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quarta-feira, 13 de abril de 2011

BABADOS NO CORDEL

 Amigos, este é meu mais novo lançamento em cordel especialmente trabalhado para o: Encontro Com Poetas e Rodas de Cantoria. Tem a marca forte da mulher registrada em cada página. Desfrutem!

BABADOS NO CORDEL
1
O cordel vestindo calça,
No Nordeste apareceu.
A mulher apaixonou-se
Tal paixão não escondeu.
E pegou logo o cinzel
Esculpindo seu cordel,
Belos versos escreveu.
2
Foi assim que floresceu,
Cordel de saia também.
A mulher faz seu cordel
Com a manha que já tem.
Incansável na labuta,
E naturalmente astuta,
Do homem não fica aquém.
3
E por querer competir,
Sem deixar de ser parceira
A mulher pega a estrada,
Sem ter medo da poeira.
E de igual para igual
Faz peleja virtual
Na arte é aventureira.
4
O cordel já não é mais
O tal clube do Bolinha
Encarando as cuecas
Vejo um monte de calcinha
Tudo no mesmo varal
Sem balanço desleal
Enfrentando a mesma linha.
5
Enquanto faz o café
E cozinha seu feijão
A mulher vai matutando
Refletindo a oração
E assim faz o seu cordel
Passando para o papel
Pedaços de criação.
6
Às vezes deita na rede
E olhando a Luz do luar.
Cria versos tão bonitos,
Que chega a se admirar
Da própria inspiração,
Se entrega de coração,
Ao labor do versejar.
7
E de fuxico em fuxico,
A trama ganha teor.
No alinhavo dos versos,
Põe arremate de amor
Fazer versos virou vício
E sem muito sacrifício,
Tem como ofício compor.
8
Entre um afazer e outro
Acontece a criação,
Tem sempre um novo babado
Em sua combinação
E entre a seda e a chita
Sem nunca ficar aflita
Eleva sua construção.
9
A internet foi chegando
Causando revolução,
Abrindo para a mulher,
Um novo campode ação
Morada da liberdade
E com versatilidade.
Mostra sua evolução.
10
Aprendeu bem a glosar
Para isso usa a mão,
Com os dedos faz a arte
Chamada digitação.
Neste mundo virtual
Navegar é natural
Nas ondas da emoção.
11
Tira rima da cabeça
Para fazer o seu mote
Faz com a simplicidade
De quem tira água do pote
Internauta nordestina
Com seu jeitinho ladina
Versos tem é um magote.
12
Mas o certo é que a mulher
Nessa sua concepção
Fica prenhe de palavras
E só vê uma solução,
A de parir poesia
Buscando com alegria,
Ter nova penetração.
13
Sei que entre um batom,
Uma escova e um trato
Em folhetos de cordel
A mulher põe seu retrato
E sabe fazer bonito
Tem graça o seu escrito
Pois nunca deixa barato.
14
Sempre se diz aprendiz,
Mas fingindo ser modesta,
E tem delas que encaram
Qualquer marmanjo de testa,
Aos poucos ganham respeito
E conquistam o direito
E assim vão fazendo a festa.
15
Às vezes faz uma fita,
Para chamar atenção.
Sempre tem carta na manga
Mas descarta a mangação.
Por gostar de parceria
Demonstra sua alegria
E brilha na atuação.
16
O cordel sem a mulher
É Adão sem sua Eva,
É o planeta sem sol
Onde tudo é breu e treva.
É comida sem ter sal
Amigo não leve a mal,
É serra onde não neva.
17
A mulher rasgou o véu,
E acabou com a ditadura
E não foi só no cordel
Mas em toda conjuntura
Totalmente liberada
Enfrenta qualquer parada
Pois tem jogo de cintura.
18
Quando é alfinetada,
Nunca dá muita atenção.
Sendo olhada de soslaio
Empina o nariz então.
Mágoa não vive guardando
Sua anágua vai rodando,
Sempre em movimentação.
19
A mulher pede passagem
Pois soube tecer caminhos
A conquista da igualdade
Teve flores e espinhos.
Na base do não me calo!
Hoje ela canta de galo,
Não fica chocando ninhos.
20
A mulher para o cordel
É ótima aquisição.
Seria triste e cruel
Manter apenas varão
Vejo o cordel lá no alto,
E a mulher com seu salto
Fazendo revolução!
21
Este cordel é mais um
Entre outros que virão
Nele botei meu tempero
Não sei se errei na mão
O meu nome é Dalinha
Vou seguindo minha linha

Sem temer opinião.
*
Cordel de Dalinha Catunda
                        

Um comentário:

  1. Eu não sou nenhum crítico literário, mas destaco neste cordel a seguinte imagem: "chocando ninhos e cantando de galo."

    É por essas e outras que acredito que dias melhores virão...

    Apesar de saber que ainda temos muito o que caminhar.

    Ternura Sempre!

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