Seguidores

sábado, 25 de setembro de 2021

GLOSANDO NA REDE COM DALINHA


 

ARAQUÉM VASCONCELOS

Rendeira do Ceará

Sabe bem usar a linha

Pinta e borda na poesia

Na rima e métrica caminha

Sem nunca fugir da raia

A mãe do cordel de saia

A ipueirense Dalinha

*

DALINHA CATUNDA

Menestrel de belos versos

Vate que rima tão bem

Navegando na poesia

Com seu leme vai além

Nunca falta inspiração

Singrando na imensidão

Opera o Bardo Araquém.

*

Xilo de Carlos Henrique

FIANDEIRA DA TRADIÇÃO


 FIANDEIRA DA TRADIÇÃO

1

Dos costumes do sertão

Eu conheço a trajetória

Sou guardiã dos saberes

Conheço bem essa história

Vivida em minha cidade

Nos tempos da oralidade

Hoje trago na memória.

2

Esse tema é relevante,

Patrimônio cultural

Dele sou estudiosa

Tia Isa me deu aval

Incentivou-me a leitura

A praticar a cultura

Foi meu referencial.

3

Minha mãe contava “causos”

E trabalhava a cantar

Fazia boas paródias

Gostava de versejar

A poetisa de Ipueiras

Gostava de brincadeiras

Tive mesmo a quem puxar.

4

Ao sair da minha terra

Para morar no Sudeste

A saudade me pegou

Pois chegou feito uma peste

Era tudo diferente

Do que era minha gente

E cada costume agreste.

5

Foi para salvaguardar

Essa minha identidade

Que eu passei a escrever

Sobre a ancestralidade

Na rima de cada verso

Eu cito meu universo

Dos sonhos a realidade.

6

Sou poeta desde quando

Eu me conheço por gente

E me tornei cordelista

Aderindo outra vertente

Pra não me perder de mim

E para trazer, enfim

O passado pro presente.

7

Preservar nossa cultura

Nordestina e popular

A lembrança me obrigou

Isso não posso negar

Eu bem recordo o instante

Foi quando virei migrante

Vendo a saudade apertar.

8

O verso esteve presente

Em tudo que se fazia

Nas brincadeiras de roda

Quando a cantiga pedia

Na roda a criança entrava

Um versinho declamava

Logo em seguida saia.

9

Foi nas rodas de ciranda

Que vi o povo dançar

Se requebrando na roda

Abrindo a boca a cantar

Era menino e menina

Na ciranda nordestina

Que dancei no meu lugar.

10

Nas conversas de calçada

À noitinha no sertão

Tinha história de trancoso

De visagem e assombração

De boca em boca a girar

A quadrinha popular

Também adivinhação.

11

Quem brincou de Lado Esquerdo

Ao esplendor de um luar

Esperava angustiada

A sua vez de falar

Pra chamar seu preferido

O seu paquera querido

Para ao seu lado sentar.

12

A Brincadeira do Anel

Recordo com precisão

Era um brincante passando

E escondendo numa mão

E quando a pessoa achava

O anel que outro ocultava

Enchia-se de emoção.

13

Na brincadeira do grilo

Eu corri mais que o cão

Só para não apanhar

E nem criar confusão

Pois na fila alguém gritava

Dizendo onde o grilo estava

Trazendo um cipó na mão.

14

Na farra da cabra-cega

Tinha o pegador vendado

A gente girava o mesmo

E ele desorientado

Para pegar a parceira

No meio da brincadeira

E ser logo desvendado

15

Eu já brinquei De Queimada

De Casinha e de Peteca

Do Trisca e bola de meia

De Batalha e de Boneca

E assistia meu irmão

Jogando bila e pião

Nos meus tempos de moleca.

16

Brincava de pular corda

Nos terreiros do sertão

Brincava de esconde-esconde

Naqueles tempos de então

De pernas de pau andava

De baladeira atirava

Bons tempos de danação.

17

Eu já cantei e dancei

A dança do pirupá

É uma dança diferente

Só vi no meu Ceará

Éra dança de menina

Essa dança nordestina

Que me faz lembrar de lá

18

Cultivo velhas cantigas

Na minha recordação

Cantiga da tanajura

A do galinho fujão

O pobre da perna torta

Que andava de porta em porta

E a do soldado em ação.

19

As histórias de Tia Isa

Guardo com muito carinho

A Madrasta que era má

Também a do canarinho

A Moura torta malvada

E da cobra avantajada

E seu querido netinho.

20

Para meus filhos cantei

As Cantigas de Ninar

O Gatinho Marambaia

E cantei lua luar

O gatinho no telhado

E o papai sendo chamado

Para o gatinho espantar.

21

São temas dos meus versos

As coisas do meu sertão

O sabor da culinária

Gracejo, causo e canção

Buscando em minha memória

Vou registrando a história

Pra não perder o filão.

22

Sou o fio da meada

Sou da linha do sertão

Sou artesã dos saberes

Desenrolo a tradição

Nesses meus versos rimados

E também metrificados

Nas tramas dessa oração.

23

Tudo que eu amealhei

Vivendo minha cultura

Vou deixando como herança

Para a geração futura

Dos meus ancestrais herdei

Para os novos deixarei

Pois esta é minha postura.

24

Desejo ter agradado

A todos nessa empreitada

Levei o meu pensamento

Inteiramente focada

Naveguei no que passou

Hoje o presente cobrou

A vida por mim levada.

*

 

Apresentação

 

Dalinha Catunda me convidou para apresentar o trabalho FIANDEIRA DA TRADIÇÃO. Para mim, não é trabalho é prazer. Acompanho de há muito sua trajetória. É mulher preocupada com o resgate e a difusão dos saberes populares e, com as tradições vindas dos tempos da Oralidade.

Conheço suas buscas por pesquisas objetivas, seus estudos e, principalmente sua memória gigantesca que conserva e sistematiza conhecimentos para nos oferecer um poema repleto de informações, sabedoria e ludicidade. Tem um versejar impecável quanto aos critérios da literatura de cordel. Não perde a rima, a métrica e as desenvolve num encadear de imagens, cores, sabores e cheiros, próprios da nossa cultura popular nordestina.

Dalinha Catunda reconhece e valoriza sua ancestralidade familiar: a tia que a iniciou no gosto pela leitura e poesia; a mãe que lhe repassou os cantos, cantigas e brincadeiras que, certamente, recebeu da própria mãe. São todas vozes femininas que, instintivamente, perpetuam conhecimentos bem guardados na memória e, que não se furtam em reparti-los com as novas gerações.

É assim que a memória guardada sai a passear e encantar a todos nós. E... Dalinha Catunda cumpre seu papel de poetisa e difusora de bens culturais, que devem ser respeitados e salvaguardados. É, por isto, reconhecida e admirada por seus pares.

Rosário Pinto, membro da ABLC desde 2001, na cadeira nº 18, de José Bernardo da Silva.

*

Dalinha Catunda  membro da ABLC desde 2008, na cadeira nº 25, do poeta folclorista Juvenal Galeno.


terça-feira, 21 de setembro de 2021

ELE QUERIA MEU PIX



 

ELE QUERIA MEU PIX

*

Eu nasci no Ceará

Sou cabocla experiente

Eu sou metida a gaiata

Porém sou mulher decente

E pra falar a verdade

Não gosto de intimidade

Com macho que é indecente.

*

Mensagens eu recebi

Nesse tal de celular

E parece que o sujeito

Queria me conquistar

Ô sujeitinho safado

Cabra metido a tarado

Não sou mulher de aturar.

*

Começou a pedir Nudes

Perguntei: Que diabéisso?

Nem deixei ele explicar

Pois eu tenho compromisso

Já estava quase explodindo

E o ente me perseguindo

Nem gosto de falar nisso.

*

A bate-boca esquentou

Eu xinguei o cidadão

Se eu tivesse cara a cara

Tinha lhe sentado a mão

E até vergonha me deu

Pois o corno resolveu

Entrar na esculhambação.

*

Acredite minha gente

No que agora vou falar

O cínico me pediu

E queria me forçar

Você é uma senhora

Mas quero seu PIX agora

Nem diga que não vai dar.

*

É claro que não vou dar

Sujeitinho descarado

O meu PIX já tem dono

Deixe de ser abusado

Se você mexer comigo

Vai mesmo é correr perigo

Garanto que tá lascado.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

CONVERSA DE CALÇADA VIRTUAL Nº IX


 

Conversa de Calçada Virtual Nº IX

 

A SAUDADE É UMA DOR

Mas não é dor de doer

É vontade de lembrar

Com vontade de esquecer.

Quadrinha Popular

1

A SAUDADE É UMA DOR

Martelando o coração

Cada batida desperta

Um mói de recordação

Dalinha Catunda

2

A saudade é uma dor

Sete letras, sete ais

Um caçua de lembranças

E a gente sempre quer mais

Rivamoura Teixeira

 3

A SAUDADE É UMA DOR

grande demais, hiperbólica

Espinho que fere a flor

Deixando a alma bucólica

Bastinha Job

 4

A SAUDADE É UMA DOR

Que fez nascer poesia

No canto do coração

Cresce de noite e de dia.

Vânia Freitas

5

A SAUDADE É UMA DOR

Sem remédio pra curar

Só o elixir do amor

Ê quem pode aliviar

Araquém Vasconcelos

6

A SAUDADE É UMA DOR

Que vem do fundo da alma

A falta de um grande amor

Que só outro amor acalma.

Chica Emídio.

7

A SAUDADE É UMA DOR

Pulsando insistentemente

Ao fazer sua morada

Dentro do peito da gente.

Creusa Meira

8

A SAUDADE É UMA DOR

Que disfarça sutilmente

A tristeza da distância

Pelo amor dentro da gente

Giovanni Arruda

9

A SAUDADE É UMA DOR

Espinho de uma flor viva

Indiferente ao clamor

E mata quem a cultiva.

 F.de Assis Sousa.

10

A SAUDADE É UMA DOR

que sangra dentro da gente,

quem nunca perdeu um amor,

jamais esteve doente.

Anilda Figueiredo

11

A SAUDADE É UMA DOR

Um parafuso enferrujado

Quanto mais aperta mais dói

Um coração machucado.

Maria Conceição Vargas

12

A SAUDADE É UMA DOR

Que machuca, que maltrata,

Principalmente se for

Saudade daquela ingrata.

Marcelo José Gomes Costa

13

 A SAUDADE É UMA DOR

Que fustiga diferente

E quando junto à paixão

Dói no coração da gente!!

Helonis Brandão

14

A SAUDADE É UMA DOR.

Que leva a gente a loucura.

Não tem doutor que dê jeito.

Nem tem remédio pra cura.

Assis Mendes

15

A SAUDADE É UMA DOR

Que não tem comparação

Quem é dela um portador

Sofre sem explicação !

Dulce Esteves

16

A SAUDADE É UMA DOR

Sendo uma dor incruenta

Eu tento lhe disfarçar

Cada vez mais ela aumenta

Jairo Vasconcelos.

17

A SAUDADE É UMA DOR

Que o tempo alimenta

Que dói lá dentro do peito

E arde mais do que pimenta.

Claude Bloc

18

A SAUDADE É UMA DOR

Que volta a todo momento

Qual um filme de amor

Que não sai do pensamento.

José Olívio

*

CONVERSA DE CALÇADA VIRTUAL Nº IX.

Organizada por Dalinha Catunda

 Hoje a frase inicial é: A SAUDADE É UMA DOR

Não faz muito tempo, era comum, nas cidades do interior, as cadeiras na calçada nos finais de tarde. Tempos da oralidade, quando o povo gostava de conversar, palestrar, trocar conhecimentos. Muito do que sabemos sobre cultura popular são frutos desses costumes.

Como sempre fazemos, cada poeta deixa apenas uma quadra na postagem, segundo o primeiro verso em maiúsculas. Bora?

Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC.

dalinhaac@gmail.com


segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Diálogos sobre culturas e literaturas populares


 Os Diálogos sobre culturas e literaturas populares objetivam divulgar o I Simpósio Internacional sobre Culturas e Literaturas Populares. Este evento, concebido pela Universidade Regional do Cariri (URCA) através do Instituto José Marrocos de Pesquisas e Estudos Socioculturais (IPESC) e da Pró-Reitoria de Extensão da URCA (PROEX-URCA), é uma realização conjunta entre a Universidade Federal do Cariri (UFCA), Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), além da própria URCA, e realizar-se-á de 06 a 09 de dezembro de 2021.

A primeira das três lives mensais de divulgação (setembro, outubro e novembro) versará sobre A literatura de cordel como patrimônio imaterial da cultura brasileira. Os convidados para falar sobre o tema e dialogar com o público são a cordelista e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), Dalinha Catunda, e o cordelista e pesquisador da cultura popular, Marco Haurélio. O encontro que ressalta a riqueza cultural do cordel, suas múltiplas identidades, memórias construídas, referências históricas e a importância do gênero como parte do patrimônio imaterial da nossa gente será mediado por Helonis Brandão, historiador e pesquisador do cordel.
Dia 23 de setembro às 19h.
Inscrições: siseventos.urca.br
Transmissão: canal do CED no You Tube

Para maiores informações sobre o I Simpósio Internacional sobre Culturas e Literatura Populares, favor consultar o sistema de eventos da URCA: http://siseventos.urca.br/site/isclp 
Ver menos