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segunda-feira, 19 de abril de 2010

A DONZELA QUE VIROU ÍNDIA


A foto é do acervo de Tereza Mourão

Nota do blog:

Minha grande amiga, Tereza Mourão, Cearense de Ipueiras que hoje mora em Brasília, um belo dia enviou-me esta foto que foi o suficiente para inspirar-me este cordel.
O interessante é que hoje, Tereza Mourão, é realmente uma defensora atuante dos índios no Planalto Central.
Parabéns a nação indígena pelo seu dia que as conquistas realmente se concretizem e parabéns a Tereza Mourão por abraçar tão nobre causa.
No 19 de Abril, comemora-se o Dia do Índio. Esta Data comemorativa foi criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540.

A Donzela que Virou Índia

Contam que certa vez
Pras bandas do Ararendá
Um índio roubou Tereza
Pra com ela se casar.
A família ficou louca,
Acho que dormiu de toca,
Pra donzela se mandar.

De família conceituada
De um clã de tradição
Era a mocinha raptada,
Da família dos Mourão,
Dizem que na verdade,
Ela se foi por vontade
Seguindo seu coração

A família desesperada
Procurava pela donzela,
Polícia e até cachorro,
Colocaram atrás dela.
Era tanta as tristezas,
E por causa da Tereza,
Acenderam até vela.

Ofereceram um prêmio
Via rádio e televisão,
Ao primeiro que achasse
A donzela em questão,
Mas ficaram na saudade,
Pois Tereza na verdade,
Não voltaria mais não.

Pele branca olhos azuis
Tinha a donzela bonita
Tinha o cabelo loirinho
Usava até laço de fita
Pelo índio apaixonada
Meteu o pé na estrada
Deixando família aflita

Passou dia passou noite,
Passou mês e passou ano,
Tantas luas se passaram,
Então veio o desengano.
Ele comeu a donzela,
Cozida numa panela,
O povo estava falando.

Mas tudo isso era lenda,
Ele antropófago não era
Foi numa rede de tucum,
Que ele traçou a donzela,
E todo ano era uma cria,
Que a ex-donzela paria
Sem ligar pra esparrela.

Aquela cultura indígena,
A branca tomou para si.
Adorava o Deus Tupã
Sua lua agora era Jaci.
Com as roupas da cidade,
Foi perdendo a vaidade,
E gostando de se despir.

Feijão, amendoim, milho
Tereza aprendeu a plantar.
Amava a pesca e a caça,
E gostava de se balançar,
Com o seu índio querido
Que ela via como marido
Nas redes que via por lá.


Um dia flagraram Teresa,
Num rio com o índio nu.
Em cima de uma piroga,
A lourinha de olho azul.
Aí se deu a real certeza
Que dali não saia Teresa
Nem com praga de urubu.

Subindo e descendo rio,
Era assim vivia Tereza
Agarrada ao jacumã,
Curtindo a natureza
Eram tantas alegrias,
Que ela contente sorria,
Diante de tanta beleza.

O Conforto que ela tinha,
Em sua cidade deixou
Cama, chuveiro e penico,
não fez falta, não senhor.
As noites enluaradas,
De estrelas salpicadas,
Compensava o que ficou

Depois de muito tempo,
Um dia à tardezinha,
Vestida de índia guerreira
Apareceu Terezinha
Dizendo que tinha casado,
E tinha ali do seu lado,
Um monte de indiazinha.

Com uma flecha no ombro,
Na cabeça um cocar,
Assim desfilava a branca,
com penacho e colar,
Nem mesmo Iracema,
Usava tantas penas
para o corpo adornar.

A população de Ararendá,
Se benzeu fez oração
Ao ver naqueles trajes
Uma legitima Mourão
E Tereza em sua ousadia
Abria os lábios e sorria
Causando admiração.

O Povo todo repetia,
Ela perdeu foi a razão!
Mas só ela mesma sabia,
Da sua ótima situação.
Era adorada na tribo
Amada pelo marido
E rainha de uma nação

Agora morava na mata,
Numa aldeia, numa oca,
Da jurema o segredo sabia
Entrava na mandioca.
E tudo que ela queria,
Era viver com alegria,
Em cima de uma piroga.

3 comentários:

  1. Musa de inspiração inesgotável, que nos impele a versejar:

    Dalinha, eu venho das terras,
    Onde canta o sabiá
    Lendo este seu poema
    Você só fez me lembrar
    Do nosso Gonçalves Dias
    E do canto do sabiá

    Beijo,
    Maria Rosário

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  2. com a índia Paraguaçu
    Eu comparei a Tereza
    Se existisse uma dúvida
    Hoje eu tenho a certeza
    Guardando a proporção
    Na dita comparação
    Eu vejo guala a nobreza

    Mas aqui com meus botões
    Eu fico me perguntando:
    Qual seria o tal segredo
    Que ela acabou decifrando
    Depois que o decifrou
    Achou tão bom que ficou
    Até hoje o explorando?
    rsrs
    Gonçalo Felipe
    26/04/10

    Obs: Dalinha, estes versos foram feitos pelo poeta cearense que vc conhece Gonçalo Felipe, porém como ele não conseguiu postar o comentário me pediu para fazer e a única solução foi eu mesma postar neste meu blog que nunca dou continuidade. Aproveito também para parabenizar-lhe pelo sucesso em seus blogs, tenho muito orgulho de ser sua amiga e conterrânea
    e também aproveito para convidar os amigos de Dalinha caso tenham orkut e quiserem saber sobre os indios tapuyas e funi ô do Santuário dos Pajés aqui em Brasilia é só me adcionar procurando por
    Tereza Mourão que lá encontrarão fotos e videos sobre as causas indigenas que abracei por ser eles nossos irmãos e primeiros habitantes desta terra chamada Brasil a nossa mãe terra.
    Indico também a visitar esta página onde tem um planfeto sobre a hidrelétrica de Belo Monte e o porque os ambientalistas e pessoas conscientes da preservação do meio ambiente não querem esta construção. É só clicar em

    https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=gmail&attid=0.1&thid=12825baa0a407ace&mt=application%2Fpdf&url=https%3A%2F%2Fmail.google.com%2Fmail%2F%3Fui%3D2%26ik%3D3258312fa8%26view%3Datt%26th%3D12825baa0a407ace%26attid%3D0.1%26disp%3Dattd%26realattid%3D0.1%26zw&sig=AHIEtbS32Ur_P_3dnsjsPnuS_G6gblszDw&pli=1

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  3. A indicação da pagina sobre os efeitos nocivos que a usina hidrelétrica e o governo Lula pode causar ao meio ambiente vcs encontrarão neste blog de Eraldo Paulino clicando em
    http://eraldopaulino.blogspot.com/2010/02/amazonia-pede-socorro-belo-monstro-se.html

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