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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A balela de Belém, Manoel Monteiro

Manoel Monteiro da Silva

Poeta de cordel, natural de Bezerros (PE), 1937. Desde a infância radicou-se em Campina Grande (PB). Responsável pela implantação dos folhetos de cordel nas salas de aula em Campina Grande (PB). O poeta refere-se a poesia com estas palavras:  Alguém já disse que o homem é um animal político; e eu digo que o homem é um animal poético”, em entrevista dada para a Cordelbrás. Membro da ABLC, cadeira nº 28, patronímica do poeta Manoel Tomaz de Assis. Manoel Monteiro é um dos maiores poetas de cordel de todos os tempos e um dos responsáveis pela inserção da literatura de cordel como ferramenta de estudo nas escolas da Paraíba.

A balela de Belém

01
Já ouço o toque dos sinos
Anunciando o Natal
Recordando o nascimento
De um menino especial
Aí me assalta a lembrança
De outra pobre criança
Esmolando no sinal.
02
Um nasceu para ser rei
Morrer e ressuscitar
E dois mil anos depois
O povo inda o celebrar,
Outro nasceu pra sofrer
Morrer de fome e morrer
Sem ninguém pra lamentar.
03
A criança de Belém
Nasceu numa manjedoura,
Outra, tanto quanto aquela,
Nasceu pra ser sofredora,
Uma nasceu sem pecar
Outra vai ter que pagar
Por que nasceu pecadora.
04
Uma goza os benefícios
Do Reino Celestial
E tem merecidamente
Farta ceia de Natal
Outra vive a passar fome
Por terem feito em seu nome
O PECADO ORIGINAL.
05
Não entendo como criança
Que não pediu pra nascer
Mas depois de ter nascido
Vai sofrer, sofrer, sofrer
Por que um outro pecou
Foi embora e não pagou
O que estava a dever.
06
Quem diabos é que tem culpa
Do pecado original
Se num passado remoto
Alguém se comportou mal,
Ele que pagasse a conta
Que hoje em dia remonta
Impagável e abissal.
07
Isto me lembra crianças
Dos pontilhões, das favelas
Que como as demais crianças
São inocentes e belas,
Mas, por desvario insano
Nas festas de fim de ano
Bem poucos se lembram delas...
08
E, enquanto “árvores” coloridas
Enfeitam toda cidade
O campo chora desnudo
Por que árvore de verdade
Para compor o cenário
Só se for no calendário
Da – PARDE DA SAUDADE.

Manoel Monteiro
Campina Grande, 10/12/2010

2 comentários:

  1. Olá Rosário,
    O blog cordeldesaia fica muito feliz em receber o grande Manoel Monteiro com suas bem cuidadas setilhas.
    Obrigada a Manoel Monteiro pelos versos e parabéns a você pela postagem.
    Um abraço,
    Dalinha

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  2. Querido Manoel Monteiro,
    Reforço as palavras de minha confrade e parceira do Cordel de Saia, a poeta Dalinha Catunda. Esperamos vê-lo meia volta, volta e meia, por aqui.
    Bjs,
    Rosário

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