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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Gemendo na rede com Dalinha Catunda


 GEMENDO NA REDE COM DALINHA CATUNDA

1
Antigamente eu gemia
Ele gemia também
Ele me chamava amor
E eu chamava de meu bem
Hoje quando estou gemendo
Ele vai logo dizendo:
Que diabo é que você tem?
Dalinha Catunda
2
O verdadeiro gemido
Que muita gente conhece
Começa ao anoitecer
Termina quando amanhece
Mas o gemido de dor
Espanta qualquer amor
Quando a gente envelhece.
Creusa Meira
3
Antigamente o gemido
Era ah ah amor
Seguia na gemedeira
Que gostoso esse calor!
Hoje é ai, ai ai ui ui
_ele tá véi um bagui
Eita gemido de dor...!?
Rivamoura Teixeira
4
Meu gemido é diferente
E é capaz de assustar
Porém nunca perguntei
Na hora de namorar
A gemedeira é no grito
E a dele no mesmo rito
Que até chega a desmaiar.
Lindicássia Nascimento
5
Na nossa lua de mel
Em cima do meu colchão
Eu gemia ela gemia
Parecia assombração
Hoje se der um gemido
Ela vem com um comprimido
E um copo d’água na mão
Alberto Francisco
6
Aqui também é assim
Uma grande gemedeira
Ela geme e eu gemo
É a maior quebradeira
Agora, gemido de amor
Gemido sem sentir dor
Num tem de jeito e maneira
Xico Bizerra
7
No começo a gemedeira
Assombrava até a gente
Nosso gemido era imenso
Que a cama ficava quente
Hoje em dia, no gemido.
Ela já diz: - Meu marido
Já está com dor de dente!
Marcos Silva
8
Como tenho sete dores
Correndo por todo o corpo
Já não dá mais pra gemer
Até ando meio torto
Sem ninguém pra me acudir
A mulher só a dormir
Contudo, não estou morto.
José Walter Pires
9
Indo puxo gemedeira
De peleja e cantoria
Também gemo em minhas dores
Mas lamento hoje em dia
Minha cobra não dá bote
Sem puder pegar caçote
Eu só gemo de agonia
Giovanni Arruda
10
Eu sou um pobre coitado
Metido a versejador
Que tento bem externar
De repente a minha dor
Não sou melhor que ninguém
Porém existe um porém
Sou um reles professor!
Aderson Machado
11
Mas que barulho danado!
Que diabo é isso Maria?
Deixe dessa putaria
Se vira pro outro lado
Ô fungado agoniado
Duvido que não perceba
Faça uma meizinha e beba
Eita gemido sem fim!
-Tá me dand'uma coisa ruim
Então você não receba.
Francisco De Assis Sousa
12
Meu carro de boi gemia
Nas suas longas andanças
De noite do quarto ouvia
Eu e outras crianças
Gemidos vindo da porta
Que o vento hoje corta
Gemidos dessas lembranças.
Vânia Freitas
13
Gemedeira na cozinha,
de duas, uma, eu garanto:
- a mulher não tá sozinha,
largada lá pelos cantos…
Decerto tem um marido
lhe agoniando os ouvido,
- querendo afogar o santo.
David Ferreira
14
O gemido vem da dor.
E vem também do prazer.
Eu já gemi muitas vezes.
E gemerei enquanto viver.
Geme o grande e o pequeno.
O branco, o negro e o moreno.
Pois não tem hora pra gemer.
Cabo Francisco Carlos.
15
Vejo Dalinha Catunda
Bem deitada numa rede
Com uma paz bem profunda
Quase rente com a parede
Não há do que ela gemer
Só se for por ela viver
A vida com muita sede.
Severino Marreiro
*
Agradeço aos poetas e poetisas que participaram da
Roda de Versos organizada por mim. Dalinha Catunda.
Meu abraço e boa noite.
dalinhaac@gmail.com

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

EU MAIS XICO NO FUXICO


 

 

EU MAIS XICO NO FUXICO

1

uma dúvida é meu tormento

e findo por não saber

qual é o maior sofrer

que machuca o pensamento

qual o maior sofrimento

que o caba pode aguentar

quando aflora o chorar

e se acaba o sorrir

se é ficar querendo ir

ou ir querendo ficar.

XB

2

Amigo vou lhe dizer

Preste bastante atenção

Das dores do coração

Não cabe se maldizer

Só tempo pra resolver

Não vale a pena chorar

Eu posso até me lascar

Porém morro sem pedir

PR'ELE FICAR E NÃO IR

OU NÃO IR, QUERER FICAR.

DC

3

quem souber me diga agora

não me deixe sem resposta

quando o caba um dia gosta

gosta tanto que até chora

e seu amor vai embora

ele fica a lamentar

sem saber pra quem rezar

sem noção a quem pedir

pr'ela ficar e não ir

ou não ir, querer ficar

XB

4

Quando um amor vai embora

Um outro amor logo vem

Nos braços de outro alguém

Nosso instinto colabora

A vida logo melhora

Paixão é para passar

Quem vai, perde seu lugar

Não adianta insistir:

PR'ELE FICAR E NÃO IR

OU NÃO IR, QUERER FICAR

DC

5

O problema é que ela indo

A gente fica sozinho

E sem amor, sem carinho

O 'hômi' termina caindo

Sem vergonha, vou pedindo

Pra ela ficar e não ir

E eu chorando, sem rir

Sei que vou me lascar

Se ela não quiser ficar

Nem adianta outra vir

XB

6

Eu só quero quem me quer

Disso sabe quem me atura

Não é qualquer criatura

Que conhece meu mister

Sou parceira sou mulher

Mas não sou de me iludir

Se meu parceiro partir

Pranto não vou derramar

Se ele não quiser ficar

Vou achar quem queira vir

DC

7

Pior é que na minha idade

Quase tudo anda mole

Quase nada ainda bole

Uma infelicidade

Aqui na minha cidade

Ninguém comigo quer nada

Sem mulher ou namorada

Nem posso me divertir

Se essa mulher partir

Minha sorte está lançada.

XB

8

Amigo, pra pé doente

Um chinelo velho tem

Quando a dona idade vem

Tudo fica diferente

Um cabra polivalente

Sempre brilha até o fim

E dá mingau ao soim

Porque sabe arquitetar

E vê a cobra fumar

Enquanto a sorte diz sim.

DC

9

Quem me dera acreditar

Em tudo que você diz

Quisera ser aprendiz

E saber arquitetar

Todo o bem e o mal que há

Nessa vida não brilhei

E até atrapalhei

O brilho que outros tem

E como ninguém mais vem

Desisti e me mandei

XB

10

O bom da vida é viver

A vida como ela é

Horas grudados na fé

Já outras a se entreter

Versos tentando fazer

Pra não perder a mania

Pois nos braços da poesia

É Sempre tempo de luz

E a palavra que reluz

Ilumina nosso dia.

DC

Obrigada pela troca de versos poeta querido, Xico Bizerra.

Xilo de Erivaldo Ferreira

dalinhaac@gmail.com

 

 

 

 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

AS MULHERES DO CORDEL COM: MADU COSTA


 

AS MULHERES DO CORDEL COM: MADU COSTA

Versos do poema de cordel: O Menino e as Estrelas:

 .

O menino desta história

 Eu vou logo lhes dizer

É menino curioso

Sempre acha o que fazer

Pra matar curiosidade

Veja o seu proceder.

.

De cima daquela árvore

Passa o tempo a olhar

Para cima e para baixo

Algo ele vai achar

Investiga céu e terra

Não se cansa de caçar.

.

De noite foge da cama

Quer ver o escuro céu

Olhar estrela e Marte

Saturno e seu anel

Enrolado na coberta

Vai compondo seu cordel.

.

Essas sextilhas compõem 1 dos poemas da Trilogia: YAN.

LANCADO EM 18/12/2021

.

MADU COSTA

Maria do Carmo Ferreira da Costa/ Madu Costa, nasceu e vive em Belo Horizonte.

 É pedagoga-UFMG/1995, arte-educadora-PUCMINAS/2000,

É escritora com 11 publicações literatura infantil e 05 publicações literatura de cordel.

É membra do Coletivo Iabás de narração de histórias das orixás femininas.

Atua em teatros, escolas, empresas, festas particulares e afins.

Apresentou-se em Angola com o Coletivo Iabás no Segundo Intercâmbio Brasil x Angola promovido pelo grupo Raizes de São Paulo em 2019;

Apresentou-se no Tiradentes em Cena em novembro de 2020.

Apresentou- se na Flis- Sabará-2020. Apresentou-se no Museu Gerdau com o monologo: Simpatias de Mãe 2019.

Ministra cursos de Contação de Histórias, atualmente pela plataforma hotmart.

Cordéis de sua autoria:

 1-Zumbi dos Palmares em Cordel;

2- Dandara Guerreira em Cordel;

3- Luisa Mahim a Guerreira;

4-Aedes Aegypti em Cordel;

5- Cordel da Disciplina;

6- Um Cordel para Olegário Alfredo;

7- Cultura Iorubá em Cordel;

8- O Menino e as Formigas;

9- O Menino e a Aranha;

10- O Menino e as Estrelas.

*

Pesquisa de Dalinha Catunda para: As Mulheres do Cordel, do Blog, Cordel de Saia.

dalinhaac@gmail.com

ERA O DEVER DE PARTIR E A VONTADE DE FICAR.


 

ERA O DEVER DE PARTIR

E A VONTADE DE FICAR.

Mote de Joaquim Mendes Joames

1

Nas asas do pensamento

Eu viajei pelo mundo,

Cheguei a Pedro Segundo,

Terra do meu nascimento;

Relembrei cada momento

Vivido no meu lugar;

Mas um dilema sem par

Forçava-me decidir:

“Era o dever de partir

E a vontade de ficar.”

Joaquim Mendes Joames.

2

Quando deixei meu rincão,

Minha querida Ipueiras,

De lá saí as carreiras!

E chorei na ocasião…

Sofri deixando o sertão,

Isso não posso negar.

Jurei que iria voltar!

Não sou mulher de fugir:

“Era o dever de partir

E a vontade de ficar.”

Dalinha Catunda

3

Eu saí de Fortaleza

Aonde eu fiz campana

Quando cheguei em Santana

Minha terra com certeza

Contemplei a natureza

No Rio fui me banhar

Fiquei de papo pro ar

Até a hora de ir

“Era o dever de partir

E a vontade de ficar”

Araquem Vasconcelos

4

Sou um grão de Fortaleza

Fui pra Belém do Pará

E voltei pro Ceará

Desfrutar tanta beleza

Dessa santa natureza

Eu vim feliz a cantar

Pois aqui é o meu lugar

Mas eu tive que sair

“Era o dever de partir

E a vontade de ficar.”

Glosa de Vânia Freitas

5

Um dia eu saí de casa

Para tentar minha sorte

Triste, deixei o meu Norte

E para o Sul bati asa

O coração feito brasa

Deu vontade de chorar

Mamãe a me abençoar

Na hora de eu sair

“Era o dever de partir

E a vontade de ficar.”

João Rodrigues

6

Quando eu vim do Maranhão

Para este Rio de Janeiro

Eu vim pra ganhar dinheiro

Mas de tanta solidão

Só pensava no sertão

Com vontade de voltar

Isso não devo negar

Mas nunca pensei em fugir

“Era o dever de partir

E a vontade de ficar.”

Cicero Do Maranhão

7

Quando deixei minha terra

Senti uma dor, de fato

Fui parar num internato

Peguei a arma pra guerra

Mas voltei ao pé de serra

Minha terra, meu lugar

Tive que a estrada pegar

Para o destino cumprir

“Era o dever de partir

E a vontade de ficar.”

Rivamoura Teixeira

8

Era o dever de partir

E a vontade de ficar

Eu não tive outra opção

Pra cuidar da vida minha

Tive que entrar pra Marinha

Pra cumprir minha missão

Fez doer meu coração

Quando eu tive que deixar

Camocim o meu lugar

Pra Força Armada servir

Era o dever de partir

E a vontade de ficar

 Joabnascimento

9

Quando saí do sertão

Em 25 de julho

Eu não tive algum orgulho

Por deixar meu belo chão

Pra mamãe dei a bênção

Ela se pôs a chorar

Eu comecei a pensar

Vou porque tenho que ir

ERA O DEVER DE PARTIR

E A VONTADE DE FICAR.

 Marcos Silva.

10

Eu nasci em Fortaleza

Mas a minha profissão

Me chamava pro sertão.

Certo dia a natureza

Percebeu minha incerteza

Resolveu me alertar:

Eu mergulhava no mar

E a onda a me sacudir

"Era o dever de partir

E a vontade de ficar.”

 Giovanni Arruda

*

Xilo de Carlos Henrique

Roda de glosa, com mote de Joaquim Mendes Joames, coordenada por Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com