Seguidores

terça-feira, 10 de maio de 2022

CONVERSA DE CALÇADA VIRTUAL - XI


 CONVERSA DE CALÇADA VIRTUAL - XI

QUADRINHA POPULAR
*
Um beijo dado na testa
É fácil de ir ao chão
Porém o beijo na boca,
Vai direto ao coração.
Quadrinha colhida nas conversas de calçada
1
Já beijei tanto na vida
Sem me cansar de beijar
Pensei em fazer as contas
Mas não deu para contar.
Dalinha Catunda/ Rio de Janeiro-RJ
2
O beijo é muito bom
Em todos eles me encaixo
Mas o que dá mais tesão
É mesmo o que esquenta em baixo.
Bastinha Job/ Crato-CE
3
Beijei Bete e margarida,
A Janete e Irismar
Mais quem mais amei na vida
Eu não consegui beijar
Jairo Vasconcelos.
4
Araquém Vasconcelos
Soltei um beijo no ar
Pra chegar no meu amor
Foi cair em outro alvo
No bico de um beija flor
Araquem Vasconcelos
5
Beijo é bom quando arrepia
E acende o fogo da gente
A língua escreve poesia
Que os lábios embaixo sente.
Lindicassia Nascimento/ Barbalha-CE
6
Eu beijei e fui beijada,
Durante a adolescência,
Hoje, já aposentada,
Suspiro a experiência.
(Anilda Figueirêdo/Crato-CE)
7
Quem beijou e foi beijada
Sabe o quanto isso é bom
Se estiver apaixonada
Os ritmos saem do tom.
(Chica Emídio - Crato-CE)
8
Já beijei com beijo sério,
Disfarcei quem não amei;
Num beijo me sinto um rei,
Pra dona do meu império.
Wellington Santiago
9
Um beijo dado com gosto
Não importa em que lugar,
Seja na boca ou no rosto,
Mas, o importante é beijar!
Dulce Esteves-Recife-Pernanbuco
10
Beijo Se paga com beijo
Tem este velho ditado
É dado com mais desejo
Quando é dois apaixonado.
Alberto Francisco
11
O beijo quando é sincero
Faz doer o coração
Não há nada que compare
Sendo dado com paixão.
Lucia Luna
12
Vivemos mandando beijo
Para demonstrar carinho
Todo mundo sempre beija
Mesmo quando está sozinho.
Creusa Meira/ Salvador-Baia
13
beijo na boca é bom,
e alegra e deixa calmo,
mas o melhor beijo que tem,
é do umbigo pra baixo um palmo
Sales Sales
14
O beijo é coisa boa
Já beijei e fui beijado
Mas o beijo é mais gostoso
Quando beija apaixonado.
Juvenal dos Santos/Anastácio-MS
15
Fomos nos beija no rosto
Na pressa me atrapalhei
Nossas bocas se encontraram
O melhor beijo que errei.
F.de Assis Sousa - Barbalha/Ce.
16
Sinto saudade do beijo
Do beijo que nunca dei
Perdi até o desejo
De beijar porque não sei.
Vânia Freitas/Fortaleza-CE
17
O beijo quando perfeito
é bendizente e bendito.
Só o Judas, pelo jeito,
o fez eterno e maldito.
David Ferreira/Teresina-Piauí
18
O beijo... O beijo é vida
O início e o fim do amor
Cura até dor e ferida
Que outro beijo maculou
Giovanni Arruda/Fortaleza - CE
19
Ao casal ou aos amigos
Beijar é intimidade
Seja na boca ou no rosto
Denota cumplicidade.
Nilza Dias
20
Comparo o beijo primeiro
Com o mel da jandaíra,
Sendo de amor verdadeiro
Da lembrança ninguém tira.
Joaquim Mendes Joames/ Teresina-Piauí
21
Deixa eu ser seu beija-flor
Me diga sou tua rosa
Seremos eterno amor
Numa vida toda prosa
Rivamoura Teixeira
22
Gosto muito de beijo
Na testa, na bochecha
Na boca, de todo jeito
Mas minha preferencia
E aquele açucarado
Moldado à mão, de coco
Com leite condensado.
Racquel Valério Martins.
23
Tem beijo que vale 100,
Dependendo da moldura...
(O pior beijo que tem),
É o que cai a dentadura.
PAULO FILHO/São João do Jaguaribe - CE
24
Beijei muitas namoradas
Dos "beiços" dar uma dor,
Hoje só beijo Assunção,
Minha esposa, meu amor!
Antonio Carlos da Silva/Fortaleza-CE
25
O beijo de amor é bom
É sempre dado em quem se ama
Já o beijo da paixão
Pode te levar pra cama.
Marina Campelo/ Teresina- Piaui
26
Meu amor envelheceu
E deixou lá no passado
Um sonho que se perdeu
Dentro de um beijo negado.
Fabiana Gomes Vieira. Crato-CE
27
Eu beijo ela sentado
Eu beijo ela em pé
Eu beijo de todo lado
E ela diz: ai, Dedé!
José Nilton de Figueiredo
28
Muitas bocas já beijei
Todas com gosto de mel.
Aqueles homens que amei
Nunca dei beijo infiel.
(Rosário Pinto)
29
Já beijei muita gatinha
Nos pés de jeriquiti
Mas hoje só beijo mermu
É minha veia Celi.
Chico Fabio Cordéis
*
Conversa de Calçada virtual, é uma brincadeira criada por mim, Dalinha Catunda. Sou idealizadora do blog Cordel de Saia e do Cantinho da Dalinha blogs que estou sempre atualizando.
Quero agradecer todos os participantes foi ótima essa rodada de quadras.
“A quadra ou quarteto é uma estrofe de 4 versos. Utiliza esquema rímico semelhante ao da trova (ABAB ou ABBA) mas encontramos com freqüência o esquema mais simples, dos cantadores, que utilizam a rima final apenas nos versos pares (xAxA).”
Cada verso, pé ou linha deve ter sete sílabas poéticas.
Dalinha Catunda – dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 9 de maio de 2022

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA O PRESENTE É SER PRESENTE.


 

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

*

Quem sua mãe esqueceu

Depois de sair de casa

Quem voou, quem criou asa,

Não se achou, mas se perdeu.

A mãe que vida lhe deu,

Hoje está bem diferente,

Perdeu forças, falha a mente,

Mas lutou a vida inteira!

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Mote e glosa de Dalinha Catunda

*

Já não tenho mais a minha

Deus a chamou para o céu

Digna de qualquer troféu

Ser chamada de rainha

Ensinou - me andar na linha

Hoje meu coração sente

Uma saudade frequente

E de forma costumeira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

MOTE : Dalinha Catunda

Glosa: Dulce Esteves

*

Tive duas Mães na vida

Minha mãe e minha avó

Eram quase uma só

No amor e na guarida

Mas Deus fê-las acolhidas

E eu não posso novamente

Abraça-las, levemente

Como fiz a vida inteira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE

MOTE: Dalinha Catunda

Glosa: Giovanni Arruda

*

Devemos ter gratidão

Por tudo que ela faz

Por transmitir tanta paz

Desde a concepção

Lhe tratar com afeição

Nunca ser um filho ausente

Cuidar diuturnamente

A nossa mãe verdadeira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE

MOTE Dalinha Catunda

Glosa Araquem Vasconcelos

*

A minha mãe hoje está

Na lembrança doce e bela

Vejo-a à noite numa estrela

Quando eu olho para lá

No meu coração será

Adorada eternamente

E hoje na vida ausente

É viva de outra maneira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE

Mote- Dalinha Catunda

Glosa - Creusa Meira

*

O mote dá o recado

Para aquele consumista

Esbanja, perde de vista

Esquece o dia sagrado,

Mãe, este ser tão amado,

Com pouco fica contente

Na simples flor ela sente

Perfume da vida inteira:

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

MOTE de Dalinha Catunda

Glosa de Bastinha Job

*

Acho grande hipocrisia

É um filho desumano

Esquecer a mãe um ano

Para lembrá-la um só dia;

Nunca lhe faz companhia,

Não vê, não sabe nem sente,

Que mãe é constantemente

Nossa amiga verdadeira;

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA,

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Mote de Dalinha.

Glosa de Joames.

*

Dia comemorativo

É simplesmente, evento

Cada um tem o momento

A razão e um motivo

Mas você pra ser ativo

Tem que estar constantemente

Com carinho forte e quente

Sendo amor a vida inteira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Rivamoura Teixeira

*

Mamãe mudou para o céu

Ainda não faz um ano

Levá-la daqui foi plano

De Deus que rasgou o véu

Pra entregar a ela o troféu

De quem verdadeiramente

Foi mãe pacientemente

Com coragem e sem canseira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Glosa de Vânia Freitas

Mote de Dalinha Catunda

*

Aos noventa e três de idade

Minha mãezinha partiu

Deus à chamou ela subiu

Indo para a eternidade

Ficou comigo a saudade

Gravada na minha mente

O meu peito ainda sente

Falta da mulher guerreira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Glosa jerismar Batista

Mote: Dalinha Catunda

*

Eu aqui no Sítio Rosto

Na tremenda buraqueira

Vivo na fome trigueira

No comezinho desgosto

Esse prefeito aí posto

Não olha cá para gente

Só faz tudo diferente

Clamo pra doutor Gesteira

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE...

José Nilton Figueiredo

*

Hoje o dia nos convida,

(ricos, pobres e plebeus…),

a sermos gratos a Deus,

por tanta paz e guarida,

hoje, decerto, auferida

por quem de fato ama a gente

todo sempre, eternamente,

solidária e verdadeira…

“LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.”

David Ferreira

*

Minha mãe é Esmeralda

Jóia rara e preciosa;

Sua vida é grandiosa,

Em Deus ela se respalda,

Casou de véu e grinalda.

Hoje saudade ela sente

Se o filho estiver ausente;

Gosta da prole em fileira.

LEVAR PRESENTE É BESTEIRA

O PRESENTE É SER PRESENTE.

Mote: Dalinha Catunda

Glosa: Chica Emídio-Crato-CE.

Roda de glosas coordenada por Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

segunda-feira, 4 de abril de 2022

CERTIFICADO DE MULHER CORAGEM


CERTIFICADO DE MULHER CORAGEM

Eu, Dalinha Catunda, Cidadã Barbalhense, benemérita da Sociedade dos Poetas de Barbalha, laços conquistados através da poesia, nessas poucas palavras, quero agradecer o Certificado de “MULHER CORAGEM” com o qual fui agraciada e dizer aqui, da minha felicidade em fazer parte desse grupo de mulheres que têm História para contar.

Meus agradecimentos a todos que participaram do projeto: Café Mulher e Poesia.

Em especial a Lindicássia Nascimento, Gerente de Artesanato e Economia Solidária do Município de Barbalha.

Dalinha Catunda cad.25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

sábado, 2 de abril de 2022

Lucélia Borges: MULHERES XILÓGRAFAS


 

LUCÉLIA BORGES

 Xilogravadora, pesquisadora e contadora de histórias,

Lucélia Borges nasceu em Bom Jesus da Lapa, sertão baiano, e viveu muitos

anos em Serra do Ramalho, região do Médio São Francisco, em companhia da

bisavó Maria Magalhães Borges (1926-2004), uma grande mestra da cultura

popular. Produtora cultural, xilogravadora e contadora de histórias, dedica-se

à pesquisa das manifestações tradicionais do interior baiano, com destaque

para a cavalhada teatral de Serra do Ramalho e de Bom Jesus da Lapa, tema de

sua pesquisa para o mestrado na Universidade de São Paulo-USP. Em 2018, a

convite do Sharjah Institute for Heritage, esteve nos Emirados Árabes

Unidos, ministrando oficinas de xilogravura para crianças. Ilustrou vários

folhetos de cordel e os livros A Jornada Heroica de Maria, de Marco Haurélio

(Melhoramentos) e Ithale: fábulas de Moçambique, de Artinésio Widnesse

(Editora de Cultura), e Moby Dick em cordel, de Stélio Torquato (Nova

Alexandria).

Lucélia Borges

E-mail: luceliapardim@gmail.com

Fone: (11) 98597-4133

Xilo de Lucélia Borges

Pesquisa de Dalinha Catunda cad. 25 da ABLC
 

MULHER SABERES E OFÍCIO


 

MULHER SABERES E OFÍCIO

*

A mulher no seu trajeto

Marcou bem sua conduta

Abraçando profissões

Nunca fugiu da labuta

Porém muito consciente

Ela sempre é presente

Na base de cada luta.

*

Onde o progresso era lerdo

Laborava sua mão

Exercendo cada ofício

Usando a intuição

Mesmo sem ter faculdade

Serviu a sociedade

Sendo informal em ação.

*

Todo seu conhecimento

É dote matriarcal

Aprendeu fazer canteiro

Com erva medicinal

E lá nos tempos de então

Servia a população

Com plantas do seu quintal

*

Onde não havia médico

Raizeira sempre tinha

Mostrando conhecimento

E os saberes que detinha

Pra quem não tinha dinheiro

O remédio era caseiro

E não faltava mezinha.

*

Folhas para chás e emplastro

Era comum ter na feira

Como hortelã e mastruz

Arruda, malva e cidreira

Também raízes sortidas

Que eram sempre vendidas

Através da raizeira.

*

Nos lugares mais remotos

Nas mais distantes ribeiras

Pessoas eram curadas

Pelas mãos das benzedeiras

Que faziam a benzedura

Seguindo a velha cultura

Das mulheres curandeiras

*

Na fala da rezadeira

Ramo molhado na mão

As palavras milagrosas

Em formato de oração

Chegavam para curar

Quem viesse procurar

Pro seu mal a solução.

*

Mulheres predestinadas

Recebem a incumbência

A de aparar as crianças

Pra isso tinham ciência

São essas aparadeiras

As importantes parteiras

Mulheres de experiência.

*

Eram mulheres humildes

Morando sempre distante

Por serem solicitadas

A qualquer hora e instante

Sendo de noite ou de dia

A pé ou de montaria

Elas seguiam adiante.

*

O artesanato faz parte

Da ocupação feminina

Tricô, crochê e bordados,

Do filé a renda fina

Do barro a palha e cipó

A mulher trança e dá nó

No decorrer da rotina.

*

A destreza da mulher

No trabalho artesanal

É legado do passado

Vindo do berço ancestral

É motivo de alegria

É sessão de terapia

O bendito o ritual.

*

Esse saber cultural

Tem arte tem tradição

É relíquia que artesã

Concretiza em sua mão

O fruto dessa magia

Traz o pão de cada dia

É base é sustentação.

*

O ofício de fazer renda

É mais que uma ocupação.

No movimento dos bilros

A mágica em cada mão

Vejo a rendeira tecendo

E a trama desenvolvendo

No compasso da emoção.

*

A arte de ser rendeira

Um trabalho secular

Que passa de mãe pra filha

E sempre a salvaguardar

Os fios da tradição

Dessa nobre profissão

Que a mulher soube abraçar.

*

A Lavadeira de roupa

Dos tempos de antigamente

Lavava a roupa no rio

Sem reclamar do batente

Cantava com as amigas

No rito velhas cantigas

Alegrando o ambiente

*

Levava sabão em barra

Para a roupa ensaboar

Aproveitava o sol quente

E botava pra quarar

Na pedra a roupa batia

Muitas vezes repetia

Para depois enxaguar.

*

Na arte de passar roupa

A mulher se destacava

Pois era com ferro a brasa

Que a roupa sempre passava

Engomar terno de linho

Para ficar bem durinho

Só quem muito praticava.

*

Nos mais distantes rincões

A mulher se superava

Com a lata na cabeça

Muita água carregava

Com um menino escanchado

Um outro sendo arrastado

A lata ela equilibrava.

*

Com balaio na cabeça.

De porta em porta ou na feira

É sempre essa a rotina

Da cabocla verdureira.

Que monta barraca e anda

E sua vida comanda

Na labuta costumeira.

*

Tem sempre a mão da mulher

Nos lastros da agricultura

Sobrevive com coragem

Encarando essa cultura

Na pesada profissão

Fazendo calo na mão

Na enxada e se aventura.

*

A mulher que planta e colhe

É raiz é fruto é flor

É semente que se espalha

Segue a lida com amor

Da terra tira o alimento

E faz esse movimento

Com fé em Nosso Senhor.

*

Louvo a mulher cordelista

Que tem seu lugar de fala

Que promove outras mulheres

Com seus versos não se cala

Retira do pensamento

Todo seu conhecimento

E ao mundo inteiro propala.

*

Louvo avó, a mãe e a filha

Louvo o elo de união

Que traz no matriarcado

A força da tradição

Louvo a mulher aguerrida

Que na bandeira da vida

Pôs o mastro em sua mão.

*

Cordel de Dalinha Catunda

Capa de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

*