal sentir ciúme
Mas quando atinge o cume
Prejudica o emocional
Cria discórdia e afinal
Esse triste sentimento
Faz o relacionamento
Tornar-se bem complicado
CIÚME DEMASIADO
DESMANTELA UM CASAMENTO.
*
VÂNIA FREITAS
Tem ciúme que atrapalha
Tem ciúme cuidadoso
Este me deixa orgulhoso
Pois não é fogo de palha
O amor sincero não falha
Não vive só de momento
Não suporta julgamento
É seguro e controlado
Ciúme demasiado
Desmantela um casamento.
*
LUIZ FERREIRA LIMA LIMIINHA
Uma parceira insegura
Quando entra em sua vida
Se fere e será ferida
Trazendo muita amargura
A vida se torna dura
Todo dia é um tormento
É briga a todo momento
Deixando o cabra brochado
CIÚME DEMASIADO
DESMANTELA UM CASAMENTO...
*
JOSENIR LACERDA
Ciúme na dose certa
Colabora e é aceito
Muitas vezes dá um jeito
E nova paixão desperta
Serve de sinal de alerta
Ante o esmorecimento
Atiça o envolvimento
Mas carece ter cuidado
CIÚME DEMASIADO
DESMANTELA O CASAMENTO.
*
RICARDO NARCISO ROCHA
Mas o amor é temperado
Como que uma guarnição
Com arroz e o feijão,
O ciúme é um tempero,
É gostoso desespero,
Dar um bom incremento
E do amor é o sustento.
Mas quando é exagerado:
CIUME DEMASIADO
DESMANTELA UM CASAMENTO.
*
Na ilustração um pé de ciúme, comum em meu sítio no Ceará.
Foto o meu acervo.






quinta-feira, 20 de julho de 2017

CORDEL DE SAIA EM AÇÃO


CORDEL DE SAIA, a convite da diretora Mirtes Medeiros e do Coordenador Técnico Lula Wanderley, participou hoje, dia 19 e julho de 2017, às 10:30 h, dos festejos juninos realizados na unidade CAPS EAT, Espaço Aberto ao Tempo, à rua Ramiro Magalhães, 521, Engenho de Dentro.
Levamos poemas referentes a São João, Santo Antônio, e claro, sobre as mulheres na literatura de cordel.

O evento contou com a participação do cordelista e ator Edmilson Santini com o seu Teatro em Cordel.

A manhã foi regada com poemas e muita música. A plateia foi bastante receptiva e no encerramento tivemos um gostoso baião de dois.

Agradecemos, mais uma vez aos organizadores das atividades.

terça-feira, 18 de julho de 2017

AS MULHERES DO CORDEL

AS MULHERES DO CORDEL
*
Eu tinha pouca idade
E conheci a leitura
O meu pai um homem simples
Mostrou-me a literatura
Não precisou ser letrado
Nem tampouco diplomado
Pra dar valor pra cultura.
*
O meu pai muitos cordéis
Nas feiras sempre comprava
Nas feiras, tinha cultura.
O repentista tocava
Papai ao chegar em casa
Junto ao cordel dava asa.
Eu com prazer recitava.
*
Desta forma, que aprendi.
A gostar de poesia
Assim aprendi a ler
Eu não sei como seria
Ensinando e aprendendo.
Cada dia escrevendo
Retratando o dia-a-dia.
*
Edilene Soares Claudino,
É mais conhecida como Edilene Cordelista, Natural de Angelim/Pernambuco, nasceu em 27 de Outubro de 1976. Filha de Eliseu Soares da Silva e Nair Soares da Silva. Mora em Garanhuns /PE. É professora, cordelista, poetisa e contadora de histórias.  Graduada e especialista em geografia pela universidade de Pernambuco, além de Especialista em Atendimento educacional especializado-AEE Pela Universidade do Ceará.

É Membro da União Brasileira dos Escritores-UBE 
Postagem de Dalinha Catunda

CORDEL DE SAIA EM AÇÃO

CORDEL DE SAIA EM AÇÃO

CORDEL DE SAIA, a convite da diretora Mirtes Medeiros e do Coordenador Técnico Lula Wanderley, participará amanhã, dia 19 e julho de 2017, às 10:30 h, dos festejos juninos que serão realizados na unidade CAPS EAT, Espaço Aberto ao Tempo, à rua Ramiro Magalhães, 521, Engenho de Dentro.
Levaremos poemas referentes a São João, Santo Antônio, e claro, sobre as mulheres na literatura de cordel.

As gestoras do CORDEL DE SAIA

Dalinha Catunda e Rosário Pinto

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Mulheres cordelistas e o olhar de Aderaldo Luciano

Quando tinha 8 anos, comprei meus dois primeiros folhetos de cordel, na feira, das mãos de seu Severino Folheteiro: Vicente, O Rei Dos Ladrões e O Herói João de Calais. São duas narrativas clássicas do cordel brasileiro. Contam uma história a partir das proezas dos dois protagonistas. Todos nós gostamos de histórias. A humanidade é posta para dormir em sua primeira infância ao som de histórias saídas dos lábios de suas mães. Minha primeira infância cumpriu essa proposta. Minha mãe narrava as histórias de cordel, rimadas e, algumas, cantadas. Adormeci várias noites pensando nas maravilhas contadas nas histórias do cordel e imaginei que todo o produto cordelístico obrigatoriamente contaria uma história, seria uma narrativa. Esse encontro com o cordel, já contei isso várias vezes, oportunizou-me anos depois, aos 13 anos, o caminhar entre Borges, depois Poe, depois Twain, depois Kafka, depois Tchekov, ou seja, autores contadores de histórias. Um dia li, na biblioteca do padre, Jorge Amado. E assim seguiram-se os autores brasileiros até Inácio de Loyola Brandão. Esse ano, o ano treze de minha existência, foi o ano da tomada de consciência literária. E o cordel continuava abastecendo meus dias. Até deparar-me com um folheto cujo título chamou-me muito a atenção: Conselhos Paternais. Fui uma criança que cresceu sem pai e esse título encabulou-me. Quais conselhos um pai daria a um filho? Comprei-o e corri para casa para ler no pé de goiaba. Meu ponto de encontro com a literatura era o auto da goiabeira no quintal. Ao ler o cordel de José Bernardo descobri, imediatamente, que o cordel não contemplava apenas as narrativas, mas, também, a reflexão sobre o mundo, sobre os costumes, sobre as relações sociais. Mais tarde, mais maduro, descobri que o cordel contemplava todo o espectro dos gêneros literários. Ainda há poetas que pensam que o cordel é apenas narrativo, entretanto a observação mostra-nos o contrário. O cordel tem o veio épico, o veio lírico, o veio dramático. Vai além com a crônica e a biografia. Equipara-se, várias vezes ao ensaio. Vejamos quatro exemplos de cordéis que fogem à narrativa, enveredados pelo ensaio. São muito importantes estes títulos porque escritos por mulheres, o que muitos estudiosos e historiadores do cordel, como os que citei em artigos anteriores, não elencam. As mulheres são uma peça fundamental no processo histórico do cordel. E é necessário, urgente, contar essa história. Por enquanto:
Dalinha Catunda, cearense radicada no Rio de Janeiro, é uma militante expressiva do cordel. O Cordel de Saia é uma das referências para o cordel brasileiro na internet e o Cantinho da Dalinha é parada obrigatória para nós que procuramos entender o fenômeno cordelístico brasileiro. Sem meias palavras, atenta aos caminhos cordeliais, compreendendo a importância da reflexão sobre o fazer poético-cordelístico feminino escreve e publica As Herdeiras De Maria. Nasceu o cordel a partir da história de vida de Maria das Neves Batista Pimentel, a primeira mulher a publicar folhetos, em 1938, mas com o nome do marido, Altino Alagoano, estampado na capa como sendo o autor. Maria das Neves foi filha de Francisco das Chagas Batista, um dos principais editores de cordel do Brasil, com sua Popular Editora, montada em João Pessoa, na Paraíba do Norte. Foi mãe de Altimar Pimentel, estudioso da cultura brasileira, observador atento de nossa brasilidade. O folheto não trata de uma narrativa, mas da reflexão sobre o papel da mulher no universo cordelístico. O preconceito, o mercado escasso, a desconfiança dos pares masculinos são os elementos para a reflexão. Dalinha é zelosa em sua poética e cobra a excelência do cordel em sua produção. Não só na sua, mas na produção feminina e no todo nacional. Ao se referir à produção de Maria das Neves (Altino Alagoano) apresenta os títulos da pioneira: O Violino do Diabo, O Corcunda de Notre Dame e O Amor Nnnca Morre, nas estrofes 7, 8 e 9, respectivamente. Na estrofe 8, porém, há uma pequena inexatidão: o seu pai, editor, nunca editaria um folheto da filha. Francisco das Chagas morrera em 1930 e Maria das Neves só publicaria o seu primeiro trabalho em 1938. Mas isso não retira o brilho e o chamado. São 24 estrofes bem elaboradas, ritmo bem definido, pois Dalinha tem a acentuação do verso no coração, os versos voam, batem asas. É um ensaio pertinente. Chama a atenção a apresentação do poema feita por Bastinha Job, outra expoente do cordel brasileiro, escrevendo com intensa responsabilidade as páginas do cordel no Brasil.

O OLHAR CRÍTICO DE ADERALDO LUCIANO SOBRE A MULHER CORDELISTA.

Por uma questão política e de revisão de termos, abandonei as designações "cultura popular" e "poetas populares" referentes, no primeiro caso, ao arcabouço colorido produzido pelo povo, presente nas suas manifestações artísticas, e, no segundo caso, à poesia escrevívida de poetas que não passaram pela iniciação acadêmica. O que levou-me a esse solilóquio foi a constatação bem observada de que esses setores, os "populares", são os menos agraciados nas ações públicas para a cultura e os menos apreciados pelos dublês de gestores culturais. Observei, e todos podem observar, que um "poeta popular" jamais ganhará um prêmio literário promovido pelo estado oficial tendo as elites culturais como senhoras dos critérios avaliativos. Observei também que os "poetas populares" são usados como adorno em suas festas e ao final são convidados a comer na cozinha e dormir no quartinho. Vi também que esses mesmos poetas quando chamados para se apresentar em escolas, festas públicas e solenidades percebem os menores cachês, quando não são chamados a apenas "divulgar o seu trabalho". O poeta popular e seus pares da cultura popular, a despeito do seu trabalho e labuta, são considerados tão somente como apêndices, desprovidos do rigor técnico e estético requerido pelos editais elitistas. Assim, aqueles dublês aos quais me referi acima, entregam um milhão aos seus pares e apenas um quinhão de migalha ao poeta e ao artista populares. Trago isso para o cordel porque os poetas dessa falange são considerados poetas populares. O povo os ama, é verdade, mas as elites os repugnam. O cheiro do povo, o suor do poeta do povo, do poeta de cordel, constrange a madame e o salão do palácio e o alpendre da casa-grande. Ouvi de um poeta do povo sua vontade: elevar o cordel ao erudito. É um absurdo estético. Não existe elevação nem depressão na poesia. A poesia existe ou não. E acima de tudo não necessita de adjetivos. A poesia é a poesia. Toda e qualquer adjetivação, assim como o próprio termo "popular", é criação das elites para promover a apartação. Independente disso, vamos olhar quatro títulos de cordel escritos por mulheres, continuando as reflexões de matérias anteriores:

terça-feira, 11 de julho de 2017

GLOSANDO COM OS AMIGOS

SÓ SETE PALMOS DE CHÃO
É TUDO QUE VAMOS TER.
*
ANTÔNIO CASSIANO
Nascemos sem trazer nada
Pelados , chorando a toa
Para arrumar coisas boa
Gastamos vida emprestada
A ganancia impregnada
Nas entranhas do poder
Riquezas, bens e prazer
Se tornam tudo em vão
SÓ SETE PALMOS DE CHÃO
É TUDO QUE VAMOS TER.
*
DALINHA CATUNDA
Amor é coisa divina
E não tem como negar
Quando decide chegar
O coração contamina
Não adianta vacina
Isso devemos saber
Quem tem amor pra viver
Aproveite a ocasião
SÓ SETE PALMOS DE CHÃO
É TUDO QUE VAMOS TER.
*
BASTINHA JOB
Disse Antônio Cassiano
Um Mote bem verdadeiro,
Dalinha glosou primeiro
De gaiata, entrei no plano
Que é real é humano
E nele vou me meter
Na mesma tecla bater 
Ela dá nota à lição:
SÓ SETE PALMOS DE CHÃO
É TUDO QUE VAMOS TER!

*
CREUSA MEIRA
Muita gente vive aflita
Querendo ganhar dinheiro
Junta até no estrangeiro
Em conta que habilita
Se é mulher vive bonita
Homem, cheio de poder
Sem pensar que ao morrer
Acaba toda ilusão
SÓ SETE PALMOS DE CHÃO
É TUDO QUE VAMOS TER.

*
LUIZ LIMINHA
Não adianta o orgulho
Soberba, ou mesmo dinheiro
O minuto derradeiro
Chega sem fazer barulho
Teu corpo vira um embrulho
Que a terra há de comer
Faça aqui por merecer
Não invente outra opção
SÓ SETE PALMOS DE CHÃO
É TUDO QUE VAMOS TER.
*

Mote de Antônio Cassiano
Xilo de Carlos Henrique

terça-feira, 4 de julho de 2017

ABRAÇANDO O CRATO

ABRAÇANDO O CRATO
*
Crato terrinha querida
Que trago em meu coração
Cada visita que faço
Aumenta minha paixão
Mesmo quando estou ausente
Recordo da boa gente
Que mora nesse rincão.
*
Essa terra não é minha
Porém eu já adotei
Aprendi comer pequi
Desde o dia que provei
Adoro uma cajuína
O buriti me fascina
Com o doce eu me fartei.
*
Hoje desejo abraçar
O Crato e sua gente
Desejar felicidades
Mesmo sem estar presente
Pois mesmo estando distante
Desta terra sou amante
E serei eternamente.

*
Versos e foto de Dalinha Catunda