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terça-feira, 8 de maio de 2012

Antônio Dideus Sales que ocupa a cadeira 33 na ABLC e tem como patrono Rodolfo Coelho Cavalcante nos brinda com este importante cordel em homenagem a seu patrono.
*

O MUNDO CORDELIANO
DE RODOLFO COELHO CAVALCANTE
Dideus Sales

O mundo cordeliano
Encontra-se exultante,
Degustando este momento
Glorioso e cintilante,
De entusiasmo e colheita,
Fruto da plantação feita
Por Rodolfo Cavalcante.

Arrojado e desenvolto,
Rodolfo, um alagoano
Da pequena Rio Largo,
Peregrinou qual cigano,
Foi camelô e humorista,
Tornando-se o cordelista
De luz do solo baiano.

Foi em mil e novecentos
E dezenove que veio
Ao mundo para brilhar
E ser da arte um esteio,
Magnífico menestrel
Que deu impulso ao cordel
Além do tempo em seu meio.

Nascera num ambiente
De muita simplicidade,
Seus pais, Arthur e Maria
Passaram necessidade,
Mas não pouparam conselho
Pra que Rodolfo Coelho
Fosse um homem de verdade.

Com treze anos apenas,
Garoto de alma pura,
Jogou-se à mercê da sorte
Em inédita aventura,
Palmilhando o sertão quente
Até achar a nascente
Da sua literatura.

A infância foi insípida,
Precária a adolescência,
Precisando trabalhar,
Pois, lhe faltava assistência...
Assim levou seu fadário,
Garimpando o necessário
À sua sobrevivência.

Da região nordestina
Sob o sol abrasador,
Percorreu os nove estados
O errante trovador,
Bordando sonhos e frases
Até compor seu oásis
Na bonita Salvador.

Pousou em quarenta e cinco
Na capital da Bahia,
Fez encontros de poetas
De folheto e cantoria,
Com seu carisma e fluência
Provocou efervescência
No mundo da poesia.

Com arte e muita elegância
Plasmou o seu universo
Poético sem aos colegas
Tornar-se alheio ou disperso,
Por todos tinha desvelo,
Imprimindo este modelo,
Fez-se um poeta diverso.

Sua verve não brilhou
Apenas no cordelismo,
Muito vivaz e arguto
Mergulhou no jornalismo.
Sempre habilidoso e ético,
Editou “Brasil Poético”,
Jornal do trovadorismo.

Fez “A Voz do Trovador”
Juntando o povo que pensa,
Para dar vez aos poetas,
E à trova dar voz imensa;
Com o jornal consolidado,
Ajuda a fundar no estado,
A Associação de Imprensa.

Seu perfil foi adornado
Desde o albor da infância,
Com os diamantes da ética
E os lírios da elegância,
Ornamentou sua estrada,
Deixando cristalizada
Criação de relevância.

Rodolfo com a escrita,
Costurou eterno enlace,
Tecendo verso e criando
Entidades para classe.
Poeta vário e fecundo
Que construiu o seu mundo
E a cada dia renasce.

Com boniteza poética
Soube imprimir seu matiz
Em estrofes bem traçadas
Que não constam em release,
Mas quem as sabe de cor
Diz que fora o maior
Cordelista do país.

Em sua vastíssima obra
Vemos um matelassê
De tantos títulos e temas
E até indago: por que
Naquele tempo, poeta
Como ele, um esteta,
Fazia tanto ABC?

Foi da sua grande lavra
O principal editor,
Todos seus folhetos têm
De poesia sabor:
“ABC dos namorados”
E outros ABC falados:
Da “macumba” e “do amor”.

Por tudo que produziu,
Pra ele tiro o chapéu;
“O Drama do Comandante”
Merece aplauso e troféu
Junto com “Príncipe Formoso”
Um romance primoroso,
E o bom “Lampião no Céu”.

Em veículos de cultura
Soube fazer a manobra;
A métrica de seus cordéis
Não constitui falta ou sobra.
Imensuráveis capítulos...
Mil e setecentos títulos
Fazem sua bela obra.

Substantiva e robusta,
Sua obra não colide
Com os clássicos, aliás,
É buquê que coincide
Com os que estão nos jarros
De Leandro G de Barros
E João Martins de Athayde.

A ele hoje comparo
Pela consciência clara,
Gonçalo Ferreira Silva,
Um gênio que se declara
Fã do poeta de escol,
O brilhante Rouxinol
E Moreira de Acopiara.

Existem, no mesmo nível
Outros, fazendo justiça,
Cito alguns para ilustrar,
Pois, poesia castiça
Natural e espontânea,
Burilada e instantânea
É no Nordeste que viça.

Cordelista de alto nível,
Aplaudido e renomado,
Tendo em vida muitas glórias,
Deixou-nos grande legado.
Pra que seu nome se zele,
Até pela ABL
Ele foi condecorado.

Eno Theodoro Wanke
E Matine Kunz teceram
A trajetória do bardo
Em obras que escreveram,
Livro muito abalizado
E tese de doutorado
Que até pós- doutores, leram.

Expoente do cordel,
Figura branda e modesta,
Incentivador dos jovens,
Aparador de aresta.
Irradiava alegria,
Declamando poesia
Rodolfo fazia a festa!

Do seu estro luminoso
Brotou extraordinário
Trabalho que ainda é
Atual e necessário,
Soube escrever o real
Como fora magistral
No terreno imaginário.

Um líder incontestável
Competente e carismático,
Escritor muito inventivo
De conhecimento prático
Na seara da poesia
Que se fez com maestria,
Do cordel um catedrático.

Virou artesão de sonhos
Muito cedo a desenhar
A poesia do povo
Cumprindo a sina invulgar
De divulgar a beleza,
Para manter sempre acesa
A cultura popular.

O soteropolitano
Cidadão emudeceu
No dia 7 de outubro,
Quando um veículo o colheu
Com o chofer alcoolizado,
Cruel e despreparado,
Que sequer o socorreu.

Ao hospital Simões Filho,
Depois ao Getúlio Vargas,
Rodolfo fora levado
Com feridas muito largas
Devido à forte pancada,
Naquela noite minguada
Teve as horas mais amargas.

Isso no século XX,
No ano de oitenta e seis,
Perdemos o cordelista
Da mais plena lucidez,
Cobrindo de empecilhos
A trindade órfã de filhos
E Hilda na viuvez.

Sem sequer dizer adeus,
Foi-se o nosso timoneiro,
Lavrador de lindos sonhos,
Da esperança, mensageiro,
Apóstolo da poesia
Que o Brasil reverencia
Por seu espírito altaneiro.
*
Foto e texto de Dideus Sales

domingo, 6 de maio de 2012

DE REPENTE - DALINHA, FRED E GAIÃO


DEU SAUDADE DE REPENTE
I-DALINHA CATUNDA
*
Lembro-me dos belos dias
Tão repletos de alegrias
Onde as velhas cantorias
Encantavam meu rincão.
Com jeitinho de repente
Eu revivo no presente
Este canto absorvente
Nos oito pés a quadrão.
*
Gostava da brincadeira
De pegar numa peixeira
E descascar macaxeira
Pras bandas do meu sertão
Porém minha realidade,
 Residindo na cidade
É matar minha saudade
Nos oito pés a quadrão.
*
Morando na minha oca,
Descascava a mandioca
Para fazer tapioca
Naqueles tempos de então
Depois deitava na rede
Tacava o pé na parede
Hoje mato minha sede
Nos oito pés a quadrão
*
O rádio eu sempre ligava
Quando a aurora raiava,
E cantando acompanhava
O canto do Gonzagão.
Nosso bom cabra da peste,
O rei caboclo do agreste
E que já cantou o Nordeste
Nos oito pés a quadrão.
*
Sei que não sou repentista,
Porém vou seguindo a pista
Sem baixar a minha crista
Sem ter medo de esporão.
Eu gosto de versejar
Não importa o lugar
Mas você vai me escutar
Nos oito pés a quadrão.
*
Isto é canto de mulher
Que vai metendo a colher
E como quem nada quer
Na cumbuca mete a mão.
 De lá tira agulha e linha
Não dá nó nem desalinha
Pois é canto de Dalinha
Nos oito pés a quadrão.
*
II-ISMAEL GAIÃO
Cantorias de viola
Que me serviram de escola.
Botaram em minha cachola
Versos de voltar mourão.
Onde eu ficava encantado
Passando a noite acordado
Ouvindo um mourão voltado
Nos oito pés a quadrão.
*
Eu tive vida bacana,
Bebendo e chupando cana
E à noite gastando grana
Para escutar um baião.
Sou um dos apologistas
Que admira os repentistas
E considera uns artistas
Nos oito pés a quadrão.
*
Na vida do interior
De dia fui plantador,
De noite admirador
De uma improvisação.
Morando na capital
Vivo me sentido mal
Por não ter um festival
Com oito pés a quadrão.
*
Com galinhas num poleiro,
Pato e gansos no terreiro,
No terraço um candeeiro
Fui feliz no meu sertão.
Estudei numa cartilha,
No São João brinquei quadrilha
E ouvi num rádio de pilha
Nos oito pés a quadrão.
*
Não sou bom no improviso,
Porém agora lhe aviso
Que tenho um verso preciso
Quando escrevo num borrão.
Nunca fico na berlinda,
Porque meu verso não finda
E fica melhor ainda
Nos oito pés a quadrão.
*
Mesmo estando na cidade
Meu canto tem qualidade
Para matar a saudade
Que eu sinto lá do torrão.
Lembrando minha terrinha,
Meu potro e minha vaquinha
Eu canto igual à Dalinha
Nos oito pés a quadrão.
*
III-FRED MONTEIRO
*
Cantando nos oito pés,
Dalinha, rainha és
poeta da nota dez
sem qualquer inibição
vai traçando o teu retrato
exercendo teu mandato
tu és poeta de fato
nos oito pés a quadrão
*
Gaião, Cardeal porreta
um maioral na caneta
cravou a sua lanceta
e entende da profissão
Poeta em toda a linha
Versejou para Dalinha
Das Ipueiras rainha
nos oito pés a quadrão.
*
Imagem retirada da internet
Interação com os poetas que escrevem no JBF - Jornal Besta Fubana
 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Caminhos do Cordel com Fernando Assumpção

Fernando Assumpção discorrendo sobre a atualização do site da ABLC

IPHAN inicia a instrução técnica do processo de Registro da Literatura de Cordel

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan promoveu, nos dias 9 e 10 de abril, na sede da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, reunião técnica sobre o tema “Literatura de Cordel”, da qual participaram especialistas e instituições ligadas ao assunto.
Em 2010, Nós da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC – enviamos o pedido de Registro da Literatura de Cordel como patrimônio cultural de natureza imaterial, pedido este julgado pertinente pelo Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan e pela Câmara de Patrimônio Imaterial do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. A partir desse aval, o processo de Registro encontra-se apto para passar à fase de instrução técnica, quando são produzidas e sistematizadas informações sobre o bem cultural, com vistas ao seu reconhecimento e titulação como Patrimônio Cultural do Brasil.
Durante a reunião técnica realizada, discutiu-se e delimitou-se o objeto do Registro, seu território, os bens culturais associados, entre outros aspectos significativos, assim como se definiu o plano de trabalho que irá orientar as pesquisas e demais atividades que se seguirão. Como proposições práticas resultantes da reunião, foi decidida a realização de mapeamento da documentação, instituições, especialistas, artistas e de contatos sobre o tema; a criação de uma rede de instituições detentoras de acervos; a consolidação de acervos e bibliografia temática; e o intercâmbio de folhetos de cordel entre as mesmas. Sugeriu-se, ainda, o encaminhamento de ações específicas com vistas ao tombamento dos acervos de folhetos no Brasil.

Instituto promoverá encontros regionais sobre o processo ainda este ano
Para a instrução do processo de Registro da Literatura de Cordel, por sua vez, será dado início ao levantamento, pesquisa e documentação das formas orais e escritas relacionadas à mesma, tomando-se como base territorial cinco núcleos focais pré-definidos, abrangendo treze estados brasileiros. Estes polos abrigarão, ainda, encontros regionais ampliados sobre o tema do cordel, com os objetivos de informar os praticantes dessa arte e de seu universo associado sobre o processo de Registro em andamento, envolvê-los nos procedimentos exigidos, esclarecer sobre as consequências desse ato, além de articular parcerias. O primeiro encontro regional acontecerá ainda em 2012, na cidade de Campina Grande, Paraíba. Nós, da ABLC, apresentamos o III Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria como um espaço oportuno para esta construção aqui na cidade do Rio de janeiro.
*
Texto de Fernando Assumpção
Foto de Dalinha Catunda

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Amigos!!!! muito obrigada

Não posso deixar de agradecer tantos mimos. Afinal, nem sei se mereço tanto!!!! Vejam os versos abaixo:
No momento que celebra
Dia primeiro de maio
Venho trazer um abraço
À minha amiga Rosário
Desejando-lhe alegria
Muitos anos de poesia
E um feliz aniversário!
Completar mais um ano é renovar
Sua vida com mais experiência
Juntar forças, querer, seguir, lutar
Aplaudir e abraçar a coerência.
Procurar ser tão simples quanto austero
Receber um abraço tão sincero
E o bem que pra mim eu tanto quero,
Lhe desejo com toda veemência.
Sávio Pinheiro
Rosário, vieste ao mundo
Numa data sem igual,
Pois o primeiro de maio
Sempre foi fundamental.
Portanto, muita alegria
Para você, neste dia,
De maneira cultural.


O tempo conta a idade,
Cada dia é uma cantiga,
Que revela uma verdade
Pra que assim a vida siga.
Ame o teu semelhante,
Tenha a paz como amiga!

A cada ano vivido
Aprende-se uma lição,
Que a vida só vale à pena
Se tu amas teu irmão.
Só assim tens recompensa,
Pois em ti, Deus, faz presença
E o amor faz-se razão.

Parabéns! Muita paz, saúde e dindim!
*
Não vou poder esquecer
Este seu aniversário
Você vai saber por que
oh, minha amiga Rosário
É que neste mesmo dia
Mamãe aniversaria
Neste santo mês de Maio

Parabéns, grande poeta e defensora do Cordel !
Muitos beijos para Dalinha e, todos os amigos que me mimaram, em verso ou em prosa.
Beijão

terça-feira, 1 de maio de 2012

CORDEL NO JORNAL


CORDEL NO JORNAL
Joaquim Ferreira dos Santos que assina a coluna: Gente Boa, (página 5 do segundo caderno) do jornal O Globo, publicou no dia 29 de abril a seguinte nota:
“CORDEL PATRIMONIAL”
“Depois do Saara e da Feira de São Cristóvão, o cordel é o próximo tópico a virar objeto de estudo do Iphan. O órgão quer transformá-lo em patrimônio imaterial.”

UM MIMO PARA ROSINHA


Olá Rosário,
Neste primeiro de maio, parabéns por mais um ano de vida que será companheiro de muitos outros, que a luz do divino ilumine sua estrada.
Para você meu mimo e meu abraço.
*
UM MIMO PARA ROSINHA
*
No mês de maio nasceu,
Maria tinha de ser.
É frágil como uma rosa,
Mas sorrir do padecer.
Os seus sonhos contraria
Porém espalha alegria
Escondendo seu sofrer.
*
Rosa, Rosinha Rosário,
O seu mundo é um balão.
Entre um trago e um sorriso,
Desempenha sua missão.
Assim vai tocando a vida
Entre centrada e perdida
Sem querer perder o chão.
*
Hoje é seu aniversário,
Mais uma data querida.
Que Deus bendiga sempre
A estrada da sua vida
Que venha a tranquilidade
Trazendo a felicidade
Que, aos bons é prometida.
*
Texto e foto de Dalinha Catunda