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sexta-feira, 11 de março de 2011

Desafio Dalinha X Rosário

 DALINHA X ROSÁRIO
Desafio entre Dalinha Catunda e Rosário Pinto
Rosário:
Convidei dona Dalinha
pra comigo pelejar
para nesse Informativo
Uma peleja postar
Ela aceitou de pronto:
A peleja tá no ar
Dalinha:
Querida amiga Rosário
Amiga de confraria.
Onde canta seu José
Tem vaga pra Sá Maria
Por isso vamos testar
Se estamos em sintonia
Rosário:
Já que você aceitou
Meu convite pra cantar
Cantaremos as mulheres
Em seus cordéis a fiar
Na peleja também tem
Mulher a desafiar
Dalinha:
As mulheres desafiam,
Desde a sua criação.
Eva lá no paraíso
Provocou o tal Adão.
E ele caiu direitinho.
Na gostosa armação.
Rosário:
Dalinha, pare com isto
Não é esta nossa prosa.
Aqui nestes nossos versos
Você só quer ser garbosa.
Mas este mundo tá cheio,
De mulheres talentosas.
Dalinha:
Não fujo d’uma peleja
Tô pro que der e vier
Se eu quero ser garbosa,
È só porque sou mulher
E não venha me dizer
Que você também não é!
Rosário:
No Ceará conhecemos
As mulheres cordelistas
Publicando seus folhetos
Começando a dar nas vistas
Rimando com maestria
Nunca perdendo as pistas
Dalinha:
Você também tá na pista,
Neste desafio virtual.
Pois o seu gosto por versos,
Nasceu lá em Bacabal
Juntinho com o seu pai
Em sua cidade Natal.
Rosário:
Esta sua afirmação
É verdade, verdadeira
Seu Hugo me ensinou
A gostar da brincadeira
Tomei gosto pelo verso
E isto não é besteira
Dalinha:
Sendo para ressaltar
A mulher e sua conquista.
Eu me irmano com você
Seguindo a mesma pista.
Com mulheres no cordel
Um novo tempo se avista.
Rosário:
Os poetas reconhecem
Belas métrica, oração.
As mulheres cantadoras
Cantam com o coração.
No litoral ou na serra,
Sobretudo no sertão!
Dalinha:
Os poetas lá de cima
Apoiam a mulherada.
Pois elas já colocaram
Há muito, o pé na estrada.
Cantando com maestria,
Desde coco à embolada.
Rosário:
Quem diria, miga Dalinha,
Que pelejas eu faria
Você me incentivando,
Tempos atrás, eu temia
Que poetas descobrissem
A tamanha ousadia!
Dalinha:
Você é tão importante
Em nossa literatura.
Catalogando cordel
E divulgando a cultura.
Se hoje faz os seus versos,
É porque tem estrutura.
Rosário:
De tanto ler cordel,
De tanto catalogar,
Tomei gosto pelo verso,
E cultura popular.
Agora que tomei gosto,
Vai ser difícil parar.
Dalinha:
E é assim que se fala
Querida amiga minha.
No rumo da poesia
Você faceira caminha
Para andar de braços dados
Com sua amiga Dalinha.

FIM
Rio de Janeiro, novembro de 2010.

Foto do acervo Cordel de SAIA
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