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sábado, 2 de abril de 2022

MULHER SABERES E OFÍCIO


 

MULHER SABERES E OFÍCIO

*

A mulher no seu trajeto

Marcou bem sua conduta

Abraçando profissões

Nunca fugiu da labuta

Porém muito consciente

Ela sempre é presente

Na base de cada luta.

*

Onde o progresso era lerdo

Laborava sua mão

Exercendo cada ofício

Usando a intuição

Mesmo sem ter faculdade

Serviu a sociedade

Sendo informal em ação.

*

Todo seu conhecimento

É dote matriarcal

Aprendeu fazer canteiro

Com erva medicinal

E lá nos tempos de então

Servia a população

Com plantas do seu quintal

*

Onde não havia médico

Raizeira sempre tinha

Mostrando conhecimento

E os saberes que detinha

Pra quem não tinha dinheiro

O remédio era caseiro

E não faltava mezinha.

*

Folhas para chás e emplastro

Era comum ter na feira

Como hortelã e mastruz

Arruda, malva e cidreira

Também raízes sortidas

Que eram sempre vendidas

Através da raizeira.

*

Nos lugares mais remotos

Nas mais distantes ribeiras

Pessoas eram curadas

Pelas mãos das benzedeiras

Que faziam a benzedura

Seguindo a velha cultura

Das mulheres curandeiras

*

Na fala da rezadeira

Ramo molhado na mão

As palavras milagrosas

Em formato de oração

Chegavam para curar

Quem viesse procurar

Pro seu mal a solução.

*

Mulheres predestinadas

Recebem a incumbência

A de aparar as crianças

Pra isso tinham ciência

São essas aparadeiras

As importantes parteiras

Mulheres de experiência.

*

Eram mulheres humildes

Morando sempre distante

Por serem solicitadas

A qualquer hora e instante

Sendo de noite ou de dia

A pé ou de montaria

Elas seguiam adiante.

*

O artesanato faz parte

Da ocupação feminina

Tricô, crochê e bordados,

Do filé a renda fina

Do barro a palha e cipó

A mulher trança e dá nó

No decorrer da rotina.

*

A destreza da mulher

No trabalho artesanal

É legado do passado

Vindo do berço ancestral

É motivo de alegria

É sessão de terapia

O bendito o ritual.

*

Esse saber cultural

Tem arte tem tradição

É relíquia que artesã

Concretiza em sua mão

O fruto dessa magia

Traz o pão de cada dia

É base é sustentação.

*

O ofício de fazer renda

É mais que uma ocupação.

No movimento dos bilros

A mágica em cada mão

Vejo a rendeira tecendo

E a trama desenvolvendo

No compasso da emoção.

*

A arte de ser rendeira

Um trabalho secular

Que passa de mãe pra filha

E sempre a salvaguardar

Os fios da tradição

Dessa nobre profissão

Que a mulher soube abraçar.

*

A Lavadeira de roupa

Dos tempos de antigamente

Lavava a roupa no rio

Sem reclamar do batente

Cantava com as amigas

No rito velhas cantigas

Alegrando o ambiente

*

Levava sabão em barra

Para a roupa ensaboar

Aproveitava o sol quente

E botava pra quarar

Na pedra a roupa batia

Muitas vezes repetia

Para depois enxaguar.

*

Na arte de passar roupa

A mulher se destacava

Pois era com ferro a brasa

Que a roupa sempre passava

Engomar terno de linho

Para ficar bem durinho

Só quem muito praticava.

*

Nos mais distantes rincões

A mulher se superava

Com a lata na cabeça

Muita água carregava

Com um menino escanchado

Um outro sendo arrastado

A lata ela equilibrava.

*

Com balaio na cabeça.

De porta em porta ou na feira

É sempre essa a rotina

Da cabocla verdureira.

Que monta barraca e anda

E sua vida comanda

Na labuta costumeira.

*

Tem sempre a mão da mulher

Nos lastros da agricultura

Sobrevive com coragem

Encarando essa cultura

Na pesada profissão

Fazendo calo na mão

Na enxada e se aventura.

*

A mulher que planta e colhe

É raiz é fruto é flor

É semente que se espalha

Segue a lida com amor

Da terra tira o alimento

E faz esse movimento

Com fé em Nosso Senhor.

*

Louvo a mulher cordelista

Que tem seu lugar de fala

Que promove outras mulheres

Com seus versos não se cala

Retira do pensamento

Todo seu conhecimento

E ao mundo inteiro propala.

*

Louvo avó, a mãe e a filha

Louvo o elo de união

Que traz no matriarcado

A força da tradição

Louvo a mulher aguerrida

Que na bandeira da vida

Pôs o mastro em sua mão.

*

Cordel de Dalinha Catunda

Capa de Dalinha Catunda

dalinhaac@gmail.com

*

terça-feira, 29 de março de 2022

“83 anos de Publicações Femininas na Literatura de Cordel”


“83 anos de Publicações Femininas na Literatura de Cordel”

A obra coletiva, “83 anos de Publicações Femininas na Literatura de Cordel” é uma obra organizada por Graciele Castro.

Foi com muito prazer que aceitei o convite para participar desse livro que traz importantes registros sobre a literatura de cordel escrita por mulheres.

 No livro discorro sobre a pioneira nesse tipo de Literatura, Maria Batista das Neves Pimentel.

Junto comigo, vem a excelente cordelista, Bastinha Job, que prefaciou meu cordel, e é a grande referência na literatura de cordel.

O livro é um prato cheio para quem para quem aprecia a literatura de cordel e a inclusão da mulher nesse espaço.

Dalinha Catunda cad 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

domingo, 20 de março de 2022

SÓ NÃO ME LASQUEI TODINHA PORQUE JÁ NASCI LASCADA

 

Poetas e poetisas glosando na rede com Dalinha Catunda.

SÓ NÃO ME LASQUEI TODINHA

PORQUE JÁ NASCI LASCADA

Mote: Dalinha Catunda

*

Uma carreira levei

E foi de vaca parida!

Da malfadada corrida,

Eu nem sei como escapei!

A correr eu me danei,

Numa vereda apertada,

Dali não saí cagada,

Pois merda pronta não tinha:

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Mote e glosa de Dalinha Catunda

*

Na noite de quinta feira

Fui caçar com uns amigos

Não sabia dos perigos

Que rondava na ribeira

Quando descemos a ladeira

Pintou o saci na jogada

Deu tremedeira danada,

Que afrouxou, a porta cozinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Jairo Vasconcelos

*

Já nasci com meu destino

Minha sina Deus me deu

Mas tem tanto fariseu

Tão falso e tão cretino

Sem vergonha e sem tino

Se metendo em minha estrada

Não pode mudar mais nada

Nem feitiço me definha:

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Bastinha Job

*

Com o pau você bateu

O bicho também furou

Ele sabe o que levou

Não sei quantas você deu

Quando o cacete comeu

Não contei cada porrada

Ela me disse cansada

E a voz já bem baixinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

 F. de Assis Sousa

*

A Zefa de gameleira

Contou sua trajetória

Uma intrigante história

Da briga lá na ribeira

Com marica cafezeira

Embaixo de uma latada

Fiquei com a roupa rasgada

Assanhada e sem linha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Araquem Vasconcelos

*

Certa vez fui ver um jogo

Com estádio abarrotado

Torcedor de cada lado

Do Flamengo e Botafogo

Eu cheguei puxando fogo

De bandeira empunhada

Mas errei de arquibancada

Quase que virei farinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Giovanni Arruda

*

Entrei zonza numa igreja

Ébria sem o meu sentido

Disse a um homem de vestido

Garçom traga uma cerveja

Ele disse: Trambei, veja!

Sou o padre descarada

Vá embora…e eu vou nada

Quero outra geladinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada

 Ritinha Oliveira

*

Tem cuidado menina

Por onde você caminha

Não ande por aí sozinha

Para não correr perigo

Tu não quer andar comigo

Veja só o resultado

Quase tomava o bonde errado

Entrando noutro transporte

Quem salvou você tá morte

Foi o corte do Machado

Antonio Honório

*

Minha prima Maricota

Viajou pra São Gonçalo

Lá foi montar num cavalo

Que tem nome de marmota

Cavalo correu pra grota

Com minha prima, montada

A prima ficou melada

Me contou a coitadinha:

- Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Marcos Silva

*

Não me interessa saber

quem um dia te lascou

acho que foi por amor

muito mais que por prazer

agora, vou te dizer

não te acho uma coitada

ao contrário, acunhada

nunca fostes coitadinha

tu não se lascou todinha

porque já nasceu lascada.

Xico Bizerra

*

E foi num vão de Metrô.

Justo às seis da manhã.

Era coisa de Satã,

E a multidão me ferrou

Pois o ar até me faltou.

Minha roupa foi rasgada

Fiquei toda imprensada.

Apelei para a mamãezinha.

Só não me lasquei todinha,

Porque já nasci lascada.

 Rosário Pinto

*

Na infância, uma amiga

Briguenta, muito invejosa

Mandou uma carta raivosa

Causando uma certa intriga

Entrei fundo nessa briga

E ela tinha uma aliada

Preparou-me uma cilada

E eu caí feito a patinha

Pó não me lasquei todinha,

Porque já nasci lascada.

Creusa Meira

*

A muito tempo eu ouvia

A minha vó quem contava

Quase o mundo se acabava

E sem entender eu sorria

Quem comer carne de gia

Vai morrer asfixiada

Correu a minha cunhada

E gritou para vizinha

Só não me lasquei todinha

Porque já nasci lascada.

Jerismar Batista

*

Mote de Dalinha Catunda

Xilo de Erivaldo Ferreira

Roda de glosas organizada por Dalinha Catunda.

Obrigada poetas e poetisas que participaram dessa roda glosas que serão divulgadas em outros espaços também.

Dalinha Catunda Cad. 25 da ABLC

dalinhaac@gmail.com

 

 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Vida na roça - video


 Olá, amigos, hoje achei por bem dividir com vocês um pouco da minha rotina aqui no sítio. Aqui o trabalho é muito, mas só em desfrutar da natureza com seu ar puro e sua beleza infinita, compensa.

Dalinha Catunda

MEU ABRAÇO


 MEU ABRAÇO

Meu abraço é generoso
Tem gosto de liberdade
Vasto de felicidade
Sentimento primoroso
Na troca um gesto gostoso
Tira a roupa da emoção
Deixa nú o coração
Sem nenhuma fantasia
Meu abraço é poesia
Vestido de
gratidão
.
Versos e foto de Lindicássia Nascimento.
postagem de Dalinha Catunda cad.25 da ABLC

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

O AVIÃO QUE FAZIA CHOVER


 

O AVIÃO QUE FAZIA CHOVER

*

Já faz tempo inda recordo

Pois nunca pude esquecer

Dessa história que contavam

Do avião que faz chover

Da notícia eu duvidava

Entretanto me encantava

Ir o bicho conhecer.

*

Eu ficava matutando

Isso é verdade ou não é

Pois nesse tipo de história

Não costumo botar fé

Pra findar minha aflição

Tomei minha decisão

Fiz igual a São Tomé.

*

Amante da natureza

A certeza eu tinha então

Que o bombardeio de nuvens

Era feito por trovão

Isso depois do corisco

Deixa no céu o seu risco

Provocando a explosão.

*

E mesmo pensando assim

Eu naquela ocasião

Na companhia de amigos

Fui visitar o avião

Fiquei muito admirada

De lá saí encantada

Depois da elucidação.

*

Puxando pela memória

Recordo essa novidade

Eu jovem passando férias

Crateús era a cidade

Trago na recordação

A história do avião

Que aconteceu de verdade.

*

Versos e foto de Dalinha Catunda.

dalinhaac@gmail.com