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quinta-feira, 30 de junho de 2011

FESTAS DE SANTO


Festas de Santo 
Nossas festas populares
Santo Antônio é o primeiro
É Santo bem conhecido,
Porque é casamenteiro.
Recebe muitos pedidos,
Daquele que é solteiro.
*
Das festas de Arraial,
Seguido, vem São João,
É o Santo das quadrilhas,
Onde soltamos balão.
Tem casamento na roça
Tem pamonha e tem quentão.
*
Logo chega o São Pedro,
Que é Santo pescador.
Foi ele que desenvolveu,
A Igreja do Senhor.
Dizem que negou o Cristo,
Mas nunca foi traidor.
(Rosário Pinto)
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ou envie para: cordeldesaia@gmail.com
Foto: do link da Academia Penedense de Lestras, Artes, Cultura e Ciências

quarta-feira, 29 de junho de 2011

VIVA SÃO PEDRO!


VIVA SÃO PEDRO!
*
Hoje é dia de São Pedro,
Que já se chamou Simão.
É ele quem fecha as festas
Nos festejos do sertão.
Onde o profano e o sagrado
Fazem a miscigenação.
*
Chama-se Santo Antônio,
O santo casamenteiro.
O glorioso São João,
Só dorme o tempo inteiro.
Enquanto o grande São Pedro,
Trabalha no céu é porteiro.
*
Das desamparadas viúvas
É São Pedro o protetor.
Dele tem a proteção
Também quem é pescador.
E se um dia negou Cristo,
Depois virou seu pastor.
*
Texto de Dalinha Catunda,
Imagem: brasilcultura.com.br
Visite: www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.rosarioecordel.blogspot.com

terça-feira, 28 de junho de 2011

TERESÓPOLIS


TERESÓPOLIS
*
Admiro Teresópolis
Linda cidade serrana,
Muitas vezes apareço
Quando é final de semana,
E sinto-me encantada
Com tudo que dela emana.
*
Hortência naturalmente,
Neste chão vejo brotar
Ornamentando a cidade
Engalanando o lugar.
Olhando tanta beleza
Difícil não se encantar.
*
A verde mata fechada
Revestida de grandeza.
O manto do céu azulado,
É cenário de beleza
Serra triscando no céu,
Tudo arte da natureza.
*
Olhar o dedo de Deus
Do alto daquela serra,
É mirar o paraíso
Mesmo se estando na terra,
Monumento natural
Que muita beleza encerra.
*
Teresópolis traduz:
Encanto, magia, riqueza.
Certamente premiada
Com dotes da natureza,
De encantos foi coroada
Esta terra de Tereza.
*
TERESÓPOLIS - poema composto para Oficina em TERESÓPOLIS que foi realizada em 27/06/2011, na Escola Municipal Sakurá.
Texto e imagem de Dalinha Catunda
Visite: www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.rosarioecordel.blogspot.com

Oficina Cordel de Saia

                                                     Oficina CORDEL DE SAIA 
*
 Cordel de Saia, com Rosário Pinto e Dalinha Catunda realizou oficina na Escola Municipal Sacurá, Teresópolis, em 27 de junho de 2011.
O convite partiu da professora Maria Helena Santos, com o aval da diretora Solange Dias.
As turmas eram de alunos do 6º e 7º período.
Nossa proposta foi apresentar um panorama da história da literatura de cordel – suas origens; chegada ao Brasil; sedimentação no Nordeste e, chegando ao Sudeste por meio de poetas que migraram em busca de melhores condições de vida e de trabalho, na primeira metadedo século XX.
Para estas turmas de alunos na faixa etária dos 9 aos 13 anos, ainda iniciando a formação de conhecimentos gramaticais e literários, optamos por dar maior evidência a:
*
1. Situar a literatura de cordel - desde os seus primórdios até nossos dias;
ênfase ao caráter de oralidade da poesia de cordel em seus primórdios. Oriunda do canto, das canções infantis, cantigas de roda lendas e histórias contadas desde os tempos de seus avós e episódios locais;
2. Apresentação  do folheto - sua formatação gráfica e ilustração das capas – tamanho; capas em desenho, cartazes de cinema, cartões postais e xilogravuras;
3. Estruturação - as quadras, trovas e sextilhas, com métrica e rima;
Ex.: Quadra – estrofe de quatro versos de sete sílabas, rimando o 2º com o 4º (ABCB), podendo ter o sentido complementado em outras quadras.

Eu que sou uma aprendiz - A
Fico na observação - B
Escrevendo minhas quadras - C
Com amor e emoção - B
(Rosário)

Da roseira nasce a rosa,
Que antes foi um botão -B
Mas depois que a rosa murcha
Pétalas caem no chão. – B
(Dalinha)

Ex.: Trova – estrofe de quatro versos de sete sílabas, rimando o 1º com o 3º e o 2º com o 4º (ABAB), dando-lhe um sentido completo.

Cordel de Saia pretende – A
Agregar as cordelistas – B
A mulher, quase duende! - A
Expondo suas conquistas – B
(Rosário)

Cuidar bem da natureza - A
Sei que é nossa obrigação – B
Vamos pensar na beleza - A
De não ter poluição – B
(Dalinha)

4. Sextilhas – estrofe de 6 versos (sextilhas) e, 7 sílabas métricas – rimando o 2º com o 4º e com o 6º – esclarecer para o aluno a diferença entre sílaba gramática e métrica. Ex:

O sol ilumina o dia
E aquece nosso planeta
É chamado de astro rei,
Ele se vê sem luneta
Aprendi esta lição
Foi com tia Julieta.
(Dalinha)

Durante o mês do folclore
É sempre tempo de festa
Tem brinquedo e brincadeira
Mas também tem a seresta
Canções, rezas e benditos
E histórias da floresta
(Rosário)

5. Métrica - medida, o tamanho de cada verso
Ex.: 7 sílabas métricas (sílabas fonológicas, não morfológicas):
Ex.: Cor/del/ é/ li/te/ra/tu/ra – 7 sílabas métricas, finalizando na última sílaba tônica ou seja, a sílaba mais forte;
6. Estrofação – as várias modalidades de estrofes – quadras, sextilhas, setilhas, décimas e outras modalidades;
7. Oração – o encadeamento dos versos, composição com princípio/meio e fim. Esta orientação serve para inserir conteúdos também de textos em narrativa;
8. Riqueza de expressão – cuidado no uso de expressões poéticas;
9. Permanência – observar a permanência dessa forma de expressão poética que chegou ao Brasil, na bagagem dos primeiros colonizadores e atravessa os tempos;
10. Importância – constatar a pertinência do uso da literatura de cordel como ferramenta adicional no âmbito escolar evidenciando o caráter lúdico e atual, podendo ser utilizada por professores em todas as disciplinas da grade escolar;
11. Motivação - despertar nos alunos face às múltiplas possibilidades de busca em feiras populares e em sites e blogs na internet; despertar o interesse criativo, objetivando extrair do aluno temas de seu dia a dia;
12. Estímulo a pesquisa - realizar buscas na internet, como ferramenta de trabalho, em sites e blogs específicos para a realização de suas tarefas;
13. Temáticas/assuntos - abordar assuntos de interesse do aluno e de seu grupo;
14. Cotidiano – relato da vida diária de cada um (a família / a escola/ o bairro / a cidade / interesses pessoais;
13. Fatos mais recorrentes - nas mídias (rádio / televisão / jornais/ etc.);
14. Notícia (o poeta como repórter dos fatos ocorridos, hoje, o poeta não é mais a fonte de informação como no passado, ele analisa a notícias e faz uma espécia de crônica opinativa);
15. Olhar do poeta – o poeta é um sagaz observador da realidade que o cerca e do mundo, sempre atento a tudo que se passa a sua volta e no mundo.

Expectativas pedagógicas:
.
despertar o interesse pela leitura em todos os seguimentos;
despertar o espírito de composição narrativa e poética;
formação de novos leitores e, quem sabe, escritores e/ou poetas.
.
A oficina foi ministrada por Rosário Pinto e Dalinha Catunda do Cordel de Saia
Navegue ainda:
http://cantinhodadalinha.blogspot.com
http://rosarioecordel.blogspot.com
Não deixe de consultar para ampliar suas pesquisas os sites:
www.cnfcp.gov.br
www.ablc.com.br
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sexta-feira, 24 de junho de 2011

VOA!!! PAVÃO, VOA!!!!

PAVÃO MISTERIOSO!!!!

O cordel tem dado mostras
De sua versatilidade
Navega na internet
Com a maior tranqüilidade
Escreve em verso o jornal
Cultura imaterial
É tema da atualidade.

Chegando à modernidade,
O cordel virou “global”
Vem de muitos idos tempos,
Na TV é cabedal.
Está presente na tela:
Acompanhe a novela.
Lá tem papel virtual.

Ouvimos muito falar
De um pavão encantado
De um pássaro formoso,
Em um reino afastado
Repleto de peripécia
 “Que levantou vôo da Grécia”
De amor acalantado

Foi num antigo reinado
Nos tempos da oralidade
Onde havia uma princesa
Menina de pouca idade
O seu pai muito grosseiro
Trancou-a em cativeiro
Num reino de falsidade

Essa história tem versões
De poeta afamado
José Camelo de Melo
É o mais reivindicado
Pela autoria dos versos
Por motivos adversos
Foi por outro aclamado.

Esse outro poeta foi
O Melquíades Ferreira
Que vendeu muito folheto.
João Camelo, na carreira
Desgostoso e bem zangado
Rasgou os versos guardados,
Que não venderam na feira

Tá chegando o Carnaval:
A temática é cordel.
O Salgueiro homenageia
Nosso vate menestrel
O poeta bem atento,
Acompanha o seguimento
Observando o plantel

Agora vem o Salgueiro
Com o Pavão Misterioso
Trazendo no seu desfile
Também Boi Misterioso
Tem zabumba, tem pandeiro
E tem velho mandingueiro:
Carnaval ambicioso

Pavão Misterioso chega
Na avenida, vem voando
Soltando as suas plumas
A arquibancada gritando:
Voa, voa meu Pavão
Hoje é dia do povão
O Pavão está abafando
(Rosário Pinto)

Abra o link e leia mais de 10 edições distintas e, realize suas pesquisas em:



SILVA, João Melquíades Ferreira da. História do pavão misterioso. Ed. Especial. Campina Grande: [s.n.], 1955. 32 p.
Observe a nota ao final do folheto:
Esta edição traz uma nota do poeta Abraão Batista acerca da autoria.
"Segundo Expedito Sebastião da Silva, poeta gráfico da antiga Editora de José Bernardo. João Melquíades plagiou o Pavão Misterioso, o "original" de José Camelo de Melo. O plágio vendeu melhor do que o original. A gráfica José Bernardo segui o gosto popular. José Camelo, desgostoso rasgou o seu original que perdera a concorrência" 

Viste ainda:

www.ablc.com.br
www.cnfcp.gov.br
http://rosarioecordel.blogspot.com
http://cantinhodadalinha.blogspot.com/

quarta-feira, 22 de junho de 2011

GRANDES NOMES DA POESIA DE CORDEL

CONHECENDO NOSSOS POETAS

JOÃO FERREIRA DE LIMA nasceu, em São José do Egito (PE), em 1902. Além de poeta, foi astrólogo. Autor do mais célebre almanaque popular nordestino, o Almanaque de Pernambuco, lançado em 1936, Alcançando entre 1936 e 1972 uma tiragem de mais de 70.000 exemplares. Percorreu vários temas da poesia popular, privilegiando as Discussões e Pelejas, publicou Discussão de dois poetas, Antônio da Cruz com José Cajarana(*) e, Peleja de João Athayíde com João Lima, do qual temos conhecimento de duas edições: uma de Recife, 1921 e outra, de Juazeiro do Norte, Tipografia São Francisco, 1957. Também abordou os temas de malandragem e presepada, cuja obra mais conhecida é As palhaçadas de João Grilo, folheto de 8 páginas, em sextílhas que, em 1948, foi ampliada por João Martins de Athayde para 32 páginas, em setílhas, sob o título de Proezas de João Grilo. Outros poetas abordaram a temática de presepada, esperteza e astúcia como, Francisco Sales Arêda, em As palhaçadas de Pedro Malazartes; Leandro Gomes de Barros, em A vida de Cancão de Fogo e seu testamento; e, Manoel Camilo dos Santos, em O sabido sem estudos e As aventuras de Pedro Quengo. João Grilo adquiriu renome internacional quando representado na peça teatral O auto da compadecida, de Ariano Suassuna.
Uma vertente em particular a ser notada na obra de João Ferreira de Lima é a crítica e a sátira social, quando após responder a todas as adivinhas propostas pelo Rei, que lhe concederia o benefício de instalar-se no castelo, João Grilo impõe à nobreza valores de caráter moralizante, como podemos observar nos versos:
...E então toda a repulsa
transformou-se de repente
o rei chamou-o pra mesa
como homem competente
consigo, dizia João:
na hora da refeição
vou ensinar esta gente.

E, continua sua lição nos versos que se seguem:

...Eu estando esfarrapado
ia comer na cozinha
mas como troquei de roupa
como junto com a rainha
vejo nisto um grande ultraje
homenageiam meu traje
e não a pessoa minha....

Esse “tal” João Grilo é a imagem do anti-herói como, Pedro Malazartes, João Malasarte e Pedro Quengo, personagens também abordadas pelos poetas João Martins de Athayde, Paulo Nunes Batista e Antônio Pauferro da Silva, com As perguntas do Rei e as respostas de João Grilo, dentre outros.
João Ferreira de Lima publicou poucos títulos, mas de grande qualidade e influenciou uma séria de grande autores com o seu João Grilo. Faleceu em Bezerros, em 1973.
Leia na íntegra o folheto: 
 (*) LIMA, João Ferreira de. Discussão de dois poetas, Antônio da Cruz com José Cajarana. [S.l.: s.n., 19--]. 8 p.
Disponível em: http://www.cnfcp.gov.br - Base de Dados > Acervos > C0193 e,


LIMA, João Ferreira de. As proezas de João Grilo. Fortaleza: Tupynanquim, 2001. 32 p.
Disponível em: http://www.cnfcp.gov.br - Base de Dados > Acervos > C5266.

  A partir destes links ou qualquer outro, você navega em toda a CORDELTECA - Memória da Literatura de Cordel, da Biblioteca Amadeu Amaral, do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/CNFCP/Iphan/MinC.        
BOAS PESQUISAS

Rosário Pinto

Consulte ainda:


domingo, 19 de junho de 2011

Carnaval e cordel: isto vai dar samba!

A Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro levará para a avenida a literatura de cordel, como tema de seu samba-enredo. Concordo com o poeta Lobisomem: o fato de uma agremiação de escola de samba, do Rio de Janeiro, escolher com temática a literatura de cordel, é fato ÚNICO. Isto é motivo para comemoração e não para censuras. A literatura de cordel está em seu apogeu, o que faz com que possa ser apropriada por outras corretes da cultura popular e, se ocorre de forma espontânea, melhor. Afinal, a literatura de cordel chega ao palco universal da Marques de Sapucaí. Ao invés de ficarmos nos colocando numa posição defensiva, devemos procurar subsidiar, para que o espetáculo fique ainda mais brilhante.

A verdadeira arte só é arte, quando pode ser referencial para todos, de todas as camadas sociais, culturais, raças, profissões e feitios. Não é à toa que até os dias atuais os grandes escritores do passado permanecem vivos e atuais e, nos tocam, nos referenciam e dizem de nossas emoções e vivências... O momento é de conquista. O samba não precisa obedecer a critérios de composição poética -, afinal, é samba-enredo, com a temática da literatura de cordel, não ela própria. Vamos deixar o cordel embarcar nessa viagem misteriosa da Marques de Sapucaí. Vamos deixá-lo voar e conquistar novos ares e novos palcos... Quem sabe, daí sairá o interesse formador de novos leitores, poetas que possam manter viva essa cultura literária que vem lá de idos tempos - passando de geração em geração e mantendo-se bela, homogênea e transcendente. A nossa literatura não deve ficar presa aos seus criadores, precisar transcender, voar, voar, voar...

VAMOS SOLTAR ESSE PAVÃO MISTERIOSO NA AVENIDA

Beijos, amigos e confrades,
Rosário Pinto
Academia Brasileira de Literatura de Cordel