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sábado, 15 de agosto de 2020

SEM INDAGAÇÕES

 

SEM INDAGAÇÕES...

*

Tento manter meu sorriso

Fazer planos não procuro

Vou adornando o presente

Com versos que emolduro

Sem saber onde chegar

Continuo a caminhar

Enquanto aguardo o futuro.

*

Estrofe de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com


Entrevista de Dalinha Catunda ao Jornal Toda Palavra

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

METI O PÉ NA CARREIRA QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

 

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

Mote de Dalinha Catunda

1

DALINHA CATUNDA

O forró de Zé fervia

Êta forró animado

Mas um sujeito melado

Tentou dançar com Maria

Porém ela não queria

E a confusão começou

O pé de cana puxou

Rapidamente a peixeira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

2

RITINHA OLIVEIRA

O meu bisavô Aquino

Era um homem festeiro

No salão ou no terreiro

Fazer festa era seu tino

Mas um dia um suvino

Sua cota não pagou

Bisa Aquino lhe agarrou

Bateu nele a noite inteira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU

3

BASTINNHA JOB

Aquele bebum safado

Entrou com gosto de gás,

Parecia satanás

Tinha o rabo alevantado,

Cheiro de chifre queimado

Na latada se espalhou

A debanda começou,

Dalinha foi a primeira:

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU!

4

LINDICASSIA NASCIMENTO

Até que tava arretado

O fungado em meu ouvido

Vez por outra um gemido

E o caboclo espritado

O forró tava animado

Mas o encanto acabou

Uma fulana chegou

Não tava pra brincadeira

METI O PÉ NA CARREIRA

 

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

5

VÂNIA FREITAS

A luz negra foi inventada

E invadiu nosso sertão

A nossa mocinha então

Foi pra festa da pesada

De lá foi escorraçada

Quando a cobra lhe picou

Aí a mocinha gritou

E foi a maior zoeira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

6

ARAQUÉM VASCONCELLOS

Um sujeito sarará

Muito brabo e forasteiro

Bem armado no terreiro

E começou um fuá

Com um tal de zé fubá

Que o estranho agarrou

Com um soco derrubou

Ainda deu uma rasteira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU

7

ANTÔNIO HONORIO

Eu também fiz desse jeito

La na casa de severo

Disse perna pra que te quero

E ninguém me acompanhava

Perdi o rumo da casa

Nem sei pra onde ficou

Me sandalia desamarrou

No meio da capoeira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO FURDUNÇO ARROCHOU

8

RIVAMOURA TEIXEIRA

Tava bom o forrozão

Aí chegou zé xereta

E pimenta malagueta

Rebolou lá no salão

Foi tremenda confusão

João Meiota não gostou

Rosinha muito fungou

Deu confusão de primeira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU

9

DÃO DE JAIME

A mulher no forró têm

Que dançar com todo mundo

Cego aleijado e corcundo

Com papudinho também

Pois eu conheço um alguém

Que pra dançar recusou

Foi em casa e voltou

Trazendo uma cartucheira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU

10

FRANCISCA EMÍDIO -CHICA

Chegou um cabra safado

Na bodega de Seu João

Traz cachaça com limão:

Ele pediu abusado

Já tava meio zoado

Uma cadeira quebrou

Nessa hora alguém gritou:

Pega esse cara fuleira!

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

11

MANA CARDOSO

Num samba num casamento

Festa tradicional

Para o povo do local

Um grande acontecimento

Porém num dado momento

Um cabra ruim chegou

E da bainha puxou

Uma lapa de peixeira

Meti o pé na carreira

Quando o furdunço arrochou.

12

CREUSA MEIRA

Era noite de São João

O povo todo na praça

Fogos e muita fumaça

Eu tomando o meu quentão

De repente foi ao chão

Meu copo que se quebrou

Logo alguém escorregou

Eu fiquei toda cabreira

METI O PÉ NA CARREIRA

QUANDO O FURDUNÇO ARROCHOU.

*

Mote de Dalinha Catunda

Ciranda de glosas coordenada por Dalinha Catunda

Xilo do meu acervo da autoria de Maércio Siqueira

 

 


sexta-feira, 7 de agosto de 2020

CARREIRÃO DE VÂNIA FREITAS

 Dalinha tu és poesia
Legítima e verdadeira
Vou entrar nessa história
Pois gostei da brincadeira
Vou pegar o carrilhão
E tocar a noite inteira
Pra a rainha do Cordel
Essa rosa da roseira
Que com belo verso exala
A subida da ladeira
Daqui de baixo eu olho
Vejo outra bem ligeira
É Lindicassia a dama
Da bela poesia brejeira
De gaiata me misturo
Com esta gente timoneira
"Devagar se vai ao longe..."
Mesmo sendo derradeira
Remando contra a maré
Embora ainda topeira
Faço da vida uma arte
Da arte minha videira
Donde tiro meu bom vinho
Que inspira minha dodeira
Pra criar novas ideias
E não ser prisioneira
Mas ser livre leve e solta
Pra fazer qualquer besteira
Como estou fazendo agora
Verso sem eira e sem beira
Para ocupar minha mente
E tirar da prateleira
Tudo que está cheio mofo
Também cheio de poeira
O meu canto é de segunda
Porque o seu é de primeira.
Glosa - Vânia Freitas
Mote de Dalinha Catunda só inverti, porque seria um atrevimento da minha parte achar que meu canto seria de primeira.
SE TEM CANTO DE SEGUNDA

O MEU CANTO É DE PRIMEIRA. 

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Meu Canto de Apresentação - Dalinha Catunda


CARREIRÃO DE LINDICÁSSIA NASCIMENTO


CARREIRÃO DE LINDICÀSSIA NASCIMENTO
*
Sou mulher, sou nordestina
Sou verso de gemedeira
Sou musa do universo
Sou leveza na ladeira
Não escorrego na rima
Do cordel, sou curandeira.
Eu aprendi com Dalinha
Que é poeta companheira
Ela aprendeu com o vate
Poeta Pedro Bandeira
Ele o príncipe dos poetas
Ela a rainha faceira.
Já eu mulher sertaneja
Com astúcia cangaceira
Desbravo a literatura
Tal qual a mulher rendeira
Eu vivo parindo versos
Sem precisar de parteira.
Sou da arte popular
A ponta da lançadeira
Se eu cair me levanto
Não me sinto prisioneira
Eu não disputo espaços
Porque sei ser verdadeira.
Meu mundo é colorido
Desde casa até a feira
Levo comigo quem quer
Me seguir sem ter zoeira
Ninguém pense que derruba
Meu canto de feiticeira.
Carrilhão sem dobrar rima
Só pra quem é fiandeira
Me garanto nessa roda
Porque eu sou cirandeira
SE TEM CANTO DE SEGUNDA
O MEU CANTO É DE PRIMEIRA.

Glosa: Lindicassia Nascimento
Mote de Dalinha Catunda
postagem de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
dalinhaac@gmail.com

CARREIRÃO DE MULHER


CARREIRÃO DE MULHER
*
Sou poeta popular
Nos versos sou estradeira
Quando pego um carreirão
Meu verso não tem barreira
Sempre tive a língua solta
Pois gosto de brincadeira
Quando chego num alpendre
Puxo logo uma cadeira
E desenrolo meu verso
Sem esquentar a moleira
Ninguém derruba meu verso
Com pedra de baladeira.
Quem for fraco de poesia
Pode pegar na carreira
Meu angu aqui é quente
Não se come pela beira
Quando retoco o batom
Mostro meu lado brejeira.
Tem muita gente que aplaude
Meu verso de cantadeira
Porém tem gente que diz
Que apenas falo besteira
Não canto sem minha figa
Não passo sem benzedeira.
Aprendi meu carreirão
Ouvindo Pedro Bandeira
Escrevo meus absurdos
Por causa de Zé Limeira
Eu só não aprendo nada
É quando esbarro em toupeira.
Esse canto encarrilhado
É canto de catingueira
Que não erra na flechada
Porque sabe ser certeira
SE TEM CANTO DE SEGUNDA
O MEU CANTO É DE PRIMEIRA.
*
Versos de Dalinha Catunda cad.25 da ABLC
Arte da ilustração Cayman Moreira
dalinhaac@gmail.com