Estarei participando da I FeiraLiterária de Inclusão no Instituto Benjamin Constant.
dalinhaac@gmail.
O Blog Cordel de Saia idealizado e criado pela poeta de cordel, Dalinha Catunda, é direcionado à cultura popular, a mulher aparecerá como figura principal. Aqui receberemos democraticamente, homens e mulheres praticantes deste contagiante mundo encantado da Literatura de cordel. O blog tem também como função divulgar eventos relacionados a literatura de cordel além de descobrir e divulgar a mulher cordelista. Contatos: dalinhaac@gmail.com e rosariuspinto@gmail.com
dalinhaac@gmail.
O Cantador e
o Comentário
Inspirado no
poema, Sou Dalinha do Cordel, Aldy Carvalho – O Cantador – a quem mais uma vez
agradeço, escreveu este significante comentário que me deixou bem lisonjeada e
com vontade de dividir com meus amigos e amigas.
SOU DA LINHA
DO CORDEL
*
Sou Cordel
de Saia
Cordel de
vestido
Cordel
feminino
Cordel
atrevido
Cordel de
Calcinha
Cordel de
Dalinha
Cordel
divertido.
*
Sou manha e
gracejo
Sou verso
ladino
Sou canto
nascido
No chão
nordestino
Sou nesse
universo
Cabocla do
verso
Santo e
libertino.
*
Sou alma do
verso
Sou rima no
ar
Sou dedos
que contam
Pra
metrificar
Sou
inspiração
Dou voz a
oração
No palco a
cantar.
*
Saudações,
Dalinha Catunda
Dalinha
celebra a força e a identidade feminina dentro da tradição da literatura de
cordel. A voz poética assume uma postura orgulhosa e autônoma e como é comum
nesta poetisa, nesse poema, ela constrói uma imagem em que se define a partir
de sua feminilidade e ousadia. A repetição da palavra "Cordel" com
diferentes complementos – "de saia", "de vestido",
"feminino", "atrevido" – sugere a multiplicidade de papéis
e identidades que a mulher pode assumir. "Cordel de Calcinha" e
"Cordel de Dalinha" reforçam essa ideia de intimidade com a arte e da
autora consigo.
A metáfora
de ser "alma do verso" e "rima no ar" sugere que ela se
funde com a poesia, transcendendo as barreiras físicas e tornando-se parte da
própria criação.
Dalinha,
nesses versos, articula, com destreza, a presença e a força da mulher no
cordel, revelando a profundidade e versatilidade da voz feminina no espaço da
cultura popular. A cordelista se coloca como uma mulher múltipla, dona de sua
criação e capaz de se expressar tanto com graciosidade quanto com irreverência.
Minhas todas
palmas a esta nossa colega cordelista de prima.
Aldy Carvalho o Cantador
Dalinha Catunda - Cordelista - Cirandeira - artesã e gestora dos blogs:
www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com
dalinhaac@gmail.com
CORDEL NA FLIP EM 2024
Mais uma vez o cordel marcou presença, na Festa Literária
Internacional de Paraty. Desta feita os cordelistas arcaram com suas despesas,
o patrocínio dos anos passados, infelizmente, não rolou este ano. Contudo, o
IPHAN nos abriu as portas da Casa do Cordel, lutou por parcerias, ampliou
nossos espaços, fora da casa do cordel, nos oferecendo muitas atividades.
Além da exposição e venda de cordéis, participei organizando
e colocando em prática a Ciranda que já virou tradição com o grupo do Rio de
Janeiro e a equipe do IPHAN.
Fiz a Ciranda da Peneira No Coreto do Areal, lá também me
apresentei com Edi Maria e Cleusa Santo, mostrando a As Três Faces de Maria, enfocando
Maria Bonita. Ainda no Coreto do Areal, dei início a uma roda de versos, com
Edi e Cleusa, aproveitando o público presente.
Fiz parte da mesa de debates sobre Cordel e Ciranda e sobre
o registro do cordel como bem imaterial. Fora isso, fiz animação na Casa do Cordel
com Santini, fiz declamações e conversei muito com os leitores.
Posso garantir que valeu a pena ir a Paraty, prestigiar essa
nossa conquista que foi a primeira ação de salvaguarda proposta pelo IPHAN do
Rio após o registro.
Quero agradecer aos cordelistas que interagiram comigo, agradecer
a Letícia, ao André, Pedro e agradecer muito a Lívia pela simpatia e por se
desdobrar para fazer o seu melhor, e fez!
Dalinha Catunda
Cirandeira, cordelista e gestora dos blogs:
www.cantinhodadalinha.blogspot.com
www.cordeldesaia.blogspot.com
dalinhaac@gmail.com
SE VOCÊ
FOSSE UMA ÁRVORE
*
Amigo vou
perguntar.
Gostaria de
saber!
Espero que
me responda,
Se souber me
responder:
se você
fosse uma árvore
Qual
gostaria de ser?
1
Eu gostaria
de ser
A bela
carnaubeira.
Tem palmas
cantarolantes
Essa elegante
palmeira.
É paisagem
nordestina,
Que vejo
desde menina,
Ornando
minha ribeira.
Dalinha
Catunda
2
Acho linda a
oiticica,
Também o
velho imbuzeiro;
O grandalhão
jatobá,
Sombreando o
cajueiro ;
Um pé de
cabaça e cuia ;
Mas prefiro
ser a imbuia,
Me
transformando em roupeiro.
Interagindo
com Dalinha Catunda .
Wellington
Santiago.
3
Eu gostaria
de ser
Um frondoso
cajueiro
Carregadinho
de frutos
Maduros o
ano inteiro
Pra uma rede
armar
Pros meninos
balançar
Na sombra do
meu terreiro
Araquém
Vasconcelos
4
Penso de
outra maneira,
Já que nasci
nordestino;
Queria ser
um Juazeiro
Para acolher
peregrino
Nos momentos
cruciais
E abrigar os
animais
Nas horas do
sol a pino.
(Joames).
5
Quero ser
JABOTICABA
Cheio de
frutos roxinhos
O seu tronco
todo cheio
Fartura que
nem acaba
Parece que
não tem folha
Para mim
melhor escolha
Alimento os
passarinhos.
Dulce
Esteves
6
É lindo o
belo formato
Do
juazeiro,o embu
Mas se fosse
pra escolher
Queria ser
" mulungu "
Para crescer
no sertão
Com flores
lindas que são
Poemas pra
eu e tu.
RivaMoura
7
Eu gostaria
de ser
A pequena
barriguda
Por ser
pequena e com graça
Eu
Simpática, ela muda
Ela produz a
semente
E eu produzo
com a mente
Porque sou
mais linguaruda.
Vânia
Freitas
8
Queria e
quero ser
Aquela
árvore da serra
O nosso
Augusto dos Anjos
Num soneto
que encerra
A fúria dum
pai raivoso
Que a
machadadas iroso
Fez ambos
tombar por terra.
Bastinha Job
9
Eu sonho ser
flamboyant
Para
oferecer as flores
A todos
gratuitamente
Dar sombra
como favores
Nos dias de
sol bem quente
Deixar
cheiroso o ambiente
Com meu
suaves olores.
Jairo
Vasconcelos.
10
Simbolizando
a caatinga
Do nordeste
brasileiro
Caso eu pudesse,
seria
Um frondoso
juazeiro
Exaltado na
canção
De Luiz rei
do baião
Nosso mestre
sanfoneiro
Paulo Silva
10
Certamente
eu seria
U'angico
branco frondoso
Bem na beira
do caminho,
De tronco
bem portentoso
Onde inseto,
bicho e gente,
No seu
sombrear clemente,
Têm descanso
mais gostoso
Arimatéa
Sales
11
Eu já sou,
como se vê,
E sempre
faço por onde,
Frondoso pé
de ipê.
- Pois, em
mim, nunca se esconde
A beleza,
sem clichê,
Mostrada na
minha fronde.
(Prof.
Weslen)
12
Queria ser
uma árvore
E escolheria
a palmeira
E ser
igualmente a ela
Bem magrinha
e bem faceira
Ficar em pé
lá no alto
Sem precisar
usar salto
E nem ouvir
fofoqueira
Euza
Nascimento.
13
Eu gostaria
de ser
O umbuzeiro
sagrado
Pois o vate
Jessier
Diz que é
pau abençoado,
Se falta
invernada, pimba...
A raiz vira
cacimba
Haja umbu
pra todo lado.
Giovanni
Arruda
14
Eu gostaria
de ser
Aquele belo
pereiro
Que meu avô
exaltava
No seu
antigo terreiro
Tinha flores
bem exóticas
Às vezes até
hipnóticas
Era pra nós
um festeiro.
Maria
Nelcimá Morais Santos
15
Se eu
pudesse escolher
Seria um pé
de Juá,
Carregadinho
de frutos,
Vizinho ao
pé de ingá,
Para embaixo
dos seus galhos,
Construir os
agasalhos,
Pr'o cacão e
o sabiá.
Francisca
Gonçalves Emidio
16
Pela sua
utilidade
Quando serve
de coluna
Para a casa
do matuto
Que não
dispõe de fortuna
Eu queria
ter a sorte
De ser belo,
grande e forte
Como um pé
de barauna
Heliodoro
Morais
17
Se eu puder
escolher
Quero ser um
Juazeiro
E com água
nas raízes
Farei da
copa um chuveiro
Pra agoar
todo dia
A roça da
poesia
Tendo safra
o ano inteiro
Ritinha
Oliveira
18
Marina
Campelo
Queria ser
macieira
Que dá a
fruta do pecado
Perfumada e
saborosa
Deixou Adão
enfeitiçado
E esse, com
desejo e afã,
Com Eva
comeu a maçã
E do céu foi
degredado.
Marina
Campelo.
19
Se eu fosse
uma árvore
O meu pai
seria o chão
Da serra do
Araripe
Onde fica o
meu torrão
Seria o
"pé de pequi"
Pequizeiro Cariri
Corpo, alma
e coração!
Lindicássia
Nascimento, Barbalha CE.
20
Digo com
toda certeza
q'eu seria
um pé de acerola
porque é
rico em vitamina "c"
e o seu
fruto é show de bola
e se o
resfriado for precoce
rapidinho
ela cura a tosse
e bem
ligeiro manda embora
George kelé.
21
Se fosse pra
escolher
Entre
tantas, eu queria
Ser um pé de
umburana
Que tem a
casca macia
Pra o
trabalho artesanal
Não existe
outro igual
E todo mundo
aprecia.
Jerismar
Batista
22
Um pezinho
de café
Muitas
sementes botar
E torrado em
grãozinhos
No caco
depois pilar
E ser bebido
quentinho
Sendo o seu
paladar.
Interagindo
com Dalinha.
De mim
sempre lembrar
Vou ser o
seu paladar.
Francisco De
Assis Sousa.
*
Obrigada
poetas e poetisas que participaram dessa Ciranda de Versos, no Conversa de
Calçada Virtual. Meu carinho e meu abraço para todos.
Interação
proposta por Dalinha Catunda.
QUEM NO MUNDO LHE BOTOU
PRECISA SER BEM TRATADA
*
O marternar
é papel
Que confere
santidade,
Mas mexe na
sanidade
Porque o
mundo e cruel,
É como fazer
rapel
Sem a corda
apropriada,
É virar
noite acordada
Porque seu
bebê chorou.
QUEM NO
MUNDO LHE BOTOU
PRECISA SER
BEM TRATADA
*
Na
engrenagem desse mundo
A mãe e peça
central
Desde o
instante crucial
Tem o fazer
mais profundo
Não
distancia um segundo
Porque se
torna morada
Sem a rede
apropriada
Se cala,
nunca cobrou.
QUEM NO
MUNDO LHE BOTOU
PRECISA SER
BEM TRATADA
*
Ela é
senhora da vida
Nós só
nascemos por ela
Pintá-la
numa aquarela
Não diz o
quanto é querida
E nem quão
comprometida
E toda a sua
jornada
Com
olheiras, mal cuidada
Porque se
auto anulou
QUEM NO
MUNDO LHE BOTOU
PRECISA SER
BEM TRATADA
*
Gravidez e
puerpério
Representam
uma jornada
Em que é
abandonada
Isso é algo
muito sério,
Pois sem ter
um refrigério
Pra se
sentir amparada,
E não
vislumbrando nada
Muita mulher
se entregou
QUEM NO
MUNDO LHE BOTOU
PRECISA SER
BEM TRATADA
*
Mote:
Dalinha Catunda
Glosa de Nilza Dias
Trazendo para o Cordel de Saia as boas parcerias
dalinhaac@gmail.com
Idealizadora e responsável por administrar o blog Cordel de Saia. dalinhaac@gmail.com
Cordel no SESC de Copacabana
Com Dalinha Catunda e Edmlson
Santini
Estaremos amanhã, dia 18 de agosto, as15H, no SESC
Copacabana. Eu, Dalinha Catunda e Edmilson Santini, com nossas performances e
muita alegria. Com declamações, rimas e versos, apresentando o mundo encantado
da nossa literatura de cordel, interagindo com o público com cirandas de versos
e muito mais.
É uma oportunidade e tanto de presenciar e
saber mais sobre cordel.
Convido a todos vocês para esse evento, que tem a curadoria
de João Pedro Fagerlande e com entrada é gratuita.
Dalinha Catunda
Gestora e idealizadora do Cordel de Saia
Contato: dalinhaac@gmail.com