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domingo, 27 de junho de 2010

CORDEL DE SAIA CIRANDANDO EM SETILHAS


Olá amigos! Querem participar da septilha sobre MAR? Mande seus versos através dos comentários que serão bem-vindos e postados pela ordem de chegada.

“Uma prova que as setilhas são uma modalidade relativamente recente está na ausência quase completa delas na grande produção de Leandro Gomes de Barros. Sim, porque pela beleza rítmica que essas estrofes oferecem ao declamador, os grandes poetas não conseguiram fugir à tentação de produzi-las. Para alguns, as setilhas, estrofes de sete versos e sete sílabas, foram criadas por José Galdino da Silva Duda (1866 a 1931). A verdade é que o ator mais rico nessas composições, talvez por se tratar do maior humorista da literatura, de cordel, foi José Pacheco da Rocha, 1890 a 1954.” Texto extraído da publicação de Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da ABLC, Vertentes e evolução da literatura de cordel, 3ªed., 2005.

Pedro Monteiro cordelista do Piauí radicado em São Paulo é quem inicia a jornada.


Pedro Monteiro
Campo Maior-Piaui

O Mar é fonte da vida
Do jeito que o povo tem,
Jogando teimosas ondas
Sempre a procura de quem,
Mesmo sem faca e sem queijo,
Chegue pra lhe dar um beijo
Num gostoso vai e vem.

Dalinha Catunda
Ipueiras-Ceará
.
Se o mar é fonte de vida
Neste mar vou mergulhar.
E as ondas tão teimosas,
Com garra vou enfrentar
Mesmo sem eira nem beira
Mas sendo mulher faceira,
Uma onda eu vou tirar.

Maria Rosário Pinto
Bacabal-Maranhão

É bom pegar uma onda
É bom nos banhar no mar.
O mesmo mar que atraí
Sempre vem nos assustar
Nele nos purificamos
Por Yemanjá clamamos
Mãe! Vem nos ajudar.

Rouxinol do Rinaré
Rinaré-Quixadá-Ceará
.
Mar, onde Dragão do Mar,
Nosso herói nacional,
Lutou para pôr um fim
No escravagismo brutal...
Mar de todos os lugares,
Mas recordo os verdes mares
De minha terra natal.
.
Josenir Lacerda
Crato-Ceará

Fim de tarde, “mar” revolto
As ondas beijando a praia
No horizonte luminoso
O sol cansado desmaia
É cena da natureza
Plena de garbo e Beleza
Que um novo dia ensaia
.
Creusa Meira
Dom Basílio-Bahia
.
Primeiro dia do ano
As flores eu vou levar
São as minhas oferendas
Para a rainha do mar
Jogo gotas de alfazema
Leio um belo poema
Nas ondas a caminhar

Geraldo Oliveira Aragão
Nossa Senhora da Gloria-Sergipe
.
O mar parece distante...
Prá quem no Sertão nasceu
eu como um viajor
Que o seu rumo não perdeu
Aportei no mar de rosa
Cidade maravilhosa
O segundo berço meu
.
Ricardo Aragão
Ipu-Ceará
.
Quando criança eu ouvia
Muitas vezes uma canção
Anunciando a profecia
Sobre o meu pobre sertão
Que iria se transformar
Todinho em um grande mar
E o mar num vasto torrão.
.
J Victtor
Belo Horizonte-MG

Quando olhei para o horizonte
E vi chegando Navios
Assustei-me com as velas
Presas em mastros esguios;
Aproximando uma nau
Vi a face de Cabral
Trazendo dias sombrios.
.
Nezite Alencar
Campos Sales-Ceará
.
São verdes mares bravios
os mares que eu vou cantar,
são mares da minha terra,
que é a mesma de Alencar,
onde banhou-se Iracema,
que é a virgem do poema,
encanto do meu lugar.
.
Adauberto Amorim
Crato-Ceará
.
Ao som do mar eu relembro
Um momento eternizado,
Um trinta e um de dezembro
Consumido e consumado.
As ondas molhando a areia
E eu beijando uma "sereia"
Num sonho bem acordado.
.
Anilda Figueiredo
Crato-Ceará
.
Estava Olhando o mar
Pus o teu nome na areia
A onda enciumada
Apagou nu’a volta e meia
Qualquer dia volto lá
Pra contigo navegar
Nos braços duma sereia.
.
Bastinha
Amaro, Assaré-Ceará
.
Mar profundo, tão imenso
quanto mistério contém;
olho para o mar e penso
nos enigmas que ele tem:
mar de Moisés, dos hebreus
prova a existência de Deus
SER-Supremo, Sumo Bem
.
Gonçalo Ferreira da Silva
Ipu- Ceará
.
Quando vejo o mar viajo
No doce rumorejar
A saudade evanescente
Como ao ouvido ditar:
Poeta a sua saudade
Recorda a necessidade
De novo retorno ao mar.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

QUADRILHA



QUADRILHA


Maria bonita
vestida de chita
dançava São João.
Em meio a quadrilha,
seguia a trilha
do seu coração.
Coração aventureiro
gostava de Pedro,
e queria João.
João tava difícil,
não foi sacrifício
pegar noutra mão
Viva S. Pedro!
Viva S. João!
Maria era bonita!
E com laço de fita
virou perdição.
Com cabelos trançados,
e seu requebrado,
chamava atenção.
Dançando faceira
esqueceu-se de Pedro,
e também de João.
Nos braços de Antônio
perdeu-se nos sonhos,
ardeu-se em paixão.
Foi aí que Maria
perdeu sua fita
rolando no chão.
Maria aflita
sem laço de fita
engrossou a cintura
e fugiu do sertão

Texto e foto de Dalinha Catunda

domingo, 20 de junho de 2010

SELEÇÃO DO DUNGA



SELEÇÃO DO DUNGA!

Quero ver nossa seleção
Passar sebo nas canelas.
Correr atrás da jabulani,
Suar as camisas amarelas
Entrar no jogo com raça.
E mostrar toda sua graça,
Ao som das vuvuzelas!
*
Nossa seleção já passou,
Pela Coréia do Norte.
Será que foi preparo?
Ou só um golpe de sorte?
Enquanto a mídia resmunga,
Em frente segue o Dunga,
Contando com a sua sorte!
*
No segundo jogo a seleção,
Enfrentou Costa do Marfim.
Três gols já contabilizados,
Estamos indo bem enfim!
São dois de Luiz Fabiano!
E o outro do craque Elano!
Que se retirou antes do fim.
*
Se seremos campeões
O futuro é quem nos dirá.
É só não perderem a cabeça
E em vez de porrada jogar.
Violência não é solução
Só vai provocar expulsão.
Por isso cabeça no lugar!
*
Hoje é dia de festa
É Brasil a celebrar.
É frevo no recife!
Forró no meu Ceará!
Samba no rio de Janeiro
E todo povo Brasileiro
Feliz a comemorar!



Texto: Dalinha Catunda
Foto: globoesporte.globo.com

quinta-feira, 17 de junho de 2010

PLENÁRIA DE JUNHO DA ABLC


Plenária dedicada a José Bernardo com palestra da Acadêmica Maria Rosário Pinto

Academia Brasileira de Literatura de Cordel/ABLC
Rua Leopoldo Fróes, 37-Santa Teresa
DATA: 19 de junho de 2010
PAUTA: Homenagem a José Bernardo da Silva

A plenária da ABLC, no próximo sábado, será em homenagem a José Bernardo da Silva e quem discorrerá sobre o assunto será Maria Rosário Pinto, acadêmica, titular da cadeira nº 18, que tem como patrono justamente José Bernardo da Silva.

Zé Bernardo que começou como vendedor ambulante entrou para o rol dos grandes editores de folhetos de cordel no Nordeste brasileiro e ainda aventurou-se na arte de fazer versos. Assim sendo, acho que vale a pena assistir a palestra que apresentará a acadêmica Maria Rosário sobre a interessante saga de Zé Bernardo.

Veja como nestes versos se define Zé Bernardo:
.
“Não sou poeta vos digo
Mas com rimas arranjo o pão.
Sou chapista e impressor,
Sou bom na composição.
O meu saber se irradia,
Conheço com perfeição
Agradeço esta opulência
À Divina Providência
“E ao Padre Cícero Romão”

Além da palestra que iniciará a plenária, teremos a apresentações de outros acadêmicos que como sempre animarão os encontros de sábado á tarde.

Os acadêmicos, como sempre, convocamos! E aos amigos gentilmente, convidamos!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Sala de visitas recebe – Nelcimá de Morais





Mª Nelcimá de Morais Santos




Nelcimá de Morais poeta de cordel e professora, natural de Santa Luzia (PB). Foi no curso de pós-graudação da UFPB, que deu asas às pesquisas e composições de poesia popular. É poeta de cordel e, das boas... Como venho repetindo aqui no Cordel de Saia sobre algumas dessas mulheres maravilhosas: “são poetas de musa cheia”.
Nelcimá percorre várias temáticas, como: história tradicional, modo de vida, meio ambiente, educação, etc. Consulte no link http://ncordel.blogspot.com . Resalta em seus trabalhos a mulher como tema poético e como agente na literatura de cordel.
Hoje, aposentada, Nelcimá dedica mais tempo para a composição de folhetos e também para a sua divulgação, mediante Oficinas em escolas. Verifique a útima estrofe do poema Brincando de produzir cordel, decorrente do Projeto Oficina de Cordel nas Escolas, 2009.
(…)
Eu fiquei muito feliz
Com o resultado obtido
Aquilo que almejei
Do projeto foi mantido
A Deus quero agradecer
O sucesso obtido.
 
O MARTÍRIO DE UMA VIRGEM
Vou falar de uma virgem
Que muita história deixou
História de vida e fé
De sofrimento e de dor
Conto orgulhosa e atenta
Tudo o que a moça passou.

Luzia foi uma jovem
Que através da humildade
Foi proclamar ao Deus vivo
Vivendo em castidade
Com amor pelos humildes
Praticando a caridade.

Essa moça, virgem, mártir
No mundo é venerada
Nasceu no século III
E desde lá cultuada
Na cidade Siracusa
Uma cidade paganada.

O mundo inteiro conhece
A história de Luzia
Viveu no sul da Itália
E todo mundo sabia
Do seu exemplo de fé
Do bem que a todos fazia.

De família nobre e rica
Que grande herança deixou
Foi órfã aos quatro anos
Muita educada ficou
Naquela comunidade
Paganismo dominou.

No meio do paganismo
A menina recebia
Educação primorosa
Daquele que transmitia
Belas lições de amor
E Luzia obedecia.

Vivendo com a sua gente
Luzia então percebeu
A distância separando
Seus irmãos e resolveu
Entregar a Deus o corpo
E o espírito puro seu.

Preferindo a castidade
Uma refletida opção,
Tão lúcida e espontânea,
Pra dedicar-se a oração,
Servir aos necessitados,
Vivendo à contemplação.

Jovem muito desejada
Que despertou a nobreza
Pelos bens materiais
Tão grande a sua riqueza
Seria uma noiva ideal
Mas preferiu a pobreza.

Concretizando sua fé
A virgem Luzia pediu
Uma cura pra sua mãe
E grande luz ela viu
No túmulo de Santa Águida
O milagre ali surgiu.

Depois do grande milagre
A sua mãe que queria
Seu casamento pagão
Agora não exigia
Respeitava convicção
Da jovem filha Luzia.

Seu dote bem desejado
A mãe Luzia pediu
Que a ela fosse dado
Porque Luzia preferiu
Distribuir com os pobres
E Luzia conseguiu.

A notícia se espalhou
E a virgem bem sabia
Perseguição e vingança,
Martírios a perseguia
O jovem, seu pretendente,
Esperança ainda nutria.

O jovem inconformado
Em ódio se transformou
Sua vontade de casar
Porque a paixão levou
Ao desejo de vingança
E a virgem denunciou.

Por vários crimes, Luzia
Ao poder denunciada
Não aceitou se casar
Por ser cristã confiada
Adorava um Deus estranho
E ensinamento pregava.

Pregavam os ensinamentos
De Jesus, o Salvador,
Contra aqueles poderosos
E dos humildes a favor
Em detrimento dos deuses
Nacionais, que horror!

Aí começou, então,
Caminho do sofrimento,
Do martírio e da sentença,
Também do seu julgamento
Luzia só testemunhava
E não se ouvia lamento.

Com a sua convicção
De jovem denunciada,
Porém segura de si
Ao tribunal foi levada
Sobre sua confirmação
A virgem foi perguntada.

O juiz que era pagão
Por sangue estava sedento
Julgar com severidade
O homem estava querendo
Pro imperador agradar
Aproveitando o momento.

No meio do interrogatório
Esse juiz ordenou
Sua adoração aos deuses
Nacionais, com amor
E o casamento aceitasse
Luzia não se intimidou.

Resposta firme e altiva
Ela dirigiu aos seus
Dizendo que não faria
―Adoro a um só Deus,
Prometi fidelidade,
Vou cumprir os votos meus.

O juiz ensandecido
Luzia ameaçava
Dando seqüência ao processo
Ele a virgem intimidava
Com o seu imenso ódio
Que irado a torturava.

Ameaçada de estupro
Mas firme na decisão
Queria sempre ser casta
Pra sua santificação
Templo do espírito Santo
Era assim seu coração.

Luzia disse ao juiz:
―Meu Deus não vai me julgar
Se à força oferecer
Incensos para adorar
Aos ídolos, sem vontade
Para os homens agradar.

Foi dando provas de fé
Que a virgem confiou
Numa proteção divina
Ao juiz desafiou
Uma mensagem de Paulo
Pr’aquele homem citou.

O “Tudo posso Naquele
Naquele que fortalece”
Dito pela virgem Luzia
Pr’aquele homem parece
Causou ainda mais ira
O homem quase enlouquece.

O seu nobre pretendente
Que a tudo assistia
Fez uma outra tentativa
Para convencer Luzia
Dava outra oportunidade
Casar com ela queria.

Fez-lhe muitos elogios
Falou da convicção,
Enalteceu sua beleza,
E de anjo a sua feição,
Do seu olhar a pureza,
De fiel o coração.

A legenda popular
Narra a sua decisão
De arrancar os seus olhos
Pra oferecer ao então,
Jovem fidalgo e ao mundo
Causando admiração.

Contam ainda de outros olhos
Que em Luzia surgiram
Mais perfeitos e radiantes
No seu rosto todos viram
Que era Santa, acreditaram
E isso não omitiram.

A virgem foi resistindo
A investida jogada
Com sua superioridade
Que por Jesus foi lhe dada
Mas piche, azeite e resina
No seu corpo foi jogada.

Fizeram grande fogueira
Do seu corpo padecido
Subiram as labaredas
Mas Luzia, tenho lido,
Saiu ilesa da fúria
Daquele povo perdido.

Demonstrativo de fé
Dessa jovem sofredora
Que quando de olhos fechados
Era uma boa oradora
Chamava sempre por Deus
Da Palavra uma cumpridora.

O juiz com grande raiva
Ao seu soldado ordenou
A morte da virgem Santa
Que na história ficou
Atravessando uma espada
No seu pescoço, a matou.

Era 13 de dezembro
Do ano 303
Luzia deixava o mundo
E muita falta ela fez
Deixou como ensinamento
Exemplo de fé, altivez.

Na cidade Siracusa
Seu corpo foi sepultado
E para Constantinopla
Bem depois foi transportado
À Imperatriz Teodora
Esse corpo foi doado.

A virgem de quem eu falo
É a nossa Santa Luzia
Que belo exemplo de fé
Nessa donzela se via
Fazer homenagem a ela
Há muito tempo eu queria.
 
(Nelcimá de Morais)



segunda-feira, 14 de junho de 2010

FESTAS JUNINAS



FESTAS JUNINAS

É o mês de junho Chegando
Mudando a cor do sertão.
Sertanejos fervorosos,
Demonstram sua devoção.
Fazem festa para São Pedro,
Santo Antônio e São João.

O “arraia” é enfeitado
com bandeiras multicor.
Aluá, cachaça e quentão,
Dão a festa aroma e sabor.
Fogos fogueira e fagulhas,
Encanto, magia e fulgor.

Batata doce e macaxeira,
Pé-de-moleque e canjica,
Pamonha e milho verde,
Sem provar ninguém fica.
É o gosto Nordestino,
e fartura em mesa rica.

A quadrilha ensaiada.
Gritador está de plantão.
Sanfoneiro puxa o fole,
Começando a animação.
O noivo não quer casar,
Mas não tem outra opção.

“ Olha pro céu meu amor,
veja como ele está lindo”.
Velhas canções embalam,
As paixões que vão surgindo.
Transformando os mais antigos,
Em sonhadores meninos.

É quadrilha e casamento,
Fogueiras e animações,
Cantiga, bebida e comida
Dando cor as tradições
É o sinal de fumaça,
Reunindo multidões.

Texto e imagem de Dalinha Catunda

sexta-feira, 11 de junho de 2010

ABLC NO ARRAIÁ DA UFRJ


ACADÊMICOS DA ABLC NO ARRAIÁ DA UFRJ

O Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ realizará o Encontro da Cultura Popular com Poetas de Cordel no dia 11 de junho, às 19, no momento do acendimento da fogueira. A atividade acontecerá integrada ao Arraiá da UFRJ, que funcionará nos dias 11 e 12 de junho no Campo de Futebol da Educação Física e Desportos da UFRJ, na Praia Vermelha.
Dalinha Catunda, João Batista, Sepalo Campelo e José Pereira do Berrante são presenças confirmadas.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Edital Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel – 2010 – Edição Patativa do Assaré.

Eu sou Maria de Lourdes
Sou Catunda e Aragão.
Dalinha das Ipueiras,
O velho Ceará é meu chão.
Minha maior alegria
E fazer minhas poesias,
Falando do meu sertão
Maria Rosário Pinto
Nascida no Maranhão,
Na cidade de Bacabal
 Pra falar com exatidão.
Atua num grande papel,
Vive a catalogar cordel,
Em sua nobre profissão.


Um novo horizonte para a poesia popular
O Cordel de Saia recebeu, da pesquisadora Regilene Melo, por meio do blog Palavra Cultura, em 6 de junho de 2010 o informe do Edital Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel – 2010 – Edição Patativa do Assaré.
Poetas, editores, produtores e pesquisadores que atuam com as culturas populares agora têm um prêmio de incentivo a suas produções. É a primeira ação de incentivo ao cordel desde a regulamentação da profissão, em 14 de janeiro. O Ministério da Cultura lança, no próximo dia 8, em Juazeiro do Norte (CE), o Edital Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa de Assaré, que fará a seleção de 200 iniciativas culturais vinculadas à  criação e produção, pesquisa, formação e difusão da Literatura de Cordel e linguagens afins. Estão orçados R$ 3 milhões, distribuídos entre as iniciativas contempladas. As inscrições encerram-se dia 15 de julho de 2010.
O prêmio vem ressaltar a importância da Literatura de Cordel como patrimônio imaterial brasileiro, entendendo sua unicidade e papel fundamental na construção da identidade e da diversidade cultural brasileira. Podem concorrer poetas, repentistas, cantadores, emboladores e demais artistas populares e profissionais da cultura em quatro categorias: Criação e Produção (apoio à edição e reedição de folhetos de cordel, livros, CDs e DVDs); Pesquisa (dissertações de mestrado, teses de doutorado ou reedição de livros publicados até 10 de março de 2010); Formação (projetos que contribuam para a formação de profissionais que atuam em áreas que dialogam com a Literatura de Cordel e suas linguagens afins, como cursos, seminários, etc) e Difusão (eventos e produtos culturais que contribuam para a valorização e propagação da cultura popular, como feiras, mostras, festivais e outras iniciativas).

Recebemos ainda o Informativo Mais Cultura – Ano II – nº 106 – 07/06/2010.

http://www.mais.cultura.gov.br

maiscultura@cultura.gov.br.

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terça-feira, 1 de junho de 2010

SANTO ANTÔNIO OU SÃO GONÇALO



Hoje primeiro de junho, começa o mês das festas juninas. Três santos são festejados neste mês: Santo Antônio, São João e São Pedro.
Santo Antônio é o Santo Casamenteiro, se quiser recorrer ao Santo e prestigiar o Cordel de Saia, é só deixar seu recado nos comentários.








 SANTO ANTÔNIO OU SÃO GONÇALO?
*
Meu querido Santo Antônio,
Não perca oportunidade
De me arranjar um marido.
Estou falando a verdade!
Ou apelo a outro Santo,
Que me faça a caridade.
*
Há tempos que lhe recorro,
Sem ver qualquer resultado.
Pelo jeito o senhor anda
Desatento ou relaxado.
Ou tendo tantos pedidos,
Foi deixando o meu de lado.
*
Acho que o senhor é mesmo,
Um santinho do pau oco.
Eu peço, suplico, imploro
Só ainda não dei soco
Para atender meu pedido
E me tirar do sufoco.
*
Só que agora eu descobri,
Que o senhor tem concorrente.
Um santo casamenteiro,
Que é menos exigente,
Que se chama São Gonçalo,
E é muito eficiente. 
*
Diz o povo que ele casa
Mulher de qualquer maneira:
A donzela, a desquitada,
Viúva e até mãe solteira,
As que já passaram da idade,
E quem é raparigueira.
*
Por isto, meu Santo Antônio,
O senhor preste atenção:
Me arrume um bom casamento,
Ou mudo de devoção.
Vou procurar São Gonçalo 
Já cansei de embromação
*
Não há solteira que aguente,
Essa sua lentidão.
São Gonçalo desempenha,
Muito melhor a função,
E por não ser exigente
É veloz na solução.
*
Santo não faz diferença
Na hora do matrimônio.
Me arranjo com São Gonçalo,
Se vacilar Santo Antônio
Se eu ficar no caritó
Faço o maior pandemônio.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda