Seguidores

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014


A Peleja de Chiquinha do Cariri com Nanã de Princesa
*
Dalinha e Josenir
*
Foi na fazenda beleza
Do compadre Zé Roberto
Que se deu essa peleja
E a musa estava por perto
E neste bate e rebate
Tinha mulher no combate
Jogo limpo e descoberto.
*
Dalinha e Josenir
*
O evento foi aberto
Pela Nanã de princesa
Chiquinha do Cariri
Botou as cartas na mesa
A comporta foi quebrada
E os versos feito enxurrada
Desceram na correnteza
*
Dalinha e Josenir
*
Então Nanã de Princesa
Afinou sua viola
Chiquinha do Cariri
Coçou aflita a cachola
Com as palmas de alegria
Começava a cantoria
Que agora se desenrola:
*
NP
Sou Nanã, segure a bola
Moro bem longe daqui
Vim disposta a pelejar
Sou braba feito um siri
Sou rima solta na língua
Verso que brota e não míngua
Sou veneno de tingui.
*
CC4
Chiquinha do Cariri
É o meu nome de guerra
Não sei o que é sobrosso
Nasci lá no pé da serra
Fazer verso é minha sina
Meu repente é carabina
Que aponta, atira e não erra.
NP5
O bom cabrito não berra
Mas eu não vou me calar
Se seu tiro é certeiro
Pode o dedinho apertar
Pois também sou nordestina
Quando aponto a Lazarina
Faço até mudo falar.
CC6
Confesso, não vou negar
Já conheço a sua fama
Por isso vim preparada
Pra mudar o panorama
Hoje eu vou botar é quente
Seu diploma de valente
Eu vou atolar na lama.
NP7
Pode mudar seu programa
Vou baixar é o chicote
No laço do meu repente
Eu lhe agarro no pinote
Se você tentar fugir
Eu não sou de agredir
Mas lhe pego a cocorote.
CC.8
Você não pode com o pote
Por isso solte a rodilha
Não queira desmantelar
A rota da minha trilha
Quanto mais você me ataca
Sua luz fica mais fraca
E mais forte a minha brilha.
NP.9
Eu não sou movida a pilha
Me poupe de atrevimento
Eu tenho o brilho da lua
Brilho até em pensamento
Pelo que sei e que acho
Sua luz tem pouco facho
Este é seu maior tormento.
CC 10
Seu ego não alimento
Apelar não adianta
Pois cada verso que eu digo
O povo aplaude e se espanta
E você nessa agonia
Encarando a cantoria
Só pra garantir a janta.
NP.11 

Chiquinha eu não sou anta
E sei dar o meu recado
O café eu já ganhei
Tenho almoço assegurado
E você cantando aqui
Só ganha para o pequi
O povo tem me falado.
12 CC
Meu talento é comprovado
E ouso até comparar:
Sou avião sem motor
Que se sustenta no ar
Sou o ás da Seleção
A fama de Felipão
O chute a gol de Neymar.
NP. 13

Pra rimar e pra jogar
Tenho grande aptidão
Fui comparada a Pelé,
A garricha e a Tostão
Antes de ser repentista
Na vida futebolista
Atuei na seleção.
CC 14
Lembrança é ilusão
É sonho que se escondeu
Vamos falar de presente
De sucesso e apogeu
Do tempo atualizado
Pois quem vive de passado
É antiquário e museu.
NP. 15

O presente me envolveu
No mundo da cantoria
Em Juazeiro ganhei
Do povo que competia
Tirei Ismael Pereira
João e Pedro Bandeira,
Enquanto Vandinho ria.
CC. 16
Este feito eu não sabia
Me causou até espanto
Pois aqui no Cariri
Eu nunca escutei seu canto
Pra desbancar esses três
Terá que aprender francês
Latim, russo e esperanto.
NP. 17
Eu entendo seu espanto
Por isso lhe dou razão
O grande acontecimento
Abalou minha emoção
Pois nessa grande jornada
Do sonho fui acordada
Por “Padim Ciço” Romão.
18.CC
Pela sua reação
Botou água na fervura
Porém digo agora é tarde
Pois encontra quem procura
Das promessas não esqueça
Tire o verso da cabeça
Mostre o jogo de cintura.
NP. 19
Se prometi, criatura,
Não vou lhe deixar na mão
Já comprei sua vassoura
E também o caldeirão
Pra cumprir o prometido
Só falta agora o vestido
E os produtos da poção.
CC.20
Você só tem invenção
Da infuca faz estudo
Dispenso a sua vassoura
Pois me sobra conteúdo
Não preciso de magia
Porque um anjo é meu guia
E Deus meu maior escudo.
NP. 21

De Deus eu nunca desgrudo
Sou beata em romaria
Sou batizada e crismada
Também filha de Maria
No Santo de Canindé
Deposito a minha fé
Não vivo de bruxaria.
CC22
Quer desviar da porfia
Porém na malha está presa
Tem violeiro querendo
Testar Nanã de Princesa
Piaba, Antônio Araújo
Marlon Torres, Zé Marujo
Querem ver sua destreza.

NP. 23
Chiquinha tenho nobreza
Sou a força do repente
Bato em Antônio Araújo
E deixo Marlon doente
Piaba é peixe miúdo
Ele abato no cascudo
Pro resto ficar temente.
CC. 24
CC. 24
Não fique assim tão contente
Tem mais vates no roteiro
Já soube de Francinaldo
Aldemá, Silvio Grangeiro
Zé Joel e Agostinho
Capitão e Canarinho
Também Corró Ceboleiro.
NP. 25 

Quando entrei neste salseiro
O meu nome correu chão
Acabo batendo em todos
Só a Deus peço perdão
Boto tudim na sacola
E saio com a viola
Sem medo e sem compaixão
CC. 26
Você "só quer ser o cão"
Vive adubando seu ego
Diz sempre que é a tal
Que vira a ponta do prego
Mas dizem ser afobada
Maluvida e malcriada
Que só um guia de cego. 
NP. 27

Realmente eu não sossego
Sou de fato espevitada
Quando entro na peleja
Baixo mesmo a bordoada
Enfrento destro e canhoto
Sem medo do capiroto
Pois eu sou da pá virada.
28.CC
Saio da sua empreitada
Pois tenho pudor alheio
Mulher enfrentar mulher
Acho deprimente e feio
Vou deixar algum colega
Resolver essa refrega
E assistir seu aperreio.
29. NP
Dona Chiquinha não creio
Nesta sua desistência
Se eu fui muito abusada
Me bote de penitência
Mas mulher não vá embora
Peço por Nossa senhora
Tome outra providência.
30.CC
Nanã, aguarde a sequência
Pois foi fraca essa contenda
Vou lhe conceder um tempo
Pra que estude e aprenda
Topo um outro desafio
Mas bote gás no pavio
Ou desde agora se renda.
NP. 31 

Minha fama virou lenda
Eu não sou de fraquejar
Revanche eu lhe concedo
Vou botar para quebrar
Chiquinha vou lhe dizer
Quem pensa que vai bater
Acaba por apanhar.
32.CC
E vendo a briga findar
Sem vencedor ou vencido
Juramento de outro embate
No pensamento escondido
Com a dupla agora calma
O povo então bate palma
Contente e agradecido.
*
Fim

Um comentário:

  1. Dalinha Amei ler muito bom gostei parabéns a vocês.
    Beijos
    Santa Cruz

    ResponderExcluir