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sábado, 6 de agosto de 2022

Vida na roça - Aboio


 Dalinha Catunda, cirandeira, poeta de cordel e artesã

Cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

NA REDE COM DALINHA


 

NA REDE COM DALINHA

*

RAINILTON DE SIVOCA

Quando eu era pequeno

Minha vó sempre dizia:

Manga com leite é veneno

Se eu chupasse morria

Toda vez era esse enredo

Mas eu chupava sem medo

E nem se quer me ofendia.

*

DALINHA CATUNDA

Quando eu era inda pequena

Mas já mocinha faceira

Minha mãe sempre dizia

Não prove da macaxeira

Mas eu provei e foi quente

E o meu bucho de repente

Cresceu com a brincadeira.

*

DAVID FERREIRA

No tempo d'eu meninote,

vi coisa que desarreada!...

Os mais "véi" sempre diziam

"ovo e manga e tiro e queda!"

Mas eu chupei, não o ovo,

manga madura - né povo!

pois, sendo verde, ela azeda.

*

VÂNIA FREITAS

Eu comi manga com febre

Nem morri como dizia

Fiquei foi muito valente

Comigo ninguém mexia

Não tinha medo de homem

Nem também de lobisomem

De mim o bicho corria.

*

GIOVANNI ARRUDA

Quando eu era pixoxoto.

Não comia doce quente

Minha mãe sempre dizia

Que furava o meu dente

Mas eu era muito esperto

Quando mãe não tava perto

Nunca fui obediente

*

ARAQUEM VASCONCELOS

Quando eu era um "culumim "

Minha avó sempre dizia

Quando for tomar café

Não misture com água fria

Pra não ter constipação

Sofrer uma congestão

E morrer no mesmo dia

*

DULCE ESTEVES

Minha avó sempre dizia

Cuidado com banho quente

Mas, eu não me prevenia

Era muito inconsequente

Evite, pois , ventania...

Tu fica troncha demente!

Dulce Esteves

*

ALBERTO FRANCISCO

Quando eu era molecote

me dizia meu Irmão

que não podia engolir

a semente Do Limão

inventei fazer um suco

não prestei muita atenção

uma semente desceu

ainda Ia Nos Pulmão

eu já sentia um alicate

puxando as cordas dos grão.

*

JOAQUIM MENDES JOAMES

Quando eu era adolescente

Meu pai me dizia: rapaz,

Se perder alguma coisa,

Busque, lute, corra atrás;

Mas se perder a vergonha

Buscá-la não se disponha,

Porque não encontra mais!

*

RIVAMOURA TEIXEIRA

Eu era pirritotinho

Mãe dizia meninada

Faça o sinal da cruz

Passando embaixo da escada

Quando olhar uma estrela

Não aponte não ao vê-la

Nascem verrugas, moçada.

*

Xilo de Carlos Henrique.

postagem de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

terça-feira, 26 de julho de 2022

4º ENCONTRO DE POETAS POPULARES - de 28 a 31 de julho de 2022

 

4º ENCONTRO DE POETAS POPULARES + TENDÊNCIAS

Autoras: Rosário Pinto e Dalinha Catunda

Venha para o nosso Encontro
De Poetas Populares
Em sua quarta edição
Traz poesia e cantares
Do Cordel e do Repente
E de Tendência atraente
De alegria pelos ares.
RP
É em vinte e oito de julho
Que começa a animação
Na Arena Fernando Torres
Tem Cordel, tem tradição,
Tem canto, tem brincadeira,
No espaço de Madureira,
E Oficinas em ação.
DC
Chame todos os amigos!
Os que admiram o cordel.
Vamos nos fortalecer.
Fazer tal qual menestrel,
Para aqui valorizar,
A cultura popular,
Viajar neste corcel
RP
Até trinta e um de julho,
Você pode apreciar,
O Canto de Repentista
E quem veio pra falar,
Sobre Arte, sobre Cultura.
E o Cordel literatura,
Vai ter palco pra brilhar.
DC
Cordel é Cultura viva!
Patrimônio Cultural.
Temos que salvaguardar.
É literatura Oral.
Poeta é Detentor,
Registro tem seu valor.
É Bem Imaterial
RP
Este é o 4º Encontro.
Você não pode faltar,
De Poetas Populares
Que veio para ficar.
Na verdade, um Festival!
E vai ser sensacional,
Você pode acreditar!
DC

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Os versos desta programação do 4º Encontro de poetas populares + Tendências são compostos em setilhas (sete pés ou linhas, com sete sílabas métricas, no esquema de rimas do 2º com o 4º e o 7º; e, o 5º e 6º entre si.


E no dia 30 de julho estaremos Miguel Bezerra, Dalinha Catunda e Rosário Pinto,  num Bate Papo, que você não pode perder.

Esperamos todos lá, Arena Fernando Torres, Parque de Madureira, Rio de Janeiro, RJ



sexta-feira, 8 de julho de 2022

CORDEL DE SAIA - Folheto

CORDEL DE SAIA
1
A mulher faz diferença
No cenário do cordel
Conhece bem seu papel
E no palco tem presença
A musa roga licença
Para iniciar seu canto
Sabe escrever com encanto
Enaltecendo a cultura
Ornando a literatura
Em todo e qualquer recanto.
2
Para o seu cordel fazer
A mulher se preparou
Ela se capacitou
Garanto e posso dizer
Fez e faz por merecer
Esse lugar conquistado
Pois já ficou comprovado
Que seu nome é competência
Das regras tomou ciência
Tem currículo aprovado.
3
É cheio de inovação
O Cordel vestindo saia
Lá no alto feito arraia
Faz a sua evolução
Não esquece a tradição
Traz de volta a cantadeira
Dando voz a cirandeira
Com seus trajes coloridos
Os aplausos repetidos
Saúdam essa bandeira.
4
Na peleja virtual
A mulher, bonito faz
Demonstra que é capaz
Destemida e atual
Se um dia foi desigual
O mundo cordeliano
Na saia ela botou pano
Para rodar o babado
Espantar o mau olhado
E seguir sem desengano.
5
Na boca da cordelista
Renasce o cordel cantado
Por muitos apreciado
É imensa a nossa lista
A mulher está na pista
Faz graça na cantoria
Encara bem a porfia
Na hora de pelejar
Canta sem titubear
Agindo traz alegria.
6
É a mulher nordestina
A que canta alegremente
Os versos que tem na mente
Com sorriso de menina
Se junta e não desatina
Para dar o seu recado
Bota o cordel no tablado
Nos cabelos uma flor
Sabe que tem seu valor
E pra ela tem mercado.
7
Nosso cordel feminino
Nosso cordel de mulher
Não é de meia-colher
É arte de quem tem tino
E bota tempero fino
Para os versos temperar
Assim consegue agradar
Quem gosta do que é bom
Por não ter medo do tom
Da fêmea a versejar.
8
Hoje já vejo calcinha
Lado a lado com cueca
Em bancas ou cordelteca
Uma com outra se alinha
Pois antes só homem tinha
Esse lugar ocupando
Mas a coisa foi mudando
Pra nossa felicidade
Chega, enfim, a igualdade
De gênero se irmanando.
9
Ser cantada ou escrachada
Ou ser musa de poeta
Da mulher não era a meta
Eu não estou enganada
Sem se fazer de rogada
Ela então se resolveu
E seu cordel escreveu
Dando fim a tirania
Nasceu cordel de Maria
Cresceu e sobreviveu.
10
Sem drama e sem salseiro
O homem não relutou
A mulher ele aceitou
Acabou sendo parceiro
Age no mesmo terreiro
Mas no fundo a gente sente
Que ainda é diferente
A condição feminina
O homem sempre termina
Com vantagens, claramente.
11
Com decote ou sem decote
A mulher chega e abusa
Enfeita sacola e blusa
Canta dança e dá pinote
Perfuma bem o cangote
Em cada apresentação
Faz a sua saudação
Sempre em alto e bom som
Com a boca de batom
Capricha na louvação.
12
Louva a Matuta fogosa
Que se vestia de chita
Botava laço de fita
Só para ficar mimosa
Louva a cabocla cheirosa
Que vivia no sertão
E dançava São João
Nos bons tempos de fogueira
Toda jeitosa e faceira
E seguindo a tradição.
13
Louva a famosa Maria
Parceira de Lampião
Que gostou do Capitão
E largou sua moradia
Pra viver como queria
Ao lado do cangaceiro
Sua paixão o parceiro
Que cruzou em seu destino
Um romance nordestino
Do casal aventureiro.
14
Louva a mulher aguerrida
Que pelo mundo se embrenha
Que é Maria da Penha
Que não desistiu da vida
E disso ninguém duvida
É verdade absoluta
É comandante da luta
Que favorece a mulher
E pelo o que faz requer
Respeito a sua conduta.
15
Viva a mulher cordelista
Que inovou no cordel
Que faz versos à granel
No assunto é estilista
Sempre tem nova conquista
É artesã da cultura
Agrega a literatura
Poesia e artesanato
Entrelaça em cada ato
Subsídios pra leitura.
16
A fêmea que se escondia
Nome e sobrenome tem
Faz o cordel e faz bem
É membro de academia
No mundo da poesia
Que hoje se descortina
Com a verve feminina
De sortilégio replena
A mulher se mostra plena
Escreve, assume e assina.
*
Cordel de Dalinha Catunda
Cordelista cirandeira e artesã
Xilo de Jefferson Campos
dalinhaac@gmail.com

 

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Os Giros da Cirandeira


Os Giros da Cirandeira

*

Com uma flor nos cabelos

Vai ela toda faceira

Com a maleta na mão

Caminha essa cirandeira

E enfeita com a poesia

Os passos do dia a dia

A poetisa brejeira.

*

De Dalinha Catunda para Lindicássia Nascimento

Cordelista - Cirandeira e artesã

dalinhaac@gmail.com

terça-feira, 5 de julho de 2022

Vida na Roça Dalinha Catunda


 Um pedacinho da minha vida na roça
Dalinha Catunda - Cordelista - Cirandeira e artesã
dalinhaac@gmail.com

sábado, 2 de julho de 2022

EU ME PERMITO O DIREITO DE VIVER OUTRA VERDADE

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE

*

Não moro numa palhoça

Não vivo numa choupana

Mesmo não sendo em cabana

Eu vivo a vida da roça

As vezes até faço troça

Da vida lá da cidade

Competição falsidade

Faz moradia no peito

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE

Mote e glosa de Dalinha Catunda

Cachoeiras de Macacu- RJ

*

Morando na capital

Não posso nem reclamar

Mas, o meu melhor lugar

É com cheiro de curral

Poder curtir animal

Viver com mais liberdade

Sem barulho de cidade

Numa rede me deleito

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE.

MOTE : Dalinha Catunda

Glosa : Dulce Esteves

*

A vida já é tão lesta

Pra não gozá-la inteirinha

Com modéstia, simplesinha

Com o que é bom, o que presta;

Dalinha se manifesta

Salutar pra toda idade

Somente quem tem maldade

Pousa de insatisfeito:

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE.

Mote de Dalinha Catunda,

Glosa de Bastinha Job

*

Moro numa capital

Sem querer num apartamento

Que chamo de apertamento

Que não é original

Prefiro casa e quintal

Que me traz felicidade

Hoje me resta saudade

Agora não tem mais jeito

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE

Mote de Dalinha Catunda

Glosa de Vânia Freitas

*

Passei por uma mudança

Para poder estudar,

Foi duro me acostumar,

Ainda é forte a lembrança

Ninguém volta a ser criança

Correndo com liberdade,

Hoje é outra realidade

O que já fiz está feito

​EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE

Mote - Dalinha Catunda

Glosa - Creusa Meira​

*

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE

Eu sou pobre nordestino,

um cidadão respeitado,

sou cabra considerado,

sou honesto desde menino,

eu tracei o meu destino,

buscando prosperidade,

consegui ter na verdade,

muita amizade e respeito

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE

Glosa Joabnascimento Camocim-CE

Mote de Dalinha Catunda

*

Eu não moro, choramingo

Num "ap" trancafiado

Mas me sinto compensado

Sexta, sábado e domingo

Viajando eu me vingo

Das mazelas da cidade

Quando o verde me invade

Me renovo, me deleito

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE

Mote: Dalinha Catunda

Glosa: Giovanni Arruda

*

Sou nascido no Nordeste

Mesmo que queira mudar

Eu não consigo enganar

Fez enquanto, eu falo "peste"

Hoje, moro no Sudeste

Em uma média cidade

Minha originalidade

Não me causa preconceito

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE.

Glosa Jairo Vasconcelos

Mote, Dalinha Catunda .

*

Sou nativa do sertão

Vivo nele até agora

Minha alma aqui mora

Mas chegando a arribação

Deixo aqui meu coração

E vou em velocidade

Fincar meus pés na cidade

Mesmo com dores no peito

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE

Glosa: Ritinha Oliveira

Mote: Dalinha Catunda

*

A vida que me pertence

Eu que tomo decisão

E disso não abro mão

Esse mote me convence

Portanto você não pense

Que a minha felicidade

E sua propriedade

Imposição não aceito

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA REALIDADE.

Francisco De Assis Sousa

*

Cedo sai do interior

Da palhoça onde nasci.

Mas, confesso que vivi!

E com a idade ainda em flor.

A mudança causou dor.

Tinha dez anos de idade.

Hoje ainda tenho saudade

E embora me doa o peito,

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE

Mote: Dalinha Catunda

Glosa: Rosário Pinto

*

Eu tenho dignidade

Moro numa casa bela

De uma beleza singela

Porém Deus habita nela

O que vejo da janela

Não fica numa cidade

Mas mora a felicidade

Fica num sítio perfeito

EU ME PERMITO O DIREITO

DE VIVER OUTRA VERDADE

Alcinete Pereira

Roda de glosas organizada por Dalinha Catunda

 cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com