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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

MULHER NA CIRANDA POÉTICA

CIRANDA POÉTICA

A presença da mulher na literatura de cordel
*
Esta Ciranda poética objetiva trazer para a cena literária as produções que tratam da inserção da mulher no universo da produção poética.
1
A mulher em movimento,
No cordel já é presença,
Leva ao mundo o que pensa,
Traz no verso sentimento:
Se está triste, faz lamento,
Mas no riso logo abranda
Com coragem, à frente anda,
Nos seus passos a firmeza;
Traz o ritmo e a beleza
Ao rodar nesta ciranda.
(Creusa Meira – Bahia)
2
E na Literatura de Cordel
a mulher se revelou que é capaz
qualquer tema apresentado, ela faz
com precisão e a firmeza do cinzel;
outras vezes, ela é favo de mel
nessa Arte se firmou e é segura;
faz folheto e também xilogravura
no verso decassílabo, o meu preito
minha homenagem e o meu respeito
à Musa verdadeira da Cultura!
(Bastinha Job – Ceará)
3
Sejam bem-vindas mulheres
Em nossa literatura
Com seus versos criativos
Recheados de ternura
Porque mulher não faz mal
Quando ao homem se mistura
(Zé Walter Pires – Bahia)
4
Muito tempo, o cordel ficou refém
Da visão do cruel patriarcado,
À mulher o espaço foi negado,
O que à arte do verso não fez bem.
Se a mulher foi tratada com desdém,
Com esforços venceu os preconceitos,
Com talento firmou os seus preceitos,
Com beleza enfeitou a poesia,
Sem rancor, com muita galhardia,
Triunfou, conquistando seus direitos.
(Marco Haurélio – São Paulo)
5
Josenir no cordel pôs maestria
e Bastinha expandiu o seu percurso,
veio Rosário Pinto e o deu recurso
na internet com a tecnologia,
a mulher no cordel mostrou um guia
que precisa ser visto e ser seguido,
porque muito nós temos aprendido
com mulheres guerreiras como essas
que ao cordel já pregaram muitas peças
e o tornou hoje em dia bem mais lido
(Raul Poeta – Rio Grande do Norte)
6
Hoje, vejo com orgulho
Um universo diferente
A mulher que era excluída
Da poesia, do repente
Com jeitinho, vem chegando
Mostrando que é competente.
(Nelcimá de Morais – Paraíba)
7
Abram alas, meus senhores,
para o verso popular
que em nosso cordel de saia
a mulher tomou lugar.
É cordel feito ciranda
cantada à beira do mar.
(Zilma Ferreira Pinto – Paraíba)
8
Na poesia, a mulher
põe toda sua emoção,
em qualquer modalidade,
cordel, soneto ou canção,
mulher que escreve verso
escreve com o coração.
(Nezita Alencar – Paraíba)
9
Dona de si bem segura
Mulher brilha no cordel
E faz bonito papel
Na arte da literatura.
Preconceito não atura,
Entra na roda com gosto
E cativa o sexo oposto
Com sua criatividade
Mostrando capacidade,
Dando ao cordel novo rosto.
(Dalinha Catunda – Ceará /Rio de Janeiro)
10
A mulher é uma musa,
Que o homem sempre quer bem
Pelo amor que ela traduz
Pela beleza que tem
Ela inspira o menestrel
E o poema de cordel
Já escreve muito bem.
(Bento Raimundo Leitão Rodrigues – Ceará)
11
Patativa do Assaré,
Nos contou toda a verdade:
Foi Mãe Preta quem cantou,
Cantigas da oralidade.
Histórias da tradição,
Guardadas no coração,
Por toda a posteridade
(Rosário Pinto – Maranhão /Rio de Janeiro)

12
Graças a Deus, a mulher
Reconheceu seu espaço
Porém conserva o abraço
Daquele que bem lhe quer
Faz com garbo o seu mister
Com talento, o seu papel
No universo do cordel
Conquistou prestígio e fama
Produz do jeito que ama
Apaixonada e fiel.
Josenir Alves de Lacerda- Crato-Ceará
13
A mulher sempre foi um ser valente,
Apesar da má fé do opressor.
Hoje, mostra, bonito, o seu valor
De maneira singela e eloquente.
Na poesia se mostra inteligente,
Pois compõe e declama com emoção.
Grande musa, ao abrir o seu coração,
Faz disparos de bonitos fonemas
Escrevendo, de vez, belos poemas
Com a força sublime da paixão.
(Sávio Pinheiro – Fortaleza, CE)
*
Novembro 2011
.
Memórias poéticas
*
Creusa Meira – Bahia
Poeta de cordel, natural de Dom Basílio (BA), residente em Salvador. Apaixonou-se pela literatura de cordel, após contato com a poesia de Patativa do Assaré e os escritos de seu Pai Né Meira (bandolinista), que escreveu Diários e ABCs em sextilhas e os esqueceu entre papéis guardados. Com o advento do Cordel na internet participou de um festival de versos virtuais e um concurso de Cordel.

Zé Walter Pires – Bahia
Poeta de cordel, cronista e contador de causos, José Walter Pires, natural de Ituaçu,  radicado em Brumado (BA). Sociólogo, Advogado, Educador Seus folhetos tem caráter social, educativo. Busca principalmente divulgar as técnicas de elaboração da criação poética voltada para a metodologia da literatura de cordel.
www.fatorsh.com.br

Bastinha Job – Santo Amaro - Assaré - Ceará
Sebastiana Gomes de Almeida Job, Bastinha,
Nasceu em Santo Amaro município de Assaré. Sente-se orgulhosa de ser conterrânea de Patativa.
Professora de Língua Portuguesa e Literatura Popular da Universidade Regional do Cariri – URCA. Desta última cadeira foi também sua fundadora.
bastinhajob@ig.com.br

Marco Haurélio – São Paulo
Poeta de cordel, 1974, natural de Ponta da Serra, sertão baiano. Desde muito cedo entrou  em contato com a literatura de cordel, escrevendo sua primeira estória com apenas seis anos. Licenciado em Letras pela Universidade do Estado da Bahia. Ministra palestras sobre cordel e literatura popular.

Raul Poeta –
Tem vários trabalhos publicados em parceria com outros poetas e individualmente. É professor de Literatura de Cordel e literatura clássica, ministra palestra sobre cultura popular em área que é também pesquisador. Escreve em todas as modalidades poéticas, principalmente na literatura clássica.  Sua linha mais direta é: 9916 2839
raul-poeta@hotmail.com

Nelcimá de Morais – Santa Luzia - Paraíba
Poeta de cordel e professora, natural de Santa Luzia, (PB), 1957. Aos 18 anos ingressou no magistério, exercendo suas atividades nas cidades de Junco do Seridó, Santa Luzia, Patos e João Pessoa, onde reside atualmente. Com muitos folhetos publicados e várias oficinas realizadas, Nelcimá é responsável pelo Blog de Cordel.
Blog de Cordel

Zilma Ferreira Pinto – Paraíba
Poetisa e cordelista paraibana, autora de vários títulos, dentre eles:
Romance de Mané Besta e da Princesa Sabida
A Demanda do Santo Graal
A história da Santa Igreja de Abraão e Jesus Cristo
O Romance de Ferdinando e Maria
Os Mártires de Cunhaú
O caso do fogo de Ageu acontecido em Barra de Santana na ribeira do Paraíba do Norte
A vida de Maria da Pedra ou a gesta de uma mulher que se tornou personagem do Parque da Pedra da Boca.

Nezite Alencar – Crato - Ceará
Desde menina, rabiscava poemas, coisa de adolescente. Em 1987, fez, ela própria uma seleção e publicou o primeiro livro: Em forma de Coração.  Professora primária continuou escrevendo poesias para uso em sala de aula. Em 2005 foi convidada por um editor, (ex-aluno) a escrever cordéis didáticos para uma coleção. Foi assim sua estréia no cordel, participando com três títulos da "coleção cordel" da Editora Paulus – SP. Entrou para a Academia dos Cordelistas do Crato, convidada por Josenir Lacerda. Selecionada pelo Prêmio Patativa do Assaré, 2010, com o poema, Juanito e o Monstro Marinho, cordel do gênero maravilhoso, já no prelo.
 (nezitealencar@globo.com)

Dalinha Catunda – Ceará/Rio de Janeiro

Dalinha Catunda – Ceará/Rio de Janeiro
Dalinha Catunda, Maria de Lourdes Aragão Catunda, poeta popular, natural de sua Ipueiras, CE, de onde tira toda a sua inspiração, nos apresenta uma poesia leve e que brota da alma, borbulhante como água de uma fonte que nunca se esgota. Sua temática é sempre corajosa, carregada de humor e com rimas impecáveis. Sua criatividade/atividade é intensa, explode ao menor sinal. Basta cutucá-la com um tema qualquer, que logo começa um novo poema.

Bento Raimundo Leitão Rodrigues – Ceará
Nasceu na Lagoa das Pedras dos Rodrigues, município de Crateús, CE. É repentista, sanfoneiro e violeiro. Não costuma correr de uma boa peleja e topa qualquer desafio.

Rosário Pinto – Maranhão/Rio de Janeiro
Pesquisadora e responsável pela Cordelteca – Memória da literatura de cordel, da Biblioteca Amadeu Amaral/CNFCP. Natural de Bacabal, MA, mas desde criança radicada no Rio de Janeiro. Faz suas primeiras incursões do campo da poesia, já publicou Fuxico de Mulher, uma peleja virtual, em parceria com Dalinha Catunda.


Sávio Pinheiro
Poeta de cordel e médico, natural de Vársea Alegre (CE). Responsável pelo Projeto Receitando o Cordel na Saúde Coletiva – Literatura de Cordel como Instrumento de Educação Popular para a Saúde, de Sávio Pinheiro, foi tema da matéria de capa da Revista Brasileira Saúde da Família, na publicação de julho a setembro de 2006, por ter sido o vencedor do I Encontro de Experiências Exitosas da Estratégia Saúde da Família, sediado em João Pessoa (PB).

2 comentários:

  1. chego aqui, peço licença
    pra cantar uma canção
    fortaleço minha crença
    no valor da emoção
    a mulher cantando em verso
    faz melhor o universo
    põe perfume na razão.


    João Nicodemos - João Pessoa PB

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