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terça-feira, 13 de março de 2018

É CANTO DE MULHER


É CANTO DE MULHER
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Nascida neste sopé
Bem no sul do Ceará
Barbalha terra querida
Que enfeita meu cantá
Nasci e cresci aqui
Encanto do Cariri
"Cante lá que eu canto cá"
*
DALINHA CATUNDA
Também sou do Ceará
Porém filha do sertão
Sou filha das Ipueiras
É mimoso o meu rincão
A cidade é bem festeira
Nossa santa padroeira
É a Virgem da Conceição.
*
LINDICÁSSI NASCIMENTO
Sou mulher, sou fortaleza
Sou canto sem timidez
Sou mulher que sobre o canto
Mostra sua sensatez
Sou alma sou poesia
Sou noite vivendo o dia
Vestida de lucidez!
*
DALINHA CATUNDA
Comigo não tem talvez
Bato no peito ao falar
Sou canto desaforado
Sou mulher a versejar
Sou a letra da canção
A transmitir emoção
Quando canto meu lugar.
*
LINDICÁSSIA NASCIMENTO
Com o sexo masculino
Só brigo se for na cama
Dou-lhe umas chicotadas
Pra acender nossa chama
O cabra tem que ser macho
Se não dele faço um facho
E jogo dentro da lama.
*
DALINHA CATUNDA
Do meu modo nordestino
Cabra fraco eu não aceito
Tem que ter fogo nas ventas
Pra se deitar no meu leito
Cabra que só tem zoada
Eu enfio a bordoada
Pois se for fraco eu rejeito.
*

sábado, 10 de março de 2018

DALINHA CATUNDA X RITINHA OLIVEIRA




DALINHA CATUNDA X RITINHA OLIVEIRA
*
DALINHA CATUNDA
Convidei Dona Ritinha
Pra comigo pelejar
Ela imediatamente
Começou a versejar
Caprichou em cada verso
Pois conhece esse universo
E eu gostei de ser seu par.
*
RITINHA OLIVEIRA
Livrai-me meu Deus amado 
Da amizade enganosa 
Da fofoca e da cobiça 
Da alma tão invejosa 
E da língua que é pior 
Do que cobra venenosa!
*
DALINHA CATUNDA
Livrai-me meu santo pai
Do fuxico e da mentira
De quem mesmo sem ter bala
A língua é arma que atira
Livrai-me de cada cobra
No caminho tem de sobra
Eu tenho horror à traíra.
*
RITINHA OLIVEIRA
Livrai-me daquela flor 
A que afaga com carinho 
Atrai com o seu perfume
Seduzindo com jeitinho 
Logo depois se desveste
Mostrando bem seu espinho!
*
DALINHA CATUNDA
Livrai-me daquela abelha
Que pica e também faz mel
E quando pega o zangão
Sabe como ser cruel
Deus me livre da doçura
De quem vem com picadura
E o que é doce vira fel.
*

Foto do acervo das autoras

segunda-feira, 5 de março de 2018

NÃO BATA NA MULHER ELA TEM PODER


NÃO BATA NA MULHER ELA TEM PODER
*
Não posso chamar de homem
Cabra que bate em mulher.
Peço perdão ao jumento,
Mas é um jegue qualquer.
Não vale o que a gata enterra
Só presta embaixo da terra
E nem sei se a terra quer.
*
Não entendo uma mulher
Que por si perde o respeito
Que apanha do marido
Pra larga-lo não tem peito
Que o amor próprio não tem
Humilha-se vai além
Pra não perder o sujeito.
*
E quando o covarde é preso
Por causa d'uma agressão
A Besta paga fiança
E o liberta da prisão
Por temor ou por cegueira
Vive a sua vida inteira
Só debaixo de opressão.
*
A paixão d'uma mulher
Jamais deve ser maior
Do que o seu amor próprio
Pois não tem nada pior
Do que viver humilhada
Maltratada e massacrada
Numa condição menor.
*
Pois nós temos mil maneiras
De acabar com covardia
Covardes são confiantes
Essa é nossa garantia
A mulher tem sua manha
Sua astúcia é tamanha
Homem algum desconfia.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

DALINHA CATUNDA E DIDEUS SALES



QUE A GENTE SAIBA FLORIR
ONDE A VIDA NOS PLANTAR.
*
DIDEUS SALES
Sonhemos luz para a mente
Mais amor pro coração
Atitude em cada ação
Paz pro coração dolente
Conforto para o carente
Bondade para espalhar.
Lutemos pra ter pra dar
Pra não termos que pedir.
QUE A GENTE SAIBA FLORIR
ONDE A VIDA NOS PLANTAR.

*
DALINHA CATUNDA
Quando parti do sertão
A dor partiu o meu peito
Na saudade não dei jeito
Maltratava o coração
Mas a resignação
Chegou para me acalmar
Distante do meu lugar
Eu tive que prosseguir:
QUE A GENTE SAIBA FLORIR
ONDE A VIDA NOS PLANTAR.
*
Mote de (Dideus Sales)

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ARROLADA


ARROLADA
1
Vou contar um episódio
Uma história singular
Um Inusitado estupro
Que nem chegou a rolar
Mesmo estando desolada
A vítima inconformada
Resolveu denunciar.
2
Já que tinha decidido
Não mudou de opinião
Sujeito tão atrevido
Merece mesmo é prisão
E pensando assim sem dó
Já partiu paro o BO
Com muita indignação.
3
Logo pegou uma amiga
Que o sujeito conhecia
Juntinhas as duas foram
Direto a delegacia
Paciente o delegado
Que cuidava do condado
A tal vítima atendia.
4
Ele foi atencioso
Cumprindo sua função
Mandou a dupla sentar
E chamou o escrivão
Naquele exato momento
Tomou o depoimento
E pé da situação.
5
A senhora então me diga
Como tudo sucedeu
Como foi que o meliante
Com a dama procedeu
Para aqui eu registrar
E o sujeito procurar
Depois do relato seu.
6
A mulher envergonhada
Não sabia o que dizer
Na cadeira acanhada
Começou a se mexer
Entretanto o delegado
Todo cheio de cuidado
Ajudou no decorrer.
7
Com a voz mansa e pausada
Bem calmo naquele dia
Foi fazendo umas perguntas
Para ver o que colhia
De modo bem respeitoso
Educado e cauteloso
Pois o fato assim pedia.
8
Ele tirou sua roupa
E as calças dele arriou
E de dentro das cuecas
O órgão então retirou 
E com o órgão na mão
Começou a infração
E da senhora abusou?
9
A mulher olhou pra amiga
Também para o delegado
Esqueceu sua mudez
E com um riso acanhado
Respondeu a indagação
Naquela ocasião
Com o rosto inda corado.
10
Doutor eu vou lhe dizer
Um órgão eu não vi não!
Era só uma cornetinha
Que mal cabia na mão
Eu nem sei como alguém
Que um tico de pinto tem
Se aventura nessa ação.
11

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

José Rodrigues de Oliveira [Jota Rodrigues] 09/05/1934-22/02/2018

Amigos leitores,

É com pesar que informo o falecimento do poeta José Rodrigues de Oliveira, o Jota Rodrigues, natural de Águas Belas, Pe., um dos mais tradicionais poetas populares do Brasil, radicado no Rio de Janeiro. Como os demais, suas temáticas estão voltadas para os valores da educação social, familiar e da escola. Em suas composições temos muitos folhetos biográficos. Biografias de artistas da música e de políticos. Todos os seus trabalhos trazem xilogravuras do próprio autor.

A Biblioteca Amadeu Amaral tem sob sua guarda 159 títulos de Jota Rodrigues. Dentre eles, ressalto o folheto dedicado a Manuel Diégues Júnior, que foi reeditado em 2012 em homenagem ao centenário do renomado folclorista.

Clic nos links e leia na íntegra os folhetos selecionados.

C2380 – 1ª ed.
Jota Rodrigues [José Rodrigues de Oliveira]. Nascimento e vida do sociólogo Dr. Manoel Diégues Júnior. .[S.l.: s.n., 19--]. 8 p. 31 estrofes : setilhas : 7 silabas.

  

C6901 – 2ª ed.
Jota Rodrigues [José Rodrigues de Oliveira]. Nascimento e vida do sociólogo Dr. Manuel Diégues Junior. Rio de Janeiro, RJ: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, 2012. 9 p. 31 estrofes : setilhas : 7 sílabas. 
(Edição fax-similar em homenagem ao centenário do folclorista Manuel Diégues Junior)


C0632
Jota Rodrigues [José Rodrigues de Oliveira]. O cordel na pedagogia. Nova Iguaçu: [s.n.], 1983. 8 p. 31 estrofes : setilhas : 7 sílabas. 

C4050
Jota Rodrigues [José Rodrigues de Oliveira]. Origem e identidade do cordel. Nova Iguaçu: [s.n.], 1994. 8 p. 31 estrofes : setilhas : 7 sílabas.


Jota Rodrigues inaugurou a Sala do Artista Popular com a exposição JOTA RODRIGUES, folhetos, romances/literatura de cordel, pelo período de 31 de maio a 17 de junho de 1983.


Deixe aqui seus comentários e sua solidariedade.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A Viola falou mais alto no evento em Ipueiras





Retalhos do evento.

Quando a viola falou mais alto.
Entre muitas atrações no V Encontro de Poetas Cordelista na Cidade de Ipueiras, destaco a presença e a apresentação da dupla, Aldemá de Marais e Marlon Torres, poetas e cantadores.
A dupla além de cantar algumas modalidades do repente, brincaram com a plateia animando o evento. Quando a dupla de desfez, Marlon deu um show soltando a voz com um repertório de primeira.
No final da festa formou-se uma animada roda onde todos cantavam, e Tião Simpatia com Marlon e Aldemá de Morais acompanhavam com suas violas.
Como se diz no meu Ceará: “Foi só o ouro”.
Dalinha Catunda