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quinta-feira, 25 de março de 2010

ABOIOS E VAQUEIROS


ABOIOS E VAQUEIROS

No sertão eu me criei,
Vendo a boiada passar.
Os aboios dos vaqueiros
Sempre gostei de escutar.
A boiada seguia em frente
Seguindo o canto dolente
Do vaqueiro a aboiar

Meu coração sertanejo
Transborda de emoção,
Quando vejo uma boiada
Tirando poeira do chão.
O som firme do berrante
Sai do boiadeiro amante
Que gosta da profissão.

Ai como ainda me lembro
Dos encantos de outrora,
Eu, debruçada na janela.
A boiada passando lá fora.
Dói demais meu coração
Boas lembranças do sertão,
Que na alma saudosa aflora.

Vaqueiro trajando couro,
Com perneiras e gibão,
Esporas e botas nos pés
Como manda a tradição.
Assim eu via os vaqueiros,
Passando em meu terreiro,
E me acenando com a mão.

Da lembrança não me sai,
O velho Chico Carmina.
Vaqueiro de seu Esmeraldo,
O esposo de dona Joelina.
Por minha rua ele passava,
E tangendo o gado aboiava
Cumprindo a sagrada rotina.

Eita tempo velho malvado,
Que abusa da judiação.
Maltrata essa nordestina,
Que deixou o seu sertão.
E feito um bezerro apartado
Bem longe do seu estado
Chora querendo seu chão.

Texto: Dalinha Catunda
Foto retirada do site oficial de Ipueiras

2 comentários:

  1. OH! Dalinha,
    FANTÁSTICOS os seus versos. Transbordam sensibilidade... e emoção... Parabéns!!! Bjim.

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  2. Querida Dalinha,

    Seus versos escrevem a verdadeira história e vida do vaqueiro do sertão. Bonita demais!

    Beijos, com carinho

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